Clique aqui para curtir

E receba muitas novidades e informações sobre o blog e sobre o Evangelho.

Seguidores

O homem segue matando em nome de Deus


     Fundamentalismo religioso é uma desgraça na humanidade, pois vemos homens até matando supostamente em nome de Deus. Em pleno século XXI isso continua existindo, basta olharmos para o assassinato contínuo de cristãos no leste europeu e em outras regiões.
     Mas engana-se quem acha que isso é "coisa de muçulmanos". Não! Isso é coisa de homens inescrupulosos, "endiabrados", que usam o nome de uma divindade para justificar suas atrocidades. Há muçulmanos que seriam incapazes de matar um rato, quanto mais um ser humano, enquanto há outros que se gloriam quando dizimam famílias inteiras por professarem outra fé.
     Porém, como disse, isso não é exclusividade de uma religião. Isso mesmo. Judeus cansaram de matar "pagãos" supostamente "em nome de Deus". Nós, "cristãos", que sofremos perseguições em várias partes do mundo, já tivemos (e por incrível que pareça, aqui e ali ainda aparecem fanáticos a esse ponto) muitos que usaram o nome de Deus (e acredite, de Jesus Cristo) para dominar, para manipular e para exterminar. Basta olharmos para a história da humanidade: Cruzadas, colonização, imperialismo, revoluções, Reforma, Inquisição... Milhões de mortos para satisfazer o Ego de alguns humanos. Isso prova que não é uma crença específica que leva a isso e sim, uma mentalidade avessa à vontade de Deus, independentemente da fé que professe.
     Lamentável é ver que passa geração e surge geração, a mentalidade continua a mesma. Que Deus nos guarde e guarde essas pessoas (sejam cristãs, muçulmanas, ateias, judias ou de qualquer outro grupo, afinal todos somos seres humanos e merecemos igualmente amor e respeito) que estão à mercê desses grupos religiosos fanáticos.

Todos temos uma teologia


     Embora o termo "teologia" seja quase demonizado por muitos (por ignorância, no sentido de desinformação) TODOS temos uma teologia. Até quem rejeita o termo "teologia" tem uma teologia: "uma visão que rejeita o que popularmente se chama de teologia". A rejeição dessa "teologia" já é uma teologia e isso a maioria não entende e ainda "torce o nariz". Se você concorda com o que digo, essa é sua teologia (semelhante à minha); se discorda do que digo, essa é sua teologia (uma visão teológica que é incompatível com a minha). Se você crê em Cristo, tem uma teologia cristã, afinal, você acredita que existe um Deus e que um dia Jesus morreu numa Cruz. A partir disso surgem várias implicações. Qualquer compreensão a respeito de Deus (até mesmo se você diz: "é impossível saber algo sobre Deus") é uma teologia, pois é um entendimento sobre Deus, que é baseado na impossibilidade de compreender Deus. Não tem nada de mal nisso.
     Paulo escreveu cartas e os ensinos dele são frutos da compreensão que ele tinha, ou seja, as cartas dele evidenciam sua visão teológica. Quando ele fala de salvação pela graça, por meio da fé, é a teologia de Paulo. Todos os apóstolos tinham uma teologia e todas eram baseadas em Cristo. A teologia de Paulo tinha alguns pontos chave, a de Tiago tinha outros e não necessariamente são incompatíveis uma com a outra. O próprio Jesus tinha Sua teologia: "afirmava ser o Messias, o Cordeiro Eterno de Deus que veio oferecer-se em sacrifício para a salvação do homem. Dizia para amarmos a Deus, ao próximo e para vivermos de forma coerente com esse amor."
     Simploriamente falando, "Amar, perdoar, levantar, acolher, ajudar..." era a teologia de Jesus! Chega de demonizar esse termo, gente!. Vamos perder essa "ingenuidade", pois não tem sentido! Teologia não é meramente um estudo formal em uma instituição e tampouco é o contrário de "ser guiado pelo Espírito Santo". Nada disso! Teologia (termo derivado do grego: Theos + Logos) é toda compreensão e reflexão acerca de Deus, da Criação e da relação entre Criador e criaturas. Até mesmo quem nunca abre a bíblia, nunca reflete sobre nada, apenas repetindo e acreditando no que o seu líder diz no púlpito aos domingos, segue uma teologia: "a teologia desse líder" (detalhe: por não criticar e apenas repetir, é um manipulado por ela, sendo que ela pode ser totalmente incoerente).
     O que acontece é que ao longo dos 2000 anos da história cristã, muita gente já estudou, refletiu e dedicou a vida a essa compreensão da relação de Deus com a Criação. Portanto, mesmo que nós fiquemos fechados em um quarto e sozinhos comecemos a ler a bíblia e a partir disso desenvolvermos nossa compreensão sobre a Palavra e sobre Deus, dificilmente estaremos defendendo algo inédito, pois nesse tempo todo, é praticamente certo que alguém já tenha tido uma interpretação semelhante à nossa e portanto, essa nossa forma de pensar quase certamente até já recebeu um nome. Esse nome representa uma "linha teológica" oficial (Exemplo: calvinismo, arminianismo, luteranismo, pelagianismo...). Não tem nenhum problema nisso, desde que você não ache que alguma dessas compreensões possam conter de forma absoluta, plena e perfeita a Palavra de Deus. Não! Elas são explicações humanas (algumas melhores, outras piores, cabendo a nós seguirmos a que consideramos mais coerente, mais provável, mais frutífera...) para essa Palavra divina incabível em plenitude em nossa compreensão. Mas lembre-se: não importa qual seja sua "tendência" teológica, se ela não gerar amor em você, abandone-a o quanto antes, pois é engano.
     Se isso ficar claro em nossa mente, estaremos tirando nosso pé do fundamentalismo e, mesmo discordando de outras visões, não dedicaremos nossa vida para guerrear ou para disputar tolamente com nosso irmão que pensa diferente de nós.

Autor: Wesley de Sousa Câmara 

Jesus é absoluto; seu entendimento sobre Ele é relativo


     Ninguém de nós segue puramente "preceitos bíblicos" e tampouco "o puro ensino de Jesus". Todos seguimos o que na nossa interpretação são esses preceitos e essa pureza vista em Cristo. Ninguém escapa dessa limitação, dessa "relativização" (não confunda com "relativismo", que seria a ideologia de dizer que não há verdade absoluta, ao contrário de mim, que afirmo que a Verdade Absoluta é Cristo, porém pode ou não corresponder à nossa interpretação do que seja essa Verdade). Apenas divergimos nos critérios na hora de inevitavelmente relativizar. Basta ver que todos (de conservador a liberal, de religioso a anti-religião) usam a mesma bíblia para se justificarem. Só mudam os critérios de interpretação. E nossos critérios (teologias), por mais sinceras e coerentes que sejam, não são perfeitas. Por isso, pare de julgar seu irmão com base nos seus critérios e na sua interpretação! Você não é o parâmetro, irmão (ã). Nossa compreensão sempre será parcial (e por que não dizer "tendenciosa"?) devido às nossas preferências, ao nosso conhecimento prévio, ao condicionamento que já temos em nós por termos crescido aprendendo uma visão em determinado meio ou até mesmo devido ao trauma (ou "raiva") que ficamos por termos sido supostamente enganados por tanto tempo em um grupo manipulador ... É difícil levar isso em consideração é é impossível eliminarmos todos esses fatores. Então, humildade sempre!
     Como diz um pensamento famoso: "Quando aponto o dedo para julgar alguém, três dedos estão apontados em minha direção". Mas julgar o cisco no olho do outro enquanto temos uma trave no nosso é bem mais cômodo... Ou seja, é fácil e conveniente para muitos condenarem todos os que compreendem as coisas de forma um pouco diferente, porém tão relativa (sujeita a acertos e a equívocos) quanto a forma como esses defendem.
     O que fazer, então? Siga de forma sincera (e tentando ser o mais coerente possível) os ensinos de Jesus, que é a revelação plena da Palavra de Deus ao homem. Livre-se de todo fundamentalismo cego, hipócrita e incoerente; livre-se da arrogância e da prepotência de achar que sua interpretação humana é absoluta. Interessante, né, irmão? Das muitas milhares de variações interpretativas, a "pura, simples e perfeita" é exatamente a sua (ou a que o seu grupo defende)? Não há duas pessoas pensantes que concordam 100% em tudo, mas claro que o Espírito Santo resolveu revelar detalhezinhos teológicos justamente para você, né [ironia]? O Espírito Santo nos guia para a Verdade (apontando para Cristo), agora os detalhes e as explicações que o homem dará para esse "caminho" é puramente humano. Se assim não for, teremos que assumir: ou o Espírito Santo revela uma coisa diferente para cada pessoa (e assim não seria confiável e tampouco seria divindade) ou nós é que interpretamos de alguma forma e ingenuamente (ou maldosamente) atribuímos nossa visão ao Espírito Santo. E entre Ele mentir e o homem mentir (mesmo sem perceber), não tenha dúvidas que fico com essa segunda opção.
     Que sejamos humildes e que reconheçamos que Deus não é refém de nossos acertos ou equívocos. Ele não depende de nós para nos amar e para Se entregar por nós. Afinal, o Cordeiro de Deus foi imolado por mim e por você na eternidade, ou seja, antes que qualquer interpretação (e obviamente divergências de pensamento) surgisse. E na história isso foi revelado, de forma compreensível e explícita há 2000 anos, também antes de nascermos.
     Que possamos nos colocar no nosso lugar e aceitarmos que o que vem de Deus em nosso favor é dádiva, é Graça! Não temos méritos. Apenas procuramos compreender, dentro da nossa limitação, o que foi consumado na Cruz por nós e que implicações isso traz em nossa vida. O resto são apenas ingênuas ideias de homens que ainda não entenderam que somos meras vítimas (e não, causa) do Deus amoroso revelado em Cristo.
     Ame e respeite seu irmão. Caminhe junto nas concordâncias e não brigue nas diferenças. Dedique essa energia da briga a alguém que precisa do seu amor, do seu abraço e do seu acolhimento. Ame e deixe que o papel de colocar a Verdade Absoluta dentro de cada um, na eternidade, Deus exercerá com perfeição.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Não queremos justiça; queremos vingança!


     As pessoas hoje lamentam a violência e clamam por justiça, mas na verdade, o que querem, é vingança! Pergunte à mãe de um jovem assassinado o que ela deseja que Deus faça com o assassino? Se ela for muito sensata e amorosa, desejará que Deus o entregue à polícia para que o resto de seus dias sejam vividos numa prisão. Outras, desejarão que esse assassino também seja morto e de preferência, torturado antes. Não estou condenando essa mãe e tampouco teria condições de garantir qual seria minha reação no lugar dela. Criticar quando não estamos sentindo na pele é fácil.
     O que quero dizer é que é por isso que temos tanta dificuldade em entender a justiça de Deus, pois para nós, homens, a justiça divina é injusta, parece "impune", soa "frouxa" demais. Para o homem, justiça é punição; para Deus, justiça é perdão, é transformação!
     "Onde já se viu, ao invés de condenar seres maus como nós Jesus perdoar, reconciliar, pagar a pena (morte) no nosso lugar?" 
     Para nós, só há justiça quando há castigo, de preferência, físico. Mas Deus é diferente, pois a justiça dEle é Amor, pois Deus é amor. Porém os homens adoram "criar um Deus à imagem e semelhança deles" e assim, colocam em Deus atributos humanos, como se Ele seguisse nossos critérios.
     É por isso que fico incomodado quando ouço alguém dizer: 
"Deus é amor, MAS também é justiça"
     Gente, quando se fala em Deus, justiça é sinônimo de amor! A Cruz é a manifestação máxima de justiça que se faz em amor! Quem nunca ouviu algum "cristão" dizer algo semelhante a isso: 
"Vai mexendo com um servo e ungido de Deus, vai! Deus é justo! A justiça de Deus não falha e Ele pesará as mãos". 
     Só não entenderam ainda que as mãos de Deus já pesaram, e foi na Cruz. Pesaram em Cristo! A justiça foi satisfeita. O que essas pessoas desejam, na verdade é vingança e o que querem dizer é algo do tipo: 
"Vai mexendo com um servo e ungido de Deus, vai! Deus vai castigá-lo! Deus se vingará de você por mim".
     Enfim... Que Deus continue nos moldando, nesse processo de conversão e de transformação à imagem de Jesus, porque por melhores que tentemos ser, não passamos de seres desprezíveis. Do bandido ao pai de família sincero que clama por vingança apelidada e disfarçada de justiça. Só mesmo Deus para amar criaturas como nós!

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Cristãos ou judeus? Nem eles sabem...


     Uma das coisas que chamam a atenção no meio de inúmeros grupos que se dizem cristãos é a adoção de símbolos judaicos, principalmente em seus "cultos". Tocam shofar, colocam talit no pescoço, usam quipá na cabeça, estendem a bandeira de Israel no púlpito, exibem um candelabro no que chamam de "altar", entram com imitação da Arca da Aliança em suas reuniões e até constroem réplicas do Templo de Salomão. Se somarmos a isso o foco dos ensinos, que são 90% das vezes baseados em relatos do Antigo Testamento (mensagens apenas sobre personagens hebreus, sem realizar uma ligação clara, colocando o centro em Cristo), aí é que ficamos confusos. Não sabemos sequer se falamos de cristianismo ou de judaísmo. Mas qual é o motivo disso acontecer com tanta frequência?
     Há pelo menos dois fatores que se destacam: a ingenuidade/ignorância e a manipulação. Diria que sempre (correndo o risco de generalizar erroneamente) uma das duas estão presentes. O primeiro caso é o que ocorre em muitas denominações evangélicas pequenas, principalmente no interior dos estados e/ou em periferias. Os líderes desses grupos são, boa parte das vezes, desprovidos de muita instrução teológica e acabam reproduzindo uma noção que receberam décadas atrás de pessoas, muitas vezes sinceras e tementes a Deus, porém ainda mais sem conhecimento. Imagine uma pessoa que tem que lutar contra a própria falta de domínio do português para interpretar textos, inclusive bíblicos. Some a isso a falta de acesso à informações adicionais, a pesquisas, a informações extras, que dão uma contextualização das escrituras. O que gera? Uma compreensão superficial da bíblia, que mesmo quando é honesta, aparece repleta de equívocos por ingenuidade e por ignorância. Essas pessoas não conhecem a cultura hebraica e acabam superficializando o significado de muitos textos e, outras vezes, atribuem a eles um significado que nunca pretenderam ter. Exemplos: será que muitos sinceros irmãos sabem por que Jesus curou um cego de nascença em vez de um surdo de nascença? Por que curou leprosos em vez de amputados? O entendimento dessas razões dá sentido a muita coisa nas escrituras. Essas duas curas citadas só eram possíveis, segundo a crença judaica, graças a ação do Messias, que eles esperavam. Portanto, Jesus realizou essas curas não para dar vida boa aos curados e sim, para que ficasse claro para os judeus que o Messias estava diante deles. E a questão do templo? Será que todos tem consciência que Deus havia se revelado aos judeus de forma que fizessem um tabernáculo (um local móvel que representaria a ação de Deus, que circula e que não pode ser confinado a uma geografia?), e que a ideia de fazer um templo fixo foi não de Deus, mas de Davi? Por isso que é dito tantas vezes que Deus não habita em templos feitos por homens. Deus não pode ser retido em um espaço fixo. Ele é um Deus vivo, que "circula" entre o Seu povo e que habita corações (por isso a "casa de Deus" não é um templo religioso e sim, templos vivos, como eu e você). Será que essas pessoas que reconstroem a Arca da Aliança sabem que os próprios judeus pararam de dar importância a ela quando desapareceu? 
     Percebe que quando olhamos para a história de Israel e tentamos entender sua cultura, sua crença, seus símbolos, vemos que muita coisa era apenas simbolização de uma realidade revelada de forma perfeita na Cruz de Cristo? É como se Deus fosse preparando a mentalidade do povo eleito para trazer o Messias à história para que quando a revelação plena ocorresse em Cristo, eles fossem capazes de compreender e assim, de crer. Essas coisas, uma vez que temos a revelação em Jesus, tornaram-se ultrapassadas, sem sentido. Eram apenas "sombras" (como dizia Paulo). Não ache que uma pessoa, por ser sincera e serva de Deus é isenta de erros. "Ah, mas se isso não fosse correto ou bom, o Espírito Santo revelaria a esses homens de Deus". Olha, leitor. Todo "homem de Deus" continua sendo homem, portanto, sujeito a falhas. O Espírito não tem a função de revelar a cultura e a história de um povo e tampouco de revelar diferentes visões teológicas. Ele nos guia na direção de Cristo, que é o foco, mas essas questões terrenas, interpretativas, é de nossa responsabilidade. 
     Porém não falei do segundo grupo: os que usam essas questões para manipular o povo. Os primeiros são sinceros enganados; estes, são enganadores. É bem diferente. Os que usam essas tradições judaicas para manipular tem pleno conhecimento desse contexto, porém escondem e distorcem para não perderem o status de "representantes de Deus na Terra", para não perderem o poder e o dinheiro que arrecadam. Já pensou se eles assumissem que o templo que constroem não é a "casa de Deus", nem tem nada de sagrado e tampouco é um portal mágico onde Deus "desce" para falar com Seu povo, sendo, ao contrário, apenas um prédio que construíram para abrigar as pessoas enquanto se reúnem? Já pensou se disserem que os homens não precisam deles, nem de instituição alguma para ter acesso a Deus, porém eles existem apenas como uma estratégia de agrupar pessoas de mesma fé? Seja sincero: o "império" cai. Boa parte das pessoas quando entendem isso ficam iradas, magoadas e são transformadas em "militantes anti-religião". Elas ficarão inconformadas de terem sido manipuladas por tanto tempo e partem para o outro extremo: o do ódio! É o que tem ocorrido atualmente com muitos, que ao descobrirem que homem nenhum está em um nível acima de outro e que todos tem acesso direto a Deus em Cristo, passam a combater a religião com esse mesmo "espírito religioso" (intolerante e que tenta convencer a todos "na marra"). Portanto, esse segundo grupo (maioria) de defensores dos costumes judaicos agem assim por conveniência. Não é financeiramente lucrativo pregar a Palavra apenas. Quando se mostra essa mentalidade judaica (o homem cumprindo obrigações, ritos, tradições em troca de bênçãos divinas), gera retorno, pois lotam os "templos", geram ofertas, dízimos, afinal, todos desejarão "barganhar com Deus".  
     O que podemos concluir? Que a adoção desses símbolos judaicos é uma estratégia, na maioria das vezes, para cultivar na mentalidade da cristandade essa noção judaica de fé, que é o homem fazendo algo para Deus, em troca de benefícios, que vão desde a salvação até uma promoção no emprego. 
     Agora que sabe que essas tradições não tem relação alguma com a essência da mensagem de Cristo, se vai adotar esses símbolos ou não é escolha sua. Eu já fiz a minha: uma vez que tenho o que é Santo, Perfeito, Eterno e Pleno (Jesus Cristo), porque desejaria voltar às sombras e aos símbolos que meramente visavam apontar para Aquele que é, que encarnou e que tudo consumou na Cruz?

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Rótulos cristãos - Aceitá-los ou rejeitá-los?


     Muitos adoram rótulos teológicos e boa parte das vezes rotulam para menosprezar, para generalizar e para caracterizar todos os que pensam diferente como inferiores, como enganados, como hereges...Já passei por momentos na vida em que adorava rótulos; já passei também por momentos em que rejeitava veementemente qualquer tipo de rotulação. No máximo eu aceitava ser chamado de "cristão" e mesmo assim, via com maus olhos, pois cristão me faz lembrar mais o movimento religioso oficializado no século IV, chamado "cristianismo", do que a pessoa de Cristo. Porém atualmente reconheço que aceitando ou rejeitando rótulos, é impossível fugir deles.
     Sempre ouço pessoas dizerem: 
"O calvinismo (ou o catolicismo, ou arminianismo, ou luteranismo...) é a expressão perfeita do Evangelho genuíno". 
     Meu Deus, quanta ignorância e idolatria concentradas em uma mesma mente. O dia em que uma teologia explicar com perfeição os desígnios divinos, esse "deus" explicado será um mero ídolo criado por homens.
     O outro extremo é a afirmação de alguns: 
"Não me identifico com a teologia católica, nem sou arminiano, pelagiano, calvinista ou luterano. sou apenas cristão, discípulo de Jesus, seguidor do evangelho puro e simples. Essas divisões são apenas invenções humanas e o que todos deveriam fazer é seguir o Evangelho e parar com essas teologias". 
     À primeira vista parece bonita essa afirmação, mas com uma análise um pouco menos superficial, ela se torna frágil e sem sentido. Por que digo isso? Pois todos os cristãos tem uma crença, tem um tipo de entendimento sobre o que é a fé cristã. E o que é essa compreensão? É uma teologia. É fruto de uma organização de interpretações que geram uma linha de pensamento. O que faz, por exemplo, um católico pensar diferente de um protestante? Ou um assembleiano de um presbiteriano? É que, embora todos tenham a fé cristã, cada um tem uma crença, cada um segue uma tradição interpretativa diferente (todas relativas) de uma mesma Verdade (Jesus Cristo, que é absoluto). E quem está correto? Ora, cada pessoa dirá que a interpretação dela é a correta, a melhor, a que corresponde ao "evangelho puro e simples". Óbvio! Ninguém em sã consciência achará que está equivocado, até porque, se achar, é lógico que deve mudar de ideia. Mas o problema está exatamente aí. Somos arrogantes, prepotentes e muitas vezes, fundamentalistas. Achamos que somos capazes de compreender e explicar com perfeição uma verdade perfeita, divina e absoluta. Se não reconhecermos nossa limitação, nossas falhas, nossa relatividade, jamais seremos cristãos, pois não conseguiremos olhar para o outro sem um "sentimento de superioridade". 
     Devemos reconhecer que seguimos o que acreditamos que seja mais coerente com o Evangelho de Jesus, porém toda nossa crença passa pela nossa prévia interpretação. O único Evangelho puro e simples é aquele encarnado e vivido por Jesus. Porém, quando olhamos para Cristo a fim de identificar esse evangelho puro e simples, já contaminamos esse entendimento com nossa imperfeição, com nossas preferências, com nossa parcialidade, com nossas tendências, com nosso pré-conhecimento, com nossas tradições, mesmo que não assumidas. Quando dizemos que "a bíblia diz" alguma coisa e não tem nada que interpretar o que ela disse, é outra manifestação de ingenuidade, pois a bíblia nunca diz nada sobre um determinado assunto (nós é que afirmamos com base no que lemos e no que compreendemos). Ela é o registro escrito, baseado na visão (interpretação) dos autores em relação a um fato ou acontecimento. Soma-se a essa interpretação do autor, registrada na bíblia, a nossa interpretação, pois quando a lemos e dizemos: "aqui diz tal coisa", na verdade estamos dizendo: "aqui interpreto que o autor tenha tido a intenção de dizer tal coisa". Não é a toa que pessoas que carregam diferentes rótulos usam a mesma bíblia para justificarem seus pensamentos. 
    Então sejamos humildes e vamos assumir: seguimos o que consideramos mais correto, mais coerente, mais fiel, porém reconhecemos que podemos estar sinceramente equivocados e provavelmente TODOS estamos equivocados. Um dia, nos braços do Pai, teremos essa revelação absoluta internalizada em nosso ser e seremos perfeitos como Ele, gozando a vida eterna em comunhão na glória. Enquanto isso, sigamos a vida com amor e com humildade. Felizmente nossa relação com Ele não é baseada em nossos acertos teológicos (méritos humanos), senão todos estaríamos perdidos. 
     Entenda que quando dizemos que alguém é Luterano (ou calvinista, ou arminiano...), significa que estamos diante não de um rótulo ou de uma ideia e sim, de uma pessoa! O rótulo nada mais é do que uma forma didática de dar uma noção do que essa pessoa acredita. Não é algo essencialmente ruim. Porém devemos ter em mente que estamos tratando apenas de um ser humano que tem afinidade por uma determinada linha de pensamento teológico. Nada mais! E por ser um indivíduo como nós, devemos amá-lo, respeitá-lo, ajudá-lo, independentemente de suas convicções. 
     Se a sua "teologia" em vez de gerar em você amor, compreensão e respeito por todos, gera prepotência, arrogância e sentimento de superioridade, sinto lhe dizer: sua teologia não tem nada de cristã! É "teologia" de demônio ou, na melhor das hipóteses, de um ser humano egoísta! Sendo assim, convido-o para abrir os olhos e repensar nas suas crenças e na compreensão que tem de Deus e do mundo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara
21/08/2014

A Blasfêmia contra o Espírito Santo


“Na verdade eu vos digo: tudo será perdoado aos filhos dos homens, os pecados e todas as blasfêmias que tiverem proferido. Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, jamais será perdoado: é culpado de pecado eterno. Isso porque eles diziam: Ele está possuído por um espírito impuro”. (Marcos 3: 28 a 30).

     A blasfêmia contra o Espírito Santo é um dos temas que mais preocupa os cristãos atuais, principalmente os jovens, e muitos vivem angustiados e até atormentados pela culpa e pelo medo de um dia terem cometido esse "pecado". Devido a isso, considero de extrema importância fazer uma completa abordagem sobre o assunto, focando em uma reflexão direcionada às pessoas que se sentem culpadas e com medo, a fim de ajudá-las a se livrarem desse trauma religioso sem fundamento. O texto ficou um pouco longo e alguns trechos podem parecer repetitivos, mas foi proposital a fim de enfatizar alguns pontos e falar de forma aberta e informal com quem realmente está precisando de ajuda.
     Há várias interpretações no meio cristão sobre o que seria essa blasfêmia. Alguns afirmam que é o suicídio ou o adultério, enquanto outros, dizem que é a rejeição da divindade de Cristo ou do Evangelho. Há ainda quem diga que é a cauterização da consciência humana diante de uma vida pecaminosa. Enfim, o único consenso é o reconhecimento de ser algo imperdoável, como Jesus disse. Mas, para chegarmos a uma conclusão, devemos analisar o contexto dessa passagem bíblica e devemos ter vários conceitos em mente. Vamos por partes:
     Mateus, Marcos e Lucas relatam de forma diferente o acontecimento. Mateus diz que Jesus fez essa afirmação após curar um endemoniado cego e mudo e os fariseus atribuírem esse milagre a Satanás (Belzebu); Marcos não menciona a cura, apenas essa acusação feita pelos escribas (capítulo 11); Lucas fala da cura e da blasfêmia separadamente (capítulo 12). De qualquer forma, tanto Mateus quanto Marcos, relatam que Jesus citou o pecado imperdoável após alguns religiosos hipócritas da época afirmarem que Cristo expulsava os demônios através do próprio demônio (Marcos 3:30).
     A partir disso podemos fazer algumas observações:

1 - Esse "pecado sem perdão", se é que foi cometido, ocorreu entre os escribas e fariseus (aqueles que conheciam profundamente as escrituras e, teoricamente, a Deus) na presença de Jesus. Curar um endemoniado cego e mudo era, na tradição judaica, visto como um sinal de que ali estava o Messias. Portanto, diante desse sinal inegável, eles (os que mais conheciam essas revelações) estavam não apenas rejeitando malevolamente o Cristo, mas também atribuindo esse "sinal messiânico" ao demônio (Belzebu). Eles não estavam fazendo por ignorância e sim, por maldade. Estavam "diabolizados" a tal ponto de negar suas próprias convicções de fé (com um nível tão alto de compreensão e na presença do próprio Deus encarnado) a fim de manterem-se com suas tradições, benefícios e caprichos. Eles propositalmente tentavam "derrubar Jesus" e acabar com Ele através dessas acusações. Você, portanto, não se enquadra aqui, leitor, pois Jesus já morreu, já ressuscitou e já "subiu ao céu" em um corpo glorificado. Você não está na presença física dEle (está apenas em termos espirituais) e Ele não está dando evidências messiânicas para que você possa fazer o mesmo que os escribas e fariseus. Só por aqui já poderia dizer: "você não tem como blasfemar contra o Espírito Santo!"

2 - Reparou que eu me referi à blasfêmia dizendo "se é que foi cometido"? Pois é. Digo isso pois, mesmo eles estando diante do Filho de Deus, em carne e osso, mesmo conhecendo profundamente a Lei de Deus e mesmo tendo atribuído à satanás aquele sinal milagroso do Espírito Santo que estava em Cristo, Jesus em momento algum disse que eles blasfemaram ao ponto de não terem mais perdão. Jesus afirma que "aqueles que cometerem tal pecado não tem perdão". Aliás, acredito sinceramente que mesmo com toda a gravidade, a injustiça e a maldade das acusações feitas, eles não tenham chegado ao ponto de cometer esse "pecado imperdoável". Deus conhece o coração do homem e sabe até onde ele pode chegar. Nosso Pai sabia que Jesus seria duramente condenado, injustiçado e acusado e mesmo assim, o seu amor é tão grande, que todos tiveram (e tem) a oportunidade de alcançar o perdão, até mesmo aqueles que o crucificaram. Penso eu que, caso essa acusação fosse a famosa "blasfêmia contra o Espírito Santo", Jesus os teria alertado antes dela ocorrer, dando mais uma oportunidade a esses indivíduos maus de não cometerem este erro, afinal, a escritura diz que a vontade de Deus é que ninguém se perca (II Pedro 3:9). Podemos dizer que foi um alerta de Jesus para eles e para outros que porventura estivessem com o mesmo pensamento, a fim de mostrá-los que estavam entrando num caminho de morte, de condenação. Era um um último aviso, pois estavam se "diabolizando", negando por maldade extrema o que dentro deles era convicção. Estavam buscando um afastamento de Deus e isso é condenação da alma. Mas novamente digo: se você está preocupado ou se assume dentro de si que jamais desejaria esse afastamento de Deus, é mais uma evidência que você não blasfemou, não importando o que tenha feito ou dito.

     O amor e a graça de Deus são tão grandes que para o homem não receber perdão é uma tarefa humanamente impossível. Podemos quase dizer que, em vida, não existe "pecado imperdoável". Paulo diz em Romanos 5:8-10:

"Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele! Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!"

     Repare que nossa reconciliação com Deus precede qualquer ação humana. Não depende de nós; depende da Cruz! Por isso é Graça (favor imerecido). Não é porque você acha que fez algo abominável que será rejeitado por Deus. Você nunca merecerá a salvação e a reconciliação com o Pai, por mais "bonzinho" que seja nesse mundo. Se você foi reconciliado e salvo, acredite: não foi por méritos seus e sim, por méritos de Jesus. Sendo assim, pare de pensar que você é quem determina sua salvação. Descanse no que foi feito em Cristo. Somos chamados à fé (crer no que já foi feito e consumado), ao arrependimento (que significa "mudança de mente" e "expansão de consciência"), a fim de usufruirmos a salvação nos dada por Graça.

Em I João 1:7 lemos:
"Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de TODO pecado." 
     Então porque você acha que algo que você fez é exceção a esse "TODO pecado"? O admirável apóstolo Paulo (que, embora tenha sido o principal apóstolo em termos de divulgação e de aprofundamento  teológico na Palavra de Deus, era um ser humano que também sofria, que errava e que era tão pecador quanto você) disse que Cristo veio salvar os pecadores, entre os quais ele era o pior! (I Timóteo 1:15). O pecado seu é pior que o meu, que o de Paulo ou que o de qualquer outra pessoa? Claro que não! Somos todos iguais, afastados de Deus pelo pecado, porém reconciliados em Cristo. Mas você às vezes se acha menos digno do que um estuprador ou um assassino. O que lhe atormenta é apenas fruto de não compreensão da Palavra de Deus e fruto de um trauma religioso. Alguém lhe passou um conceito equivocado sobre Deus, sobre pecado e sobre salvação e agora você fica nessa situação. Não é fácil quebrar paradigmas e desconstruir conceitos já assimilados, mas vamos com calma.

     Pergunto a você, leitor, que está angustiado por ter feito algo que considera abominável aos olhos de Deus: essa angústia toda que possui, caso fosse colocá-la em um pacote, você a colocaria em um pacote chamado "céu" ou em um pacote chamado "inferno"? Imagino que sua resposta será "inferno", pois viver assim, se é que podemos chamar de vida, realmente é um inferno. E Deus não apenas nos tira do inferno, mas também tira o inferno de nós. Precisamos crer nisso e vivermos pacificados.
    Imagine a pior pessoa que já passou pela Terra. Não sei em quem você pensou, mas vou dar um exemplo de homem que dizia "conhecer a Deus" e que era um "diabo" em vida: Hitler! Vou lhe dizer uma coisa com total sinceridade e convicção: Se viesse um anjo do céu me dizendo que Hitler blasfemou contra o Espírito Santo eu diria a ele: "Tem certeza? Pois inicialmente não consigo acreditar em você!". (Estranhou por quê? Paulo também falava que se viesse um anjo do céu anunciando uma mensagem diferente do Evangelho, era para rejeitá-lo! - Gálatas 1:8). Mas por que digo com tanta certeza? Pois cada vez que assumimos uma blasfêmia contra o Espírito Santo praticada por alguém, limitamos o poder e o amor de Cristo na Cruz. Jesus se entregou pelo homem justamente por Ele ser mau, depravado, caído, desligado de Deus (pecador). Ele fez o que ninguém poderia imaginar: perdoou o homem, reconciliando-o consigo. Do Hitler a mim e a você. Todos tivemos nossos pecados perdoados na Cruz (e antes que alguém me chame de "universalista", adianto que rejeito esse rótulo. Não estou dizendo "onde" e "como" Hitler passará a eternidade, pois jamais poderia fazer esse tipo de julgamento. Apenas creio que todo homem foi reconciliado na Cruz, embora eu não creia em universalismo, pois o conceito de salvação vai muito além disso, mas não cabe discutir aqui). E veja bem: Pecado não é meramente uma atitude imoral que eu pratico. Pecado é o que eu sou. É minha tendência a fazer o mau, é minha inclinação para longe de Deus. E é esse pecado que somos que foi resolvido na Cruz. O que chamamos de "pecados" (atos imorais) são apenas consequências dessa nossa natureza. Enquanto estamos neste mundo, neste corpo corruptível, estamos sujeitos aos reflexos dessa nossa natureza pecaminosa. Porém, ao mesmo tempo, estamos reconciliados com Deus em Cristo, sendo portanto contados como justos perante Ele. Agora quando dizemos que uma atitude de alguém chegou ao ponto de nem o sangue de Cristo (perdão de Deus) ser capaz de cobrir, estamos limitando o poder da Cruz. É como se a capacidade do homem pecar fosse maior que a capacidade divina de perdoar. Que "deus" pequeno é esse que não supera nem um mísero homem? O Criador é mais fraco que a criatura?
     Quem vive nessa angústia geralmente alega que sente dentro de si uma batalha, como se parte dessa pessoa quisesse o bem (algo dizendo para fazer o que é correto) e parte quisesse o mal (algo dizendo para fazer algo ruim). Esse conflito é humano e todos vivemos em maior ou menor intensidade. Temos uma natureza má, pecaminosa e ao mesmo tempo, o poder da ressurreição de Cristo atua em nós, agindo em nosso ser, pelo Espírito Santo.
     O apóstolo Paulo falou sobre esse conflito interno que todos sentimos: Nos primeiros capítulos da carta aos romanos é esse o tema. Ele fala que todo homem é pecador, afastado de Deus, mas que algo dentro dele age de forma contrária a isso. Ele chega a dizer: "o bem que desejo, não pratico; o mau que não desejo, esse eu faço" (Romanos 7:18,19). Todos somos assim. Quantas vezes fazemos algo e depois pensamos: "Eu não deveria ter feito ou dito isso". Mas isso complica quando não lidamos bem com essa situação e ficamos culpados e amedrontados. Acredite: você tem uma natureza má, mas ao mesmo tempo o Espírito de Deus habita em você, indicando a você o Caminho que conduz à vida. Fique pacificado, sabendo que não importa o que faça Ele não abandona você. E sabendo disso, procurará viver conforme o amor dEle, com consciência, em amor, amando você mesmo, amando seu próximo e amando a Deus. Esses atos tolos que considera blasfemos afetam apenas você, pois lhe deixam culpado, angustiado e com medo. Mas Deus continua sendo o Deus que ama você incondicionalmente.
     Se algo lhe incomoda e lhe mostra a necessidade de mudar de mente (arrepender-se), é o Espírito Santo fazendo isso, pois Ele habita em você (mais uma prova que você não blasfemou contra Ele, pois blasfemar implicaria em um afastamento total e definitivo de Deus). Se você xingar Deus ou o Espírito Santo com vários palavrões, não irá cometer essa blasfêmia imperdoável. Será apenas um ato ingênuo e de pura tolice de sua parte, pois não tem o mínimo sentido. Se você virar ateu, se negar Deus e fazer todo tipo de ofensa a Ele, é a mesma coisa. Pura tolice e ingenuidade.
     Sabia que um dos maiores teólogos de todos os tempos, C.S. Lewis, por muito tempo foi ateu? Ele negava veementemente Deus e do meio de sua vida em diante transformou-se em uma das maiores mentes em relação à defesa da fé cristã. Se negar Deus (ateísmo) fosse blasfemar, Ele nunca teria "se convertido". Blasfemar contra o Espírito Santo é desligar-se completamente e definitivamente dEle e não me pergunte como isso é possível, pois eu diria que é humanamente impossível. Esse é um dos mistérios de Deus que jamais saberemos nessa vida, mas fato é que você deve ser sincero consigo mesmo: você acha que Jesus Se entregaria na Cruz para reconciliar o homem com Deus, o perdoaria, o salvaria e deixaria você de fora apenas por ter pensado, dito ou feito algo contra Ele? A escritura é clara ao dizer que o Cordeiro de Deus (Jesus) foi imolado antes da fundação do mundo e você acha que é capaz de aqui, na história, fazer algo que invalide algo que é eterno? Todos os homens falam e/ou fazem algo contra Deus todos os dias. Jesus disse em Mateus 25 (parte final) que quando vemos um necessitado e não ajudamos, estamos ignorando e não ajudando o próprio Deus, pois servir a Deus é servir ao nosso próximo. Se fosse para colocar em uma escala de gravidade, muito pior seria ter condições e, em vez de de ajudar, passar reto por um morador de rua, fingindo que não o viu, do que xingar Deus de todo tipo de "palavrão" ou de dizer que Ele não existe.
     Talvez alguém pergunte: então o que determina a blasfêmia é a consciência ao negar Deus? Não! Não é simples assim. Por exemplo, em relação ao ateísmo: será que os ateus negam Deus sem consciência? Claro que não! Eles negam com convicção e já dei o exemplo de C.S Lewis. Ele negou totalmente consciente e depois de sua conversão, fez o inverso: defendeu sua fé em Deus totalmente consciente também. Não é meramente a consciência que determinaria essa blasfêmia e sim, uma escolha consciente, convicta, maldosa na direção não de negação de Deus, mas de, mesmo O reconhecendo, querer profundamente se afastar dEle. O indivíduo dentro de si "resiste" ao Espírito Santo (que por ser amor, não obriga, não oprime, embora "persiga de forma amorosa para se revelar". Sei que alguns discordarão desse ponto por divergirem teologicamente, mas não irei me ater a isso). É como se Deus insistisse com ele para parar com essa maldade extrema e tola de viver fora de Deus e essa pessoa cravasse: "suma daqui, Deus, não quero você. Sei que você é real, mas eu sou o meu Deus, quero inferno, quero morte, não quero nada divino". Diferentemente de um ateu, que quando ateu mesmo, aposta com sinceridade na "inexistência de Deus" esse ser é como se quisesse extirpar Deus de si, a fim de satisfazer seu Ego ou seus interesses sombrios. É algo, pra falar a verdade, que sequer cabe em minha mente, pois não acredito que nem Hitler (uso ele como exemplo por ser um esteriótipo de maldade histórica) tenha sido tão "diabo" assim pra chegar a esse ponto. Mas não cabe a mim afirmar categoricamente, pois somente Deus sonda o interior de cada um.
     Você, leitor, é apenas uma pessoa sincera em busca de uma compreensão, lutando contra um trauma, uma culpa e um medo de algo que foi colocado em sua mente como sendo essa blasfêmia. Como disse, se eu, nem em um momento de maior raiva, conseguiria condenar você por falar coisas pesadas a Deus, você acha que o Deus que é amor faria isso? Jesus disse que veio salvar o homem e não, condenar. Ele veio salvar pessoas como eu e como você, pecadoras e angustiadas. Ele veio para que tenhamos vida em abundância, paz, alegria e liberdade. Essa culpa e medo seus são frutos de distorções religiosas e não, do Evangelho. Conforme você se aprofundar nessa consciência da Palavra de Deus, isso irá perder espaço. Daqui a algum tempo você lembrará dessa angústia toda, irá sorrir e pensar: "não acredito que eu me preocupava com algo tão pequeno diante do meu Deus". 

     De qualquer forma Jesus Se entregou na Cruz não apenas para perdoar esses "pecados" (atos imorais) nossos; Jesus Se entregou para perdoar o pecado que nós somos, perdoar a nossa inclinação para o mal, como já disse anteriormente. Volto a repetir: essas atitudes pecaminosas (imorais, tolas, ingênuas) são apenas sintomas de uma doença que afeta a todos: o pecado. As nossas atitudes portanto, não determinam nossa relação com Deus, mesmo as piores delas. Nossa relação com Deus depende da Cruz, que resolveu definitivamente o problema do pecado, ou seja, do nosso afastamento de Deus. Eu procuro viver como Jesus ensinou e a fazer o bem não para ir para o céu ou por medo da condenação de Deus. Enquanto houver medo de Deus é sinal que não conhecemos Deus. Ele é amor, de forma que todos os atributos dEle estão condicionados ao amor. Jesus veio, como Ele mesmo disse, não para condenar, mas para salvar. E o Evangelho é justamente isso: o anúncio que apesar de eu ser pecador, imperfeito, falho, Ele me amou, me perdoou, me reconciliou, me salvou. Não importa o que eu faça, estou reconciliado. E por ter sido tão amado, de forma incondicional, sem merecer (isso é Graça) eu vou viver de forma grata e coerente com isso, que é amando a Deus, a mim mesmo, o meu próximo e fazendo o bem como posso. Jamais serei movido por medo do inferno ou por interesse pelo "paraíso". Jesus veio para nos salvar e "salvar" não significa "ir para o céu" e sim, ser perdoado, abraçado por Deus e ser transformado a cada dia à imagem de Jesus, sendo que essa transformação será plena e perfeita na eternidade, onde estaremos com Ele. Não há motivo algum para medo. Eu aceito esse sacrifício por fé, sou levado ao arrependimento e vivo pacificado.
     Acredite, na minha adolescência passei por períodos de medo e de culpa também (muitos passam, mas poucos assumem), por achar que blasfemar era xingar Deus. E todos já ouviram falar que o homem tem tendência a fazer ou desejar o que é proibido, certo? Ou seja: quanto mais proibições existem, mais pulsões dentro de nós surgem para transgredir essas restrições. Isso é natural do ser humano. Se eu disser: "não pense em um cavalo branco". A primeira coisa que você pensou foi em um cavalo branco, com certeza. Se uma mãe diz à criança: "não coloque o dedo aqui na tomada". A criança curiosa virá colocar quando ela virar as costas... Então, sem desejar, eu xingava mentalmente Deus de algum palavrão (mesmo eu não falando palavrão na vida real. Nunca gostei disso) e então ficava tentando pensar em outras coisas para desviar o pensamento e parar com isso. Em seguida vinha uma culpa, um medo enorme de ter blasfemado, pois eu era batizado, tinha atividades na denominação religiosa que eu frequentava, eu amava a Deus e tudo o que eu não queria era ser rejeitado por Ele. Mas à medida em que fui compreendendo a Palavra de Deus e a grandeza dEle, percebi o quão tolo eu era e isso foi desaparecendo. Nunca mais teve lugar em mim esse tipo de angústia ou de desejo infantil de falar coisas que não desejo a Deus. Até porque, eu entendi que se um dia eu pensasse isso, seria mero conflito psicológico meu, mas meu perdão estava garantido na Cruz.
     Talvez você ainda esteja com dúvida: "Será que Deus me perdoa mesmo"? Claro que Deus perdoa você (na verdade Ele já perdoou na Cruz não meramente o pecado que você comete, mas principalmente o pecado que você é)! Quando aos atos, ele perdoou os do seu passado, os que está cometendo agora e até aqueles que você ainda cometerá durante a vida. Creia! Você está perdoado! O problema não é entre você e Deus (isso foi resolvido em Cristo) e sim, entre você e você mesmo! Deus lhe perdoou, agora creia, confesse a Ele (e a seus irmãos quando necessário e possível), arrependa-se e tome posse desse perdão já lhe oferecido por Graça. O Evangelho é justamente esse anúncio! Por isso é BOA NOTÍCIA! Não depende de você, pois é GRAÇA! Se Deus em algum momento foi "tirano", isso ocorreu justamente nesse momento de derramar Seu amor pela criação. Está perdoado e nada pode mudar isso. Não depende de você. O que depende de você é sua experiência diante disso. Se acha, por exemplo, que por ter sido reconciliado e perdoado você pode viver na "gandaia" é um sinal que não entendeu absolutamente nada do que Cristo fez por você. É um atestado de falta de fé, de falta de compreensão, de falta de amor e de falta de arrependimento. Mas esse já é assunto para outro momento.
     Enquanto tiver em sua mente culpa e medo, terá essas "recaídas" (não importa se o seu problema seja com atos ou com pensamentos). Quando você confiar genuinamente (não é "da boca para fora"), aceitar que está perdoado incondicionalmente e entender que essas coisas todas não passam de ingenuidade e imaturidade sua, isso vai desaparecer. Digo isso por experiência própria. Isso nunca mais me atormentou e nesse exato momento em que escrevo este texto, pensarei algo ruim em relação a Deus de propósito (para reforçar a você que blasfêmia não é nada disso). Pronto, pensei. Sabe o que vai acontecer? Nada! Pois esse "deus" melindroso, que fica magoado com essas bobeiras de mentes humanas fragilizadas e que por isso resolve castigar, não existe. É um "deus" que criamos em nossa cabeça. E se existisse, seria um diabo e não, Deus! Ele sonda meu coração e sabe que a minha essência reconhece Ele como senhor absoluto, eterno e soberano sobre minha vida; o que eu faço contra a minha essência que foi e que continua sendo trabalhada pelo Espírito Santo são frutos da minha insignificância e incapacidade de fazer sequer apenas o que eu realmente desejo. Sou falho, pecador e foi por um serzinho como eu que Ele decidiu, por amor, se doar. Sou eternamente grato e sou diariamente constrangido em amor a viver o mais próximo que posso da vontade de Deus. Não por medo de condenação e nem por interesse de salvação. Procuro seguir a Cristo por consciência, por amor e por gratidão. Isso é que é a base dos ensinos de Jesus.
     Quando alguém me procura desesperado com medo de ter blasfemado contra o Espírito Santo e, com isso, enfrentar o "tormento eterno" no inferno, a reposta é clara, com todo amor e temor: você não "vai para o inferno" por causa disso, amigo (a). Se sua preocupação é essa e vive angustiado pois deseja estar com Deus, fique em paz. Você, embora diga que é cristão, ainda não entendeu o significado da Cruz. Na eternidade você estará nos braços do Pai e eu estarei lá com você. E se eu lhe conhecer "lá" (não importa "onde" seja o Paraíso, pois onde Deus reina, aí é Paraíso), direi: "não lhe falei, amigo (a)?" Agora pense: Se eu que sou mau e pecador perdoaria você mesmo que esses atos ruins, xingamentos ou pensamentos fossem direcionados a mim, quanto mais Deus que tem um amor além de nossa compreensão... Acha que ele condenará uma pessoa como você, que está sofrendo de angústia por sincera culpa de ter feito algo que O desagrada?
     Essa ideia de que temos que "ser bonzinhos para ir para o céu" e de que "se pecarmos iremos queimar o inferno" é uma forma de manipulação religiosa dos fiéis, a fim de mantê-los sob controle. Afinal, quem iria arriscar a dizer: "seja sim uma pessoa boa, fuja do mal, das imoralidades ("pecados"), mas não para fugir do inferno e sim, por gratidão por ter sido reconciliado com Cristo"? É arriscado, né? E se o povo resolver "mergulhar no pecado" e "cair na gandaia"? E era justamente esse o ensino de Paulo (que não depende de nós para alcançarmos o perdão e a reconciliação) e muitas pessoas o acusavam de dizer que "a pessoa poderia pecar à vontade então, já que não faz diferença". E ele desmente isso falando aos romanos e aos gálatas. Quem foi alcançado pelo Espírito Santo jamais terá prazer em uma vida corrompida, pois os frutos do Espírito brotam naturalmente nele. O Espírito Santo gera arrependimento nesse indivíduo, de forma que é ilógico cogitar essa possibilidade de "então farei o que eu quiser da minha vida". É o que Paulo disse: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém".
     Os meus "pecados" (imoralidades) me afetam e me causam dano, pois sou humano e sujeito às consequências deles e também prejudicam meu próximo. Jesus ensina que a vontade de Deus é que amemos a Deus e o próximo como a nós mesmos. Ou seja, se amamos a Deus, desejaremos andar o mais próximo dEle, fazer o que Ele deseja que façamos. Não que dependamos disso para que Ele nos ame e sim, que não desejaremos viver contra Ele sabendo do quanto Ele nos ama. É como uma mãe (embora Deus ame infinitamente mais) que ama o filho bandido e ama o filho trabalhador e carinhoso. Ela ama ambos, pois é mãe. Cabe ao filho retribuir esse amor, não como condição para ser amado, mas por gratidão, por reconhecimento e por amor a ela. Lembra da parábola do filho pródigo? O pai nunca deixou de amar o filho rebelde. Quando ele "caiu em si" e retornou, antes mesmo dele dizer qualquer coisa, o Pai correu até o rapaz, o abraçou, ofereceu perdão, roupa, comida, moradia e fez uma festa. Ele merecia? Claro que não. Mas Deus não despreza um coração quebrantado e contrito. Agora seja sincero: depois desse amor supremo demonstrado por esse pai, você acha que esse filho cairia novamente na vida depravada? Com certeza não. Como dizia Paulo, o amor constrange.

     Você que está angustiado lendo este texto só está fragilizado e buscando um rumo na vida, um entendimento maduro e uma espiritualidade sadia. Não acredito nem que os fariseus diante de Jesus tenham blasfemado, quem dirá uma pessoa sincera como você, amigo. E todos esses conflitos afetam sua saúde, seu corpo, sua parte física também. A questão espiritual está intimamente ligada ao nosso corpo, então essas "doenças da alma" afetarão em maior ou menor grau até o seu corpo. Jesus veio nos trazer vida, eterna e em abundância. Não veio para que você vivesse assim nesse estado infernal. O Evangelho é poder de Deus para a libertação e para a salvação de todo aquele que crê. O Evangelho é o anúncio de que você está perdoado, religado a Deus em Cristo, mesmo que uma parte de você lute contra isso. Creia e será salvo desse conflito. E crer é não apenas acreditar; crer é ter isso lá no profundo da consciência e viver pacificado com essa certeza, com fé que você não é nada, mas em Cristo, tem tudo. É viver sem medo, sem culpa, sabendo que se pensar "bobeiras", será apenas imaturidade sua, pois Deus no máximo olhará para você e dirá: "Meu filhinho tolinho, pra que viver se torturando assim? Eu chamei você para a liberdade e não para a escravidão desses sentimentos". Ele continuará olhando para você com amor. Você está perdoado. Está liberto dessa culpa e quem tem fé, não tem medo. A penas precisa tomar consciência disso. É como um prisioneiro acorrentado a uma pedra. Vem alguém e abre o cadeado, mas ele não percebe e fica com as correntes frouxas no pé achando que está preso. Viva, meu amigo! O mesmo vale para um equívoco de alguém ao julgar um acontecimento (por exemplo, um "milagre") como sendo "obra do diabo". Digamos que seja um milagre divino e essa pessoa diga por algum motivo que é de satanás. Ela não blasfemou, apenas fez um julgamento hipócrita, errado e precipitado! Se Deus levasse em conta nossos equívocos, ninguém de nós se salvaria. Mas não somos salvos por nossos méritos ou deméritos e sim, pelos méritos de Cristo, na Cruz. Não depende de você, nem do que você fala ou pensa em algum momento, depende dEle. Se você se sente culpado é porque você sabe que na verdade não gostaria de ter feito o que fez. E se nem você consegue acreditar na veracidade e na sinceridade dessa sua suposta blasfêmia, acha que Deus acreditará, meu amigo? Não apequene Deus! Ele conhece você melhor que você mesmo!
     Se você entender e crer realmente, verá como isso nunca mais lhe incomodará e toda sua vida será diferente. Você que falou alguma coisa ruim a Deus ou de Deus, fique em paz. Leia os Evangelhos, as cartas apostólicas, ore a Deus e peça ajuda ao Espírito Santo para que sua mente saia dessa imaturidade. Você não blasfemou. Tenho não só certeza, mas convicção. E se isso for lhe confortar e para que perca esse medo, uma coisa lhe digo: "que Deus me leve para o mesmo lugar que você for passar a eternidade!" Essa é a fé que tenho, no Deus que creio. Um Deus que procura motivos fúteis (como palavras feias ditas em um insignificante idioma de um mero país, de um planeta do imenso universo) para condenar, não é Deus, é diabo! Fique em paz. Você crê em Cristo e está protegido na sombra da Cruz. Deus deve olhar pra você e dizer: "viva com essa consciência, filhinho. Creia nisso e será liberto." Não há motivo algum para viver nesse sofrimento. Agora depende de você! Se quiser continuar se auto-flagelando, não posso fazer mais nada. Deus fez tudo por você. Agora creia e tome posse do que lhe foi garantido sem merecimento algum de sua parte.
     Eu costumo ainda dizer: "se você se sente incomodado, é mais uma prova que não blasfemou, afinal, quem blasfema terá prazer em ter feito isso e afastar-se definitivamente é o que mais deseja." O Espírito Santo convence o homem do pecado, de forma que se você se reconhece como um pecador dependente da graça divina, é sinal que Ele atua em você.

     A blasfêmia contra o Espírito Santo considero que seja um dos mistérios que um dia nos será revelado, na eternidade. Não é, ainda, totalmente claro. Em Jesus temos a garantia do perdão de TODO pecado, porém Jesus alerta os escribas e fariseus sobre essa possibilidade de escolha deliberada e diabólica. Mas é na Cruz que descansamos, pois ela nos garante que não há pecado nosso que Deus não possa perdoar, afinal o verdadeiro pecado não é o que praticamos e sim, o que somos e Deus nos perdoou em Cristo.
     Se há uma blasfêmia contra o Espírito Santo que condena o homem, essa é a decisão deliberada e "diabólica" de viver em afastamento total de Deus, mesmo perante todo o amor divino sendo oferecido a ele. Lembre-se que isso não tem nada a ver com um genuíno ateísmo. É como se um ateu se convencesse que estava errado e que Deus realmente está ali para acolhê-lo e ele como um "diabo" negasse esse abraço de Deus. Ou seja: essa pessoa, mesmo tendo sido reconciliada em Cristo, não foi salva e sim, condenada e portanto não tem esperança de perdão. Mas como disse anteriormente, não consigo imaginar um ser humano, por pior que seja, alcançar esse nível de diabolização do ser. Ao mesmo tempo, as escrituras em diversos momentos demonstram que há pessoas sim que são condenadas. Essas portanto, seriam aquelas que blasfemaram contra o Espírito Santo.
      O que temos a fazer é reconhecer que todas as nossas ações tem origem em nossa natureza má e pecaminosa. É de nosso coração mau que procedem nossos maus pensamentos e atitudes condenáveis. A questão é essa! Ninguém escapa! Nem o "melhor" entre nós deixa de ser passível de condenação pela perfeição da Lei divina (pois a lei exige que sejamos perfeitos). Reconheça isso e poderá mergulhar com fé no Evangelho, que anuncia: "Você é pecador e incapaz de cumprir a lei de Deus em sua totalidade, portanto, mereceria a condenação - afastamento definitivo de Deus. Porém Jesus Cristo assume o seu lugar, cumpre a Lei de Deus por você e lhe salva por Graça". Se dependesse de seus méritos, leitor, estaria perdido (e eu também). Mas depende dEle, exclusivamente. Descanse na sombra da Cruz e viva em paz, sabendo que jamais terá méritos algum. Tudo é fruto do amor de Deus por você, que deseja salvá-lo em todos os aspectos e para isso, "persegue" você todos os dias com Seu imenso amor, revelando-se a você e lhe tocando para que você viva com essa consciência, seguindo a Cristo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara
Atualizado em 16/07/2014

Por que não seguir as falas de satanás que estão na bíblia?


     Na bíblia há uma expressão: "Tudo te darei se prostrado me adorares" (Mateus 4). Você acha que deve segui-la, já que está na bíblia? Se a resposta for "Não!", pergunto: "E por que não?"
     Se responder: "não devo seguir por ser uma fala de satanás", direi que você corre um sério perigo e que ainda não tem um critério sólido para avaliar um ensino.
     O critério jamais deve ser onde está escrito ("ah, não sigo pois está no Velho Testamento"), nem por não estar escrito ("ah, não sigo pois não está na bíblia") e muito menos deve ser o autor de uma afirmação ("ah, não sigo pois foi satanás quem falou"). Não, não, não! Cuidado com esses critérios superficiais e incoerentes!
     O critério deve ser SEMPRE o conteúdo de uma afirmação, quando comparado com Jesus Cristo. Ele é a revelação plena de Deus ao homem (Mateus 17; João 17; II Coríntios 5); Ele é o Verbo/Logos/Palavra de Deus que se fez carne (João 1); Ele é quem detém todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2); Ele é que é a imagem do Deus invisível, de forma que quem vê a Ele, vê o Pai (Hebreus 1; João 12; Colossenses 1). A escritura tem a função de testificar dEle (como Ele mesmo disse em João 5),certo? Então quem é o foco sempre? A escritura ou Jesus? Quem é a base interpretativa não só da bíblia, mas de toda nossa vida? Jesus Cristo! A bíblia interpretada sem Jesus como parâmetro, vira a mãe de todas as heresias e vira um instrumento de manipulação na mão de líderes inescrupulosos!

     A questão a se fazer sempre, portanto, é essa: "Esse ensino ou relato é ou não coerente com Jesus?"

     Se a resposta for SIM, não importa de onde tenha vindo (até da boca de um ateu). É coerente com a Palavra de Deus. Se a resposta for NÃO, mesmo que tenha vindo de qualquer autor bíblico ou até de um anjo do céu, é um engano! (Se discorda disso, discorde também de Paulo, pois ele era outro que defendia esse mesmo critério - Gálatas 1:8).
     Não é o autor que valida um ensino; é a coerência da mensagem com a Palavra revelada em Cristo. Se satanás disser: "Jesus é o Filho de Deus", diremos a ele: "Isso mesmo, satanás. Você pode ser o diabo e, por ser diabo, com certeza está com uma má intenção ao fazer essa afirmação, mas o conteúdo do que disse é verdadeiro". E se qualquer apóstolo disser algo incoerente com Jesus, a fala ou ensino deles deve ser rejeitada (lembra que Paulo corrigiu Pedro? - Gálatas 2. Lembra que Jesus censurou João quando falou em pedir fogo do céu pra consumir os inimigos? - Lucas 9).
     Portanto, rejeito a fala de Satanás não por ter saído da boca dele e sim, pelo fato de que Jesus confirmou o já conhecido "Não adorarás outros deuses além de mim". Só podemos adorar o Deus revelado em Cristo. O resto, é enganação.
     Pare de julgar o autor e julgue a mensagem!
     Termino com uma fala de Martinho Lutero e faço minhas as palavras dele:

"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes."

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Todo mundo tem uma teologia


     Todo mundo estuda teologia. Pelos menos todos os que leem as escrituras e que refletem sobre ela, estudam de forma direta e explícita uma teologia. Afinal, se está pensando, produzindo dúvidas e formulando possíveis respostas, você é um teólogo, tem a sua teologia, que pode ser idêntica ou parecida com alguma teologia que alguém já tenha produzido ao longo da história ou não (o que é difícil). E mesmo que haja alguma exclusividade em sua visão, será uma teologia, mesmo não sendo uma "oficial".
     Não acho necessária a "demonização teológica" que muitos criam, pois a teologia realmente é inútil no que diz respeito à nossa relação com Deus (isso depende exclusivamente dEle), mas pode ser muito útil na compreensão e no aperfeiçoamento de nossa relação com o próximo e com a vida.
     Portanto, não precisa estar em uma escola ou seminário teológico para ser um adepto da teologia. Até mesmo aqueles que acreditam cegamente em tudo o que um líder religioso diz, seguem uma teologia: a desse líder.
     Não adianta. Não tem como fugir. Os argumentos para a negação da teologia já formam uma teologia. O que dizemos que é o "Evangelho genuíno de Jesus" é na verdade o nosso entendimento sobre o que seja esse evangelho genuíno, portanto, uma teologia. Apenas devemos ter o cuidado para não atribuir a ela um papel que ela jamais poderá assumir. Sempre será uma compreensão humana e relativa sobre algo divino e absoluto, que quase sempre transcende nossa capacidade de entendimento e de explicação. Cada coisa em seu devido lugar... E mais: Deus não segue a sua (nem a minha) teologia. Então, julgue menos as pessoas pelo que você pensa e ame mais. Se sua teologia não gera em você amor, não está nem perto da realidade divina. Disso pode ter certeza!

Autor: Wesley de Sousa Câmara

A Festa Junina está ai. E agora?


     Podemos dizer que as festas juninas já estão arraigadas na cultura brasileira, pois são celebradas em todo o território nacional há muito, mas muito tempo. Porém, os evangélicos não veem com bons olhos essa celebração, já que, entre outros motivos, seria uma festa pagã, realizada por católicos em homenagem a santos. Diante disso surge a dúvida: posso ou não participar de festas juninas?
     Os leitores do blog Bíblia a fundo sabem que sou totalmente contra listas de regras e contra essa questão de “pode ou não pode”, pois isso é capa de religiosidade e não é compatível com o Evangelho. Dessa forma, não avaliarei se pode ou não, se é certo ou errado, mas direi a minha resposta a certa pergunta e logo em seguida explicarei os motivos que me levaram a ter essa opinião. Mas qual seria essa pergunta? Vamos lá:
“Caso alguém o convidasse para participar de uma festa junina, você iria?” 
Resposta: Se não tivesse nenhum compromisso marcado para a data em questão e se estivesse animado, iria sim! (Sei que este foi um momento de desapontamento e indignação para alguns leitores, mas peço que continue lendo até o fim).
     Não tenho motivos para condenar essa festa e muito menos para impedir, por exemplo, que meu filho dançasse quadrilha na escola. Particularmente nunca dancei nessas festas por duas razões: primeiro, porque cresci em uma denominação evangélica legalista, que pregava que qualquer coisa que você fizesse ou usasse seria “se assemelhar ao mundo”. Portanto, quadrilha e as comidas típicas de festa junina, nem pensar! Isso era "coisa do diabo e não, de crente"! A segunda razão é que nunca gostei muito das músicas e das danças típicas dessa festa. Digamos que rodar em volta de uma fogueira e “fugir da cobra” não faz meu tipo. Rsrs
     Vou então dizer o que eu penso em relação aos principais argumentos que vão de encontro às festas juninas:

É uma festa dedicada aos santos; é idolatria!
     O nome “junina” tem duas explicações: uma diz que é derivado do mês em que ocorre, e outra considera que é devido ao fato de ser uma celebração dedicada a São João (inicialmente teria sido chamada de “Festa Joanina”). Qual é a verdadeira? Não importa e não escolherei uma ou outra simplesmente para reforçar a minha opinião. De qualquer forma, devemos considerar o seguinte: a igreja católica banca muitas dessas festas e o lucro com elas é usado para as atividades da própria "igreja". Logo, se eu gastar meu dinheiro nesses locais, eu estarei financiando o catolicismo, certo?

Pregando na Cracolândia


     Não agradará a massacrante maioria, mas é minha opinião, dada de maneira bem informal, conforme comentário (na verdade é uma compilação de comentários meus) feito na página do facebook. Respeito quem discorda, mas é assim que vejo.

     MINHA OPINIÃO SOBRE O VÍDEO (repito, é MINHA opinião, sendo que respeito a de todos vocês):

     Links (escolha um ou outro) para quem não assistiu:
Assistir pelo youtube (clique aqui)

Assistir pelo facebook (clique aqui)

     Tenho duas observações opostas a fazer sobre o vídeo, sendo que uma delas é ELOGIO e a outra é uma CRÍTICA:

1 - Elogio a coragem e a disposição desses homens (não os conheço, mas possuem meu respeito) em irem até essas pessoas que poucos dão atenção (inclusive esse governo eleito, quem sabe, por você). Se todos tivessem um pouco dessa disposição o mundo estaria bem melhor. (Não vou entrar aqui em especulações sobre a motivação desse trabalho. Se foi para filmar, se foi para simplesmente fazer "convertidos à sua denominação" - afinal infelizmente "obras missionárias" atualmente QUASE sempre tem objetivo de fazer prosélitos - ou se foi um desejo sincero de fazer o bem a essas pessoas desamparadas). Não compete a mim fazer esse julgamento, pois não sondo corações.

2 - Agora a crítica: Não concordo com A FORMA com que isso foi feito, por vários motivos. O primeiro é que, com todo respeito a quem gosta desse tipo de mensagem cujo conteúdo importa menos do que o tom de voz elevado, uma mensagem tem que fazer o indivíduo entender e refletir. Se ficar apenas no campo da emoção, do "repete comigo", do falar rápido sem que a pessoa seja estimulada a pensar nos motivos de estar ali e no que deixou para trás (família e amigos), para pouco (ou nada) aproveita. Mensagens que mexem apenas com a emoção não ficam na memória, não curam feridas e não mudam vidas. Se na outra semana não voltarem lá para repetir essa "palavra positiva" a esses dependentes químicos, eles nem se lembrarão mais. (Principalmente se levar em consideração que o crack destrói neurônios e em poucos anos um indivíduo inteligente passa a ser uma "porta", mentalmente falando).
     O segundo problema é que o ser humano não é só espírito. Ele tem corpo também, de forma que quando se fala: "estou lutando por almas", você deve estar lutando por espírito + corpo. Ou seja, pregar o Evangelho com palavras (sem contar que Evangelho não é só o que Jesus pode fazer em mim, mas também O QUE ELE FEZ POR MIM NA CRUZ) é tão importante quando ajudar nas carências de uma pessoa. Se você acha que apenas o espírito é importante (o corpo físico não), recomendo lidar não com pessoas, mas com fantasmas (eles seriam "espíritos desencarnados". Rsrs).
     Uma bela frase atribuída a S. Francisco de Assis diz: "Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.” As palavras seriam a última coisa no processo, na minha opinião.
     É fácil dizer que não precisa matar a fome do morador de rua quando temos a nossa geladeira cheia; é fácil dizer que o desabrigado precisa é de amparo espiritual quando temos um teto e um cobertor para nos protegerem da chuva e do frio; é fácil dizer que dependentes químicos são "safados" quando nosso filho ou nosso pai não é um deles; é fácil dizer que "estão plantando o que colheram" quando não dizemos o mesmo em nossos momentos de crise financeira (pois gastamos mal) ou de doença (lembra dos churrascos, das gorduras, da falta de fibras e do sedentarismo seu?). Não feche os olhos para a realidade! Vida em abundância inclui o corpo, de forma que a manifestação do Reino de Deus parte da noção de que quem faz parte desse reino faz o possível para que o seu próximo tenha uma vida digna.
     Sozinhos não resolveremos os problemas do mundo; sozinho eu posso pouco, mas meu pouco somado ao seu pouco será muito.
     Se creio em libertação divina? Claro que sim, mas isso não virá devido à repetição exaustiva de "chavões" e de "clichês". O Evangelho ensina muito mais do que vestir um terno, pegar uma bíblia e sair gritando em ruas e ônibus que "Jesus salva, cura, liberta, batiza e leva para o céu". Palavras sem vivência serão mero discurso vazio. E mais: pode virar hipocrisia. Lembre-se do final do capítulo 25 de Mateus... Lembre-se da parábola do bom samaritano... Jesus ensinou a cuidar das necessidades do corpo, afinal, ESPÍRITO-ALMA-CORPO são tão indissociáveis quanto PAI-FILHO-ESPÍRITO SANTO.
     Talvez alguém dirá: "Mas essa palavra dada por esses irmãos podem ter sido como uma semente no coração desses dependentes químicos". Mas aí temos que pensar: uma semente boa tem que ter conteúdo para germinar, não adianta ser apenas uma mensagem quase de auto ajuda, dizendo que Jesus liberta e pedindo para a pessoa repetir, como se um exercício mental mudasse algo. Até mesmo as "sementes" acredito que germinariam mais fácil se fossem semeadas na consciência e não apenas na emoção dessas pessoas, pedindo para repetirem frases feitas. Na minha opinião, se eles sentassem com esses moradores da cracolândia, ouvissem, tentassem entender o porque de entrarem no vício (quantas vezes ouvi pacientes falarem que o que mais queriam é que simplesmente alguém os ouvissem), falarem da família deles que estão sofrendo, explicar quem é Jesus, o que o homem significa sem Jesus (a consequência do pecado, do afastamento de Deus), o que Jesus fez, o que significa isso para nós... Se não for assim vira uma relação de interesse: "vou servir a Jesus pra ele me libertar, pra restaurar minha família..." Isso é barganha e não, Evangelho.
     Vamos olhar para Jesus que é a revelação perfeita da vontade de Deus:
Jesus curava quando estava diante de um doente, alimentava quando diante de famintos, criticava quando diante de fariseus hipócritas e acolhia quando diante de rejeitados. A questão é: o que essas pessoas estavam precisando naquele momento. Acho que o melhor seria pensar: Jesus passando ali agora, o que faria? Será que faria um discurso como fizeram ou atuaria de alguma forma no problema real deles naquele momento? Não tenho dúvidas que não seria discurso e sim, uma ação efetiva para tirá-los daquela vida (não foi a toa que citou o bom samaritano). Cristo é nosso modelo, nosso espelho...

     Repito: não estou condenando essas pessoas que foram à cracolândia, afinal pode ser que junto a isso ofereceram ajuda concreta a eles, como abrigos, comida, auxílio profissional visando abandonarem o crack. Apenas usei as imagens do vídeo para fazermos uma reflexão. A questão, o problema, não é a coragem desses religiosos e nem a motivação e sim, A FORMA de realização. É como chegar a um homem faminto e ao invés de pão, oferecer uma bíblia. Poxa, naquele momento ele precisa de pão, não de bíblia. De barriga vazia ninguém vai querer ouvir nada. A mesma coisa é com eles, que naquele momento deveriam sequer saber onde estavam, pois o crack é consumido em intervalo de minutos.

     Concorde ou discorde à vontade, mas por favor, não use os argumentos "Você faz melhor?" ou "Quantas almas já ganhou?", pois além de já sermos adultos para refletirmos com profundidade, o que cada um faz, salvo em casos excepcionais, deve ser em secreto (Mateus 6).

Autor: Wesley de Sousa Câmara

"Palmadas" na educação dos filhos?


     O que aprendemos, considerando todo o contexto bíblico e do Evangelho é a educar nossos filhos, ensinando o caminho em que devem andar. O método que vamos usar, depende de cada caso. Salomão tinha seu método, outros pais tem outros. Não podemos ler o livro de Provérbios para nos ater ao meio (método), sendo que Salomão (em uma cultura e contexto específicos), focava na finalidade.
     Cada pai e cada mãe deve identificar a que seus filhos melhor respondem e assim educá-los. A "vara" citada por Salomão muitas vezes significa "correção/punição" e não necessariamente um galho de árvore. E mesmo quando tem esse sentido, o foco não é a vara em si, e sim, o efeito que ela produziria. Repare que a vara é sempre citada por ele para mostrar o resultado que ela deve gerar. Alguns pais dão palmadas e a criança não só não melhora, como piora. E aí, resolve? Não é a vara (ou mãos, chinelos, cintos...) em si que educa e sim, punição acompanhada de conscientização.
     A punição aplicada ao filho é como a Lei; a conscientização é como o Evangelho. A lei mostra ao indivíduo o quão errado é; o Evangelho perdoa, acolhe e ensina por consciência o indivíduo a viver em amor. Ser bom pai e boa mãe, na minha modesta opinião, inclui entender os filhos e aplicar a melhor forma de correção e de disciplina (a que gera frutos bons, resultados positivos), que sempre deve ser movida por amor; jamais por ira.
     Não sou contra um pai que tem pleno autocontrole e dá um tapinha no bumbum da criança só para mostrar a ela que não deve fazer aquilo, porém como poucos tem esse controle (e como todos acham que tem, até mesmo aqueles que quebram costelas das crianças), se for para "padronizar" (o que acredito ser impossível), que seja proibindo qualquer tipo de violência física (como esta "lei da palmada" ou "lei menino Bernardo"), afinal, quantos chamam de "palmadinha" o que para mim e para você é nítido espancamento, certo? Além do fato de haver uma linha muito tênue entre uma palmada e uma surra.
     E a quem acha que não posso opinar por não ter filhos (sim, para quem não me conhece, saiba que não tenho, pelo menos ainda), pergunto:
     "Por que você tem opinião formada sobre o ateísmo se não é ateu? Por que tem opinião sobre a homossexualidade se não é gay? Por que tem opinião sobre a política se não é político? Por que tem opinião sobre religiões e ensinos religiosos se não pertence a elas?" Ah, por favor, pare com a hipocrisia e com a imparcialidade! "Empatia" é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e esse "outro" inclui a criança que leva uma chicotada dos pais e fica 1 mês com marcas roxas pelo corpo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

“Fazer voto” é coerente com o Evangelho?


     Se eu perguntar quem já fez ou conhece uma pessoa que tenha feito algum voto a Deus, tenho a convicção de que dificilmente alguém não se manifestará afirmando que sim. Isso porque a realização de “votos” e de “promessas” é algo apoiado pela maioria dos segmentos religiosos “cristãos”. Então só nos resta analisar se esse tipo de ação é ou não coerente com o Evangelho. Vamos lá:
     Em primeiro lugar, precisamos definir o que é “voto”. Mas antes, devo alertar que não se pode confundir “voto” com “jejum”, pois muitas pessoas fazem um jejum de alimentos a fim de que Deus se compadeça e conceda a elas o que estão pedindo, ou seja, no voto a pessoa “recebe para depois pagar” e no jejum é o inverso (mas o jejum é discutido neste texto – clique aqui para ler). Pois bem, voltando ao assunto, neste contexto, voto é uma promessa feita por uma pessoa, dizendo que realizará algo “para Deus” caso ela tenha um determinado sonho ou objetivo alcançado. Em outras palavras, e usando um português bem claro, é uma tentativa de “barganhar com Deus” (embora os defensores dos votos rejeitem essa expressão), em que a pessoa faz um juramento, se comprometendo a fazer um sacrifício em troca de um benefício divino. Mas o que a pessoa promete? Ah, isso é muito variável. Encontramos promessas de dar dinheiro a uma instituição de caridade, de ofertar em uma denominação ou de ajudar uma família carente (poderíamos chamar esses atos de “sacrifícios financeiros”). Há ainda os que se comprometem em acordar todo dia de madrugada para orar, a ler a bíblia diariamente ou a sair pregando pelo mundo (poderíamos chamar esses de “sacrifícios espirituais”). Porém há outros tipos de compromissos bem mais espantosos, em que a pessoa faz um sacrifício físico, como: subir uma escada de joelhos, ir a algum local considerado “sagrado”, ficar sem se depilar por anos (no caso de mulheres) ou não cortar a barba e/ou cabelos por longo período (no caso dos homens). Enfim, as variações são muitas, assim como são diversas as motivações para os votos (adquirir casa própria, carro novo, emprego bom, ter filhos, receber uma cura, ver um familiar largar as drogas...). Mas para não me estender nas palavras, serei mais direto e convido você para refletirmos em alguns argumentos usados pelos que defendem a validade dos votos e depois chegarei a uma conclusão e você julgue se é ou não coerente:

- "Jefté, Jacó e Ana realizaram votos a Deus, logo, podemos (e alguns dizem que devemos) seguir esses exemplos."
     Quem não se lembra de Jefté, leia Juízes 11. Era um juiz que conduziu os israelitas na vitória sobre os inimigos (filhos de Amom). Porém, a questão é que ele havia feito um voto de oferecer em holocausto a Deus o que surgisse primeiro diante dele quando regressasse da batalha. O problema é que quem regressou foi sua filha e ele cumpriu o voto (não farei aqui uma discussão se ele sacrificou a vida dela ou se apenas a separou para servir a Deus, como algumas pessoas sugerem). O que vem ao caso neste momento é que ele fez um voto.
     No caso de Jacó é o seguinte: Em Gênesis 28:20-22 lemos que ele prometeu (fez voto de) pagar o dízimo de tudo que ele conquistasse, caso Deus o protegesse e o abençoasse em sua jornada. Porém, a bíblia não diz que Jacó pagou o dízimo (até porque, pagaria a quem, se não havia ordenanças sobre quem teria permissão para receber?). Podemos considerar que foi uma profecia, pois essa promessa (voto) foi cumprida posteriormente, pelo povo de Israel, que deveria pagar os dízimos. De qualquer forma, ele também realizou um voto.
     Ana (I Samuel 1) é um exemplo semelhante. Por não poder ter filhos, fez um voto a Deus: caso ela tivesse um filho, ele seria dedicado ao Senhor e seus cabelos e barba não seriam cortados.
     Há inúmeros outros exemplos menos específicos (como nos livro dos Salmos) em que a realização de votos é citada, afinal, fazia parte da tradição religiosa judaica. Mas o que podemos dizer desses casos?

     Em primeiro lugar, foram manifestações individuais e exclusivamente humanas. Deus não instruiu nenhum deles a votar, nem condicionou suas conquistas a esses votos que fizeram. Eles decidiram por si mesmos e conseguiram o que almejaram, assim como muitos outros conquistaram sem nunca terem feito votos. No caso de Jacó, leia Gênesis 28 todo e verá que Deus já havia prometido a ele que sua descendência teria a terra em que estava, que esses descendentes seriam muito numerosos e que se expandiriam pela Terra. Além disso, Jacó recebera a promessa de que seria guardado por onde passasse, de que seria conduzido por Deus de volta àquela terra e de que não seria deixado enquanto todas as promessas não fossem cumpridas na vida dele. Ou seja, o voto de Jacó, não importa o que fosse, não teria poder algum para mudar o que Deus já havia prometido.
     Em segundo lugar, observamos pelas escrituras que a relação de Deus com Israel era muito baseada na lógica: “as pessoas cumprem obrigações e EM TROCA Deus concede benefícios”. Porém, esse tipo de relação, por méritos, findou quando a Cruz nos foi revelada, em Cristo. A partir de então, a nossa relação com Deus não depende dos nossos méritos ou atos e sim, do que Cristo fez por nós na Cruz e tudo o que recebemos é sem merecer, é dádiva de Deus, por Graça. Portanto, esses exemplos no contexto israelita não servem para nós, que somos a Igreja de Deus.

- "Eclesiastes 5 ensina que quando fizermos um voto, devemos cumpri-lo."
     A pergunta a se fazer aqui é: Tudo o que está escrito nesse livro, nesse capítulo e nesse contexto é aplicável a todos os homens em todas as épocas? Ou seria algo no contexto de Israel, da Antiga Aliança, como já dito anteriormente (relação do homem com Deus na base de “obrigações e benefícios”? Para deixar como reflexão, cito o versículo 1, em que fala de "santuário de Deus" como sendo um espaço geográfico (mas sabemos que após Cristo, nós somos o Santuário, o Templo dEle  (I Coríntios 6:19/Hebreus 8:2/Hebreus 9), pois Ele não habita em santuários feitos por mãos humanas (Atos 7:48-50). Além disso, o texto cita o "oferecer sacrifício", que sabemos que não se aplica a nós, pois o sacrifício definitivo (Jesus) já foi oferecido na Cruz (Hebreus 10:12). Portanto, o que devemos fazer é submeter cada ensino do livro ao contexto da revelação plena de Deus em Cristo (que, conforme João 1, é Ele a Palavra de Deus encarnada) e assim, concluir: é ou não coerente com Jesus? (E portanto, é ou não aplicável a nós?) Aqui é claro: se votos não fazem parte do Evangelho (como começamos a ver e continuaremos no decorrer do texto), então não é um ensino para aplicarmos em nossa vida. Essa é a “radicalidade” de sermos discípulos não de um livro ou de um autor e sim, da própria Palavra de Deus que se revelou plenamente em Cristo. Nós não somos discípulos de Abraão, de Jacó, de Jefté, de Ana ou de Davi; somos discípulos de Jesus. O que esses grandes homens fizeram, dentro do contexto do judaísmo, deve ser visto por nós como um exemplo, mas não significa que devamos agir sempre como agiram. Após a revelação plena em Cristo, muita coisa ficou para trás como “sombra” e “simbolização”, como ensina Paulo e o escritor da carta aos hebreus (Colossenses 2:17; Hebreus 10:1).

- "Paulo fez e cumpriu um voto e como está no Novo Testamento (Atos 18 e Atos 21), valida os votos em nossa vida."
     Esse é um ponto que gera muita confusão. Primeiramente não podemos dizer que Paulo tinha o hábito de realizar votos, pelo menos não após a sua conversão ao Evangelho. Em Atos 18:18 lemos que ele havia cortado os cabelos em Cencreia por causa de uma promessa. Talvez esse relato esteja relacionado a Atos 21:23-27 (mas não quero entrar em detalhes sobre isso aqui, pois é insignificante diante do contexto), em que Paulo se submete ao rito de um voto, juntamente com outros judeus. Qual o motivo? Vários anciãos judaicos aconselharam Paulo a se submeter ao rito para que os judeus que o acusaram de ser uma pessoa que batia de frente com a lei de Moisés e que dizia aos judeus para abandonarem essas tradições judaicas, parassem com as acusações e vissem que Paulo não estava contra eles, embora estivesse levando o Evangelho a todos. O que Paulo fez? Cedeu, fez uma concessão à circunstância, sendo essa ocasião um exemplo do que ele dizia: “Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da lei , a fim de ganhar os que estão debaixo da lei.” – I Coríntios 9:20).
     Repare ainda que ele apenas fez essa concessão (para ganhar os “fracos na fé”) por ser nada mais do que um rito, dentro do costume judaico, que embora não fizesse mais nenhum sentido após Jesus Cristo, os judeus se escandalizavam, e os recém convertidos ainda não tinham plena consciência disso. Portanto, como era apenas um rito de “consagração”, ele aceitou (embora acredito que tenha sido difícil para ele aceitar tal “regresso”). Mas não tenho dúvidas de que se o rito fosse uma clara barganha, em troca de “uma bênção”, ele prontamente rejeitaria. Porém digamos que essa atitude de Paulo, mesmo com essa sincera intenção, seja entendida por alguns como errada, o que diremos? Simples! O livro de Atos registra o início da história da Igreja, as ações dos apóstolos, que vez ou outra corrigiam uns aos outros. Por serem seres humanos como nós, dispostos a viverem a vontade de Deus, porém carregando o peso da imperfeição humana, estavam sujeitos a falhas como qualquer um e o livro de Atos registra essa história toda. Em outras palavras: se Paulo não deveria ter se submetido a isso, poderíamos dizer que foi um equívoco dele (assim como o apóstolo Pedro errou e foi repreendido pelo próprio Paulo). O livro de Atos nos mostra a atuação de um Deus perfeito dentro de uma comunidade imperfeita (ao contrário do que muitos acham, de forma idolátrica, que é um modelo a ser seguido por todos os cristãos, em todas as épocas e contextos). Se houver algo no livro que se choca com o ensino do Evangelho, é claro que foi um equívoco de pessoas sinceras, tementes a Deus e que estavam trabalhando arduamente para pregar a Boa Nova da Cruz.

- "Eu fiz um voto e recebi. Contra fatos não há argumentos."
     Tudo bem. Você fez um voto e recebeu, porém já parou para pensar que muitas pessoas não fizeram voto algum e também receberam o que pediram a Deus? Você recebeu por causa da Graça (favor IMERECIDO) de Deus, que atua sobre todos, de justos a injustos (Mateus 5:45). É como um torcedor que antes do jogo do seu time coloca uma camisa do clube, dizendo que isso fará com que o time vença. Então o jogo termina, o time realmente vence, e ele acha que só venceu pelo fato dele ter usado a camisa. Pura superstição e o raciocínio é o mesmo na questão dos votos. Da mesma forma que o time dele venceu por méritos de outros (jogadores), o que uma pessoa recebe de Deus não depende dos méritos (ações) desse indivíduo e sim, dos “méritos” de Cristo, da Cruz, que traz a Graça a todos os homens.

Talvez você diga:
“Eu entendi que não faz sentido algum fazer um voto, mas como já fiz no passado, não posso deixar de cumpri-lo.”
     Veja bem, leitor (a). Se você pensa assim é porque ainda não entendeu o significado do Evangelho. A Cruz de Cristo nos revela exatamente que não há barganhas a fazer com Deus, pois nossa relação com Deus não depende de nós e sim, dEle. Se após entendermos o Evangelho fica absurdo essa realização de votos a fim de conquistar algo, o que sugiro é que ore a Deus, peça perdão pela sua ignorância ao achar que essa sua “promessa” estava fundamentada na Palavra de Deus e pela sua ingênua prepotência de achar que você é capaz de mover as mãos de Deus em seu favor. E creia que você já está perdoado. Sim, pois o sangue de Cristo foi para perdoar-nos do que somos e do que fazemos, inclusive dos nossos tolos votos. Entenda que o seu voto foi apenas um ato de alguém que estava na ignorância em relação ao significado da Cruz. Foi um ato apenas humano, ingênuo e jamais Deus cobraria de você algo que Ele jamais exigiu. Você não tem que cumprir um voto por achar que estará sendo fiel a Deus. Caso o seu voto tenha sido para realizar um bem a alguém, procure continuar fazendo conforme sua possibilidade, mas não como forma de continuar “pagando o voto” e sim, por amor a essa pessoa, afinal, ajudar o nosso próximo é um ensino de Jesus. Entendeu a diferença? Agora se o voto foi absurdo, digo com todo amor e temor: esqueça-o! Essa mentalidade é “pagã” e nada coerente com Jesus. Creia que tudo foi feito e consumado na Cruz e viva em paz, confiando no que Cristo fez por você, sendo diariamente constrangido em amor a fim de viver respondendo a esse amor com amor e assim, procurando viver a vontade de Deus. E jamais associe qualquer adversidade (que todos passamos em alguns momentos da vida) ao não cumprimento de um voto. Até porque um “deus” que castiga um ser humano por um voto que Ele mesmo, em Cristo, ensinou a não fazer (veremos logo abaixo), não é Deus e sim, um ser imaginário,criado por homens, por segmentos religiosos que querem controlar as pessoas pelo medo e pela culpa. É só você comparar esse “deus que castiga os não cumpridores de votos” com Jesus. Lembra quando Tiago e João (Lucas 9) perguntaram a Jesus se deveriam pedir que caísse fogo do céu para castigar o povo? A resposta foi: “Vocês não sabem de que espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los". Esse “deus” que castiga quem promete algo que Ele mesmo nem ensina a prometer se parece em algo com Jesus? Claro que não. Então esse ser não é Deus, pois a revelação plena de Deus aos homens é Cristo (Colossenses 2:9). O problema é que uma pessoa que não tem um “juízo” bom, irá se complicar na vida e como desculpa, associará as consequências ao não cumprimento de um voto. Outras, ficarão com medo do que pode acontecer por não terem cumprido a promessa e esse medo gerará nelas omissão ou precipitação em suas ações, com boa possibilidade de consequências danosas. Há ainda um grande número de indivíduos que viverão culpados pelo não cumprimento dos votos e assim, essa culpa será a maior adversária em suas vidas, sendo uma auto-flagelação e auto-condenação e, vivendo assim, dificilmente algo dará certo realmente a essas pessoas. E por fim, há aqueles que esperarão as coisas “caírem do céu”. Não lutarão pelo que querem, pois como fizeram um voto, agora “a responsabilidade é de Deus”. E aí já sabe o que essa omissão gerará, né? Na melhor das hipóteses, nada! Porém veja que as consequências ruins são sempre associadas ao próprio indivíduo e não, a um castigo divino.

     O ensino do Evangelho é claro: Em Mateus 5 Jesus ensina a nunca jurar e diz que nossa palavra tem que ser sempre verdadeira, sincera, sendo o nosso “sim”, sim; sendo o nosso “não”, não! E o que é um voto senão um juramento para realizar (ou deixar de realizar) algo? Em Mateus 6:25-34 Ele instrui a não andarmos ansiosos com coisa alguma, nem com o amanhã. E voto é a manifestação de uma ansiedade excessiva, a ponto do ser humano abrir mão de algo (oferecer um sacrifício) em troca da realização de um desejo ou necessidade.      
     Precisamos entender ainda que Deus não é obrigado a dar nada a ninguém, afinal, Deus é Ele e não, nós. Ele só concederá algo a nós, caso seja segundo a Sua vontade:

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (I João 5:14)

     Repare que o pedido não é “fortalecido” com um voto e sua realização dependerá se é ou não de acordo com a vontade de Deus.  Não há nada que possamos fazer para merecer algo e se fôssemos receber por merecimento, apenas receberíamos condenação, pois o "melhor" de nós é mau, é pecador e um nada perante Deus. Seja voto, campanha, corrente ou um sacrifício (seja em forma de jejum, de dinheiro dado a alguma instituição, de promessas...), isso tudo é uma tentativa de "pagar propina ao divino", tentando comprar uma bênção. Mas na graça, tudo é de graça, sem merecimento. Se desejamos algo, devemos orar a Deus e pedir: "Pai, se for da tua vontade, faça tal coisa". Até mesmo Jesus quando estava prestes a ser morto, não exigiu nada. Apenas clamou: "Pai, se possível, passa de mim este cálice, porém seja feita a Tua vontade e não, a minha" (Lucas 22:42). Porém, achar que Deus fica “constrangido” quando pedimos algo, oferecendo alguma coisa (seja voto ou “jejum interesseiro”) não tem nenhum fundamento em Jesus, nem nos apóstolos.
     Votos e promessas a Deus são distorções conscientes do Evangelho ou, quando são feitos com sinceridade, além de não fazerem sentido algum, apenas atestam a ignorância do indivíduo em relação ao significado da Cruz. Não há mais sacrifícios possíveis ou preços a serem pagos, pois o sacrifício permanente (Cristo) já foi oferecido por mim e por você. E é por esse sacrifício que recebo tudo o que Deus, por Graça, decide me conceder. Está consumado! Creia, pois esse é o anúncio do Evangelho! Aprenda com seus erros, creia na mensagem de Jesus, receba o perdão de Deus, que é a salvação da sua alma, e viva pacificado. Dessa forma, sem culpa, sem medo e sem tentar barganhar com Deus, verá o que é usufruir da “vida em abundância” prometida a quem se entrega à conversão ao Evangelho. Orar e pedir, sim; fazer votos, jamais!

Autor: Wesley de Sousa Câmara