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Rótulos cristãos - Aceitá-los ou rejeitá-los?


     Muitos adoram rótulos teológicos e boa parte das vezes rotulam para menosprezar, para generalizar e para caracterizar todos os que pensam diferente como inferiores, como enganados, como hereges...Já passei por momentos na vida em que adorava rótulos; já passei também por momentos em que rejeitava veementemente qualquer tipo de rotulação. No máximo eu aceitava ser chamado de "cristão" e mesmo assim, via com maus olhos, pois cristão me faz lembrar mais o movimento religioso oficializado no século IV, chamado "cristianismo", do que a pessoa de Cristo. Porém atualmente reconheço que aceitando ou rejeitando rótulos, é impossível fugir deles.
     Sempre ouço pessoas dizerem: 
"O calvinismo (ou o catolicismo, ou arminianismo, ou luteranismo...) é a expressão perfeita do Evangelho genuíno". 
     Meu Deus, quanta ignorância e idolatria concentradas em uma mesma mente. O dia em que uma teologia explicar com perfeição os desígnios divinos, esse "deus" explicado será um mero ídolo criado por homens.
     O outro extremo é a afirmação de alguns: 
"Não me identifico com a teologia católica, nem sou arminiano, pelagiano, calvinista ou luterano. sou apenas cristão, discípulo de Jesus, seguidor do evangelho puro e simples. Essas divisões são apenas invenções humanas e o que todos deveriam fazer é seguir o Evangelho e parar com essas teologias". 
     À primeira vista parece bonita essa afirmação, mas com uma análise um pouco menos superficial, ela se torna frágil e sem sentido. Por que digo isso? Pois todos os cristãos tem uma crença, tem um tipo de entendimento sobre o que é a fé cristã. E o que é essa compreensão? É uma teologia. É fruto de uma organização de interpretações que geram uma linha de pensamento. O que faz, por exemplo, um católico pensar diferente de um protestante? Ou um assembleiano de um presbiteriano? É que, embora todos tenham a fé cristã, cada um tem uma crença, cada um segue uma tradição interpretativa diferente (todas relativas) de uma mesma Verdade (Jesus Cristo, que é absoluto). E quem está correto? Ora, cada pessoa dirá que a interpretação dela é a correta, a melhor, a que corresponde ao "evangelho puro e simples". Óbvio! Ninguém em sã consciência achará que está equivocado, até porque, se achar, é lógico que deve mudar de ideia. Mas o problema está exatamente aí. Somos arrogantes, prepotentes e muitas vezes, fundamentalistas. Achamos que somos capazes de compreender e explicar com perfeição uma verdade perfeita, divina e absoluta. Se não reconhecermos nossa limitação, nossas falhas, nossa relatividade, jamais seremos cristãos, pois não conseguiremos olhar para o outro sem um "sentimento de superioridade". 
     Devemos reconhecer que seguimos o que acreditamos que seja mais coerente com o Evangelho de Jesus, porém toda nossa crença passa pela nossa prévia interpretação. O único Evangelho puro e simples é aquele encarnado e vivido por Jesus. Porém, quando olhamos para Cristo a fim de identificar esse evangelho puro e simples, já contaminamos esse entendimento com nossa imperfeição, com nossas preferências, com nossa parcialidade, com nossas tendências, com nosso pré-conhecimento, com nossas tradições, mesmo que não assumidas. Quando dizemos que "a bíblia diz" alguma coisa e não tem nada que interpretar o que ela disse, é outra manifestação de ingenuidade, pois a bíblia nunca diz nada sobre um determinado assunto (nós é que afirmamos com base no que lemos e no que compreendemos). Ela é o registro escrito, baseado na visão (interpretação) dos autores em relação a um fato ou acontecimento. Soma-se a essa interpretação do autor, registrada na bíblia, a nossa interpretação, pois quando a lemos e dizemos: "aqui diz tal coisa", na verdade estamos dizendo: "aqui interpreto que o autor tenha tido a intenção de dizer tal coisa". Não é a toa que pessoas que carregam diferentes rótulos usam a mesma bíblia para justificarem seus pensamentos. 
    Então sejamos humildes e vamos assumir: seguimos o que consideramos mais correto, mais coerente, mais fiel, porém reconhecemos que podemos estar sinceramente equivocados e provavelmente TODOS estamos equivocados. Um dia, nos braços do Pai, teremos essa revelação absoluta internalizada em nosso ser e seremos perfeitos como Ele, gozando a vida eterna em comunhão na glória. Enquanto isso, sigamos a vida com amor e com humildade. Felizmente nossa relação com Ele não é baseada em nossos acertos teológicos (méritos humanos), senão todos estaríamos perdidos. 
     Entenda que quando dizemos que alguém é Luterano (ou calvinista, ou arminiano...), significa que estamos diante não de um rótulo ou de uma ideia e sim, de uma pessoa! O rótulo nada mais é do que uma forma didática de dar uma noção do que essa pessoa acredita. Não é algo essencialmente ruim. Porém devemos ter em mente que estamos tratando apenas de um ser humano que tem afinidade por uma determinada linha de pensamento teológico. Nada mais! E por ser um indivíduo como nós, devemos amá-lo, respeitá-lo, ajudá-lo, independentemente de suas convicções. 
     Se a sua "teologia" em vez de gerar em você amor, compreensão e respeito por todos, gera prepotência, arrogância e sentimento de superioridade, sinto lhe dizer: sua teologia não tem nada de cristã! É "teologia" de demônio ou, na melhor das hipóteses, de um ser humano egoísta! Sendo assim, convido-o para abrir os olhos e repensar nas suas crenças e na compreensão que tem de Deus e do mundo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara
21/08/2014

A Blasfêmia contra o Espírito Santo


“Na verdade eu vos digo: tudo será perdoado aos filhos dos homens, os pecados e todas as blasfêmias que tiverem proferido. Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, jamais será perdoado: é culpado de pecado eterno. Isso porque eles diziam: Ele está possuído por um espírito impuro”. (Marcos 3: 28 a 30).

     A blasfêmia contra o Espírito Santo é um dos temas que mais preocupa os cristãos atuais, principalmente os jovens, e muitos vivem angustiados e até atormentados pela culpa e pelo medo de um dia terem cometido esse "pecado". Devido a isso, considero de extrema importância fazer uma completa abordagem sobre o assunto, focando em uma reflexão direcionada às pessoas que se sentem culpadas e com medo, a fim de ajudá-las a se livrarem desse trauma religioso sem fundamento. O texto ficou um pouco longo e alguns trechos podem parecer repetitivos, mas foi proposital a fim de enfatizar alguns pontos e falar de forma aberta e informal com quem realmente está precisando de ajuda.
     Há várias interpretações no meio cristão sobre o que seria essa blasfêmia. Alguns afirmam que é o suicídio ou o adultério, enquanto outros, dizem que é a rejeição da divindade de Cristo ou do Evangelho. Há ainda quem diga que é a cauterização da consciência humana diante de uma vida pecaminosa. Enfim, o único consenso é o reconhecimento de ser algo imperdoável, como Jesus disse. Mas, para chegarmos a uma conclusão, devemos analisar o contexto dessa passagem bíblica e devemos ter vários conceitos em mente. Vamos por partes:
     Mateus, Marcos e Lucas relatam de forma diferente o acontecimento. Mateus diz que Jesus fez essa afirmação após curar um endemoniado cego e mudo e os fariseus atribuírem esse milagre a Satanás (Belzebu); Marcos não menciona a cura, apenas essa acusação feita pelos escribas (capítulo 11); Lucas fala da cura e da blasfêmia separadamente (capítulo 12). De qualquer forma, tanto Mateus quanto Marcos, relatam que Jesus citou o pecado imperdoável após alguns religiosos hipócritas da época afirmarem que Cristo expulsava os demônios através do próprio demônio (Marcos 3:30).
     A partir disso podemos fazer algumas observações:

1 - Esse "pecado sem perdão", se é que foi cometido, ocorreu entre os escribas e fariseus (aqueles que conheciam profundamente as escrituras e, teoricamente, a Deus) na presença de Jesus. Curar um endemoniado cego e mudo era, na tradição judaica, visto como um sinal de que ali estava o Messias. Portanto, diante desse sinal inegável, eles (os que mais conheciam essas revelações) estavam não apenas rejeitando malevolamente o Cristo, mas também atribuindo esse "sinal messiânico" ao demônio (Belzebu). Eles não estavam fazendo por ignorância e sim, por maldade. Estavam "diabolizados" a tal ponto de negar suas próprias convicções de fé (com um nível tão alto de compreensão e na presença do próprio Deus encarnado) a fim de manterem-se com suas tradições, benefícios e caprichos. Eles propositalmente tentavam "derrubar Jesus" e acabar com Ele através dessas acusações. Você, portanto, não se enquadra aqui, leitor, pois Jesus já morreu, já ressuscitou e já "subiu ao céu" em um corpo glorificado. Você não está na presença física dEle (está apenas em termos espirituais) e Ele não está dando evidências messiânicas para que você possa fazer o mesmo que os escribas e fariseus. Só por aqui já poderia dizer: "você não tem como blasfemar contra o Espírito Santo!"

2 - Reparou que eu me referi à blasfêmia dizendo "se é que foi cometido"? Pois é. Digo isso pois, mesmo eles estando diante do Filho de Deus, em carne e osso, mesmo conhecendo profundamente a Lei de Deus e mesmo tendo atribuído à satanás aquele sinal milagroso do Espírito Santo que estava em Cristo, Jesus em momento algum disse que eles blasfemaram ao ponto de não terem mais perdão. Jesus afirma que "aqueles que cometerem tal pecado não tem perdão". Aliás, acredito sinceramente que mesmo com toda a gravidade, a injustiça e a maldade das acusações feitas, eles não tenham chegado ao ponto de cometer esse "pecado imperdoável". Deus conhece o coração do homem e sabe até onde ele pode chegar. Nosso Pai sabia que Jesus seria duramente condenado, injustiçado e acusado e mesmo assim, o seu amor é tão grande, que todos tiveram (e tem) a oportunidade de alcançar o perdão, até mesmo aqueles que o crucificaram. Penso eu que, caso essa acusação fosse a famosa "blasfêmia contra o Espírito Santo", Jesus os teria alertado antes dela ocorrer, dando mais uma oportunidade a esses indivíduos maus de não cometerem este erro, afinal, a escritura diz que a vontade de Deus é que ninguém se perca (II Pedro 3:9). Podemos dizer que foi um alerta de Jesus para eles e para outros que porventura estivessem com o mesmo pensamento, a fim de mostrá-los que estavam entrando num caminho de morte, de condenação. Era um um último aviso, pois estavam se "diabolizando", negando por maldade extrema o que dentro deles era convicção. Estavam buscando um afastamento de Deus e isso é condenação da alma. Mas novamente digo: se você está preocupado ou se assume dentro de si que jamais desejaria esse afastamento de Deus, é mais uma evidência que você não blasfemou, não importando o que tenha feito ou dito.

     O amor e a graça de Deus são tão grandes que para o homem não receber perdão é uma tarefa humanamente impossível. Podemos quase dizer que, em vida, não existe "pecado imperdoável". Paulo diz em Romanos 5:8-10:

"Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele! Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!"

     Repare que nossa reconciliação com Deus precede qualquer ação humana. Não depende de nós; depende da Cruz! Por isso é Graça (favor imerecido). Não é porque você acha que fez algo abominável que será rejeitado por Deus. Você nunca merecerá a salvação e a reconciliação com o Pai, por mais "bonzinho" que seja nesse mundo. Se você foi reconciliado e salvo, acredite: não foi por méritos seus e sim, por méritos de Jesus. Sendo assim, pare de pensar que você é quem determina sua salvação. Descanse no que foi feito em Cristo. Somos chamados à fé (crer no que já foi feito e consumado), ao arrependimento (que significa "mudança de mente" e "expansão de consciência"), a fim de usufruirmos a salvação nos dada por Graça.

Em I João 1:7 lemos:
"Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de TODO pecado." 
     Então porque você acha que algo que você fez é exceção a esse "TODO pecado"? O admirável apóstolo Paulo (que, embora tenha sido o principal apóstolo em termos de divulgação e de aprofundamento  teológico na Palavra de Deus, era um ser humano que também sofria, que errava e que era tão pecador quanto você) disse que Cristo veio salvar os pecadores, entre os quais ele era o pior! (I Timóteo 1:15). O pecado seu é pior que o meu, que o de Paulo ou que o de qualquer outra pessoa? Claro que não! Somos todos iguais, afastados de Deus pelo pecado, porém reconciliados em Cristo. Mas você às vezes se acha menos digno do que um estuprador ou um assassino. O que lhe atormenta é apenas fruto de não compreensão da Palavra de Deus e fruto de um trauma religioso. Alguém lhe passou um conceito equivocado sobre Deus, sobre pecado e sobre salvação e agora você fica nessa situação. Não é fácil quebrar paradigmas e desconstruir conceitos já assimilados, mas vamos com calma.

     Pergunto a você, leitor, que está angustiado por ter feito algo que considera abominável aos olhos de Deus: essa angústia toda que possui, caso fosse colocá-la em um pacote, você a colocaria em um pacote chamado "céu" ou em um pacote chamado "inferno"? Imagino que sua resposta será "inferno", pois viver assim, se é que podemos chamar de vida, realmente é um inferno. E Deus não apenas nos tira do inferno, mas também tira o inferno de nós. Precisamos crer nisso e vivermos pacificados.
    Imagine a pior pessoa que já passou pela Terra. Não sei em quem você pensou, mas vou dar um exemplo de homem que dizia "conhecer a Deus" e que era um "diabo" em vida: Hitler! Vou lhe dizer uma coisa com total sinceridade e convicção: Se viesse um anjo do céu me dizendo que Hitler blasfemou contra o Espírito Santo eu diria a ele: "Tem certeza? Pois inicialmente não consigo acreditar em você!". (Estranhou por quê? Paulo também falava que se viesse um anjo do céu anunciando uma mensagem diferente do Evangelho, era para rejeitá-lo! - Gálatas 1:8). Mas por que digo com tanta certeza? Pois cada vez que assumimos uma blasfêmia contra o Espírito Santo praticada por alguém, limitamos o poder e o amor de Cristo na Cruz. Jesus se entregou pelo homem justamente por Ele ser mau, depravado, caído, desligado de Deus (pecador). Ele fez o que ninguém poderia imaginar: perdoou o homem, reconciliando-o consigo. Do Hitler a mim e a você. Todos tivemos nossos pecados perdoados na Cruz (e antes que alguém me chame de "universalista", adianto que rejeito esse rótulo. Não estou dizendo "onde" e "como" Hitler passará a eternidade, pois jamais poderia fazer esse tipo de julgamento. Apenas creio que todo homem foi reconciliado na Cruz, embora eu não creia em universalismo, pois o conceito de salvação vai muito além disso, mas não cabe discutir aqui). E veja bem: Pecado não é meramente uma atitude imoral que eu pratico. Pecado é o que eu sou. É minha tendência a fazer o mau, é minha inclinação para longe de Deus. E é esse pecado que somos que foi resolvido na Cruz. O que chamamos de "pecados" (atos imorais) são apenas consequências dessa nossa natureza. Enquanto estamos neste mundo, neste corpo corruptível, estamos sujeitos aos reflexos dessa nossa natureza pecaminosa. Porém, ao mesmo tempo, estamos reconciliados com Deus em Cristo, sendo portanto contados como justos perante Ele. Agora quando dizemos que uma atitude de alguém chegou ao ponto de nem o sangue de Cristo (perdão de Deus) ser capaz de cobrir, estamos limitando o poder da Cruz. É como se a capacidade do homem pecar fosse maior que a capacidade divina de perdoar. Que "deus" pequeno é esse que não supera nem um mísero homem? O Criador é mais fraco que a criatura?
     Quem vive nessa angústia geralmente alega que sente dentro de si uma batalha, como se parte dessa pessoa quisesse o bem (algo dizendo para fazer o que é correto) e parte quisesse o mal (algo dizendo para fazer algo ruim). Esse conflito é humano e todos vivemos em maior ou menor intensidade. Temos uma natureza má, pecaminosa e ao mesmo tempo, o poder da ressurreição de Cristo atua em nós, agindo em nosso ser, pelo Espírito Santo.
     O apóstolo Paulo falou sobre esse conflito interno que todos sentimos: Nos primeiros capítulos da carta aos romanos é esse o tema. Ele fala que todo homem é pecador, afastado de Deus, mas que algo dentro dele age de forma contrária a isso. Ele chega a dizer: "o bem que desejo, não pratico; o mau que não desejo, esse eu faço" (Romanos 7:18,19). Todos somos assim. Quantas vezes fazemos algo e depois pensamos: "Eu não deveria ter feito ou dito isso". Mas isso complica quando não lidamos bem com essa situação e ficamos culpados e amedrontados. Acredite: você tem uma natureza má, mas ao mesmo tempo o Espírito de Deus habita em você, indicando a você o Caminho que conduz à vida. Fique pacificado, sabendo que não importa o que faça Ele não abandona você. E sabendo disso, procurará viver conforme o amor dEle, com consciência, em amor, amando você mesmo, amando seu próximo e amando a Deus. Esses atos tolos que considera blasfemos afetam apenas você, pois lhe deixam culpado, angustiado e com medo. Mas Deus continua sendo o Deus que ama você incondicionalmente.
     Se algo lhe incomoda e lhe mostra a necessidade de mudar de mente (arrepender-se), é o Espírito Santo fazendo isso, pois Ele habita em você (mais uma prova que você não blasfemou contra Ele, pois blasfemar implicaria em um afastamento total e definitivo de Deus). Se você xingar Deus ou o Espírito Santo com vários palavrões, não irá cometer essa blasfêmia imperdoável. Será apenas um ato ingênuo e de pura tolice de sua parte, pois não tem o mínimo sentido. Se você virar ateu, se negar Deus e fazer todo tipo de ofensa a Ele, é a mesma coisa. Pura tolice e ingenuidade.
     Sabia que um dos maiores teólogos de todos os tempos, C.S. Lewis, por muito tempo foi ateu? Ele negava veementemente Deus e do meio de sua vida em diante transformou-se em uma das maiores mentes em relação à defesa da fé cristã. Se negar Deus (ateísmo) fosse blasfemar, Ele nunca teria "se convertido". Blasfemar contra o Espírito Santo é desligar-se completamente e definitivamente dEle e não me pergunte como isso é possível, pois eu diria que é humanamente impossível. Esse é um dos mistérios de Deus que jamais saberemos nessa vida, mas fato é que você deve ser sincero consigo mesmo: você acha que Jesus Se entregaria na Cruz para reconciliar o homem com Deus, o perdoaria, o salvaria e deixaria você de fora apenas por ter pensado, dito ou feito algo contra Ele? A escritura é clara ao dizer que o Cordeiro de Deus (Jesus) foi imolado antes da fundação do mundo e você acha que é capaz de aqui, na história, fazer algo que invalide algo que é eterno? Todos os homens falam e/ou fazem algo contra Deus todos os dias. Jesus disse em Mateus 25 (parte final) que quando vemos um necessitado e não ajudamos, estamos ignorando e não ajudando o próprio Deus, pois servir a Deus é servir ao nosso próximo. Se fosse para colocar em uma escala de gravidade, muito pior seria ter condições e, em vez de de ajudar, passar reto por um morador de rua, fingindo que não o viu, do que xingar Deus de todo tipo de "palavrão" ou de dizer que Ele não existe.
     Talvez alguém pergunte: então o que determina a blasfêmia é a consciência ao negar Deus? Não! Não é simples assim. Por exemplo, em relação ao ateísmo: será que os ateus negam Deus sem consciência? Claro que não! Eles negam com convicção e já dei o exemplo de C.S Lewis. Ele negou totalmente consciente e depois de sua conversão, fez o inverso: defendeu sua fé em Deus totalmente consciente também. Não é meramente a consciência que determinaria essa blasfêmia e sim, uma escolha consciente, convicta, maldosa na direção não de negação de Deus, mas de, mesmo O reconhecendo, querer profundamente se afastar dEle. O indivíduo dentro de si "resiste" ao Espírito Santo (que por ser amor, não obriga, não oprime, embora "persiga de forma amorosa para se revelar". Sei que alguns discordarão desse ponto por divergirem teologicamente, mas não irei me ater a isso). É como se Deus insistisse com ele para parar com essa maldade extrema e tola de viver fora de Deus e essa pessoa cravasse: "suma daqui, Deus, não quero você. Sei que você é real, mas eu sou o meu Deus, quero inferno, quero morte, não quero nada divino". Diferentemente de um ateu, que quando ateu mesmo, aposta com sinceridade na "inexistência de Deus" esse ser é como se quisesse extirpar Deus de si, a fim de satisfazer seu Ego ou seus interesses sombrios. É algo, pra falar a verdade, que sequer cabe em minha mente, pois não acredito que nem Hitler (uso ele como exemplo por ser um esteriótipo de maldade histórica) tenha sido tão "diabo" assim pra chegar a esse ponto. Mas não cabe a mim afirmar categoricamente, pois somente Deus sonda o interior de cada um.
     Você, leitor, é apenas uma pessoa sincera em busca de uma compreensão, lutando contra um trauma, uma culpa e um medo de algo que foi colocado em sua mente como sendo essa blasfêmia. Como disse, se eu, nem em um momento de maior raiva, conseguiria condenar você por falar coisas pesadas a Deus, você acha que o Deus que é amor faria isso? Jesus disse que veio salvar o homem e não, condenar. Ele veio salvar pessoas como eu e como você, pecadoras e angustiadas. Ele veio para que tenhamos vida em abundância, paz, alegria e liberdade. Essa culpa e medo seus são frutos de distorções religiosas e não, do Evangelho. Conforme você se aprofundar nessa consciência da Palavra de Deus, isso irá perder espaço. Daqui a algum tempo você lembrará dessa angústia toda, irá sorrir e pensar: "não acredito que eu me preocupava com algo tão pequeno diante do meu Deus". 

     De qualquer forma Jesus Se entregou na Cruz não apenas para perdoar esses "pecados" (atos imorais) nossos; Jesus Se entregou para perdoar o pecado que nós somos, perdoar a nossa inclinação para o mal, como já disse anteriormente. Volto a repetir: essas atitudes pecaminosas (imorais, tolas, ingênuas) são apenas sintomas de uma doença que afeta a todos: o pecado. As nossas atitudes portanto, não determinam nossa relação com Deus, mesmo as piores delas. Nossa relação com Deus depende da Cruz, que resolveu definitivamente o problema do pecado, ou seja, do nosso afastamento de Deus. Eu procuro viver como Jesus ensinou e a fazer o bem não para ir para o céu ou por medo da condenação de Deus. Enquanto houver medo de Deus é sinal que não conhecemos Deus. Ele é amor, de forma que todos os atributos dEle estão condicionados ao amor. Jesus veio, como Ele mesmo disse, não para condenar, mas para salvar. E o Evangelho é justamente isso: o anúncio que apesar de eu ser pecador, imperfeito, falho, Ele me amou, me perdoou, me reconciliou, me salvou. Não importa o que eu faça, estou reconciliado. E por ter sido tão amado, de forma incondicional, sem merecer (isso é Graça) eu vou viver de forma grata e coerente com isso, que é amando a Deus, a mim mesmo, o meu próximo e fazendo o bem como posso. Jamais serei movido por medo do inferno ou por interesse pelo "paraíso". Jesus veio para nos salvar e "salvar" não significa "ir para o céu" e sim, ser perdoado, abraçado por Deus e ser transformado a cada dia à imagem de Jesus, sendo que essa transformação será plena e perfeita na eternidade, onde estaremos com Ele. Não há motivo algum para medo. Eu aceito esse sacrifício por fé, sou levado ao arrependimento e vivo pacificado.
     Acredite, na minha adolescência passei por períodos de medo e de culpa também (muitos passam, mas poucos assumem), por achar que blasfemar era xingar Deus. E todos já ouviram falar que o homem tem tendência a fazer ou desejar o que é proibido, certo? Ou seja: quanto mais proibições existem, mais pulsões dentro de nós surgem para transgredir essas restrições. Isso é natural do ser humano. Se eu disser: "não pense em um cavalo branco". A primeira coisa que você pensou foi em um cavalo branco, com certeza. Se uma mãe diz à criança: "não coloque o dedo aqui na tomada". A criança curiosa virá colocar quando ela virar as costas... Então, sem desejar, eu xingava mentalmente Deus de algum palavrão (mesmo eu não falando palavrão na vida real. Nunca gostei disso) e então ficava tentando pensar em outras coisas para desviar o pensamento e parar com isso. Em seguida vinha uma culpa, um medo enorme de ter blasfemado, pois eu era batizado, tinha atividades na denominação religiosa que eu frequentava, eu amava a Deus e tudo o que eu não queria era ser rejeitado por Ele. Mas à medida em que fui compreendendo a Palavra de Deus e a grandeza dEle, percebi o quão tolo eu era e isso foi desaparecendo. Nunca mais teve lugar em mim esse tipo de angústia ou de desejo infantil de falar coisas que não desejo a Deus. Até porque, eu entendi que se um dia eu pensasse isso, seria mero conflito psicológico meu, mas meu perdão estava garantido na Cruz.
     Talvez você ainda esteja com dúvida: "Será que Deus me perdoa mesmo"? Claro que Deus perdoa você (na verdade Ele já perdoou na Cruz não meramente o pecado que você comete, mas principalmente o pecado que você é)! Quando aos atos, ele perdoou os do seu passado, os que está cometendo agora e até aqueles que você ainda cometerá durante a vida. Creia! Você está perdoado! O problema não é entre você e Deus (isso foi resolvido em Cristo) e sim, entre você e você mesmo! Deus lhe perdoou, agora creia, confesse a Ele (e a seus irmãos quando necessário e possível), arrependa-se e tome posse desse perdão já lhe oferecido por Graça. O Evangelho é justamente esse anúncio! Por isso é BOA NOTÍCIA! Não depende de você, pois é GRAÇA! Se Deus em algum momento foi "tirano", isso ocorreu justamente nesse momento de derramar Seu amor pela criação. Está perdoado e nada pode mudar isso. Não depende de você. O que depende de você é sua experiência diante disso. Se acha, por exemplo, que por ter sido reconciliado e perdoado você pode viver na "gandaia" é um sinal que não entendeu absolutamente nada do que Cristo fez por você. É um atestado de falta de fé, de falta de compreensão, de falta de amor e de falta de arrependimento. Mas esse já é assunto para outro momento.
     Enquanto tiver em sua mente culpa e medo, terá essas "recaídas" (não importa se o seu problema seja com atos ou com pensamentos). Quando você confiar genuinamente (não é "da boca para fora"), aceitar que está perdoado incondicionalmente e entender que essas coisas todas não passam de ingenuidade e imaturidade sua, isso vai desaparecer. Digo isso por experiência própria. Isso nunca mais me atormentou e nesse exato momento em que escrevo este texto, pensarei algo ruim em relação a Deus de propósito (para reforçar a você que blasfêmia não é nada disso). Pronto, pensei. Sabe o que vai acontecer? Nada! Pois esse "deus" melindroso, que fica magoado com essas bobeiras de mentes humanas fragilizadas e que por isso resolve castigar, não existe. É um "deus" que criamos em nossa cabeça. E se existisse, seria um diabo e não, Deus! Ele sonda meu coração e sabe que a minha essência reconhece Ele como senhor absoluto, eterno e soberano sobre minha vida; o que eu faço contra a minha essência que foi e que continua sendo trabalhada pelo Espírito Santo são frutos da minha insignificância e incapacidade de fazer sequer apenas o que eu realmente desejo. Sou falho, pecador e foi por um serzinho como eu que Ele decidiu, por amor, se doar. Sou eternamente grato e sou diariamente constrangido em amor a viver o mais próximo que posso da vontade de Deus. Não por medo de condenação e nem por interesse de salvação. Procuro seguir a Cristo por consciência, por amor e por gratidão. Isso é que é a base dos ensinos de Jesus.
     Quando alguém me procura desesperado com medo de ter blasfemado contra o Espírito Santo e, com isso, enfrentar o "tormento eterno" no inferno, a reposta é clara, com todo amor e temor: você não "vai para o inferno" por causa disso, amigo (a). Se sua preocupação é essa e vive angustiado pois deseja estar com Deus, fique em paz. Você, embora diga que é cristão, ainda não entendeu o significado da Cruz. Na eternidade você estará nos braços do Pai e eu estarei lá com você. E se eu lhe conhecer "lá" (não importa "onde" seja o Paraíso, pois onde Deus reina, aí é Paraíso), direi: "não lhe falei, amigo (a)?" Agora pense: Se eu que sou mau e pecador perdoaria você mesmo que esses atos ruins, xingamentos ou pensamentos fossem direcionados a mim, quanto mais Deus que tem um amor além de nossa compreensão... Acha que ele condenará uma pessoa como você, que está sofrendo de angústia por sincera culpa de ter feito algo que O desagrada?
     Essa ideia de que temos que "ser bonzinhos para ir para o céu" e de que "se pecarmos iremos queimar o inferno" é uma forma de manipulação religiosa dos fiéis, a fim de mantê-los sob controle. Afinal, quem iria arriscar a dizer: "seja sim uma pessoa boa, fuja do mal, das imoralidades ("pecados"), mas não para fugir do inferno e sim, por gratidão por ter sido reconciliado com Cristo"? É arriscado, né? E se o povo resolver "mergulhar no pecado" e "cair na gandaia"? E era justamente esse o ensino de Paulo (que não depende de nós para alcançarmos o perdão e a reconciliação) e muitas pessoas o acusavam de dizer que "a pessoa poderia pecar à vontade então, já que não faz diferença". E ele desmente isso falando aos romanos e aos gálatas. Quem foi alcançado pelo Espírito Santo jamais terá prazer em uma vida corrompida, pois os frutos do Espírito brotam naturalmente nele. O Espírito Santo gera arrependimento nesse indivíduo, de forma que é ilógico cogitar essa possibilidade de "então farei o que eu quiser da minha vida". É o que Paulo disse: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém".
     Os meus "pecados" (imoralidades) me afetam e me causam dano, pois sou humano e sujeito às consequências deles e também prejudicam meu próximo. Jesus ensina que a vontade de Deus é que amemos a Deus e o próximo como a nós mesmos. Ou seja, se amamos a Deus, desejaremos andar o mais próximo dEle, fazer o que Ele deseja que façamos. Não que dependamos disso para que Ele nos ame e sim, que não desejaremos viver contra Ele sabendo do quanto Ele nos ama. É como uma mãe (embora Deus ame infinitamente mais) que ama o filho bandido e ama o filho trabalhador e carinhoso. Ela ama ambos, pois é mãe. Cabe ao filho retribuir esse amor, não como condição para ser amado, mas por gratidão, por reconhecimento e por amor a ela. Lembra da parábola do filho pródigo? O pai nunca deixou de amar o filho rebelde. Quando ele "caiu em si" e retornou, antes mesmo dele dizer qualquer coisa, o Pai correu até o rapaz, o abraçou, ofereceu perdão, roupa, comida, moradia e fez uma festa. Ele merecia? Claro que não. Mas Deus não despreza um coração quebrantado e contrito. Agora seja sincero: depois desse amor supremo demonstrado por esse pai, você acha que esse filho cairia novamente na vida depravada? Com certeza não. Como dizia Paulo, o amor constrange.

     Você que está angustiado lendo este texto só está fragilizado e buscando um rumo na vida, um entendimento maduro e uma espiritualidade sadia. Não acredito nem que os fariseus diante de Jesus tenham blasfemado, quem dirá uma pessoa sincera como você, amigo. E todos esses conflitos afetam sua saúde, seu corpo, sua parte física também. A questão espiritual está intimamente ligada ao nosso corpo, então essas "doenças da alma" afetarão em maior ou menor grau até o seu corpo. Jesus veio nos trazer vida, eterna e em abundância. Não veio para que você vivesse assim nesse estado infernal. O Evangelho é poder de Deus para a libertação e para a salvação de todo aquele que crê. O Evangelho é o anúncio de que você está perdoado, religado a Deus em Cristo, mesmo que uma parte de você lute contra isso. Creia e será salvo desse conflito. E crer é não apenas acreditar; crer é ter isso lá no profundo da consciência e viver pacificado com essa certeza, com fé que você não é nada, mas em Cristo, tem tudo. É viver sem medo, sem culpa, sabendo que se pensar "bobeiras", será apenas imaturidade sua, pois Deus no máximo olhará para você e dirá: "Meu filhinho tolinho, pra que viver se torturando assim? Eu chamei você para a liberdade e não para a escravidão desses sentimentos". Ele continuará olhando para você com amor. Você está perdoado. Está liberto dessa culpa e quem tem fé, não tem medo. A penas precisa tomar consciência disso. É como um prisioneiro acorrentado a uma pedra. Vem alguém e abre o cadeado, mas ele não percebe e fica com as correntes frouxas no pé achando que está preso. Viva, meu amigo! O mesmo vale para um equívoco de alguém ao julgar um acontecimento (por exemplo, um "milagre") como sendo "obra do diabo". Digamos que seja um milagre divino e essa pessoa diga por algum motivo que é de satanás. Ela não blasfemou, apenas fez um julgamento hipócrita, errado e precipitado! Se Deus levasse em conta nossos equívocos, ninguém de nós se salvaria. Mas não somos salvos por nossos méritos ou deméritos e sim, pelos méritos de Cristo, na Cruz. Não depende de você, nem do que você fala ou pensa em algum momento, depende dEle. Se você se sente culpado é porque você sabe que na verdade não gostaria de ter feito o que fez. E se nem você consegue acreditar na veracidade e na sinceridade dessa sua suposta blasfêmia, acha que Deus acreditará, meu amigo? Não apequene Deus! Ele conhece você melhor que você mesmo!
     Se você entender e crer realmente, verá como isso nunca mais lhe incomodará e toda sua vida será diferente. Você que falou alguma coisa ruim a Deus ou de Deus, fique em paz. Leia os Evangelhos, as cartas apostólicas, ore a Deus e peça ajuda ao Espírito Santo para que sua mente saia dessa imaturidade. Você não blasfemou. Tenho não só certeza, mas convicção. E se isso for lhe confortar e para que perca esse medo, uma coisa lhe digo: "que Deus me leve para o mesmo lugar que você for passar a eternidade!" Essa é a fé que tenho, no Deus que creio. Um Deus que procura motivos fúteis (como palavras feias ditas em um insignificante idioma de um mero país, de um planeta do imenso universo) para condenar, não é Deus, é diabo! Fique em paz. Você crê em Cristo e está protegido na sombra da Cruz. Deus deve olhar pra você e dizer: "viva com essa consciência, filhinho. Creia nisso e será liberto." Não há motivo algum para viver nesse sofrimento. Agora depende de você! Se quiser continuar se auto-flagelando, não posso fazer mais nada. Deus fez tudo por você. Agora creia e tome posse do que lhe foi garantido sem merecimento algum de sua parte.
     Eu costumo ainda dizer: "se você se sente incomodado, é mais uma prova que não blasfemou, afinal, quem blasfema terá prazer em ter feito isso e afastar-se definitivamente é o que mais deseja." O Espírito Santo convence o homem do pecado, de forma que se você se reconhece como um pecador dependente da graça divina, é sinal que Ele atua em você.

     A blasfêmia contra o Espírito Santo considero que seja um dos mistérios que um dia nos será revelado, na eternidade. Não é, ainda, totalmente claro. Em Jesus temos a garantia do perdão de TODO pecado, porém Jesus alerta os escribas e fariseus sobre essa possibilidade de escolha deliberada e diabólica. Mas é na Cruz que descansamos, pois ela nos garante que não há pecado nosso que Deus não possa perdoar, afinal o verdadeiro pecado não é o que praticamos e sim, o que somos e Deus nos perdoou em Cristo.
     Se há uma blasfêmia contra o Espírito Santo que condena o homem, essa é a decisão deliberada e "diabólica" de viver em afastamento total de Deus, mesmo perante todo o amor divino sendo oferecido a ele. Lembre-se que isso não tem nada a ver com um genuíno ateísmo. É como se um ateu se convencesse que estava errado e que Deus realmente está ali para acolhê-lo e ele como um "diabo" negasse esse abraço de Deus. Ou seja: essa pessoa, mesmo tendo sido reconciliada em Cristo, não foi salva e sim, condenada e portanto não tem esperança de perdão. Mas como disse anteriormente, não consigo imaginar um ser humano, por pior que seja, alcançar esse nível de diabolização do ser. Ao mesmo tempo, as escrituras em diversos momentos demonstram que há pessoas sim que são condenadas. Essas portanto, seriam aquelas que blasfemaram contra o Espírito Santo.
      O que temos a fazer é reconhecer que todas as nossas ações tem origem em nossa natureza má e pecaminosa. É de nosso coração mau que procedem nossos maus pensamentos e atitudes condenáveis. A questão é essa! Ninguém escapa! Nem o "melhor" entre nós deixa de ser passível de condenação pela perfeição da Lei divina (pois a lei exige que sejamos perfeitos). Reconheça isso e poderá mergulhar com fé no Evangelho, que anuncia: "Você é pecador e incapaz de cumprir a lei de Deus em sua totalidade, portanto, mereceria a condenação - afastamento definitivo de Deus. Porém Jesus Cristo assume o seu lugar, cumpre a Lei de Deus por você e lhe salva por Graça". Se dependesse de seus méritos, leitor, estaria perdido (e eu também). Mas depende dEle, exclusivamente. Descanse na sombra da Cruz e viva em paz, sabendo que jamais terá méritos algum. Tudo é fruto do amor de Deus por você, que deseja salvá-lo em todos os aspectos e para isso, "persegue" você todos os dias com Seu imenso amor, revelando-se a você e lhe tocando para que você viva com essa consciência, seguindo a Cristo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara
Atualizado em 16/07/2014

Por que não seguir as falas de satanás que estão na bíblia?


     Na bíblia há uma expressão: "Tudo te darei se prostrado me adorares" (Mateus 4). Você acha que deve segui-la, já que está na bíblia? Se a resposta for "Não!", pergunto: "E por que não?"
     Se responder: "não devo seguir por ser uma fala de satanás", direi que você corre um sério perigo e que ainda não tem um critério sólido para avaliar um ensino.
     O critério jamais deve ser onde está escrito ("ah, não sigo pois está no Velho Testamento"), nem por não estar escrito ("ah, não sigo pois não está na bíblia") e muito menos deve ser o autor de uma afirmação ("ah, não sigo pois foi satanás quem falou"). Não, não, não! Cuidado com esses critérios superficiais e incoerentes!
     O critério deve ser SEMPRE o conteúdo de uma afirmação, quando comparado com Jesus Cristo. Ele é a revelação plena de Deus ao homem (Mateus 17; João 17; II Coríntios 5); Ele é o Verbo/Logos/Palavra de Deus que se fez carne (João 1); Ele é quem detém todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2); Ele é que é a imagem do Deus invisível, de forma que quem vê a Ele, vê o Pai (Hebreus 1; João 12; Colossenses 1). A escritura tem a função de testificar dEle (como Ele mesmo disse em João 5),certo? Então quem é o foco sempre? A escritura ou Jesus? Quem é a base interpretativa não só da bíblia, mas de toda nossa vida? Jesus Cristo! A bíblia interpretada sem Jesus como parâmetro, vira a mãe de todas as heresias e vira um instrumento de manipulação na mão de líderes inescrupulosos!

     A questão a se fazer sempre, portanto, é essa: "Esse ensino ou relato é ou não coerente com Jesus?"

     Se a resposta for SIM, não importa de onde tenha vindo (até da boca de um ateu). É coerente com a Palavra de Deus. Se a resposta for NÃO, mesmo que tenha vindo de qualquer autor bíblico ou até de um anjo do céu, é um engano! (Se discorda disso, discorde também de Paulo, pois ele era outro que defendia esse mesmo critério - Gálatas 1:8).
     Não é o autor que valida um ensino; é a coerência da mensagem com a Palavra revelada em Cristo. Se satanás disser: "Jesus é o Filho de Deus", diremos a ele: "Isso mesmo, satanás. Você pode ser o diabo e, por ser diabo, com certeza está com uma má intenção ao fazer essa afirmação, mas o conteúdo do que disse é verdadeiro". E se qualquer apóstolo disser algo incoerente com Jesus, a fala ou ensino deles deve ser rejeitada (lembra que Paulo corrigiu Pedro? - Gálatas 2. Lembra que Jesus censurou João quando falou em pedir fogo do céu pra consumir os inimigos? - Lucas 9).
     Portanto, rejeito a fala de Satanás não por ter saído da boca dele e sim, pelo fato de que Jesus confirmou o já conhecido "Não adorarás outros deuses além de mim". Só podemos adorar o Deus revelado em Cristo. O resto, é enganação.
     Pare de julgar o autor e julgue a mensagem!
     Termino com uma fala de Martinho Lutero e faço minhas as palavras dele:

"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes."

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Todo mundo tem uma teologia


     Todo mundo estuda teologia. Pelos menos todos os que leem as escrituras e que refletem sobre ela, estudam de forma direta e explícita uma teologia. Afinal, se está pensando, produzindo dúvidas e formulando possíveis respostas, você é um teólogo, tem a sua teologia, que pode ser idêntica ou parecida com alguma teologia que alguém já tenha produzido ao longo da história ou não (o que é difícil). E mesmo que haja alguma exclusividade em sua visão, será uma teologia, mesmo não sendo uma "oficial".
     Não acho necessária a "demonização teológica" que muitos criam, pois a teologia realmente é inútil no que diz respeito à nossa relação com Deus (isso depende exclusivamente dEle), mas pode ser muito útil na compreensão e no aperfeiçoamento de nossa relação com o próximo e com a vida.
     Portanto, não precisa estar em uma escola ou seminário teológico para ser um adepto da teologia. Até mesmo aqueles que acreditam cegamente em tudo o que um líder religioso diz, seguem uma teologia: a desse líder.
     Não adianta. Não tem como fugir. Os argumentos para a negação da teologia já formam uma teologia. O que dizemos que é o "Evangelho genuíno de Jesus" é na verdade o nosso entendimento sobre o que seja esse evangelho genuíno, portanto, uma teologia. Apenas devemos ter o cuidado para não atribuir a ela um papel que ela jamais poderá assumir. Sempre será uma compreensão humana e relativa sobre algo divino e absoluto, que quase sempre transcende nossa capacidade de entendimento e de explicação. Cada coisa em seu devido lugar... E mais: Deus não segue a sua (nem a minha) teologia. Então, julgue menos as pessoas pelo que você pensa e ame mais. Se sua teologia não gera em você amor, não está nem perto da realidade divina. Disso pode ter certeza!

Autor: Wesley de Sousa Câmara

A Festa Junina está ai. E agora?


     Podemos dizer que as festas juninas já estão arraigadas na cultura brasileira, pois são celebradas em todo o território nacional há muito, mas muito tempo. Porém, os evangélicos não veem com bons olhos essa celebração, já que, entre outros motivos, seria uma festa pagã, realizada por católicos em homenagem a santos. Diante disso surge a dúvida: posso ou não participar de festas juninas?
     Os leitores do blog Bíblia a fundo sabem que sou totalmente contra listas de regras e contra essa questão de “pode ou não pode”, pois isso é capa de religiosidade e não é compatível com o Evangelho. Dessa forma, não avaliarei se pode ou não, se é certo ou errado, mas direi a minha resposta a certa pergunta e logo em seguida explicarei os motivos que me levaram a ter essa opinião. Mas qual seria essa pergunta? Vamos lá:
“Caso alguém o convidasse para participar de uma festa junina, você iria?” 
Resposta: Se não tivesse nenhum compromisso marcado para a data em questão e se estivesse animado, iria sim! (Sei que este foi um momento de desapontamento e indignação para alguns leitores, mas peço que continue lendo até o fim).
     Não tenho motivos para condenar essa festa e muito menos para impedir, por exemplo, que meu filho dançasse quadrilha na escola. Particularmente nunca dancei nessas festas por duas razões: primeiro, porque cresci em uma denominação evangélica legalista, que pregava que qualquer coisa que você fizesse ou usasse seria “se assemelhar ao mundo”. Portanto, quadrilha e as comidas típicas de festa junina, nem pensar! Isso era "coisa do diabo e não, de crente"! A segunda razão é que nunca gostei muito das músicas e das danças típicas dessa festa. Digamos que rodar em volta de uma fogueira e “fugir da cobra” não faz meu tipo. Rsrs
     Vou então dizer o que eu penso em relação aos principais argumentos que vão de encontro às festas juninas:

É uma festa dedicada aos santos; é idolatria!
     O nome “junina” tem duas explicações: uma diz que é derivado do mês em que ocorre, e outra considera que é devido ao fato de ser uma celebração dedicada a São João (inicialmente teria sido chamada de “Festa Joanina”). Qual é a verdadeira? Não importa e não escolherei uma ou outra simplesmente para reforçar a minha opinião. De qualquer forma, devemos considerar o seguinte: a igreja católica banca muitas dessas festas e o lucro com elas é usado para as atividades da própria "igreja". Logo, se eu gastar meu dinheiro nesses locais, eu estarei financiando o catolicismo, certo?

Pregando na Cracolândia


     Não agradará a massacrante maioria, mas é minha opinião, dada de maneira bem informal, conforme comentário (na verdade é uma compilação de comentários meus) feito na página do facebook. Respeito quem discorda, mas é assim que vejo.

     MINHA OPINIÃO SOBRE O VÍDEO (repito, é MINHA opinião, sendo que respeito a de todos vocês):

     Links (escolha um ou outro) para quem não assistiu:
Assistir pelo youtube (clique aqui)

Assistir pelo facebook (clique aqui)

     Tenho duas observações opostas a fazer sobre o vídeo, sendo que uma delas é ELOGIO e a outra é uma CRÍTICA:

1 - Elogio a coragem e a disposição desses homens (não os conheço, mas possuem meu respeito) em irem até essas pessoas que poucos dão atenção (inclusive esse governo eleito, quem sabe, por você). Se todos tivessem um pouco dessa disposição o mundo estaria bem melhor. (Não vou entrar aqui em especulações sobre a motivação desse trabalho. Se foi para filmar, se foi para simplesmente fazer "convertidos à sua denominação" - afinal infelizmente "obras missionárias" atualmente QUASE sempre tem objetivo de fazer prosélitos - ou se foi um desejo sincero de fazer o bem a essas pessoas desamparadas). Não compete a mim fazer esse julgamento, pois não sondo corações.

2 - Agora a crítica: Não concordo com A FORMA com que isso foi feito, por vários motivos. O primeiro é que, com todo respeito a quem gosta desse tipo de mensagem cujo conteúdo importa menos do que o tom de voz elevado, uma mensagem tem que fazer o indivíduo entender e refletir. Se ficar apenas no campo da emoção, do "repete comigo", do falar rápido sem que a pessoa seja estimulada a pensar nos motivos de estar ali e no que deixou para trás (família e amigos), para pouco (ou nada) aproveita. Mensagens que mexem apenas com a emoção não ficam na memória, não curam feridas e não mudam vidas. Se na outra semana não voltarem lá para repetir essa "palavra positiva" a esses dependentes químicos, eles nem se lembrarão mais. (Principalmente se levar em consideração que o crack destrói neurônios e em poucos anos um indivíduo inteligente passa a ser uma "porta", mentalmente falando).
     O segundo problema é que o ser humano não é só espírito. Ele tem corpo também, de forma que quando se fala: "estou lutando por almas", você deve estar lutando por espírito + corpo. Ou seja, pregar o Evangelho com palavras (sem contar que Evangelho não é só o que Jesus pode fazer em mim, mas também O QUE ELE FEZ POR MIM NA CRUZ) é tão importante quando ajudar nas carências de uma pessoa. Se você acha que apenas o espírito é importante (o corpo físico não), recomendo lidar não com pessoas, mas com fantasmas (eles seriam "espíritos desencarnados". Rsrs).
     Uma bela frase atribuída a S. Francisco de Assis diz: "Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.” As palavras seriam a última coisa no processo, na minha opinião.
     É fácil dizer que não precisa matar a fome do morador de rua quando temos a nossa geladeira cheia; é fácil dizer que o desabrigado precisa é de amparo espiritual quando temos um teto e um cobertor para nos protegerem da chuva e do frio; é fácil dizer que dependentes químicos são "safados" quando nosso filho ou nosso pai não é um deles; é fácil dizer que "estão plantando o que colheram" quando não dizemos o mesmo em nossos momentos de crise financeira (pois gastamos mal) ou de doença (lembra dos churrascos, das gorduras, da falta de fibras e do sedentarismo seu?). Não feche os olhos para a realidade! Vida em abundância inclui o corpo, de forma que a manifestação do Reino de Deus parte da noção de que quem faz parte desse reino faz o possível para que o seu próximo tenha uma vida digna.
     Sozinhos não resolveremos os problemas do mundo; sozinho eu posso pouco, mas meu pouco somado ao seu pouco será muito.
     Se creio em libertação divina? Claro que sim, mas isso não virá devido à repetição exaustiva de "chavões" e de "clichês". O Evangelho ensina muito mais do que vestir um terno, pegar uma bíblia e sair gritando em ruas e ônibus que "Jesus salva, cura, liberta, batiza e leva para o céu". Palavras sem vivência serão mero discurso vazio. E mais: pode virar hipocrisia. Lembre-se do final do capítulo 25 de Mateus... Lembre-se da parábola do bom samaritano... Jesus ensinou a cuidar das necessidades do corpo, afinal, ESPÍRITO-ALMA-CORPO são tão indissociáveis quanto PAI-FILHO-ESPÍRITO SANTO.
     Talvez alguém dirá: "Mas essa palavra dada por esses irmãos podem ter sido como uma semente no coração desses dependentes químicos". Mas aí temos que pensar: uma semente boa tem que ter conteúdo para germinar, não adianta ser apenas uma mensagem quase de auto ajuda, dizendo que Jesus liberta e pedindo para a pessoa repetir, como se um exercício mental mudasse algo. Até mesmo as "sementes" acredito que germinariam mais fácil se fossem semeadas na consciência e não apenas na emoção dessas pessoas, pedindo para repetirem frases feitas. Na minha opinião, se eles sentassem com esses moradores da cracolândia, ouvissem, tentassem entender o porque de entrarem no vício (quantas vezes ouvi pacientes falarem que o que mais queriam é que simplesmente alguém os ouvissem), falarem da família deles que estão sofrendo, explicar quem é Jesus, o que o homem significa sem Jesus (a consequência do pecado, do afastamento de Deus), o que Jesus fez, o que significa isso para nós... Se não for assim vira uma relação de interesse: "vou servir a Jesus pra ele me libertar, pra restaurar minha família..." Isso é barganha e não, Evangelho.
     Vamos olhar para Jesus que é a revelação perfeita da vontade de Deus:
Jesus curava quando estava diante de um doente, alimentava quando diante de famintos, criticava quando diante de fariseus hipócritas e acolhia quando diante de rejeitados. A questão é: o que essas pessoas estavam precisando naquele momento. Acho que o melhor seria pensar: Jesus passando ali agora, o que faria? Será que faria um discurso como fizeram ou atuaria de alguma forma no problema real deles naquele momento? Não tenho dúvidas que não seria discurso e sim, uma ação efetiva para tirá-los daquela vida (não foi a toa que citou o bom samaritano). Cristo é nosso modelo, nosso espelho...

     Repito: não estou condenando essas pessoas que foram à cracolândia, afinal pode ser que junto a isso ofereceram ajuda concreta a eles, como abrigos, comida, auxílio profissional visando abandonarem o crack. Apenas usei as imagens do vídeo para fazermos uma reflexão. A questão, o problema, não é a coragem desses religiosos e nem a motivação e sim, A FORMA de realização. É como chegar a um homem faminto e ao invés de pão, oferecer uma bíblia. Poxa, naquele momento ele precisa de pão, não de bíblia. De barriga vazia ninguém vai querer ouvir nada. A mesma coisa é com eles, que naquele momento deveriam sequer saber onde estavam, pois o crack é consumido em intervalo de minutos.

     Concorde ou discorde à vontade, mas por favor, não use os argumentos "Você faz melhor?" ou "Quantas almas já ganhou?", pois além de já sermos adultos para refletirmos com profundidade, o que cada um faz, salvo em casos excepcionais, deve ser em secreto (Mateus 6).

Autor: Wesley de Sousa Câmara

"Palmadas" na educação dos filhos?


     O que aprendemos, considerando todo o contexto bíblico e do Evangelho é a educar nossos filhos, ensinando o caminho em que devem andar. O método que vamos usar, depende de cada caso. Salomão tinha seu método, outros pais tem outros. Não podemos ler o livro de Provérbios para nos ater ao meio (método), sendo que Salomão (em uma cultura e contexto específicos), focava na finalidade.
     Cada pai e cada mãe deve identificar a que seus filhos melhor respondem e assim educá-los. A "vara" citada por Salomão muitas vezes significa "correção/punição" e não necessariamente um galho de árvore. E mesmo quando tem esse sentido, o foco não é a vara em si, e sim, o efeito que ela produziria. Repare que a vara é sempre citada por ele para mostrar o resultado que ela deve gerar. Alguns pais dão palmadas e a criança não só não melhora, como piora. E aí, resolve? Não é a vara (ou mãos, chinelos, cintos...) em si que educa e sim, punição acompanhada de conscientização.
     A punição aplicada ao filho é como a Lei; a conscientização é como o Evangelho. A lei mostra ao indivíduo o quão errado é; o Evangelho perdoa, acolhe e ensina por consciência o indivíduo a viver em amor. Ser bom pai e boa mãe, na minha modesta opinião, inclui entender os filhos e aplicar a melhor forma de correção e de disciplina (a que gera frutos bons, resultados positivos), que sempre deve ser movida por amor; jamais por ira.
     Não sou contra um pai que tem pleno autocontrole e dá um tapinha no bumbum da criança só para mostrar a ela que não deve fazer aquilo, porém como poucos tem esse controle (e como todos acham que tem, até mesmo aqueles que quebram costelas das crianças), se for para "padronizar" (o que acredito ser impossível), que seja proibindo qualquer tipo de violência física (como esta "lei da palmada" ou "lei menino Bernardo"), afinal, quantos chamam de "palmadinha" o que para mim e para você é nítido espancamento, certo? Além do fato de haver uma linha muito tênue entre uma palmada e uma surra.
     E a quem acha que não posso opinar por não ter filhos (sim, para quem não me conhece, saiba que não tenho, pelo menos ainda), pergunto:
     "Por que você tem opinião formada sobre o ateísmo se não é ateu? Por que tem opinião sobre a homossexualidade se não é gay? Por que tem opinião sobre a política se não é político? Por que tem opinião sobre religiões e ensinos religiosos se não pertence a elas?" Ah, por favor, pare com a hipocrisia e com a imparcialidade! "Empatia" é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e esse "outro" inclui a criança que leva uma chicotada dos pais e fica 1 mês com marcas roxas pelo corpo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

“Fazer voto” é coerente com o Evangelho?


     Se eu perguntar quem já fez ou conhece uma pessoa que tenha feito algum voto a Deus, tenho a convicção de que dificilmente alguém não se manifestará afirmando que sim. Isso porque a realização de “votos” e de “promessas” é algo apoiado pela maioria dos segmentos religiosos “cristãos”. Então só nos resta analisar se esse tipo de ação é ou não coerente com o Evangelho. Vamos lá:
     Em primeiro lugar, precisamos definir o que é “voto”. Mas antes, devo alertar que não se pode confundir “voto” com “jejum”, pois muitas pessoas fazem um jejum de alimentos a fim de que Deus se compadeça e conceda a elas o que estão pedindo, ou seja, no voto a pessoa “recebe para depois pagar” e no jejum é o inverso (mas o jejum é discutido neste texto – clique aqui para ler). Pois bem, voltando ao assunto, neste contexto, voto é uma promessa feita por uma pessoa, dizendo que realizará algo “para Deus” caso ela tenha um determinado sonho ou objetivo alcançado. Em outras palavras, e usando um português bem claro, é uma tentativa de “barganhar com Deus” (embora os defensores dos votos rejeitem essa expressão), em que a pessoa faz um juramento, se comprometendo a fazer um sacrifício em troca de um benefício divino. Mas o que a pessoa promete? Ah, isso é muito variável. Encontramos promessas de dar dinheiro a uma instituição de caridade, de ofertar em uma denominação ou de ajudar uma família carente (poderíamos chamar esses atos de “sacrifícios financeiros”). Há ainda os que se comprometem em acordar todo dia de madrugada para orar, a ler a bíblia diariamente ou a sair pregando pelo mundo (poderíamos chamar esses de “sacrifícios espirituais”). Porém há outros tipos de compromissos bem mais espantosos, em que a pessoa faz um sacrifício físico, como: subir uma escada de joelhos, ir a algum local considerado “sagrado”, ficar sem se depilar por anos (no caso de mulheres) ou não cortar a barba e/ou cabelos por longo período (no caso dos homens). Enfim, as variações são muitas, assim como são diversas as motivações para os votos (adquirir casa própria, carro novo, emprego bom, ter filhos, receber uma cura, ver um familiar largar as drogas...). Mas para não me estender nas palavras, serei mais direto e convido você para refletirmos em alguns argumentos usados pelos que defendem a validade dos votos e depois chegarei a uma conclusão e você julgue se é ou não coerente:

- "Jefté, Jacó e Ana realizaram votos a Deus, logo, podemos (e alguns dizem que devemos) seguir esses exemplos."
     Quem não se lembra de Jefté, leia Juízes 11. Era um juiz que conduziu os israelitas na vitória sobre os inimigos (filhos de Amom). Porém, a questão é que ele havia feito um voto de oferecer em holocausto a Deus o que surgisse primeiro diante dele quando regressasse da batalha. O problema é que quem regressou foi sua filha e ele cumpriu o voto (não farei aqui uma discussão se ele sacrificou a vida dela ou se apenas a separou para servir a Deus, como algumas pessoas sugerem). O que vem ao caso neste momento é que ele fez um voto.
     No caso de Jacó é o seguinte: Em Gênesis 28:20-22 lemos que ele prometeu (fez voto de) pagar o dízimo de tudo que ele conquistasse, caso Deus o protegesse e o abençoasse em sua jornada. Porém, a bíblia não diz que Jacó pagou o dízimo (até porque, pagaria a quem, se não havia ordenanças sobre quem teria permissão para receber?). Podemos considerar que foi uma profecia, pois essa promessa (voto) foi cumprida posteriormente, pelo povo de Israel, que deveria pagar os dízimos. De qualquer forma, ele também realizou um voto.
     Ana (I Samuel 1) é um exemplo semelhante. Por não poder ter filhos, fez um voto a Deus: caso ela tivesse um filho, ele seria dedicado ao Senhor e seus cabelos e barba não seriam cortados.
     Há inúmeros outros exemplos menos específicos (como nos livro dos Salmos) em que a realização de votos é citada, afinal, fazia parte da tradição religiosa judaica. Mas o que podemos dizer desses casos?

     Em primeiro lugar, foram manifestações individuais e exclusivamente humanas. Deus não instruiu nenhum deles a votar, nem condicionou suas conquistas a esses votos que fizeram. Eles decidiram por si mesmos e conseguiram o que almejaram, assim como muitos outros conquistaram sem nunca terem feito votos. No caso de Jacó, leia Gênesis 28 todo e verá que Deus já havia prometido a ele que sua descendência teria a terra em que estava, que esses descendentes seriam muito numerosos e que se expandiriam pela Terra. Além disso, Jacó recebera a promessa de que seria guardado por onde passasse, de que seria conduzido por Deus de volta àquela terra e de que não seria deixado enquanto todas as promessas não fossem cumpridas na vida dele. Ou seja, o voto de Jacó, não importa o que fosse, não teria poder algum para mudar o que Deus já havia prometido.
     Em segundo lugar, observamos pelas escrituras que a relação de Deus com Israel era muito baseada na lógica: “as pessoas cumprem obrigações e EM TROCA Deus concede benefícios”. Porém, esse tipo de relação, por méritos, findou quando a Cruz nos foi revelada, em Cristo. A partir de então, a nossa relação com Deus não depende dos nossos méritos ou atos e sim, do que Cristo fez por nós na Cruz e tudo o que recebemos é sem merecer, é dádiva de Deus, por Graça. Portanto, esses exemplos no contexto israelita não servem para nós, que somos a Igreja de Deus.

- "Eclesiastes 5 ensina que quando fizermos um voto, devemos cumpri-lo."
     A pergunta a se fazer aqui é: Tudo o que está escrito nesse livro, nesse capítulo e nesse contexto é aplicável a todos os homens em todas as épocas? Ou seria algo no contexto de Israel, da Antiga Aliança, como já dito anteriormente (relação do homem com Deus na base de “obrigações e benefícios”? Para deixar como reflexão, cito o versículo 1, em que fala de "santuário de Deus" como sendo um espaço geográfico (mas sabemos que após Cristo, nós somos o Santuário, o Templo dEle  (I Coríntios 6:19/Hebreus 8:2/Hebreus 9), pois Ele não habita em santuários feitos por mãos humanas (Atos 7:48-50). Além disso, o texto cita o "oferecer sacrifício", que sabemos que não se aplica a nós, pois o sacrifício definitivo (Jesus) já foi oferecido na Cruz (Hebreus 10:12). Portanto, o que devemos fazer é submeter cada ensino do livro ao contexto da revelação plena de Deus em Cristo (que, conforme João 1, é Ele a Palavra de Deus encarnada) e assim, concluir: é ou não coerente com Jesus? (E portanto, é ou não aplicável a nós?) Aqui é claro: se votos não fazem parte do Evangelho (como começamos a ver e continuaremos no decorrer do texto), então não é um ensino para aplicarmos em nossa vida. Essa é a “radicalidade” de sermos discípulos não de um livro ou de um autor e sim, da própria Palavra de Deus que se revelou plenamente em Cristo. Nós não somos discípulos de Abraão, de Jacó, de Jefté, de Ana ou de Davi; somos discípulos de Jesus. O que esses grandes homens fizeram, dentro do contexto do judaísmo, deve ser visto por nós como um exemplo, mas não significa que devamos agir sempre como agiram. Após a revelação plena em Cristo, muita coisa ficou para trás como “sombra” e “simbolização”, como ensina Paulo e o escritor da carta aos hebreus (Colossenses 2:17; Hebreus 10:1).

- "Paulo fez e cumpriu um voto e como está no Novo Testamento (Atos 18 e Atos 21), valida os votos em nossa vida."
     Esse é um ponto que gera muita confusão. Primeiramente não podemos dizer que Paulo tinha o hábito de realizar votos, pelo menos não após a sua conversão ao Evangelho. Em Atos 18:18 lemos que ele havia cortado os cabelos em Cencreia por causa de uma promessa. Talvez esse relato esteja relacionado a Atos 21:23-27 (mas não quero entrar em detalhes sobre isso aqui, pois é insignificante diante do contexto), em que Paulo se submete ao rito de um voto, juntamente com outros judeus. Qual o motivo? Vários anciãos judaicos aconselharam Paulo a se submeter ao rito para que os judeus que o acusaram de ser uma pessoa que batia de frente com a lei de Moisés e que dizia aos judeus para abandonarem essas tradições judaicas, parassem com as acusações e vissem que Paulo não estava contra eles, embora estivesse levando o Evangelho a todos. O que Paulo fez? Cedeu, fez uma concessão à circunstância, sendo essa ocasião um exemplo do que ele dizia: “Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da lei , a fim de ganhar os que estão debaixo da lei.” – I Coríntios 9:20).
     Repare ainda que ele apenas fez essa concessão (para ganhar os “fracos na fé”) por ser nada mais do que um rito, dentro do costume judaico, que embora não fizesse mais nenhum sentido após Jesus Cristo, os judeus se escandalizavam, e os recém convertidos ainda não tinham plena consciência disso. Portanto, como era apenas um rito de “consagração”, ele aceitou (embora acredito que tenha sido difícil para ele aceitar tal “regresso”). Mas não tenho dúvidas de que se o rito fosse uma clara barganha, em troca de “uma bênção”, ele prontamente rejeitaria. Porém digamos que essa atitude de Paulo, mesmo com essa sincera intenção, seja entendida por alguns como errada, o que diremos? Simples! O livro de Atos registra o início da história da Igreja, as ações dos apóstolos, que vez ou outra corrigiam uns aos outros. Por serem seres humanos como nós, dispostos a viverem a vontade de Deus, porém carregando o peso da imperfeição humana, estavam sujeitos a falhas como qualquer um e o livro de Atos registra essa história toda. Em outras palavras: se Paulo não deveria ter se submetido a isso, poderíamos dizer que foi um equívoco dele (assim como o apóstolo Pedro errou e foi repreendido pelo próprio Paulo). O livro de Atos nos mostra a atuação de um Deus perfeito dentro de uma comunidade imperfeita (ao contrário do que muitos acham, de forma idolátrica, que é um modelo a ser seguido por todos os cristãos, em todas as épocas e contextos). Se houver algo no livro que se choca com o ensino do Evangelho, é claro que foi um equívoco de pessoas sinceras, tementes a Deus e que estavam trabalhando arduamente para pregar a Boa Nova da Cruz.

- "Eu fiz um voto e recebi. Contra fatos não há argumentos."
     Tudo bem. Você fez um voto e recebeu, porém já parou para pensar que muitas pessoas não fizeram voto algum e também receberam o que pediram a Deus? Você recebeu por causa da Graça (favor IMERECIDO) de Deus, que atua sobre todos, de justos a injustos (Mateus 5:45). É como um torcedor que antes do jogo do seu time coloca uma camisa do clube, dizendo que isso fará com que o time vença. Então o jogo termina, o time realmente vence, e ele acha que só venceu pelo fato dele ter usado a camisa. Pura superstição e o raciocínio é o mesmo na questão dos votos. Da mesma forma que o time dele venceu por méritos de outros (jogadores), o que uma pessoa recebe de Deus não depende dos méritos (ações) desse indivíduo e sim, dos “méritos” de Cristo, da Cruz, que traz a Graça a todos os homens.

Talvez você diga:
“Eu entendi que não faz sentido algum fazer um voto, mas como já fiz no passado, não posso deixar de cumpri-lo.”
     Veja bem, leitor (a). Se você pensa assim é porque ainda não entendeu o significado do Evangelho. A Cruz de Cristo nos revela exatamente que não há barganhas a fazer com Deus, pois nossa relação com Deus não depende de nós e sim, dEle. Se após entendermos o Evangelho fica absurdo essa realização de votos a fim de conquistar algo, o que sugiro é que ore a Deus, peça perdão pela sua ignorância ao achar que essa sua “promessa” estava fundamentada na Palavra de Deus e pela sua ingênua prepotência de achar que você é capaz de mover as mãos de Deus em seu favor. E creia que você já está perdoado. Sim, pois o sangue de Cristo foi para perdoar-nos do que somos e do que fazemos, inclusive dos nossos tolos votos. Entenda que o seu voto foi apenas um ato de alguém que estava na ignorância em relação ao significado da Cruz. Foi um ato apenas humano, ingênuo e jamais Deus cobraria de você algo que Ele jamais exigiu. Você não tem que cumprir um voto por achar que estará sendo fiel a Deus. Caso o seu voto tenha sido para realizar um bem a alguém, procure continuar fazendo conforme sua possibilidade, mas não como forma de continuar “pagando o voto” e sim, por amor a essa pessoa, afinal, ajudar o nosso próximo é um ensino de Jesus. Entendeu a diferença? Agora se o voto foi absurdo, digo com todo amor e temor: esqueça-o! Essa mentalidade é “pagã” e nada coerente com Jesus. Creia que tudo foi feito e consumado na Cruz e viva em paz, confiando no que Cristo fez por você, sendo diariamente constrangido em amor a fim de viver respondendo a esse amor com amor e assim, procurando viver a vontade de Deus. E jamais associe qualquer adversidade (que todos passamos em alguns momentos da vida) ao não cumprimento de um voto. Até porque um “deus” que castiga um ser humano por um voto que Ele mesmo, em Cristo, ensinou a não fazer (veremos logo abaixo), não é Deus e sim, um ser imaginário,criado por homens, por segmentos religiosos que querem controlar as pessoas pelo medo e pela culpa. É só você comparar esse “deus que castiga os não cumpridores de votos” com Jesus. Lembra quando Tiago e João (Lucas 9) perguntaram a Jesus se deveriam pedir que caísse fogo do céu para castigar o povo? A resposta foi: “Vocês não sabem de que espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los". Esse “deus” que castiga quem promete algo que Ele mesmo nem ensina a prometer se parece em algo com Jesus? Claro que não. Então esse ser não é Deus, pois a revelação plena de Deus aos homens é Cristo (Colossenses 2:9). O problema é que uma pessoa que não tem um “juízo” bom, irá se complicar na vida e como desculpa, associará as consequências ao não cumprimento de um voto. Outras, ficarão com medo do que pode acontecer por não terem cumprido a promessa e esse medo gerará nelas omissão ou precipitação em suas ações, com boa possibilidade de consequências danosas. Há ainda um grande número de indivíduos que viverão culpados pelo não cumprimento dos votos e assim, essa culpa será a maior adversária em suas vidas, sendo uma auto-flagelação e auto-condenação e, vivendo assim, dificilmente algo dará certo realmente a essas pessoas. E por fim, há aqueles que esperarão as coisas “caírem do céu”. Não lutarão pelo que querem, pois como fizeram um voto, agora “a responsabilidade é de Deus”. E aí já sabe o que essa omissão gerará, né? Na melhor das hipóteses, nada! Porém veja que as consequências ruins são sempre associadas ao próprio indivíduo e não, a um castigo divino.

     O ensino do Evangelho é claro: Em Mateus 5 Jesus ensina a nunca jurar e diz que nossa palavra tem que ser sempre verdadeira, sincera, sendo o nosso “sim”, sim; sendo o nosso “não”, não! E o que é um voto senão um juramento para realizar (ou deixar de realizar) algo? Em Mateus 6:25-34 Ele instrui a não andarmos ansiosos com coisa alguma, nem com o amanhã. E voto é a manifestação de uma ansiedade excessiva, a ponto do ser humano abrir mão de algo (oferecer um sacrifício) em troca da realização de um desejo ou necessidade.      
     Precisamos entender ainda que Deus não é obrigado a dar nada a ninguém, afinal, Deus é Ele e não, nós. Ele só concederá algo a nós, caso seja segundo a Sua vontade:

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (I João 5:14)

     Repare que o pedido não é “fortalecido” com um voto e sua realização dependerá se é ou não de acordo com a vontade de Deus.  Não há nada que possamos fazer para merecer algo e se fôssemos receber por merecimento, apenas receberíamos condenação, pois o "melhor" de nós é mau, é pecador e um nada perante Deus. Seja voto, campanha, corrente ou um sacrifício (seja em forma de jejum, de dinheiro dado a alguma instituição, de promessas...), isso tudo é uma tentativa de "pagar propina ao divino", tentando comprar uma bênção. Mas na graça, tudo é de graça, sem merecimento. Se desejamos algo, devemos orar a Deus e pedir: "Pai, se for da tua vontade, faça tal coisa". Até mesmo Jesus quando estava prestes a ser morto, não exigiu nada. Apenas clamou: "Pai, se possível, passa de mim este cálice, porém seja feita a Tua vontade e não, a minha" (Lucas 22:42). Porém, achar que Deus fica “constrangido” quando pedimos algo, oferecendo alguma coisa (seja voto ou “jejum interesseiro”) não tem nenhum fundamento em Jesus, nem nos apóstolos.
     Votos e promessas a Deus são distorções conscientes do Evangelho ou, quando são feitos com sinceridade, além de não fazerem sentido algum, apenas atestam a ignorância do indivíduo em relação ao significado da Cruz. Não há mais sacrifícios possíveis ou preços a serem pagos, pois o sacrifício permanente (Cristo) já foi oferecido por mim e por você. E é por esse sacrifício que recebo tudo o que Deus, por Graça, decide me conceder. Está consumado! Creia, pois esse é o anúncio do Evangelho! Aprenda com seus erros, creia na mensagem de Jesus, receba o perdão de Deus, que é a salvação da sua alma, e viva pacificado. Dessa forma, sem culpa, sem medo e sem tentar barganhar com Deus, verá o que é usufruir da “vida em abundância” prometida a quem se entrega à conversão ao Evangelho. Orar e pedir, sim; fazer votos, jamais!

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Fuja das pregações extremistas


     A meu ver, há dois polos de mensagens pregadas atualmente (e obviamente existe uma graduação das que estão entre esses extremos). No primeiro grupo estão aquelas que não tem nenhum compromisso com o anúncio do Evangelho (que é boa nova, que é salvação), nem com a formação de consciência nos ouvintes, de forma que possa surgir arrependimento por constrangimento em amor. Se isso acontecesse, as pessoas seriam levadas a viverem não mais para elas, mas para Deus, como indivíduos habitados pelo Espírito Santo, que é quem nos guia. O que é pregado por mensageiros desse grupo é apenas o que satisfaz o nosso Ego, ensinando-nos a declarar e decretar bênçãos, dizendo para profetizarmos que a vitória chegará nesta semana e dizendo que a fé é um instrumento poderoso para CONQUISTARMOS o que desejamos, ao invés de pregarem que a fé é principalmente para SERMOS como Cristo. Quando tentamos imaginar esse "deus", pensamos em um ser capitalista ao extremo, um "deus" empresário ou quem sabe um "banqueiro" que em troco de sacrifícios financeiros, realiza qualquer desejo.

     No outro extremo há aquelas mensagens que tem um aparente zelo pelo Evangelho, pois são recheadas de palavras duras e de citações de alguns textos de Paulo. Há um foco na negação da "carne", no confronto contra condutas consideradas pela tradição religiosa (independentemente de qual seja) como pecaminosas e muito se fala, de forma ameaçadora e aterrorizante, de condenação aos que não dão ouvidos, além de convocarem a um suposto "arrependimento" para que a pessoa seja salva. Se tentarmos imaginar Deus aqui, logo virá à mente um "deus" melindroso, revoltado, narcisista, irado com todos que não o glorificam, com um chicote na mão e desejoso para derramar sua ira condenatória ao maior número de pessoas. Porém, esse outro extremo também não parece mostrar de forma satisfatória o Deus revelado em Cristo, que ao mesmo tempo em que é justiça, é amor. Esse sim é Deus: Aquele que não tolera o pecado, mas que ao invés de destilar seu poder condenatório, oferece a si mesmo como forma de satisfazer sua justiça, demonstrando o maior ato de amor que poderia ocorrer. Voltando ao tipo de mensagem do início do parágrafo, não vejo muita semelhança com os ensinos dos evangelhos e das cartas apostólicas, que sempre nos chamam ao equilíbrio e à moderação, sem extremismos. Não se parecem com o conceito de Evangelho, que é BOA NOTÍCIA (salvação) e não, ameaça de condenação.
     Não estou dizendo que todos são/serão salvos (não sou universalista), mas estou dizendo que CONDENAÇÃO NÃO FAZ PARTE DO EVANGELHO. "Condenação" nada mais é do que a rejeição (cuja avaliação do que seja essa rejeição foge a critérios humanos, pois Jesus mesmo ensinou a não tentarmos dizer quem é joio e quem é trigo) do bem do Evangelho no mais profundo da alma. O que esses pregadores chamam de "mensagens que confrontam o pecado e que geram arrependimento" na verdade, ou melhor, no meu entendimento (por eu ser humano, sou relativo e jamais eu classificaria meu entendimento como verdade absoluta, pois isso seria fundamentalismo) são mensagens que geram nas pessoas uma culpa por pecar, um medo de ser condenado e uma tentativa de mortificar a carne "à força" (e força humana), gerando aparente sensação no indivíduo que ele é um eleito por viver nessa luta diária e nesse "temor a Deus" (que se parece mais com um "medo de Deus"). Além disso, muitas vezes gera nessas pessoas uma prepotência e uma arrogância de, por serem os eleitos/predestinados, afirmarem que sua visão teológica é perfeita e assim, rotular de forma pejorativa todos que discordam de suas tradições. Em outras palavras: gera fundamentalistas, ficando a meio passo do fanatismo religioso.

     Mas o que quero mesmo fazer é convidar a todos para que reflitam não apenas na coerência do que acreditam, mas também para que analisem quais frutos essas crenças que possuem estão gerando. Se não geram amor pelas pessoas, humildade, quebrantamento sincero, desejo de levar o Evangelho a quem o cerca para que esses indivíduos conheçam o bem que você experimenta, sua crença não pode ser a mensagem da Cruz. Então, que tal abandonarmos os extremos, as mensagens que agradam apenas o ego, o fanatismo, o fundamentalismo teológico e vivermos única e exclusivamente no chamado do Evangelho, que é pregar e viver a Boa nova (boa notícia), a saber:

1 - Deus entregou a Si mesmo para que o homem fosse reconciliado, perdoado, salvo e santificado nEle, por Ele e para Ele.

2 - Deus cumpriu Sua Justiça com amor na Cruz, levando sobre Si os nossos pecados, de forma que não fôssemos condenados por esse afastamento de Deus, mas salvos, sem que isso pudesse ser considerado impunidade. Isso é, na verdade, perdão. Assumir o dano para que o outro não seja punido, mesmo merecendo, é o perdão no contexto da Graça.

3 - Deus se fez carne em Cristo para revelar ao homem essa obra divina de pura graça e amor, sem transgredir Sua justiça, ocorrida na eternidade.

4 - Já estamos salvos em Cristo e cabe a nós crermos nessa obra consumada na Cruz, o que gerará em nós um arrependimento, para que possamos gozar a salvação plena e, ao mesmo tempo, continuarmos sendo transformados a cada dia, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo. Essa é a consequência do perdão de Deus, da salvação nos dada por Graça, cujo efeito continua ocorrendo dia após dia em nós. Está consumado, lembra? Então creia, seja pacificado, viva com essa consciência e assim poderá dizer: "Tenho a vida eterna e gozo a desde já a vida em abundância,que alcançará a sua plenitude na Glória, com Deus”.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Breve reflexão sobre a Páscoa


     Não pretendo aqui fazer uma análise ou uma revisão histórica sobre a Páscoa e sim, uma pequena reflexão sobre o seu atual significado. O que é a Páscoa? O que representa para nós? Devemos celebrá-la? E como?
     Há pelo menos 3 grandes grupos de pessoas, que encaram de forma diferente essa ocasião. Os judeus celebram a “Páscoa judaica”; alguns cristãos celebram a “Páscoa cristã” e outros cristãos (assim como outras religiões e demais indivíduos) não associam a ela nenhum significado espiritual. Sendo assim, vejamos brevemente essas diferenças:
PÁSCOA JUDAICA:
   A Páscoa é uma festa originalmente judaica, cujo nome significa “passar por cima”. É assim chamada devido a um acontecimento logo antes da última das 10 pragas do Egito. Moisés ordenara que seu povo sacrificasse um cordeiro (“Cordeiro Pascal”) e passasse o sangue dele em locais próximos às portas de suas casas. Assim, um anjo viria para matar os primogênitos de cada lar, mas onde houvesse sangue, ele não entraria (“passaria por cima”). Uma vez realizado, todas as casas com esse sinal foram poupadas e os moradores comeram tranquilamente o cordeiro. Em seguida, o povo hebreu foi liberto da escravidão no Egito. A partir daí, foi instituída a Festa da Páscoa, celebrada anualmente pelos judeus, em que um cordeiro era sacrificado e comido por eles.

PÁSCOA CRISTÃ:
    Jesus, que era judeu, morreu justamente nos dias de celebração da Páscoa judaica. Embora haja algumas discordâncias quanto a datas, predomina a visão de que Jesus tenha morrido na sexta feira (que é conhecida atualmente como “sexta feira da Paixão/ Santa”) e ressuscitado no domingo.  Sendo assim, o cristianismo também adotou essa celebração, porém com um significado diferente: a ressurreição de Jesus Cristo, que é o cordeiro que foi sacrificado, para tirar o pecado do mundo.
   Já a abstinência sexual, de carne vermelha, o jejum e a quarentena foram criados pela Igreja Católica Apostólica Romana. Os protestantes não seguem essas tradições e alguns de seus segmentos realizam neste período a Santa Ceia, que representaria o sacrifício de Cristo.

SEM SIGNIFICADO ESPIRITUAL:
   Parte dos cristãos, indivíduos de outras religiões e ateus, por exemplo, não comemoram esta data ou, quando a celebram, encaram-na apenas como uma festa popular, que se tornou uma tradição já incorporada em várias culturas. Neste caso, ao invés de cordeiro, tem-se um coelhinho; ao invés de sangue, tem-se chocolate. O coelho e os ovos seriam (no sentido original) a representação da fertilidade (que teria relação com ressurreição/renascimento).

   Sabemos que toda a Escritura testifica de Jesus, ou seja, é dEle que ela fala o tempo todo. No Velho Testamento temos muitas simbolizações (arquétipos) do Evangelho. O cordeiro sacrificado para que os primogênitos tivessem vida representava Jesus, que foi sacrificado para que eu e você pudéssemos ter a vida eterna. O Cordeiro foi imolado antes da criação do mundo, ou seja, é sempre o sacrifício de Cristo que é simbolizado na bíblia. Sendo assim, após a consumação histórica do sacrifício (crucificação, há pouco mais de 2000 anos), toda essa simbolização se torna “infantil”, pequena e até sem significado. Em Cristo, todas as representações foram realizadas, logo, voltar às simbolizações quando se tem a plenitude de todas as coisas é cometer um erro que Paulo sempre alertou (voltar aos rudimentos fracos antigos).
   A Páscoa deve estar viva em nós, mas não como uma data e sim, todos os dias. Quando a temos em nosso coração, aceitamos que a nossa vida de pecado, que nos condenava, morreu na Cruz com Cristo. Porém, essa morte foi para que tivéssemos vida, pois Ele derramou seu sangue para que nós fôssemos perdoados e reconciliados. Se você crê, quando Deus olha para você, ao invés de um mero pecador, Ele vê apenas sangue do Cordeiro na porta do seu coração.

     Portanto, vemos que a comemoração da Páscoa é para os judeus. Os cristãos não precisam comemorar tal festa (não existe mandamento para isso), porém se quisermos celebrar a ressurreição de Cristo nesta data, nada impede, desde que não seja apenas uma ocasião e sim, uma consciência contínua de que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, para que nossos pecados não fossem imputados sobre nós e com isso, fôssemos reconciliados com o Pai. Dessa forma, celebraremos a ressurreição vivendo o Evangelho, ou seja, vivendo na simplicidade de Cristo e cumprindo os seus ensinamentos. A oficialização desta comemoração no meio cristão está relacionada mais ao sincretismo religioso, iniciado por Constantino e outros líderes, no início do cristianismo (catolicismo), e consolidado no século XVI.
     Quanto aos ovos de chocolate, depende da escolha de cada um. Alguns alegarão que, por ter origem pagã, esses símbolos devem ser prontamente rejeitados. Porém, se formos abominar tudo o que tem origem pagã, precisaremos abandonar quase tudo que adotamos. Exemplos: os templos religiosos (provável origem suméria), as alianças de casamento (origem hindu ou egípcia), as maquiagens (origem no Egito Antigo)... Temos que ser honestos e imparciais, correto? A questão não é a origem e sim, o significado que atribuímos a cada coisa. Se o coelho e os ovos tiverem um significado para nós, estaremos com um espírito pagão, mas se não tiverem, serão apenas mais uns “objetos”. O apóstolo Paulo nos ensinou que se os ídolos nada são, porque nos preocuparíamos com eles? (I Coríntios 8). A única preocupação deveria ser “não escandalizar os irmãozinhos novos na fé”, que ainda não adquiriram a mente de Cristo, ou seja, que não entenderam ainda que o contaminante do homem é o que procede do coração (de dentro) e não, algo que venha de fora. 
     Sinceramente, acho um desperdício de dinheiro com esses produtos. Se observar bem, verá que 0,5 Kg de chocolate em formato de “ovo de páscoa” terá um preço muito superior à mesma quantidade em forma de barra. É nítido que empresas apenas agregaram valor e aproveitaram a data para ganhar dinheiro. Em toda data festiva é assim. Tudo virou comércio. Como se tornou uma tradição presentear alguém com esses ovos, o preço é altíssimo. Se ninguém comprasse, esse abuso não ocorreria, mas cada um escolhe com o que vai gastar o seu dinheiro. Não há nada de errado em comer um ovo, desde que saiba que isso não tem nenhum significado, além de uma tradição. Mas quer um conselho? Celebre a ressurreição de Cristo realizando o que Ele ensinou, que não é ficar doido atrás de um chocolate, muito menos deixar de comer carne vermelha ou se abster de relações sexuais e sim, ajudar os necessitados. Essa é a melhor forma de celebrar a Páscoa, pois fazendo o bem ao seu próximo, estará fazendo a Deus, como ensina Mateus 25.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Jesus foi mesmo casado?


     Nos últimos dias passaram a circular reportagens e comentários em relação a um suposto fragmento de manuscrito antigo (encontrado em 2012) que diria que Jesus era casado. Não pretendo aqui "declarar guerra" contra essa descoberta e tampouco defendê-la. Apenas quero expor alguns argumentos, pois sinceramente, não vejo motivo algum para preocupação e seja esse “Evangelho da esposa de Jesus” falso ou verdadeiro, não mudará absolutamente em nada a minha fé. 
     As reportagens focam sempre nos mesmos pontos: o fragmento seria proveniente do Egito Antigo, e conteria a expressão “minha esposa...” e ainda “Ela poderá ser minha discípula...”. A possibilidade de essas expressões serem reais despertou a fúria em muitos religiosos, bem como a preocupação com o risco de muitos terem a fé abalada, visto que sempre foi consenso no cristianismo a defesa do fato de que Jesus era solteiro. Quando esse papiro foi descoberto, logo a igreja católica (assim como outros pesquisadores) declarou que se tratava apenas de mais uma entre tantas farsas. Estudiosos da Universidade de Harvard estudaram o documento e agora, em 2014, chegaram à conclusão (publicada na "Harvard Theological Review") que há evidências (após análises físicas e químicas) de ter sido escrito entre os séculos VI e IX, havendo ainda a possibilidade de ter sido produzido até mesmo no século II, ou seja, não seria uma falsificação moderna.
     Pois bem. Diante disso, surgem vários questionamentos e argumentações. Em primeiro lugar, devemos questionar: em que é estruturada nossa fé? Se ela for em Cristo, nosso fundamento e pedra angular, teremos consciência que ele é o eterno Cordeiro de Deus, que entrou na história há pouco mais de 2 mil anos, a fim de trazer a revelação plena da Cruz, de Deus aos homens. Portanto, nenhuma questão social, cultural, familiar ou moral interfere em nada na Cruz eterna e no sacrifício que ocorreu antes da fundação do mundo. Porém, caso nossa fé seja apenas uma crença baseada em tradições, em dogmas, meramente no livro (bíblia) ou em qualquer outra interpretação humana, corremos um sério risco de sermos abalados.
    
     Pessoalmente não acredito que seja verdadeira a informação de que Jesus era casado, pois há várias evidências que apontam para o fato dEle ser solteiro. Os principais argumentos que defendem que Jesus seria casado (além deste manuscrito encontrado recentemente) são:
- Maria Madalena viajava com Jesus e como viajar com homens não era comum na cultura judaica, supõe-se que ela era sua esposa. Porém, o texto base para tal afirmação é Lucas 8:1-3 e repare que três mulheres tem seus nomes citados, além de ser dito que existiam várias outras. De quem seriam esposas? Todas de Jesus com certeza não eram. Ou seja, essa suposição não tem fundamento sólido.
- Textos mostrariam uma relação diferente entre Jesus e Maria Madalena. Mas quais textos seriam? Alguns evangelhos considerados apócrifos e gnósticos (como os evangelhos de Filipe e de Maria Madalena), que serviram de base para o famoso livro “O Código da Vinci”. Neles é dito que Maria era companheira de alguém, provavelmente de Jesus, além do tão citado fato de que Jesus teria a beijado (porém não é dito em que local do corpo foi o beijo e nem o contexto em que teria sido dado). Esses textos são discutíveis primeiramente em termos de confiabilidade (fidelidade histórica) e mesmo se fossem 100% confiáveis, em momento algum afirmam que Jesus era casado.
- Um argumento que talvez nem merecesse ser mencionado, por tão infundado que é, está baseado em Lucas 7:36-50. Alguns argumentam que a mulher, que seria Maria Madalena, poderia ser esposa de Jesus e então, o ato da “consagração” realizada por ela não seria tão escandaloso. Porém, em primeiro lugar, essa mulher não deve ser confundida com a Maria de Lucas 8. Em segundo lugar, o próprio contexto do capítulo 7 diz que o ato foi considerado um escândalo e os judeus afirmavam que Jesus não  permitiria se soubesse quem ela era. Ou seja, como ele não conheceria sua própria esposa?
- Muitos alegam que Jesus, por ser um rabino judeu, deveria ser casado (tradição judaica). Aí surgem algumas questões. Jesus não era um rabino oficial. Quando é assim chamado, é no sentido de “mestre”, de “professor”, pois ele atuava muitas vezes como tal. Portanto, ele não tinha a obrigação de se casar. Além disso, muitos judeus optavam pelo celibato como sinal de devoção a Deus (como exemplo o que ocorria em Qumran - ou Comunidade dos Manuscritos do Mar Morto - um território judeu separatista, onde pessoas viviam juntas por motivos religiosos, sem se casarem).

     E quanto ao fato de Jesus ser solteiro, há muitas evidências? Primeiramente devemos ter em mente que exceto por este fragmento de manuscrito, nenhum outro (canônico ou apócrifo) indica que Jesus tinha esposa. Toda vez que a família de Jesus é citada, é uma clara referência a seus irmãos e à sua mãe. Também não há referência explícita ao fato de Jesus ser solteiro. O que temos a fazer então é analisar evidências e “colocar tudo em uma balança”, o que em minha opinião a faz pender para o NÃO casamento do Messias.
- Quando mulheres são citadas nos evangelhos, geralmente vem associada ao nome delas uma referência. Essa referência é sempre o nome de algum homem mais conhecido. (Ex: “Maria, mãe de Tiago”, “mãe dos filhos de Zebedeu”...). Porém, Maria Madalena não é citada relacionada com nenhum homem (se fosse esposa de Jesus seria fácil em algum momento essa referência surgir), assim como Jesus não é ligado ao nome de nenhuma outra mulher.
- Não há motivos para achar que no primeiro século (época em que os evangelhos foram escritos) haveria algum interesse dos apóstolos em esconder essa informação, caso fosse real.
- Em I Coríntios 9 Paulo cita o direito que ele e outros apóstolos tinham de levar com eles suas esposas. Seria uma oportunidade maravilhosa de fortalecer seu argumento, citando Jesus levando sua esposa em sua missão. Mas não fez, pois provavelmente isso não ocorreu. Aí você perguntará: “Se não citar Jesus como casado for evidência que não se casou, então no capítulo 7, como não citou Jesus como solteiro ao defender o ‘permanecer sem se casar’ é uma evidência que Jesus não era solteiro”. É um bom contra-argumento, mas não parece ser tão válido, pois no capítulo 7 é apenas um conselho de Paulo, que considerava útil manter-se solteiro. Citar aí o exemplo de Jesus seria desproporcional. Já no capítulo 9 ele defende o direito claro que todos teriam de levar suas esposas. É quase uma exigência, ao contrário do capítulo 7 em que é apenas uma sugestão e colocar o exemplo de Jesus nesse contexto seria como se estivesse dizendo que seria errado se casar. De qualquer forma, não acho que esse seja o principal ponto.
- Na crucificação seria o momento chave em que a esposa de Jesus deveria estar presente (além da última Páscoa, em que ela estaria certamente entre eles) e a principal oportunidade dos escritores dos evangelhos se referirem a ela, correto? Mas isso não aconteceu. Jesus mostrou preocupação com sua mãe, pedindo que João cuidasse dela, mas não citou uma suposta esposa.

     E para consolidar a minha opinião de que Ele era solteiro, cito Mateus 19:10-12, pois Jesus daria tal ensino se ele próprio não o seguisse? Ter que cuidar de uma família (mesmo que fosse apenas esposa) implicaria em um tempo que Ele não tinha. Sua jornada seria curta na Terra. Não havia tempo a "perder". Se Paulo ficou sem esposa (e até incentivou quem pudesse não se casar – I Coríntios 7), para Jesus seria ainda menos complicado, não acha? É até mais coerente, nesse trecho que citei, a interpretação de que Jesus não tenha se casado.
     Porém digamos que Ele tenha sido casado. Que problema teria? Choca-se com a tradição religiosa do celibato? Se choca, essa é uma questão que quem criou essa tradição deve responder. Outros alegam que Jesus, por não ter pecado, não poderia se envolver em relações sexuais, o que não faz sentido, pois o sexo em si não é nenhum pecado, tanto que em termos históricos ele precede o pecado (a ordem para crescer e multiplicar precede a origem do pecado, relatada como o "consumo do fruto proibido"). O que é pecado não é o sexo ou o casamento e sim, o mau uso e a perversão deles. Da mesma forma que Jesus teve amigos sem pecar, bebeu sem pecar, irou-se sem pecar, poderia casar-se e ter relações sexuais (embora eu não acredite nisso) sem pecar. E se o casamento e o sexo fossem pecados, seria contraditório serem permitidos na vida de um convertido/salvo, uma vez que o propósito da salvação é tornar-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, certo? De qualquer forma, continuo achando indiferente e acredito que o manuscrito seja mais um entre tantos que foram produzidos a fim de defender o ponto de vista (como tantos existem para defender ideias do gnosticismo, por exemplo) de algum grupo.
     Concluindo, tenho mais argumentos para acreditar que Jesus foi solteiro do que casado, porém, mesmo se tivesse uma esposa, isso não anularia sua "divindade". Se essa questão abalasse a encarnação de Deus nEle, muito pior seria o fato dEle comer e beber (era até chamado de beberrão e amigo de pecadores), de morrer, de sentir fome, dor ou tristeza... Jesus foi a encarnação perfeita de Deus, em um perfeito ser humano. O diferencial de Jesus é o que Ele era em sua origem, a Sua relação perfeita com Deus e Sua ressurreição. Não tem nada a ver com ter ou não uma família. Portanto, um casamento apenas evidenciaria a humanidade do Deus que se esvaziou e entrou na história, seguindo os princípios e condições que Ele mesmo estabeleceu para a vida no início de tudo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Referências: 
- Darrell L. Bock, Ph.D., Quebrando o Código Da Vinci, Ed. Novo Século, 2004.
-http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/04/analises-apontam-que-papiro-que-fala-da-esposa-de-jesus-nao-e-falso.html
(acessado em 14/04/2014).