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Breve reflexão sobre a Páscoa


     Não pretendo aqui fazer uma análise ou uma revisão histórica sobre a Páscoa e sim, uma pequena reflexão sobre o seu atual significado. O que é a Páscoa? O que representa para nós? Devemos celebrá-la? E como?
     Há pelo menos 3 grandes grupos de pessoas, que encaram de forma diferente essa ocasião. Os judeus celebram a “Páscoa judaica”; alguns cristãos celebram a “Páscoa cristã” e outros cristãos (assim como outras religiões e demais indivíduos) não associam a ela nenhum significado espiritual. Sendo assim, vejamos brevemente essas diferenças:
PÁSCOA JUDAICA:
   A Páscoa é uma festa originalmente judaica, cujo nome significa “passar por cima”. É assim chamada devido a um acontecimento logo antes da última das 10 pragas do Egito. Moisés ordenara que seu povo sacrificasse um cordeiro (“Cordeiro Pascal”) e passasse o sangue dele em locais próximos às portas de suas casas. Assim, um anjo viria para matar os primogênitos de cada lar, mas onde houvesse sangue, ele não entraria (“passaria por cima”). Uma vez realizado, todas as casas com esse sinal foram poupadas e os moradores comeram tranquilamente o cordeiro. Em seguida, o povo hebreu foi liberto da escravidão no Egito. A partir daí, foi instituída a Festa da Páscoa, celebrada anualmente pelos judeus, em que um cordeiro era sacrificado e comido por eles.

PÁSCOA CRISTÃ:
    Jesus, que era judeu, morreu justamente nos dias de celebração da Páscoa judaica. Embora haja algumas discordâncias quanto a datas, predomina a visão de que Jesus tenha morrido na sexta feira (que é conhecida atualmente como “sexta feira da Paixão/ Santa”) e ressuscitado no domingo.  Sendo assim, o cristianismo também adotou essa celebração, porém com um significado diferente: a ressurreição de Jesus Cristo, que é o cordeiro que foi sacrificado, para tirar o pecado do mundo.
   Já a abstinência sexual, de carne vermelha, o jejum e a quarentena foram criados pela Igreja Católica Apostólica Romana. Os protestantes não seguem essas tradições e alguns de seus segmentos realizam neste período a Santa Ceia, que representaria o sacrifício de Cristo.

SEM SIGNIFICADO ESPIRITUAL:
   Parte dos cristãos, indivíduos de outras religiões e ateus, por exemplo, não comemoram esta data ou, quando a celebram, encaram-na apenas como uma festa popular, que se tornou uma tradição já incorporada em várias culturas. Neste caso, ao invés de cordeiro, tem-se um coelhinho; ao invés de sangue, tem-se chocolate. O coelho e os ovos seriam (no sentido original) a representação da fertilidade (que teria relação com ressurreição/renascimento).

   Sabemos que toda a Escritura testifica de Jesus, ou seja, é dEle que ela fala o tempo todo. No Velho Testamento temos muitas simbolizações (arquétipos) do Evangelho. O cordeiro sacrificado para que os primogênitos tivessem vida representava Jesus, que foi sacrificado para que eu e você pudéssemos ter a vida eterna. O Cordeiro foi imolado antes da criação do mundo, ou seja, é sempre o sacrifício de Cristo que é simbolizado na bíblia. Sendo assim, após a consumação histórica do sacrifício (crucificação, há pouco mais de 2000 anos), toda essa simbolização se torna “infantil”, pequena e até sem significado. Em Cristo, todas as representações foram realizadas, logo, voltar às simbolizações quando se tem a plenitude de todas as coisas é cometer um erro que Paulo sempre alertou (voltar aos rudimentos fracos antigos).
   A Páscoa deve estar viva em nós, mas não como uma data e sim, todos os dias. Quando a temos em nosso coração, aceitamos que a nossa vida de pecado, que nos condenava, morreu na Cruz com Cristo. Porém, essa morte foi para que tivéssemos vida, pois Ele derramou seu sangue para que nós fôssemos perdoados e reconciliados. Se você crê, quando Deus olha para você, ao invés de um mero pecador, Ele vê apenas sangue do Cordeiro na porta do seu coração.

     Portanto, vemos que a comemoração da Páscoa é para os judeus. Os cristãos não precisam comemorar tal festa (não existe mandamento para isso), porém se quisermos celebrar a ressurreição de Cristo nesta data, nada impede, desde que não seja apenas uma ocasião e sim, uma consciência contínua de que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, para que nossos pecados não fossem imputados sobre nós e com isso, fôssemos reconciliados com o Pai. Dessa forma, celebraremos a ressurreição vivendo o Evangelho, ou seja, vivendo na simplicidade de Cristo e cumprindo os seus ensinamentos. A oficialização desta comemoração no meio cristão está relacionada mais ao sincretismo religioso, iniciado por Constantino e outros líderes, no início do cristianismo (catolicismo), e consolidado no século XVI.
     Quanto aos ovos de chocolate, depende da escolha de cada um. Alguns alegarão que, por ter origem pagã, esses símbolos devem ser prontamente rejeitados. Porém, se formos abominar tudo o que tem origem pagã, precisaremos abandonar quase tudo que adotamos. Exemplos: os templos religiosos (provável origem suméria), as alianças de casamento (origem hindu ou egípcia), as maquiagens (origem no Egito Antigo)... Temos que ser honestos e imparciais, correto? A questão não é a origem e sim, o significado que atribuímos a cada coisa. Se o coelho e os ovos tiverem um significado para nós, estaremos com um espírito pagão, mas se não tiverem, serão apenas mais uns “objetos”. O apóstolo Paulo nos ensinou que se os ídolos nada são, porque nos preocuparíamos com eles? (I Coríntios 8). A única preocupação deveria ser “não escandalizar os irmãozinhos novos na fé”, que ainda não adquiriram a mente de Cristo, ou seja, que não entenderam ainda que o contaminante do homem é o que procede do coração (de dentro) e não, algo que venha de fora. 
     Sinceramente, acho um desperdício de dinheiro com esses produtos. Se observar bem, verá que 0,5 Kg de chocolate em formato de “ovo de páscoa” terá um preço muito superior à mesma quantidade em forma de barra. É nítido que empresas apenas agregaram valor e aproveitaram a data para ganhar dinheiro. Em toda data festiva é assim. Tudo virou comércio. Como se tornou uma tradição presentear alguém com esses ovos, o preço é altíssimo. Se ninguém comprasse, esse abuso não ocorreria, mas cada um escolhe com o que vai gastar o seu dinheiro. Não há nada de errado em comer um ovo, desde que saiba que isso não tem nenhum significado, além de uma tradição. Mas quer um conselho? Celebre a ressurreição de Cristo realizando o que Ele ensinou, que não é ficar doido atrás de um chocolate, muito menos deixar de comer carne vermelha ou se abster de relações sexuais e sim, ajudar os necessitados. Essa é a melhor forma de celebrar a Páscoa, pois fazendo o bem ao seu próximo, estará fazendo a Deus, como ensina Mateus 25.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Jesus foi mesmo casado?


     Nos últimos dias passaram a circular reportagens e comentários em relação a um suposto fragmento de manuscrito antigo (encontrado em 2012) que diria que Jesus era casado. Não pretendo aqui "declarar guerra" contra essa descoberta e tampouco defendê-la. Apenas quero expor alguns argumentos, pois sinceramente, não vejo motivo algum para preocupação e seja esse “Evangelho da esposa de Jesus” falso ou verdadeiro, não mudará absolutamente em nada a minha fé. 
     As reportagens focam sempre nos mesmos pontos: o fragmento seria proveniente do Egito Antigo, e conteria a expressão “minha esposa...” e ainda “Ela poderá ser minha discípula...”. A possibilidade de essas expressões serem reais despertou a fúria em muitos religiosos, bem como a preocupação com o risco de muitos terem a fé abalada, visto que sempre foi consenso no cristianismo a defesa do fato de que Jesus era solteiro. Quando esse papiro foi descoberto, logo a igreja católica (assim como outros pesquisadores) declarou que se tratava apenas de mais uma entre tantas farsas. Estudiosos da Universidade de Harvard estudaram o documento e agora, em 2014, chegaram à conclusão (publicada na "Harvard Theological Review") que há evidências (após análises físicas e químicas) de ter sido escrito entre os séculos VI e IX, havendo ainda a possibilidade de ter sido produzido até mesmo no século II, ou seja, não seria uma falsificação moderna.
     Pois bem. Diante disso, surgem vários questionamentos e argumentações. Em primeiro lugar, devemos questionar: em que é estruturada nossa fé? Se ela for em Cristo, nosso fundamento e pedra angular, teremos consciência que ele é o eterno Cordeiro de Deus, que entrou na história há pouco mais de 2 mil anos, a fim de trazer a revelação plena da Cruz, de Deus aos homens. Portanto, nenhuma questão social, cultural, familiar ou moral interfere em nada na Cruz eterna e no sacrifício que ocorreu antes da fundação do mundo. Porém, caso nossa fé seja apenas uma crença baseada em tradições, em dogmas, meramente no livro (bíblia) ou em qualquer outra interpretação humana, corremos um sério risco de sermos abalados.
    
     Pessoalmente não acredito que seja verdadeira a informação de que Jesus era casado, pois há várias evidências que apontam para o fato dEle ser solteiro. Os principais argumentos que defendem que Jesus seria casado (além deste manuscrito encontrado recentemente) são:
- Maria Madalena viajava com Jesus e como viajar com homens não era comum na cultura judaica, supõe-se que ela era sua esposa. Porém, o texto base para tal afirmação é Lucas 8:1-3 e repare que três mulheres tem seus nomes citados, além de ser dito que existiam várias outras. De quem seriam esposas? Todas de Jesus com certeza não eram. Ou seja, essa suposição não tem fundamento sólido.
- Textos mostrariam uma relação diferente entre Jesus e Maria Madalena. Mas quais textos seriam? Alguns evangelhos considerados apócrifos e gnósticos (como os evangelhos de Filipe e de Maria Madalena), que serviram de base para o famoso livro “O Código da Vinci”. Neles é dito que Maria era companheira de alguém, provavelmente de Jesus, além do tão citado fato de que Jesus teria a beijado (porém não é dito em que local do corpo foi o beijo e nem o contexto em que teria sido dado). Esses textos são discutíveis primeiramente em termos de confiabilidade (fidelidade histórica) e mesmo se fossem 100% confiáveis, em momento algum afirmam que Jesus era casado.
- Um argumento que talvez nem merecesse ser mencionado, por tão infundado que é, está baseado em Lucas 7:36-50. Alguns argumentam que a mulher, que seria Maria Madalena, poderia ser esposa de Jesus e então, o ato da “consagração” realizada por ela não seria tão escandaloso. Porém, em primeiro lugar, essa mulher não deve ser confundida com a Maria de Lucas 8. Em segundo lugar, o próprio contexto do capítulo 7 diz que o ato foi considerado um escândalo e os judeus afirmavam que Jesus não  permitiria se soubesse quem ela era. Ou seja, como ele não conheceria sua própria esposa?
- Muitos alegam que Jesus, por ser um rabino judeu, deveria ser casado (tradição judaica). Aí surgem algumas questões. Jesus não era um rabino oficial. Quando é assim chamado, é no sentido de “mestre”, de “professor”, pois ele atuava muitas vezes como tal. Portanto, ele não tinha a obrigação de se casar. Além disso, muitos judeus optavam pelo celibato como sinal de devoção a Deus (como exemplo o que ocorria em Qumran - ou Comunidade dos Manuscritos do Mar Morto - um território judeu separatista, onde pessoas viviam juntas por motivos religiosos, sem se casarem).

     E quanto ao fato de Jesus ser solteiro, há muitas evidências? Primeiramente devemos ter em mente que exceto por este fragmento de manuscrito, nenhum outro (canônico ou apócrifo) indica que Jesus tinha esposa. Toda vez que a família de Jesus é citada, é uma clara referência a seus irmãos e à sua mãe. Também não há referência explícita ao fato de Jesus ser solteiro. O que temos a fazer então é analisar evidências e “colocar tudo em uma balança”, o que em minha opinião a faz pender para o NÃO casamento do Messias.
- Quando mulheres são citadas nos evangelhos, geralmente vem associada ao nome delas uma referência. Essa referência é sempre o nome de algum homem mais conhecido. (Ex: “Maria, mãe de Tiago”, “mãe dos filhos de Zebedeu”...). Porém, Maria Madalena não é citada relacionada com nenhum homem (se fosse esposa de Jesus seria fácil em algum momento essa referência surgir), assim como Jesus não é ligado ao nome de nenhuma outra mulher.
- Não há motivos para achar que no primeiro século (época em que os evangelhos foram escritos) haveria algum interesse dos apóstolos em esconder essa informação, caso fosse real.
- Em I Coríntios 9 Paulo cita o direito que ele e outros apóstolos tinham de levar com eles suas esposas. Seria uma oportunidade maravilhosa de fortalecer seu argumento, citando Jesus levando sua esposa em sua missão. Mas não fez, pois provavelmente isso não ocorreu. Aí você perguntará: “Se não citar Jesus como casado for evidência que não se casou, então no capítulo 7, como não citou Jesus como solteiro ao defender o ‘permanecer sem se casar’ é uma evidência que Jesus não era solteiro”. É um bom contra-argumento, mas não parece ser tão válido, pois no capítulo 7 é apenas um conselho de Paulo, que considerava útil manter-se solteiro. Citar aí o exemplo de Jesus seria desproporcional. Já no capítulo 9 ele defende o direito claro que todos teriam de levar suas esposas. É quase uma exigência, ao contrário do capítulo 7 em que é apenas uma sugestão e colocar o exemplo de Jesus nesse contexto seria como se estivesse dizendo que seria errado se casar. De qualquer forma, não acho que esse seja o principal ponto.
- Na crucificação seria o momento chave em que a esposa de Jesus deveria estar presente (além da última Páscoa, em que ela estaria certamente entre eles) e a principal oportunidade dos escritores dos evangelhos se referirem a ela, correto? Mas isso não aconteceu. Jesus mostrou preocupação com sua mãe, pedindo que João cuidasse dela, mas não citou uma suposta esposa.

     E para consolidar a minha opinião de que Ele era solteiro, cito Mateus 19:10-12, pois Jesus daria tal ensino se ele próprio não o seguisse? Ter que cuidar de uma família (mesmo que fosse apenas esposa) implicaria em um tempo que Ele não tinha. Sua jornada seria curta na Terra. Não havia tempo a "perder". Se Paulo ficou sem esposa (e até incentivou quem pudesse não se casar – I Coríntios 7), para Jesus seria ainda menos complicado, não acha? É até mais coerente, nesse trecho que citei, a interpretação de que Jesus não tenha se casado.
     Porém digamos que Ele tenha sido casado. Que problema teria? Choca-se com a tradição religiosa do celibato? Se choca, essa é uma questão que quem criou essa tradição deve responder. Outros alegam que Jesus, por não ter pecado, não poderia se envolver em relações sexuais, o que não faz sentido, pois o sexo em si não é nenhum pecado, tanto que em termos históricos ele precede o pecado (a ordem para crescer e multiplicar precede a origem do pecado, relatada como o "consumo do fruto proibido"). O que é pecado não é o sexo ou o casamento e sim, o mau uso e a perversão deles. Da mesma forma que Jesus teve amigos sem pecar, bebeu sem pecar, irou-se sem pecar, poderia casar-se e ter relações sexuais (embora eu não acredite nisso) sem pecar. E se o casamento e o sexo fossem pecados, seria contraditório serem permitidos na vida de um convertido/salvo, uma vez que o propósito da salvação é tornar-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, certo? De qualquer forma, continuo achando indiferente e acredito que o manuscrito seja mais um entre tantos que foram produzidos a fim de defender o ponto de vista (como tantos existem para defender ideias do gnosticismo, por exemplo) de algum grupo.
     Concluindo, tenho mais argumentos para acreditar que Jesus foi solteiro do que casado, porém, mesmo se tivesse uma esposa, isso não anularia sua "divindade". Se essa questão abalasse a encarnação de Deus nEle, muito pior seria o fato dEle comer e beber (era até chamado de beberrão e amigo de pecadores), de morrer, de sentir fome, dor ou tristeza... Jesus foi a encarnação perfeita de Deus, em um perfeito ser humano. O diferencial de Jesus é o que Ele era em sua origem, a Sua relação perfeita com Deus e Sua ressurreição. Não tem nada a ver com ter ou não uma família. Portanto, um casamento apenas evidenciaria a humanidade do Deus que se esvaziou e entrou na história, seguindo os princípios e condições que Ele mesmo estabeleceu para a vida no início de tudo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Referências: 
- Darrell L. Bock, Ph.D., Quebrando o Código Da Vinci, Ed. Novo Século, 2004.
-http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/04/analises-apontam-que-papiro-que-fala-da-esposa-de-jesus-nao-e-falso.html
(acessado em 14/04/2014).

A fé não é inimiga da razão


"A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos." (Hebreus 11:1)

     As razões da fé geralmente não são passíveis de comprovação científica e muitas vezes sequer são plenamente compreensíveis e explicáveis, porém isso não as colocam num polo oposto à "razão". Fé e razão podem (e devem) caminhar juntas. Não é verdade que usando a razão perde-se a fé. Pelo contrário, o uso da razão nos permite separar o que é fé do que é tentativa de manipulação. Não é a toa que líderes religiosos inescrupulosos, como muitos que vemos em programas de televisão, apelam para o misticismo, para o charlatanismo e quando qualquer questionamento é feito os argumentos são aqueles que apenas satisfazem os que abdicam de pensar: "não questione a unção de Deus em minha vida", "de milagre não se duvida", "Deus está no controle", "não toque no ungido".
     Repare que o estudo, principalmente teológico (entenda não necessariamente como "realizar um curso de teologia" e sim, "estudar as escrituras") é até desestimulado por esses indivíduos. Quem nunca ouviu a distorção de II Coríntios 3:6: 
"A letra mata, mas o espírito vivifica"
     Dizem que "letra" é o estudo da bíblia (porém Paulo está se referindo à lei) e assim, desestimulam essa busca pelo conhecimento. John Stott dizia: "Crer é também pensar" e isso é uma grande verdade. Ter uma fé cega, sem critérios é como atravessar um abismo se equilibrando em uma corda. O risco é enorme e é isso que tantos grupos que se dizem cristãos estimulam, pois dessa forma, a manipulação será mais fácil. Afinal, quem questionará, como faziam os irmãos de Bereia (Atos 17), se o que ensinam é verdade? Basta atentarmos para o fato de que a maioria das pessoas que se dizem evangélicas, principalmente as neopentecostais (desculpem-me pela quase generalização), abrem suas bíblias apenas onde o pastor pede, durante o culto. Em casa, no máximo fica aberta no Salmo 23 ou 91. O que elas ouvem à respeito das escrituras são apenas os ensinos que vem do seu líder, no púlpito. Ou seja: tornam-se pessoas sem criticidade, seguidoras de superstições, sem conhecimento profundo, sem poder de questionar tudo o que não se assemelha ao Evangelho.
     O fato de conhecer as escrituras não garante que você conhecerá a Deus, pois o conhecimento do Pai é ação do Espírito Santo, porém evitará que você caia em todo tipo de engano e no mínimo você questionará cada ensino que lhe é apresentado. Questionar não é pecado; pecado é ser omisso, é abrir mão de usar um livro (bíblia) que muitas pessoas no mundo morrem ao serem pegas lendo-na. Evangelho é consciência. Não é a toa que os únicos seres da Terra com fé somos nós, humanos, que somos dotados da "razão". Até que provem o contrário, ninguém observa um cão orando ou demonstrando fé em Deus. Portanto, deixe de aceitar tudo o que ouve. Se não sabe, pergunte a pessoas diferentes, compare as respostas, questione, duvide, critique. Cheque tudo com o que a escritura diz, sem tirar texto do contexto. Se você usar a razão, dificilmente perderá a fé, mas se abrir mão de estudar, aprender e questionar será um grande candidato a ser um mero fantoche de algum manipulador. E quando acordar para a vida, se acordar, terá tanto ódio de ter sido enganado por tanto tempo que terá dificuldades em aceitar que quem lhe enganou foi um homem e não, Deus, e terá alta probabilidade de ser o mais novo "ateu", não um "genuíno", mas um traumatizado por alguém que se dizia representante de Deus, porém que o Evangelho classifica como "filho de satanás".
     Acorde enquanto é tempo e saia dessa vida de engano.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Visitou o céu e o inferno. Será?




     Este vídeo (que retrata a visão de uma jovem evangélica chamada Angélica Zambrano) ficou famoso há alguns meses. Trata-se de um documentário de uma jovem evangélica equatoriana que teve uma experiência (visão?) do céu e do inferno. Alega ter visto pessoas conhecidas nesses locais e teria recebido algumas instruções divinas para repassar às pessoas na Terra.
   
     Sobre o documentário, NA MINHA OPINIÃO, há duas coisas fundidas: realidade e fantasia.
     Boa parte dos religiosos, assistindo isso, dirão de cara: “é tudo mentira”. Mas sinceramente (e sabendo que não devemos julgar por aparência), percebi uma sinceridade no relato dela e em sua mãe. Porém, tem muita coisa que “não bate” com o espírito do Evangelho. Sendo assim, só consigo acreditar que seja um fenômeno mental, talvez com a ação de Deus por trás realmente (por isso ela sabia previamente, assim como aquele irmão da igreja, que isso aconteceria). Se não está entendendo nada do que digo, assista ao documentário e só depois, prossiga a leitura.
     Há inúmeros fenômenos que ocorrem desde sempre na humanidade e há relatos há séculos de fenômenos diversos, que muitos, por ignorância, taxam de mentira, de loucura ou de demoníaco. Algumas pessoas tem uma hipersensibilidade “mental” e conseguem ter sensações e experiências inimagináveis pela maioria das pessoas. Por exemplo: muitos que tem sensações de “premonição”, tem na verdade (na minha opinião) uma capacidade superior de transcender à linha do tempo, por alguns instantes. O mesmo vale para outros fenômenos como “Experiência de quase morte” (quem achar interessante pode pesquisar sobre isso), sonhos, projeções psíquicas e até mesmo hipnose.
     Pois bem, quando uma pessoa tem uma experiência dessas, o significado que ela vai atribuir a isso dependerá de suas crenças. Quase todos que tem experiências como a garota teve, relatará algumas coisas semelhantes, como a forte luz. Porém, uma pessoa cristã, associará com Jesus, com anjos. A aparência de Jesus e dos anjos será aquela que essa pessoa tem na mente... Um ateu quando tem a mesma experiência, atribui um significado diferente ao que vê; um muçulmano, um indígena, também... E por aí vai. Isso é nítido quando observamos que ela é evangélica, de um país subdesenvolvido, com uma baixa condição socioeconômica e está em um contexto religioso legalista, ou seja, sujeita a uma série de dogmas, de tradições humanas (costumes de usar roupas longas e características, aversão a maquiagens e adornos e ainda cabelos crescidos). Isso faz com que em dado momento ela diga indiretamente que o Senhor teria avisado para as mulheres cuidarem bem do cabelo (seria o “não cortar”), que é o véu dado por Deus (em referência a uma tradição interpretativa da denominação dela, em relação a I Coríntios 11). E toda a interpretação da experiência dela foi religiosa evangélica característica de um contexto em que a disputa com o catolicismo era forte. É como era o Brasil há 30 ou 40 anos. Veja que a todo momento ela se refere à idolatria, ligada ao catolicismo, porém, como não está em um contexto em que a corrupção evangélica, por exemplo, seja muito nítida (como é no nosso caso), ela em momento nenhum cita um “pastor” que tira dinheiro dos pobres com falsas promessas, por exemplo. Entendem?
     Pessoas boas e ruins existem em todo meio, seja católico, evangélico ou não religioso, mas ela só vê coisas ruins no meio que ela, por questões religiosas, combate.
     Outra prova disso é o que ocorria aqui no Brasil também em meados do século passado, em que era ainda mais evidente no meio evangélico a ideia de que se eu não pregar, “o sangue dessa pessoa estará sobre minha cabeça”, ou seja, serei culpado por ele ter morrido sem conhecer o Evangelho. Isso não tem apoio bíblico nenhum, pois Jesus nos ensinou a pregar e nos mandou ir ao mundo, não como uma obrigação, nem com uma ameaça se não formos e sim, como um fruto de consciência, de amor. Paulo também ensina que temos o privilégio (o "ai de mim se não pregar" é uma "obrigação" no sentido de constrangimento, de não ter como não pregar e não, uma ameaça de que receberei um castigo pela condenação das pessoas a quem não preguei) de pregar e assim, somos coparticipantes do Reino de Deus. Mas as religiões tem alguns dogmas, como é o suicídio e a blasfêmia contra o espírito santo (veja que é padrão de boa parte dos evangélicos ter medo de ter blasfemado algum dia). Muitos se alimentam do medo e da culpa. Isso é porque tem o dogma que se a pessoa morreu sem o padrão dela, está no inferno. Mas não pode ser assim, uma que o padrão dessa pessoa não é parâmetro pra nada e outra que não temos como garantir que a morte necessariamente é o fim. Paulo diz que nem a morte e nem os anjos podem nos separar do amor de Deus. O que acontece entre a nossa morte e o "céu ou inferno", nunca saberemos, por isso não podemos fazer uma doutrina para explicar tais questões ou para dizer que alguém, por ter certa conduta neste mundo está com certeza condenado ou salvo. Tenho a tendência a acreditar que nossa oportunidade é em vida, porém o que acontece no creve momento de passagem da nossa vida terrena para o "estar com Deus" não sou capaz de saber, por isso, não afirmo categoricamente isso. Podemos ter visões teológicas diferentes, mas toda teologia, por ser humana, é relativa. Absoluto é só Deus.
     Ela também cita, no inferno, além daqueles indivíduos ligados ao catolicismo, pessoas que a religião dela condena veementemente, como os cantores seculares (e quanto mais fama, pior). A Selena é um exemplo de cantora latina, ou seja, que era bem conhecida no contexto dela... A criança no inferno foi, ao meu ver, uma forma de condenar os desenhos animados (alguns não são bons pra crianças realmente, mas dizer que são demônios, é demais) e a rebeldia das crianças.
     A aparência do inferno que descreve é a típica imagem fantasiosa de “conto de fadas”, que é comum nas pessoas, em que é um lugar sombrio, com muito fogo e o diabo com uma lança nas mãos espetando as pessoas... É uma coisa quase com aparência de gibi.
     Portanto acredito sim que ela teve uma experiência extraordinária, sendo talvez uma projeção psíquica (tanto que ela via o corpo dela, tentava tocá-lo e não conseguia) e provavelmente uma ação de Deus na vida dela, a fim de promover um crescimento de sua fé. A mãe via o corpo mas não via a projeção, exceto por aquela suposta camada de energia que cercava o corpo... Enfim, não sou especialista nisso, mas acredito que ela tenha tido uma experiência real, porém mesclada com algumas coisas da mente dela. Não é que ela esteja mentindo em algo, mas é praticamente impossível separar o que ela realmente viu do que ela imagina que ocorreu.
     Não duvido dessas experiências, pois há muitos relatos e alguns são bem convincentes. E mais: todas as pessoas que passam por isso mudam de vida. Nunca mais são as mesmas. Se eram pessoas boas, ficam melhores. Se eram más, ficam boas. Portanto acredito sim que Deus possa permitir essas experiências a fim de dar a alguém, por sua infinita graça e amor, a oportunidade de ser uma pessoa melhor, ter convicção de sua fé e até mesmo ajudar outras pessoas. Só não se pode fazer uma doutrina em cima disso ou achar que é uma revelação à humanidade. Afinal, porque Deus demoraria dois mil anos para revelar algo dessa forma e revelaria apenas a um ou outro? Como fica quem morreu antes da revelação ou que não ficou sabendo? Em termos de revelação coletiva de fé, creio que a bíblia nos é suficiente. Mas o Espírito Santo age como quer e pode atuar diretamente na vida de uma pessoa a fim de fortalecê-la (I Coríntios 2:9). Nisso eu creio. Deus agiu de uma forma inexplicável na vida do apóstolo Paulo (II Coríntios 12) e revelou a ele muita coisa. Porém essa revelação de pessoas conhecidas no inferno, não acredito que seja real, pois além de não produzir bons frutos, ainda gera nas pessoas uma prepotência de poder afirmar quem está no inferno e ainda provoca nelas a arrogância de julgar todas as pessoas que acham que estão na mesma situação (de forma comparativa).

     Repito: essa é minha opinião. Longe de mim achar que o meu pensamento é o correto. Não sou fundamentalista para tanto. Mas é o que eu acredito, olhando à distância, que tenha ocorrido.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Casamento "obrigado"


UM CURTO RELATO E, NA SEQUÊNCIA, A MINHA OPINIÃO:

"Estamos passando por um grande dilema na minha família: semana passada descobrimos que a filha da minha prima, uma menina de 14 anos, está grávida de um garoto de 16 anos. Agora eles terão que se casar e eu não me conformo. Acho um absurdo casar duas crianças, mas a minha prima diz que eles não podem viver em pecado."
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     Nota-se uma hipocrisia familiar e religiosa imensa ("espírito" de muitos fariseus dos dias de Jesus), tentando consertar um erro com outro erro infinitamente maior... A falta de consciência desses adolescentes gerou uma gravidez; a falta de sabedoria, a falta de bom senso e a enorme hipocrisia dos pais e da liderança dessa denominação gerará um "casamento" entre dois adolescentes que já mostraram que não tem maturidade alguma (se tivessem, não haveria gestação); essa falta de maturidade tem altíssima probabilidade de gerar a infelicidade de ambos e talvez (há muita chance) não consigam ficar juntos e se divorciem. Os pais e a liderança da igreja" tentarão impedir o divórcio de todo jeito e caso se separem, demonizarão esse divórcio para o resto da vida e os jovens serão impedidos de se casarem novamente... Ou seja: os adolescentes cavaram um buraco e a família, assim como aquela que se intitula "igreja", estão tratando de enterrá-los nesse buraco, ao invés de se unirem e procurarem a melhor saída para o erro cometido. Se essa atitude é Evangelho, não sei o que seria anti-Evangelho. Meu Deus, onde vamos parar?
     Alguns dirão: "ah, mas não foram crianças, nem imaturos para gerarem um filho". Mas quem disse que para gerar filho é preciso ser adulto ou ter maturidade? Se a menina já entrou no período reprodutivo e o garoto também, podem ser duas crianças, que, tendo hormônios, óvulos e espermatozoides, "engravidarão". Deficientes mentais também engravidam, o que não significa que há uma maturidade ou preparo psicológico. Esse é o ponto. O casamento não é para ser "até que a morte separe"? Então é correto obrigar duas pessoas que tem mentes totalmente desestruturadas para montarem e sustentarem uma família? Se eles não tiveram maturidade nem para evitar esse tipo de problema, terão responsabilidade para criar um bebê? E se os dois, por algum motivo, caíram numa "paixão irresponsável de adolescente", serão condenados a viverem juntos sem se amarem, apenas para que fique "bem" para os parentes e para a "igreja"? O leite já foi derramado, agora tem que ser encontrado a melhor forma de "limpar o que se sujou".
     Obrigar um "casamento" não é o caminho... O que tira alguém do pecado é a Cruz, é o sangue de Cristo. Por ação do Espírito Santo nos arrependemos, recebemos com consciência e gratidão esse perdão concedido por Graça. Agora pergunto: Desde quando "casamento" perdoa pecado ou tira alguém dele? Desde quando ele corrige erros já cometidos? Sem contar que casamento, acima de tudo, é amor, compromisso, fidelidade e responsabilidade. Se apenas papel no cartório ou oração do padre/pastor garantisse isso tudo, existiria divórcio?
     Já que critiquei, tenho que apresentar uma proposta, certo? Ok. Então é a seguinte: a família e os irmãos de fé ajudarem essa menina a cuidar do filho; o pai adolescente lutar para estudar e trabalhar (sim, terá que "ralar") a fim de que possa cuidar financeiramente desse filho e dar a ele amor, carinho e atenção (alem de sustentá-lo). Daqui a alguns anos, se esses dois se amarem realmente, se casarão e constituirão uma família. Se não se amarem, por que vão se casar? Sem amor, não há casamento nem com papel assinado. Estarão em pecado se oficialmente estiverem casados, mas se por dentro, não houver amor e fidelidade. Estarão em pecado se forem casados no papel, mas desejando estar com outro (a). Casar por qualquer motivação que não seja amor ou apenas para satisfazer interesse de qualquer pessoa, grupo ou instituição (para não ser "desmoralizada") é vender o corpo e a vida; é prostituição! É uma violência contra os envolvidos. Caso não venham a se casar (daqui alguns anos, quando forem eles decidir se é isso que querem), o pai continuará sendo pai, ajudando e cuidando como pode (pensão e atenção) e a mãe encontrará outra pessoa, que será seu esposo e consequentemente, também será um pai para criança. Fazer o que? Dos males o menor.
     Ninguém tem o direito de manipular sentimentos, de arranjar casamentos e de brincar de "montar famílias". Isso é coisa séria! E a quem lê essa opinião, tenha "juízo" para que não cometa o mesmo erro, pois o problema pode até sarar, mas deixará cicatrizes.

Essa é a opinião que tenho, levando em conta o que entendo ser o Evangelho. E você, concorda? Se discorda, fique à vontade para se manifestar, afinal, opinião é individual a sua expressão é livre.

Autor: Wesley Câmara 

Quem ama não impõe!


     "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." (Romanos 14:22) é o ensino do Evangelho.

     Ele também me ensina a orientação pela consciência, ou seja, se ela me acusa, não devo agir contra ela. "Uns comem carne, outros se escandalizam", ensina Paulo aos coríntios.

     Por isso aprendemos: "Examine-se a si mesmo ..." (I Co 11:28 e II Co 13:5) e ainda: "Tudo ME é lícito, mas nem tudo ME convém" (I Co 6:12). Repare no pronome "ME", usado na primeira pessoa do singular, referindo-se apenas a "MIM", ou seja, a consciência é sempre individual.

     Não posso colocar os limites da minha consciência no outro (para nenhum dos extremos, em nenhum assunto). A "mente de Cristo" deve ser a mesma em nós, mas a individualidade humana continuará sempre presente. Portanto, jamais diga a alguém: "você não pode fazer/usar tal coisa", da mesma forma que jamais deverá dizer: "faça/use tal coisa". Apenas mostre o Evangelho e se algo tem que ser feito, não será por você e sim, pelo Espírito Santo, que é quem convence o homem do pecado (João 16:8).

     Quando aprendermos que o próximo é para ser amado e não, controlado, estaremos no Caminho do Evangelho.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Horóscopo chinês X “Horóscopo cristão"


     Talvez o título tenha causado estranheza para muitos, pois devem ter imaginado: “mas não existe horóscopo cristão”. Isso é o que todos pensam, mas mostrarei brevemente que o “espírito” presente em diversas denominações é exatamente o mesmo presente no horóscopo chinês. Só mudam os termos usados e no nosso contexto, adotam superstições e estratégias em nome de “deus”.
     Para quem não sabe, o calendário chinês é diferente do nosso (pois é baseado também nos ciclos da lua e não, exclusivamente nos movimentos em relação ao sol) e é intimamente relacionado com o horóscopo que acreditam. De forma simplificada, eles atribuem a cada ano (que não coincide com o calendário ocidental) um animal (sendo 12 no total) e esse animal teria o poder de influenciar aquele período e a vida das pessoas. Exemplo:
   O ano 2014 (que no calendário chinês inicia no nosso 31 de janeiro) é o ano do cavalo. Nesse ano, dizem que a tendência é ocorrência de momentos conturbados e grandes transformações. Ao mesmo tempo, é um ano bom para os negócios e para por em prática antigos projetos. E por aí vai... Cada ano é representado por um animal e a tendência do período seria determinada por eles. Mas por que estou dizendo isso? Pois muitos cristãos criticam esse “paganismo” chinês, mas não percebem que seguem o mesmo “espírito” supersticioso presente nas campanhas e declarações de diversas denominações. Apenas trocam os nomes desses animais por expressões como: ano da prosperidade, ano da semeadura, ano da colheita, ano da restituição, ano da fartura ou ano da promessa...
     E no contexto “evangélico” neopentecostal e em diversos grupos pentecostais (perdoem-me a generalização) ainda tem um agravante: geralmente a origem dessas afirmações não é uma mera superstição, mas principalmente, os interesses pessoais de quem as cria vindo à tona. Não acredita? Então repare que os temas criados para os anos são sempre ligados ao recebimento de “bênçãos” (e geralmente, financeiras). Nunca vi o “ano do cuidado aos desamparados”, por exemplo. E caso o ano seja focado no “recebimento” de algo, isso só virá com uma fidelidade do membro, que está sempre ligada à participação em todos os eventos da instituição e ao “sacrifício” financeiro que o fiel deve deixar no “altar”. Uma barganha com Deus, ou seja, a aplicação da teologia da prosperidade, que está contaminando cada vez mais diferentes grupos cristãos.
     O Evangelho nos ensina que não temos poder de determinar ou decretar nada. Paulo determinou que seu “espinho na carne” fosse retirado (II Coríntios 12:8-10)? Jesus decretou que o cálice dEle fosse passado a outro (Mateus 26:39)? Não! Aprendemos com eles, assim como aprendemos com João, que tudo será feito a nós desde que seja segundo a vontade de Deus (I João 5:14).
     A Palavra de Deus nos ensina que plantamos o que colhemos (Gálatas 6:7); ensina que devemos fazer aos outros o que desejamos que eles nos façam (Mateus 7:12). Então vamos mudar nossa forma de ser, lutar mais, trabalhar mais, estudar mais e parar de pedir que tudo “caia do céu”.
     O Evangelho em momento algum nos promete bênçãos terrenas. Quem leu o Novo Testamento sabe que os apóstolos passaram fome, perseguições, prisões, humilhações, naufrágios e foram brutalmente assassinados. Jesus disse que por causa dEle teríamos vida fácil? Não! Disse que seríamos perseguidos, odiados e que passaríamos por tribulações como todas as pessoas (Mateus 10:22 e João 16:33). A promessa foi que Ele estaria sempre conosco nesses momentos, então não deveríamos desanimar jamais (Mateus 28:20).
     Portanto, o ano em que estamos ou o que ainda iniciará será sempre consequência do que fizemos até aqui e tudo ocorrerá de acordo com a vontade de Deus. O tema que escolhemos para um ano não tem poder algum de mudar a forma como ele realmente será. Então, se quiser um ano melhor, seja a partir de agora uma pessoa melhor. E lembre-se: se seguir superstições ou usar esses “paganismos” para alimentar falsas esperanças nas pessoas, a fim de mantê-los como membros fiéis nas ofertas e presentes em seus “cultos”, você estará agindo como um falso profeta e no dia do juízo o rigor será muito maior com você, que conhece o Evangelho, do que com os “chineses pagãos” que você tanto critica e condena.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Deus não é surdo!


     Poucas vezes encontramos vizinhos de templos religiosos sem motivos para reclamar. Carros estacionados em locais proibidos, obstruindo garagens ou espaço de pedestres nas calçadas; sujeira deixada na rua ou nos portões das casas... Mas sem dúvida, o maior motivo de reclamação é o barulho feito dentro desses "templos", que infelizmente não fica restrito ao interior do recinto. 
     Todos devem saber que som em intensidade alta causa uma série de danos ao organismo, seja perda progressiva da audição, dores, desconfortos gastrintestinais, impotência sexual e até estresse físico e mental. Porém, mesmo alegando que o que chamam de "igreja" é um local para as pessoas se sentirem bem, o barulho é cada vez maior. E engana-se quem acha que apenas as denominações classificadas como "Pentecostais" tem esse tipo de costume. As Neopentecostais (desculpem-me pela generalização que farei em todo o texto, pois sei que há exceções em todos os grupos, mas é inviável fazer essa observação a todo o momento) fazem tanto barulho quanto as primeiras e até mesmo grupos "Históricos/Reformados" algumas vezes passam dos limites. Saindo um pouco do movimento protestante/evangélico, devo citar também muitas "igrejas" católicas que fazem um barulho de incomodar a vizinhança. 
     Pois bem, dito isso, sei que alguns dirão: "Por que você não critica bares, boates e outros eventos que também fazem barulho"? As festas diversas, em primeiro lugar não ocorrem várias vezes na semana, como esses cultos religiosos; os bares e boates, quando sérios, tem isolamento acústico e os que são inadequados estão também errados. O que não podemos é justificar o erro de alguém pelo fato de outro também errar. Desde quando um bar é um parâmetro para se avaliar um templo religioso? No "templo" não se prega que devemos ser diferentes do mundo? Então por que comparar com eles, que são chamados de "mundo"? Vale dizer que no bar, tudo é feito em nome da diversão, da festa e da bebida. Já no "templo", fazem tudo em nome de Deus. Ou devemos assumir que tudo é a mesma coisa ou não devemos comparar. De qualquer forma, temos leis municipais que limitam o barulho e elas devem ser respeitadas por todos. Se a lei não é cumprida e continuam causando danos na saúde dos presentes e na qualidade de vida dos vizinhos (inclusive desvalorizando os imóveis próximos a essas fontes de barulho), devem ser aplicadas multas e em casos de reincidência devem ser fechados sim, seja bar, boate ou prédio religioso. A lei vale para todos! 
     As pessoas infelizmente associam barulho com "agir de Deus". Não respeitam idosos e bebês que estão presentes nesses cultos e causam danos auditivos nas pessoas sem nenhuma culpa. Como já disse, o barulho causa problemas de saúde e muitas vezes, aquela pessoa que antes de ir embora procura o pastor para receber uma oração por motivo de doença, ficou doente ali mesmo. Ou seja, terão que orar para que Deus cure algo causado pela imprudência de alguns. Um absurdo! 
     Quem realmente é cristão vive como Cristo ensinou, ou seja, amando e respeitando. E que respeito está tendo com os vizinhos? E o direito que eles tem de realizar suas atividades diárias (assistir TV, receber visitas, dormir mais cedo para trabalhar no outro dia...). Isso desenvolverá na vizinhança um desejo de conhecer o Evangelho ou gerará ódio e repúdio da parte deles pelos cristãos? Onde não há amor e respeito ao próximo, mesmo que tenha milhares de jargões cristãos e centenas de ações feitas em nome de Jesus, Deus não estará ali.
     Enfim, depois de todas essas observações, não poderia deixar de citar o que acredito ser a raiz de todo esse problema: A maioria dos que se dizem cristãos não conhecem a Deus. Sim, digo sem medo de errar. Vamos fazer um teste? 
     Pense em Deus agora! Pense nele, onde Ele deve estar e o que estaria fazendo... Pronto. Você imaginou Deus dentro ou fora de você? 99% das pessoas imaginam um ser enorme, como um homem idoso, barbudo, sentado em um trono, sobre as nuvens, no que chamam de "paraíso". Ou seja: Deus estaria distante e minhas orações teriam que ser em voz alta. Pregamos a Cristo, mas não temos fé genuína no Evangelho, pois se tivéssemos, saberíamos que Deus está dentro de nós, em nosso coração, em nossa vida, pois Ele habita em nós, que somos Seus templos vivos. Os momentos que passamos com nossos irmãos é para desenvolvermos relações de amor, orarmos juntos, meditarmos na Palavra de Deus, cantarmos com alegria. Não tem uma liturgia definida e sim, uma reunião sincera e espontânea (com ordem e decência, pois essas características acompanham quem é discípulo de Jesus) em fé e em amor. Não faz sentido orar gritando, nem berrar "línguas estranhas", até porque isso é condenado no Evangelho. Jesus ensina que os hipócritas é que gostam de orar de forma que chame a atenção, que todos ouçam (Mateus 6). É claro que Deus está de certa forma em tudo (embora Ele não seja tudo, já que isso caracterizaria uma crença chamada Panteísmo), pois nada existe fora dEle, mas isso ocorre por Ele ser onipresente. Deus está no céu? Sim! Mas também está em cada um de nós, que somos a morada do Eterno. Portanto, o primeiro passo que acredito ser necessário para o fim do barulho feito em nome de Deus é entender que Ele está mais próximo de mim do que eu mesmo. 
     Eu estou em Deus e Ele está em mim. Então, gritar para que?

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Reveillon - Leve Jesus com você


   Já é tradição no meio cristão passar a "virada do ano" na "igreja". Porém muitos transformaram essa tradição em superstição. Isso mesmo. Alguns atribuem má sorte ao fato de terem passado por baixo de uma escada, outros por terem visto um gato preto e um terceiro grupo por não terem comparecido ao “culto da virada".
   Devemos sempre estar na presença de Deus, inclusive no momento da virada do ano. Porém, essa adoração não é sinônimo de estar dentro de um "templo", cantando com as mãos para cima ou orando com os joelhos dobrados. Estar na presença de Deus é fazer Sua Vontade e viver conforme a Sua Palavra. Adorar é em espírito e em verdade, ou seja, não é com hora e data marcados e sim, um estilo de vida em contínua comunhão com Deus. E isso, realizamos dentro de um templo, em uma chácara, em uma mesa com a família, dormindo ou em uma praia vendo uma queima de fogos.
   Para Deus não há passado, nem presente, nem futuro. Para Ele, o ano que se inicia para o homem já aconteceu, está acontecendo e irá acontecer. Ele não segue o nosso calendário e muito menos está sujeito à nossa contagem de tempo. Deus é Eterno, está acima de tudo e essa nossa celebração tem sentido apenas para nós, humanos. Não há diferença alguma entre a passagem de 31 de dezembro para 01 de janeiro e entre outras datas quaisquer.
   Portanto, o que sugiro é: faça dos últimos instantes do ano, momentos de reflexão. Pense no que aconteceu nestes 12 meses, nas suas condutas e em suas atitudes. Reflita no que fez de bom e no que fez de mau. Imagine o que faria diferente e comece o novo ano não repetindo os erros do passado. Agradeça a Deus por tudo o que ocorreu até hoje em sua vida e peça ajuda a Ele, para que o sustente nessa caminhada.
   Que 2014 seja um ano diferente e melhor. Peça a Deus que o ajude a realizar as melhores escolhas para você e para seu próximo. Onde você estará quando relógio marcar zero horas de 1º de janeiro é o menos importante e cada um terá uma preferência. O que importa é que onde estiver, "Jesus esteja com você", como sempre deve ser.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

O Natal e os seus símbolos


Atualizado em 23/12/2013
     Ao contrário do que o título sugere, não farei uma descrição detalhada das origens dessa comemoração, nem de seus símbolos (embora cite algumas neste texto). E tenho três motivos para isto: primeiro, devido à existência de explicações contradizentes para um mesmo fato (muitas delas, frutos de pura especulação); segundo, pois já existem centenas de páginas na internet dedicadas ao assunto; terceiro, porque pretendo apenas colocar o meu ponto de vista e não, fazer um apanhado de informações históricas. Mas, afinal, devemos ou não comemorar essa data? O que o Natal realmente representa? Podemos trocar presentes e colocar uma árvore ou um presépio em nossa casa? E o que dizer sobre o Papai Noel?
     Antes de tudo, devemos entender o que é o Natal. Se perguntarmos a qualquer pessoa, a reposta quase sempre será: “é a comemoração do nascimento de Jesus Cristo”. Mas, na verdade, é (em teoria) muito mais do que isso. O Natal representa o nascimento não apenas de Jesus Cristo encarnado, mas também de uma nova vida, que surge em cada um de nós, a partir do momento em que O reconhecemos como nosso Senhor. Porém, sabemos que na prática o que quase todas as pessoas celebram é um Natal apenas de exterioridades, ou seja, mais uma data de festa, mais um feriado.
   Para ser mais didático, analisarei alguns argumentos contrários a celebração do Natal, que ao meu ver são muito superficiais e inconsistentes. Em seguida, concluirei com minha opinião e farei algumas considerações importantes sobre o assunto.

1 - Jesus não nasceu em 25 de dezembro = Que diferença isso faz? Segundo estudiosos, uma data mais provável seria o mês de setembro, outros ainda apontam abril. De qualquer forma, a gratidão pelo “nascimento” de nosso Salvador precisa estar dentro de nós em todos os dias do ano. A data escolhida para uma comemoração não importa. É como adiar a comemoração de nosso aniversário para fazer uma festa conjunta com um amigo que nasceu depois. A escolha de uma data, independente de qual seja, é útil para representar historicamente o fato, e (teoricamente) serve para as pessoas se reunirem para celebrar o maior dos nascimentos.

2 - A Bíblia não manda celebrar Seu nascimento = É uma afirmação verdadeira. Realmente as Escrituras não possuem esse mandamento, assim como não ordenam as demais milhares de coisas que fazemos ou que comemoramos. Não há mandamento para o dia da bíblia, nem para festividades de grupos de jovens ou de senhoras nas igrejas, nem para celebrarmos dia das mães e sequer há mandamento para criarmos religiões e denominações religiosas. Enfim, celebramos o nascimento de tantos amigos e parentes, por que não podemos celebrar o nascimento de nosso Senhor? Muitos alegam que só devemos comemorar Sua morte, mas para alguém morrer, tem que nascer, certo? Jesus NASCEU, MORREU e RESSUSCITOU. São 3 momentos históricos na vida de Jesus Cristo homem e qual o problema em comemorar qualquer um desses acontecimentos? Alguns poderão ir ao outro extremo ao afirmarem que temos o dever de celebrar, pois os anjos celebraram o nascimento de Jesus (Lucas 2:13,14) e pelos magos/sábios do oriente terem ido até o menino Jesus com presentes, o que seria outro radicalismo. Devemos ter cuidado com esse “farisaísmo”, para não permitir o que Deus proibiu e para não proibir ou colocar como mandamento o que Deus considerou indiferente. O Evangelho não é uma lista de regras, de "pode e não pode". O Evangelho é consciência, é agir sempre em coerência com Jesus. Aí pergunto: comemorar ou deixar de comemorar essa data fere a forma de viver ensinada por Cristo?

3 - A festa centraliza a comida e a bebida, esquecendo o lado espiritual = Esse é um grande problema. O Natal tornou-se apenas um feriado, uma data em que se ganha presentes e uma ocasião para comer e beber à vontade. Poucos param para pensar no que deveria representar este momento. Porém, essa é uma questão pessoal e o erro está em cada um que pensa dessa forma e não, na celebração propriamente dita.

4 – Tornou-se uma oportunidade de comércio = Também é verdade e os comerciantes sabem muito bem disso. É um período de aumento estratosférico nas vendas, seja de utilidades para presentes, de roupas ou de alimentos. Devemos ter cuidado para não ficarmos reféns desse capitalismo cruel, que faz com que pessoas que mal tem o que comer deixem de pagar suas contas para comprar produtos típicos dessa ocasião. Se você tem boas condições financeiras e quer gastar com presentes e comidas, cada um faz o que bem entender com seus recursos. Se não tem, não se sinta pressionado a fazer o que os outros fazem. Mas sejamos sinceros: praticamente todos os trabalhadores se beneficiam financeiramente dessas épocas (seja em comércios, empresas no geral, fábricas, autônomos e até trabalhadores rurais). 

5 – O Natal está baseado em cultos a deuses pagãos = Não há um consenso sobre a origem do Natal, mas as evidências parecem apontar o início dessa comemoração no século IV, por instituição da Igreja Católica Romana. A data escolhida (25 de dezembro) talvez seja devido ao solstício de inverno, que marcava o início dessa estação no hemisfério norte. Os romanos usavam essa data para celebrar a Saturnália (homenagem ao deus Saturno) e adorar Mitra (deus da luz). Assim, embora as inúmeras evidências apontem para uma data distante de dezembro para o nascimento de Jesus, a Igreja  adotou esse período numa tentativa de “cristianizar” os pagãos.
     Aí alguns dirão: "Está vendo? É uma festa de origem pagã!" A esses eu respondo: muitas coisas que usamos ou fazemos atualmente tem origem pagã. Devemos lutar sempre pela imparcialidade. Se condenarmos tudo que tem essa origem, devemos abolir os templos religiosos (provável origem suméria), as alianças de casamento (origem hindu ou egípcia), as maquiagens (origem no Egito Antigo)... Sem falar nas celebrações de dia dos namorados, nas cerimônias de casamento, nos vestidos de noiva e no próprio cristianismo, que foi institucionalizado como religião romana no quarto século, de forma que o sincretismo com outras religiões da época é evidente. Mas o fato de terem essa origem nos impede de adotarmos tais "costumes"? Não é porque um gato preto é sinal de má sorte para os supersticiosos que eu não possa ter um de estimação.
     A Páscoa, por exemplo, tem um significado para os cristãos, outro para os judeus e diversos outros para os demais povos. Algumas civilizações celebravam o fim do inverno e início da primavera no mesmo período (março). Mas o significado de cada evento depende da cultura em questão e, mais do que isso, da consciência de cada indivíduo. O dia 12 de outubro é dia de "Nossa Senhora Aparecida" para os católicos, mas para os evangélicos é apenas "Dia das Crianças". Percebe que a data tem a ver não com a essência e sim, com o significado que atribuem a ela? Será que alguém comemora o Natal pensando no diabo? Pelo menos eu não conheço ninguém assim...

6 - Os enfeites de Natal são verdadeiros altares de deuses da mitologia antiga = A origem desses adereços é extremamente controversa e podemos encontrar várias explicações para um mesmo objeto, ou seja, há muitas especulações que são tidas como verdades.
     A árvore de Natal pode ter se originado no século XVII, na França. Com relatos de que árvores floresceram no dia do nascimento de Jesus, muitos passaram a enfeitar pinheiros em referência a esse acontecimento. Outros povos adornavam árvores (em dias festivos), que tinham um significado de vida e de esperança. Uma fábula babilônica diz que o pinheiro simboliza Ninrode, um perverso homem que teria casado com sua mãe. Outras evidências apontam para uma origem na Alemanha, quando Martinho Lutero enfeitou árvores para ilustrar a crianças e a pessoas próximas a ele como seria o céu no dia do nascimento de Jesus Cristo ou ainda como teria sido uma paisagem que acabara de presenciar na floresta. Esses enfeites seriam de papéis coloridos e doces, sendo, com o tempo, substituídos por: bolas (representando os frutos e a fertilidade), estrelas (chegada de Jesus), anjos (anúncio do nascimento do Cristo), sinos (que anunciam grandes acontecimentos), velas (a “luz do mundo”), guirlanda (esperança de uma vida melhor), entre outros.
     Adeptos de algumas seitas vêem nesses adereços um significado próprio, sendo que cada cor traz uma energia. A posição de cada objeto interfere nas “forças” ocultas e até a sequência de montagem desses enfeites deve ser de uma forma específica. Para mim, a árvore é apenas um belo adorno, pois a única com significado no meu coração é a Árvore da Vida, que vem de meu Deus.
     Outro ponto muito questionado é o Papai Noel. Provavelmente, tenha se originado em 280 d.C, data do nascimento do bispo Nicolau (posteriormente considerado "santo" pela Igreja Católica), na Turquia. Esse homem teria boas condições de vida e ajudaria pessoas carentes, dando-lhes presentes e dinheiro. Com o tempo, sua imagem foi associada ao Natal, sendo que a característica roupa vermelha (que até então era verde) surgiu apenas em 1886 e foi difundida por todo o mundo, principalmente a partir de 1931, quando a Coca-Cola utilizou a imagem do “bom velhinho” como propaganda. Hoje, em nossa cultura, é um dos principais símbolos do Natal, fazendo parte da imaginação das crianças.

     Podemos adotar esses símbolos? O que a bíblia diz?
     No livro de Daniel encontramos quatro judeus que foram levados pelos caldeus para servirem no Império Babilônico, sendo eles: Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Os eunucos do império trocaram esses nomes por termos babilônicos (Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abednego), que faziam referências às divindades daquele povo, e não observamos rejeição por parte desses judeus (e Deus não os abandonou por isso). Mas quando deveriam se prostrar diante de outros deuses, não o fizeram, por temor ao Senhor. É nítido que se o costume “pagão” não influencia no relacionamento com Deus, ou seja, se não tem intuito de adoração e se não é "imoral", não faz diferença alguma. Deus nunca foi refém de culturas ou tradições.
     Na primeira epístola aos Coríntios, Paulo ensina sobre os alimentos sacrificados aos ídolos e o mesmo ensino pode ser aplicado ao Natal e à adoção de seus símbolos. O apóstolo ensina que se há um único Deus, não há sentido falar em coisas sacrificadas aos deuses, afinal são apenas ilusões e enganações. E, se cremos que existe apenas um Deus, por que nos preocupamos com entidades pagãs? Paulo dizia ainda que poderíamos comer de tudo, desde que não escandalizássemos os “fracos na fé”. Portanto, se tenho consciência disso, onde está o erro em ter uma árvore de natal em casa, por exemplo? Como não devemos causar escândalo para quem ainda está com uma “venda” nos olhos (não digo aqueles que já ouviram o Evangelho há anos e insistem em dar mais importância aos seus preconceitos e às suas opiniões do que à Palavra de Deus e sim, aqueles que estão começando agora a caminhada com Cristo), o que podemos fazer é ensinar o Evangelho a esses indivíduos e não colocá-los na sala de nossa casa enquanto esse enfeite estiver lá ou enquanto não entenderem a real mensagem de Jesus. Obviamente, então, na minha opinião, jamais deveríamos colocar uma árvore ou um presépio num local em que vários "irmãos" que não conhecemos terão acesso (a menos que possamos explicar um a um o motivo da existência daquele enfeite ali). Embora não haja nenhum erro, não podemos ser motivo de tropeço (já que, infelizmente, podem achar que estamos fazendo essas coisas como idolatria).

I Coríntios 8:6-9 = “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele. Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada. Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta. Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos.”

     Infelizmente o "Natal moderno" não representa com fidelidade o contexto histórico do nascimento de Jesus. Nessa celebração, o que fazemos são grandes festas, com grandes banquetes, vestimos as melhores roupas e criamos belíssimas decorações. A lembrança do real motivo do evento acontece apenas quando há um presépio e o nosso coração está quase sempre apenas envolvido com a troca de presentes. Ou seja, a simplicidade da manjedoura foi trocada pelo glamour de uma festa que valoriza apenas a exterioridade e, de forma inevitável, exclui os menos favorecidos economicamente, que nesse período do ano, precisam se contentar com as "esmolas", sobras ou presentinhos dados por aqueles que possuem mais dinheiro. Enquanto a criança rica não vê a hora de chegar o dia 25 de dezembro para ganhar um belo presente, a criança pobre chora porque o amiguinho o desprezou, já que seus pais não tem dinheiro para comprar o brinquedinho que ela sempre quis. Percebe como nosso Natal não tem nada a ver com Jesus? Enquanto Cristo veio ao mundo pelos ricos e pelos pobres, a festa apenas valoriza os que possuem algum recurso financeiro; enquanto Jesus nasceu em uma manjedoura, em uma situação precária, o Natal nos traz uma aparência luxuosa...
     Uma vez que reconhecemos que essa festa está totalmente fora de contexto, podemos agora ter um posicionamento crítico. Seria fantasia imaginar que poderíamos mudar uma das celebrações mais tradicionais do mundo, pois já faz parte da cultura dos povos, porém podemos resgatar a essência do Natal, não por fora (na festa propriamente dita), mas no coração de cada um de nós.
     Como vimos anteriormente, os argumentos contrários à nossa participação nessa festa não parecem muito consistentes, portanto se nos reunimos com nossa família e amigos no Natal não significa que temos uma visão egoísta sobre essa data; o fato de trocarmos presentes não significa que não temos consciência do verdadeiro "presente" que recebemos (na história) há cerca de 2000 anos; ter um enfeite do Papai Noel em casa não significa que alguém o idolatra como um santo...
      Pactuando ou não com essa simbolização, o que determina se temos o verdadeiro Natal em nós é o nosso coração. Cada um tem a liberdade de comemorar esse Natal interior, que é o único que tem valor. O Natal do coração não requer nenhum dinheiro e não acontece apenas um dia no ano, e sim, todos os dias, através do Evangelho manifestado em nós. Dessa forma, não apenas comemoraremos, mas também viveremos esse Natal. Fazemos isso quando alimentamos o faminto e quando ajudamos o necessitado; quando damos um brinquedo àquela criancinha "de rua" que vemos todos os dias; quando ao invés de comprarmos um panetone, compramos dois, e damos um para aquela família pobre ou para aquele mendigo... O Natal como festa, se for desacompanhado do "espírito natalino" será hipócrita e gerará apenas maus frutos.
     Portanto, vamos aproveitar esse período de festas para fazer uma profunda reflexão sobre o amor incomparável de Deus, que encarnou (nasceu), viveu, morreu e ressuscitou por mim e por você. Vamos reconhecer isso com uma mudança nas nossas atitudes, na nossa forma de ser e de encarar o nosso próximo, procurando sempre viver como Ele nos ensinou. Pode montar sua árvore, construir um presépio, iluminar sua varanda, desejar "Feliz Natal", fazer uma ceia com a família, trocar presentes... Isso tudo é bom, pois estaremos reunidos em amor, em comunhão, com aquilo que é o foco do evangelho: o nosso próximo (seja amigos, família ou desconhecidos). O que é contrário ao Evangelho é todo tipo de radicalismo legalista, fanatismo e "farisaísmo hipócrita", a ponto de satanizar tudo o que temos em nossa volta. Nada disso tem poder contra a carne e não gera bons frutos, nem consciência. Porém, lembre-se que a única coisa que tem valor para Deus é o Natal que faz nascer em você uma nova criatura e que, todos os dias, o constrange em amor a viver como Jesus, ajudando sempre de alguma forma aqueles que mais necessitam. E se mesmo assim você desejar não comemorar esta data, fique à vontade. Da mesma forma que Deus nunca proibiu essa celebração, nunca a ensinou como indispensável a nenhum de nós. A festa não tem uma função espiritual, mas se bem aproveitada, pode ser uma ótima oportunidade de ensinar a todos o verdadeiro significado do nascimento de Cristo, além de estreitar amizades e de fazer nascer (ou recuperar) relacionamentos humanos. Não seria isso um ótimo Natal? Aja de acordo com sua consciência desenvolvida no Evangelho e não julgue seu irmão por aceitar ou rejeitar o Natal, afinal, você e ele tem liberdade para assumir responsabilidades e escolhas, sendo que no que diz respeito a esta data, não há nenhuma recomendação específica da parte de Deus. 

Romanos 14:14 = “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.”

Colossenses 2:16-17 = "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."

Autor: Wésley de Sousa Câmara


Referências: 
Bíblia Almeida Corrigida e Revisada Fiel
Bíblia de Jerusalém
http://www.oapocalipse.com/home/estudos/cristao_10_motivos_para_nao_comemorar_o_natal.html
http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_192443.shtml
http://www.educador.brasilescola.com/trabalho-docente/natal.htm
http://www.suapesquisa.com/historiadonatal.htm
http://elderspov.tripod.com/doutrina_comemoracoes_01.htm
http://www.qdivertido.com.br/verpesquisa.php?codigo=14

Tome posse do que realmente é seu!


     Uma coisa é tomar posse de uma promessa feita por Deus a nós; outra, é criar ilusões, achando que são promessas de Deus e assim, querer tomar posse de algo "imaginário". Se não for real, você não tomará posse de nada! Na bíblia temos milhares de promessas, mas o primeiro passo é diferenciar se eram específicas a Israel ou à Igreja (que somos nós). As promessas a eles eram materiais e terrenas: Sarar a terra (2 Crônicas 7:14) e comer do melhor dela (Isaías 1:19); de ser cabeça e não cauda (Deuteronômio 28:13); de repreensão do devorador (Malaquias 3:11); de terras (Gênesis 13:15); de descendência abundante (Gênesis 13:16)... E isso tudo é diferente das promessas feitas a nós (Igreja), cujo foco é espiritual. Temos toda sorte de bênçãos espirituais (Efésios 1:3); a vida eterna (1 João 2:25); o espírito habita em nós (1 Coríntios 6:19); passamos por tribulações e sofrimentos, mas Deus não nos abandona (João 16:33 e Mateus 28:20...)
     Israel era abençoado quando era fiel e recebia maldições quando era Infiel (Deuteronômio 28). Nós, não! As maldições ficaram na Cruz (Gálatas 3:13) e nada disso nos afeta (Romanos 8:1). E mais: se formos fiéis não temos garantia (promessa) de bênçãos terrenas e sim, de que seremos odiados (Lucas 21:17) e perseguidos pelo mundo (Mateus 24:9). Enquanto Israel recebia fartura na fidelidade a Deus, a Igreja era comida por leões e usada como "tochas humanas" pelo mundo. Portanto, não se iluda!
     Por isso é difícil viver pela fé! É mais fácil essa tentativa de barganhar com Deus (fazer algo em troca de bênção), não é? Porém, essa relação de "cumprir obrigações em troca de benefícios" cessou na Cruz. É exatamente esse o contexto do Evangelho. Leia o Novo Testamento, depois leia o Antigo. Torne a ler o Novo e repare na diferença entre Israel (um povo definido por uma etnia) e Igreja (um povo universal, sem distinção de classe social, de gênero, de origem - Gálatas 3:28...). Eles eram unidos pela genética; nós, pela fé. Isso é ser Igreja. E exercemos nosso papel de Igreja quando colocamos nossa fé (ensinos do Evangelho) em prática.
     Será que estamos tendo essa consciência ou estamos apenas querendo usurpar de promessas feitas a uma "nação" que tinha um objetivo claro e já cumprido: Trazer o Messias (Cristo) eterno à história, ao mundo? Ele já veio, agora o foco é outro. O que passou, ficou para trás como "sombra", como ensinava o apóstolo Paulo. Nós temos a plenitude da revelação de Deus aos homens na Cruz, em Jesus. É nessa fé que devemos caminhar. O que passa dessa essência, é ensino meramente humano.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

As pessoas gostam de falar, mas não sabem ouvir


     As pessoas não medem palavras, não sabem discutir, debater ou discordar. Gostam de falar, mas não sabem ouvir... Como disse Mahatma Gandhi: "Eu gosto do seu Cristo; o que eu não gosto é dos seus cristãos". E o próprio Jesus criticou alguns: "Esse povo honra-me com os lábios, mas o coração está longe de mim" (Mateus 15:8).
     A maioria dos que se dizem cristãos fala em "Evangelho de Cristo", mas não o tem como modo de viver, de ser. Vive apenas com uma capa religiosa, seguindo regras, cartilhas, tradições e obrigações; muda a aparência, as roupas, o linguajar; adota clichês, frases feitas e alguns vocábulos ("misericórdia", "tá amarrado", "bênção", "varão"...); marca presença em todos os eventos do grupo que frequenta, é assíduo na casa do pastor, assume inúmeras atividades (mais até do que consegue cumprir) apenas para agradar a liderança (quem sabe seja reconhecido no futuro com um cargo eclesiástico, né?) e para sentir-se bem consigo mesmo: "Estou fazendo a Obra de Deus!".
     Deixa de fumar, de beber, de dançar, de sair, de ver alguns programas de TV e fala com a boca cheia: "Deus me libertou e deixei tudo isso pra trás". Porém, parece não entender que a verdadeira conversão não é o que simplesmente deixamos de fazer (afinal, uma estátua também não fuma, não bebe, não rouba, não mata... e isso não faz dela sequer uma pessoa. Não faz dela "gente"!). Conversão ocorre quando começamos a fazer o bem, o que traz vida a nós e ao nosso próximo, o que reflete amor, o que é coerente com Jesus, ou seja, o que é Evangelho!
     Muitos chamam de "conversão" essa mudança exterior, superficial e hipócrita, que quando é desacompanhada de uma mudança de coração e de mentalidade, apenas esconde um caráter duvidoso e a falta de amor ao próximo. E mais: torna o indivíduo arrogante e prepotente, pois mesmo sendo agora uma pessoa ainda pior que antes, tem uma ilusão de superioridade, afinal, se julga um "discípulo de Jesus", um "convertido", um cristão.
     Infelizmente o povo que era para "contaminar" o mundo com seu amor, mansidão, bondade, fé, equilíbrio, domínio próprio, paz, sinceridade, caridade, lealdade, empatia, está sendo contaminado pela sociedade pervertida, arrogante e indiferente, como aconteceu com a Igreja de Laodiceia . Pessoas são tratadas como pedras, ou pra ser mais exato, como lixo. Falamos sem pensar se ofenderemos; agimos sem medir as consequências; fazemos apenas aquilo que satisfaz o nosso Ego e a nossa percepção distorcida de justiça. O mundo caminha de mal a pior, mas não podemos jamais desistir de seguir a "regra de ouro" de Jesus Cristo:
     "Faça aos outros o que quer que vos façam". (Mateus 7:12)
     Portanto, se você for vítima dessa maldade e dessa hipocrisia humana, não se chateie, não guarde mágoa. Ao invés disso, trate essas pessoas que lhe ofenderam da melhor forma que puder: com amor, com respeito e dê a elas perdão, quantas vezes for necessário. São essas atitudes, de dar a alguém o que essa pessoa não merece, que aprendemos no Evangelho. Sabe qual o nome disso? Graça! Foi isso o que recebemos e se temos o perdão de Deus, devemos perdoar o nosso próximo. E assim vamos prosseguindo, andando juntos no Caminho, na jornada da vida.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

O mistério da trindade


     A trindade é bíblica e é uma Verdade. O que as pessoas discutem não é a Trindade e sim, a "Teologia da Trindade". Como toda teologia, é uma tentativa humana de entender e explicar algo divino, que por ser divino, é incompreensível e inexplicável através de categorias terrenas. Fato é que Deus é apenas um, sendo que Pai, Filho e Espírito Santo são Deus, o mesmo Deus. E esse Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não imputando ao homem suas transgressões, mas derramando Seu sangue para a salvação.
     Deus é. E ponto final! Em Jesus temos a encarnação da plenitude da divindade. Em Cristo há o Pai, há o Filho e há o Espírito Santo sendo revelados. Como? Da mesma forma que o ser humano é corpo, alma e espírito e mesmo assim não deixa de ser uma unidade indivisível. E não é por acaso que somos feitos à imagem e semelhança de Deus. E voltando ao que estava sendo dito, ao mesmo tempo em que Deus estava em Cristo, estava no céu. A ira de Deus se manifestou em Cristo, em justiça, em amor, em Graça. O Deus que poderia nos condenar com sua "ira" condenatória se manifestou com perdão e redenção na Cruz. A justiça (Cruz) veio por Graça, nos trazendo amor... O único que poderia nos condenar nos amou, nos salvou e advoga em nosso favor. Afinal, Ele, pelo Espírito Santo (que também é Ele) conhece a intimidade de cada homem e assim podemos ser julgados por Ele, defendidos por Ele e salvos por Ele. Afinal, Ele cria, Ele mantém o que criou e Ele redime a Sua criação. Tudo é dEle, acontece nEle, por Ele e para Ele. Isso é soberania.
     Deus é... Ele pode estar onde quiser, pode estar em tudo, mas nada é capaz de prendê-lo ou de contê-lo em Sua plenitude. Por isso Ele estava em Cristo, mas também estava no céu.
     Deus não cabe em uma doutrina que tenta estudar a anatomia do divino. Deus está acima de qualquer compreensão ou explicação teológica. Toda vez que alguém chegar e dizer: "Deus é de tal forma", tenha a certeza que Deus pode ser tudo, menos aquilo, pois Deus jamais será plenamente explicado ou compreendido. As nossas explicações nada mais são que devaneios insignificantes, dentro da pequena capacidade intelectual humana, que sequer chegam a "arranhar" a verdade. Apenas expressam a nossa compreensão sobre Deus, porém, o que é passível de compreensão foi revelado plenamente ao mundo em Cristo. O resto é especulação.
     Entendeu o mistério da trindade? Não? Nem eu! É por isso que eu digo: Eu não entendo Deus; eu creio em Deus. E é justamente por crer no incompreensível que eu tenho certeza que vivo somente pela fé.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Sonhos de Deus ou sonhos meus?


     Deus não tem sonhos; tem decretos! Logo, o sonho de Deus é aquele acontece e que gera o bem. Todo sonho que não é coerente com o Evangelho e que não traz benefícios a mim e às pessoas que me cercam não é de Deus. E mesmo que aparentemente traga o bem, não necessariamente vem de Deus,afinal, nossa visão de bem e de mau é distorcida, tendenciosa e enganosa. Talvez o que eu acredite que seja bom, seja na verdade a destruição da minha alma, da minha vida, do meu caráter ou prejudicar alguém. Por isso aprendemos a não julgar segundo as aparências.
     Quanto mais consciência temos do Evangelho, mais sonhos coerentes com Cristo teremos. Portanto, mais sonhos de Deus ocorrerão em nossas vidas. Não é que viver o Evangelho faz com que Deus realize mais os nossos sonhos e sim, que vivendo como Jesus, sonharemos o que realmente é da vontade de Deus. Logo, serão sonhos realizados.
     Porém, sabemos que a maioria dos sonhos e promessas que alguns dizem ter, são na verdade coisas "da cabeça" dessas pessoas (e enganoso é o nosso coração - Jeremias 17:9) ou apenas é fruto de algo dito de forma irresponsável por um "falso profeta" ou até mesmo por alguém sincero, que deseja o bem do próximo, mas que, agindo por emoções, transforma-se em um alimentador de falsas esperanças.
     A primeira evidência que um sonho não é de Deus é confrontá-lo com algumas questões: Esse sonho é compatível com o Evangelho? Em que a realização desse sonho ajudará na proclamação e expansão do Reino de Deus? Que frutos poderão gerar? Se as respostas forem positivas em todas as questões, pode ser que seja um "sonho" (plano) de Deus. Do contrário, será apenas um desejo egoísta do nosso coração.
     Nós temos toda liberdade de sonhar, agora a realização de cada sonho dependerá se é ou não da vontade de Deus. Nada temos que não veio dEle, pois dEle, por Ele, para Ele e nEle são e estão todas as coisas.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Reforma protestante: há o que comemorar?


     Hoje (31/10/2013) comemora-se 496 anos do início da Reforma Protestante, quando Martinho Lutero fixou na porta da igreja de Wittenberg suas 95 teses. Não quero aqui fazer um histórico e nem vou me aprofundar no assunto. Apenas pretendo deixar uma reflexão sobre o tema, para que cada um pense na real importância e nas limitações (sem intuito de menosprezar) desse movimento.
     Diante de um contexto social crítico (más condições de vida, guerras, crises no clero), Lutero deu o "pontapé inicial" no que chamamos de Reforma Protestante, o que foi fruto de um descontentamento que crescia há muito do tempo. A história se desenrolou, vieram outros reformadores em diferentes regiões (como João Calvino e diversos outros, que originaram várias linhas), ocorreram guerras (católicos VS protestantes), mortes, acordos de paz... A partir daí surgiram 5 princípios "maiores" (as 5 Solas), que são: sola Scriptura, solo Christo, sola gratia, sola fides, soli Deo gloria, além de outros "menores".
     Mas agora vem o ponto onde queria chegar: A Reforma teve um importantíssimo papel na tentativa de resgate do Evangelho puro e simples da Igreja primitiva. Graças a ela, muitos absurdos cometidos em "nome de Deus" foram denunciados e combatidos. Porém, temos que ter em mente a limitação que esse movimento teve e não desenvolvermos uma idolatria ingênua, em que muitas vezes colocamos os reformadores como intocáveis, como novos "apóstolos", quase como seres divinos. Alguns chegam ao ponto de taxar de herege qualquer um que discorde de um comentário ou pensamento de Lutero ou de Calvino, por exemplo, como se os escritos destes fossem tão "canônicos" (parte da bíblia) como são os ensinos do apóstolo Paulo ou os evangelhos, por exemplo. Não! Eles eram grandes homens, pessoas de Deus, sinceras, que repudiavam a transformação do Evangelho em um instrumento de ganância, de poder e de dinheiro. Porém eram homens e, portanto, falhos como nós.
     Não sei qual seria a situação nossa hoje caso não ocorresse a Reforma (provavelmente seria insustentável, muito pior do que já está). Porém, não tenho dúvidas que a situação atual já está até pior do que nos dias que antecederam esse movimento. Muitos irão discordar dessa afirmação, mas não tenho dúvidas que é real. Apenas o contexto de mundo mudou, mas a "essência" do problema é a mesma. E o agravante que temos agora é que as coisas são feitas mais camufladas, de forma menos explícita e com isso, as pessoas são enganadas mais facilmente. A maioria não consegue sequer identificar um falso profeta, pois não possuem uma consciência do que é Evangelho. Acham que os ensinos de Jesus tem a ver com o que vemos predominar na TV e nos púlpitos. Não tem!
     Como já disse, a Reforma teve sua importância e devemos reconhecê-la, bem como seus reformadores. Porém devemos que ter em mente que, mais do que uma reforma do evangelho distorcido, foi uma Reforma RELIGIOSA! Afinal a estrutura criada pelo imperador romano Constantino no século IV foi mantida. É como se derrubassem as paredes de uma construção e mantivessem o alicerce. A situação era tão caótica que uma Reforma não foi suficiente. As bases deveriam ser desconstruídas. O sistema hierárquico na "igreja" continuou (houve variações entre reformadores, mas falo no geral), o sistema interpretativo das escrituras se manteve, a quase idolatria a "locais sagrados" (templos) não foi alterada, entre outras coisas. A simplicidade do Evangelho não foi resgatada. Mas com isso estou desmerecendo os reformadores? De forma alguma. Eles foram grandes revolucionários na época e grandes homens de Deus. Porém o sistema estava tão arraigado, com mais de 1 milênio de existência, que por mais que lutassem, sozinhos, não conseguiriam reconstruir. Lutero, Calvino e tantos outros fizeram um trabalho que provavelmente nenhum de nós jamais faria, porém a Reforma protestante infelizmente perdeu a sua essência de "protesto". Esses homens foram os iniciantes do movimento, mas a reforma não poderia parar. Ocorreram muitas divergências em relação a questões teológicas, o que gerou uma divisão muito grande. O tempo passou e seus sucessores perderam essa "garra" de protestar e tempo depois entramos novamente num comodismo, que culminou com esse absurdo que temos hoje predominando, que é pregado como se fosse Evangelho.
     Embora as 5 solas sejam do ponto de vista do Evangelho, desnecessárias (afinal não temos Graça sem Cristo, nem fé sem graça... Ou seja: somente Cristo ou somente o Evangelho automaticamente inclui as Solas), foram importantes para realçar os pilares da crença que seria estabelecida a partir de então. Porém, na atualidade, mesmo defendendo esses princípios, muitas vezes negamos a graça, criamos doutrinas humanas, não temos fé, colocamos ensinos até de reformadores em igualdade com os ensinos de Cristo e glorificamos Calvino, Lutero, a Reforma, a nossa denominação, o nosso líder ou o nosso próprio Ego. Em outras palavras: Perdemos-nos ao longo da caminhada.
     Sendo assim, não sei se temos muitos motivos para comemorar, uma vez que deixamos de protestar. Não era para ser um movimento histórico localizado e sim, contínuo, o que não aconteceu (não por culpa de Lutero ou de Calvino e sim, por culpa nossa). Se tivesse prosseguido, faria com que a reforma se transformasse em uma demolição e reconstrução.
     Mas e agora, fazer o que? Uma nova reforma? Não! Não precisamos de Re-forma (mudar a forma). Precisamos é acabar com essa forma e fazer da forma como Jesus ensinou. Precisamos de RE-construção; RE-começo; RE-início e voltarmos ao Evangelho puro e simples de Jesus, esquecendo tudo o que criamos e absorvemos ao longo dos séculos. Se uma reforma resolvesse, hoje não estaríamos combatendo tantas heresias no meio que se diz cristão. Não se reforma algo que não está estruturado exclusivamente nos apóstolos e nos profetas (e consequentemente em Jesus), sendo Cristo a pedra angular. Jesus reformou a lei de Moisés? Reformou a Velha Aliança? Não! Então por que queremos reformar uma construção do imperador Constantino (que sincretizou uma série de religiões e tradições) do século IV? Jesus não reformou nem mesmo o homem. Ele ensinou que o homem não deve melhorar e sim, começar do zero: nascer de novo!
     E, sendo objetivo, como fazer isso? Diria que não há pontos (nem solas, nem teses), pois isso caracterizaria uma nova reforma. Como disse, a questão é estrutural. É o alicerce que precisa ser mudado. Então a solução seria: esquecermos tudo e começarmos do zero. O primeiro passo para isso é a desconstrução mental de muitos conceitos, que estão em nós por alguém nos ter instruído assim. É como um chip implantado na maioria dos cristãos, criando um adestramento religioso (isso mesmo, somos muito religiosos, dispostos a seguir uma cartilha denominacional, mas quando alguém se limita a pregar o Evangelho puro e simples, o taxamos de incrédulo e de herege). Precisamos entender que Jesus é a Palavra de Deus encarnada (João 1) e nEle está toda a plenitude da Revelação de Deus aos homens. As escrituras testificam de Jesus (João 5), portanto, elas tem a função de nos levarem aos ensinos do Messias. Sendo assim, Ele é o nosso referencial, o único mediador entre Deus e os homens. Devemos nos relacionar com o próximo como Jesus, amar como Jesus, perdoar como Jesus, corrigir como Jesus, viver como Jesus... Os apóstolos fizeram a aplicação deste Evangelho em diversos contextos e circunstâncias, mas sempre foi o Evangelho. Portanto, a partir do momento em que entendermos que a nossa mente deve ser a de Cristo e que Jesus é a base de interpretação não apenas das escrituras, mas também da nossa vida, teremos dado o primeiro passo. Em outras palavras: A reconstrução, o recomeço, o reinício, começa na mente de cada um de nós. Só depois poderemos pensar em termos coletivos.
     Estou tentando dar o primeiro passo. E aí, vem comigo?

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Casa de Deus é gente e não, lugar!


      Quem nunca ouviu falar (ou talvez você mesmo tenha o costume de dizer): “Vou à Casa de Deus”? O que isso dá a entender? Que casa de Deus é um local, um prédio, uma construção que a maioria chama de “igreja”, não é verdade? Porém, Casa de Deus “eu sou” e não, “eu vou”.
     Sendo o mais sucinto possível, precisamos entender o contexto bíblico e a diferença entre Israel e Igreja. O povo de Deus no Antigo Testamento era um povo identificado com uma mesma origem, uma mesma cultura, uma mesma etnia: Era “Israel”. Após Jesus Cristo, as pessoas que creem e vivem o Seu Evangelho são chamadas “Igreja”, e isso não depende de cor, de etnia, de gênero ou de classe social. Igreja é composta por todos aqueles que são discípulos de Jesus, como eu e você. Pois bem, feita essa introdução, vamos ao assunto propriamente dito:
     Deus lidava com “Israel” de forma diferente de como lida com a Igreja, pois aquele povo tinha uma missão: trazer o Messias para a história. Até que isso se cumprisse, Deus se manifestou através de arquétipos, de simbolizações (que Paulo chamou de “sombras” – Colossenses 2:17). Sendo assim, mesmo antes de Jesus, Deus colocava conscientemente ou inconscientemente na mente de Seu povo que tudo dependia do Messias, de Jesus, do Cordeiro de Deus. Dessa forma, praticamente tudo o que temos antes de Cristo, tem um significado que aponta para Ele. Quando a bíblia fala de Adão e Eva sendo cobertos por uma pele de animal (Gênesis 3:21), significa que para cobrir o pecado e a culpa da humanidade, há necessidade de derramamento de sangue (crucificação); quando Deus instrui o povo a sacrificar cordeiros (Levítico 4:29) é uma simbolização da necessidade de um Cordeiro Eterno (Jesus) ser imolado para a redenção dos homens; quando vemos o sangue de um cordeiro sendo passado nas portas (Êxodo 12:7), significa que só o sangue do Cordeiro de Deus é quem nos livra da morte eterna; quando notamos sacerdotes e sumos sacerdotes, significa que precisamos de mediação (e no nosso caso, nosso mediador é apenas Jesus Cristo - I Timóteo 2:5) para entrar em contato com Deus. Em Israel, o sumo sacerdote (Hebreus 9:7) era um homem como nós, escolhido entre os sacerdotes; no Evangelho, o sumo sacerdote é Cristo (Hebreus 4:14) e nós todos somos sacerdotes (I Pedro 2:5), com livre acesso ao Pai. E por aí vai...
     Finalmente temos outra simbolização: o templo. Deus fez uma concessão para Israel e então construíram um templo (de Salomão, que depois foi destruído, sendo erguido o templo de Herodes), que era às vezes chamado de “Casa de Deus”. Não falarei neste texto sobre o templo, mas isso foi apenas para mostrar que quando o antigo Testamento fala em “Casa de Deus”, refere-se a este templo ou, o que é mais comum, a Israel de forma geral. De qualquer forma, Casa de Deus (ou Casa do Senhor) era um lugar determinado, que marcava a presença do Eterno (como um “portal de acesso a Ele”), onde Ele recebia os sacrifícios dos israelitas. Na Nova Aliança os sacrifícios deixaram de ser animais e passaram a ser espirituais, com uma vida em conformidade com o Evangelho (Romanos 12:1). Isso mesmo! Também não é sacrifício físico, nem financeiro (embora defendido por muitas seitas).  
     Porém alguns insistem em dizer que Casa de Deus continua sendo um espaço físico e ainda alegam que esse espaço é um prédio chamado “igreja”, que tem uma placa/nome. Isso é fruto de uma total descontextualização e de má interpretação de textos das escrituras. Muitos citam o Salmo 122, escrito por Davi: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor”. Mas veja bem: primeiro que o salmo está no contexto da Antiga Aliança (Israel) e não no da Igreja. Segundo, que o templo foi construído após a morte de Davi (no reinado de seu filho Salomão), ou seja, ele não poderia estar falando do templo quando disse “Casa do Senhor”. Ele se referia claramente a Jerusalém (leia o salmo todo).
     Quando lemos o Novo Testamento percebemos o seguinte:

- Nós somos templo do Espírito Santo e Ele habita em nós (I Coríntios 6:19).
- Deus não habita em templos feitos por mãos humanas (Atos 7:48-50).
- Casa é onde alguém mora. No caso, “Casa de Deus” é o local em que Deus habita, certo?

     Pois bem. Diante dessas três afirmações acima, como podemos dizer que o templo de tijolos, a “igreja” (prédio) que congregamos é a casa de Deus? Não importa o local onde você congrega com seus irmãos, mas digamos que congregue em um templo religioso, com uma denominação e tudo. Esse local nada mais é do que um lugar, um abrigo, um prédio que facilita a localização de todos e que permite que as pessoas possam se reunir, no nome de Jesus, para passarem momentos juntos, orando, meditando na Palavra, ensinando, aprendendo, cantando... Nada mais. Jesus disse que onde estiverem dois ou três reunidos no nome dEle, ali Ele estaria. Veja bem: Ele disse “ONDE ESTIVEREM”. Ou seja, não importa o lugar, tanto que ensinou justamente essa lição à mulher samaritana (João 4). A casa do Senhor é onde Ele mora e se Ele habita em nós, quem é a casa de Deus? Nós! Se estamos dentro de um templo religioso em nome de Jesus, ali Ele está pelo fato de nós estarmos lá. Quando sairmos, Ele não estará “habitando” o local apenas por ser um local que “consagramos” para oferecer cultos. Ele é Deus de vivos e deixou claro que não habita em templos construídos por homens!
     Sei que alguns argumentarão: “Então como explicar Mateus 21:13 (e outras referências nos evangelhos segundo Marcos e Lucas), se o próprio Jesus chamou o templo de casa de Deus?” Vamos ao versículo:
“E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.”
     Jesus ficou indignado com o comércio que os judeus estavam fazendo no templo e, derrubando as mesas, fez uma referência ao texto de Isaías 56:7. Vejam que Jesus não diz que o templo (ou Israel) continuaria sendo “a minha casa”. Ele começa dizendo: “Está escrito”, ou seja, aquelas palavras eram citações das escrituras e não, palavras dEle. Mas então por que Ele citou? Porque Ele estava corrigindo judeus, que viviam sob a Lei (a Nova Aliança entrou em vigor após a morte de Cristo). Era como se Ele chamasse os judeus de mentirosos e de hipócritas, pois diziam que seguiam as escrituras, mas não estavam observando conteúdo delas. O próprio Jesus em outro momento (João 2:19) disse que o verdadeiro templo seria levantado em três dias (referindo-se a Si mesmo, e não a um ambiente construído). Alguma dúvida que Deus é Deus de vivos e não de mortos? Que ele habita em pessoas e não em um prédio?
     Alguém pode estar pensando: "Mas em I Timóteo 3:15 fala que Casa de Deus é um local e não, uma pessoa". Este é um dos textos que mais geram confusão na mente das pessoas, pois uma leitura desatenta ou uma dificuldade na interpretação de textos pode gerar equívocos. Mas não é difícil entender. Repare que o apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, cita a casa de Deus como sendo um ambiente. Porém veja bem: é um local não específico (não é um templo, nem uma casa ou uma praça), ou seja, é bem genérico. Pode ser qualquer lugar onde nós estivermos reunidos e isso é comprovado quando vemos que ele diz que a casa de Deus é a Igreja do Deus vivo. Como sabemos, "Igreja" no Novo Testamento tem justamente esse significado de "povo de Deus" reunido, aquelas pessoas "chamadas para fora", independentemente do lugar em que estejam (pode ser em um templo, em uma casa, em uma caverna ou em uma ilha deserta...).
     O local em que congregamos (por exemplo, um templo religioso, um teatro, um barracão, uma sala, uma praça) nada mais é que um ponto de encontro (não tem nada de santo ou de sagrado) para orarmos, para falarmos do amor de Deus, para instruirmos e ajudarmos os novos na fé. Jesus ensinou à mulher samaritana que adoração é na vida (em espírito e em verdade) e não, em um lugar específico. Mas concorde quando disserem a você: “Respeite a Casa do Senhor”. Isso realmente tem que acontecer. E como respeito a casa dEle? Respeitando a si mesmo e ao seu próximo, agindo sempre com responsabilidade, amor e misericórdia. E quando alguém lhe perguntar se você VAI à Casa de Deus, responda: "EU SOU a Casa de Deus, pois Ele mora em meu coração, na minha consciência e na minha vida."

“Não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20).

Autor: Wesley de Sousa Câmara