Clique aqui para curtir

E receba muitas novidades e informações sobre o blog e sobre o Evangelho.

Seguidores

Ninguém pode herdar o Reino de Deus


     Algo que me espanta é a mentalidade predominante no meio cristão de que "pecado" é um mero ato imoral e que "pecador" é quem pratica esse ato. Nada mais raso e até mesmo, equivocado.
     Dizemos que somos discípulos de Cristo, mas não entendemos praticamente nada do que Ele ensinou. Se tivéssemos entendido saberíamos que nossas ações não determinam nosso Pecado e sim, que nosso Pecado determina nossas ações. Portanto, não é pelo fato de eu não ir pra cama com a vizinha, que eu deixo de ser adúltero; não é porque não dei um tiro ou uma facada em alguém que deixo de ser assassino. Todos somos isso tudo, no fundo, na "essência", adúlteros, assassinos, ladrões, embora nem todos transformamos isso que somos em atos objetivos na vida (e claro que não deveríamos mesmo).
     Então entenda: Nós somos pecadores não por pecarmos; nós pecamos pelo fato de sermos pecadores. Os nossos atos imorais, que chamamos de pecados, nada mais são do que consequências de nossa essência. São apenas sintomas de nossa doença (chamada "Pecado"). Portanto, pecado não é o que pratico; pecado é o que sou. Se tenho a capacidade de "pecar" (mesmo que eu ingenuamente ache que não peque) é porque sou pecador, afinal, um limoeiro não produz maçãs e vice versa. Produzimos frutos conforme a nossa espécie.
     Portanto, quando se diz que o injusto, o ladrão, o idólatra e o adúltero, por exemplo, não herdarão o reino de Deus (I Coríntios 6:9-10), não é motivo para comemorarmos o fato de não tirarmos a vida do patrão ou de não irmos pra cama com a vizinha. Afinal, como já disse, Jesus "jogou em nossa cara" que TODOS somos pecadores (adúlteros, assassinos, idólatras...), mesmo quando na exterioridade achamos que somos santos e puros. Ele disse: "adúltero não é o que vai pra cama com a mulher do outro e sim, quem olha pra mulher com um desejo impuro; assassino não é o que violenta contra a vida do próximo e sim, quem simplesmente se ira em algum momento contra ele" (Mateus 5). E isso devemos fazer com "todo tipo de pecado". Quando não pecamos objetivamente, pecamos subjetivamente. E Jesus deixou claro que diante de Deus não há diferença e que ninguém de nós escapa, embora hipocritamente (ou ingenuamente) vivamos gritando que "aquele que vive na prática de um pecado não herda o Reino de Deus" (o que é verdade).
     Consequência: todos "vivemos em pecado" (e também, em última análise, na prática dele), pois como somos pecadores, tudo o que sai de nós é, no fundo, pecado. Estamos "em pecado" o tempo todo. E é justamente por isso que precisamos do sacrifício de Cristo, da Graça de Deus para nos livrar da condenação do pecado (e também das consequências e dele propriamente dito, o que ocorrerá um dia). Não foi a toa que Paulo disse: "Dos pecadores sou o pior" (e ele não falava de seu passado e sim, do presente, pois reconhecia quem ele realmente era, chegando a afirmar: "O bem que desejo não faço e o mal que não desejo, pratico").
     Após entender isso (que é a Lei divina - que diz que todos somos pecadores e que pecadores merecem condenação), estaremos preparados para mergulhar no Evangelho de Cristo, que é o anúncio do que Deus fez por nós, em Cristo, por um ato de Amor e de Graça.
     Então quando eu ler: "Os injustos e os adúlteros não herdarão o Reino de Deus" não devo pensar que eu herdarei o Reino por eu não ser objetivamente um ladrão, um homicida e um adúltero. Devo entender assim: "Sou homicida, injusto, adúltero e muitas outras coisas ruins, pois o meu ser é assim, caído e pecaminoso, mesmo que eu não pratique esses atos por consciência, por repressão, por escolha ou por uma contínua mudança de mente, pois o que me faz esse pecador não é o que pratico; as coisas que pratico apenas são evidências concretas de que sou isso tudo. Ou seja, então não herdarei o Reino dos céus".
     Perfeito! É assim mesmo! Não tenho como herdar o Reino de acordo com o que sou (independentemente do que pratico); não alcanço o Reino com meus méritos, com minhas escolhas de não praticar algo mau. Somente tenho uma chance: ser contado como justo diante de Deus e isso não depende de mim, do que faço ou do que deixo de fazer; depende exclusivamente do que Cristo fez em meu lugar. Deus olha pra mim, pecador, e ao invés de um assassino e adúltero, vê um ser descansando nos méritos de Jesus. Ele olha pra mim e "não me vê"; Ele vê a Cruz, vê a perfeição de Jesus que me representou diante do Pai. Esse é o anúncio do Evangelho.
     E qual meu papel? Apenas crer (entregar-me em fé), o que gerará em mim uma mudança de mentalidade (que é o arrependimento provocado pelo Espírito Santo) e uma expansão de consciência para essa realidade que, querendo nós ou não, está consumada. A consequência disso é que desejarei viver o mais próximo que posso de Jesus, não me conformando e não me entregando ao Pecado (pois o pecado degrada nossa vida, corrói nossa alma, não é saudável e nem coerente com Jesus). Mas repito: tudo isso é fruto da Graça e da Misericórdia de Deus que me alcançou muito antes até mesmo de minha fé e de qualquer arrependimento se manifestar em mim. Somos vítimas da Graça divina e não, agentes dela.
     Pecado não é avaliado pela aparência, que é enganosa e sim, pela essência. Não deixe de ler Lucas 18:9-14. Isso quebra paradigmas, né? Pois é...

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Tatuagens e piercings: uma análise sobre vários aspectos


     É possível ser um cristão genuíno e, ao mesmo tempo, colocar piercing e/ou fazer uso de tatuagem? Adotá-los fere a essência da fé cristã? É algo que convém ou não? São questões às vezes discutidas, porém quase sempre as discussões giram em torno de dogmas, de um fundamentalismo cego ou de apologias diversas. Então, convido você a analisar esse assunto, juntamente comigo, levando em consideração a bíblia, o bom senso e as diversas culturas, em diferentes épocas. Vamos fazer também uma análise e ilustração dos principais usos de cada um deles.    
     Quem me conhece sabe que não defendo (e nem suporto) essa espiritualidade baseada em cartilha de regras e em listinhas de "pode e não pode". Tampouco vejo com bons olhos as tradicionais perguntas: "é pecado isso?". A questão do cristão não é se algo é ou não pecado (pois Pecado é o que somos, é nossa tendência para o mal, nossa inclinação para longe de Deus, nossa alienação em relação ao divino e não meramente o que praticamos, afinal, tudo que vem de nós é consequência, sintoma, desse Pecado que está em nossas entranhas, apesar de sermos justificados em Cristo); a questão do cristão deveria ser: "Convém ou não fazer isso?" (lembra do "Tudo [inclusive piercing e tatuagem] ME é permitido, mas nem tudo ME convém"? - I Coríntios 6:12 - e repare que é dito "ME convém", sendo que esse pronome na primeira pessoa do singular mostra que essa análise deve ser individual, ou seja, não tenho o direito de impor ao outro o que convém ou não a mim). Então começaremos tecendo um breve histórico (tentando fazer o mínimo de juízo de valores e evitando ao máximo as distorções) sobre as tatuagens e, em seguida, sobre os piercings.

Tatuagens:
     Existem há milhares de anos, possuindo, dependendo da época e do povo em questão, diferentes significados. Muitas vezes foram cultuadas e admiradas, enquanto outras, mal vistas e banidas de certos povos ou grupos. Porém, como se sabe, nem sempre existiu tecnologia para a tatuagem elétrica. Inicialmente, era feita com ossos pontiagudos e martelos de madeira.
     Nos hieróglifos egípcios existem evidências da existência de tatuagens, que são confirmadas quando se observa múmias de mulheres egípcias, como a Amunet (datada de 2160 a.C a 1994 a.C), já que possuem traços e inscrições na região do abdome. Também foram encontradas múmias nas montanhas de Altais, na Sibéria (com mais de 2400 anos), que apresentam ombros tatuados com animais, reais e imaginários.
     Entre 509 e 27 a.C., os imperadores romanos determinaram que fossem tatuados os prisioneiros e  os escravos; no século VIII, o papa Adriano I proibiu o uso de tatuagens, alegando que eram demoníacas.
     Conforme se expandiram as viagens marítimas, a tatuagem voltou a se popularizar na Europa, já que vários povos tinham esse costume. Evidências disso são os registros de Charles Darwin (datados de 1831 a 1836), feitos durante a viagem a bordo do navio “Beagle”. O famoso naturalista observa que a maioria dos povos do planeta conhecia ou utilizava algum tipo de tatuagem. E o uso dessa técnica continuou... Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os nazistas tatuavam um número no corpo dos judeus para identificá-los nos campos de concentração.
     Em 1961, após um surto de hepatite B, a Secretaria da Saúde de Nova York tomou uma medida drástica: proibiu a realização de tatuagens na cidade.

Piercings:
     O Body Piercing é uma forma de perfurar o corpo que, embora pareça moderno, tem uma origem milenar, começando nas primeiras tribos e clãs da espécie humana.
     No Antigo Egito, as escravas mais bonitas tinham jóias não muito brilhantes no umbigo e as mulheres ricas colocavam jóias de ouro. Era uma forma de classificar a beleza e o nível social da mulher.
     Na antiguidade clássica, precisamente em Roma, os gladiadores sustentavam suas armaduras nos mamilos perfurados, para demonstrar força e respeito; na Índia, durante a noite de núpcias, o noivo perfurava o nariz da esposa, como símbolo de fidelidade; muitos indígenas utilizavam piercings como uma forma de diferenciar as tribos e de mostrar a hierarquia dentro de seu grupo. Posteriormente, o uso de piercings espalhou-se pela classe média e pela aristocracia dos séculos XVIII e XIX, mas foi quase inexistente na Europa do século XX. Apenas na década de 1970 é que começou a se destacar novamente, até que, na década de 1990, houve um “boom” mundial do "Body-piercing", tornando moderno o que era primitivo.
     O piercing mais comum em toda a história é aquele colocado no lóbulo da orelha. Inicialmente, servia para distinguir uma pessoa rica de uma pobre, mas, atualmente, é a forma mais popular de usar jóias (brincos).
     Marinheiros colocavam piercings, pois acreditavam que estes lhes davam uma visão melhor; os romanos associavam esse acessório na orelha à riqueza e à luxúria; tribos sul americanas e africanas alargavam os furos, pois quanto maior o tamanho deles, maior era o status social.
     O nostril (colocado na aba do nariz) originou-se no oriente médio (há 4000 anos) e se espalhou para Índia no século XVI, sendo adotado pelos nobres. Cada tipo de jóia distinguia a casta e a posição social. Esse piercing foi introduzido no ocidente pela cultura hippie, nos anos 1960 e 1970, sendo também adotado pelos "Punks" e outras tribos urbanas, nas décadas de 1970, 1980 e 1990.
     O uso desses objetos nos mamilos era considerado um símbolo de força e virilidade. Os nativos da América Central, por exemplo, usavam como uma marca de transição da masculinidade.
     As castas mais altas dos Maias e dos Astecas adornavam seus lábios com jóias de ouro, já que essa região é uma parte sensual e erógena do corpo; as mulheres da tribo Makolo (África) colocam pratos nos lábios superiores para atrair homens; tribos indígenas da América Central e do Sul fazem piercings nos lábios inferiores e alargam os furos para colocar pratos de madeira; nos templos Astecas e Maias, os sacerdotes faziam piercings em suas línguas como parte de um ritual de comunicação com os deuses.

Discussão Social:
     Após esse breve histórico, percebe-se que o uso de piercings e de tatuagens, embora possa parecer um costume moderno e um ato de rebeldia, existe há milhares de anos em muitos povos do mundo. Porém, algo mudou na maioria dos casos: os motivos para a adoção dessas práticas.
     Inicialmente, esse costume tinha um caráter religioso (usado em rituais ou como amuletos), era um indicador social (marcação de escravos ou diferenciação de classes sociais) ou, ainda, indicava poder. Atualmente, o uso dos piercings e tatuagens, exceto em casos excepcionais, não tem essas motivações. Na maior parte das vezes, o desejo das pessoas em aderirem a essas práticas é sustentado pelo modismo (questões estéticas) e pelo gosto por arte corporal. Pode, ainda, representar uma forma de autoafirmação ou de busca da identidade pessoal. Assim, a pele torna-se um painel de declarações de sexualidade, frustração, tristeza, alegria ou raiva.
     Não se pode ignorar o preconceito em torno dos piercings e, principalmente, das tatuagens. Embora, aos poucos, os rótulos de “coisa do demônio” e “coisa de bandido” estejam sendo desassociados dessas “manifestações”, a sociedade ocidental, inclusive a brasileira, não as aceita com total naturalidade. Muitas pessoas ainda fazem juízo de valores, baseando-se nas aparências. Exemplos típicos são muitas empresas, que se negam a contratar pessoas com tatuagens ou piercings visíveis. O mesmo vale para serviços militares, que tendem a preferir os não tatuados. 
     Pesquisas mostram que metade das pessoas que fazem uma tatuagem na adolescência ou na juventude arrependem-se após os 40 anos de idade. Nossa mente passa por inúmeras transformações ao longo dos anos e, aquilo que era considerado “maneiro”, “radical” ou “fofo” passa a ser um incômodo na vida adulta madura e na terceira idade. Há ainda, muitas vezes, um arrependimento futuro, provocado por frases românticas ou pelo nome do companheiro (a) inscrito no corpo. Pior ainda são os casos de pessoas que tatuam símbolos desconhecidos ou expressões em outros idiomas, sem saber o seu verdadeiro significado.
     Mas vejamos, a título de curiosidade, uma série de tipos (e motivações) de piercings e de tatuagens que observamos em nosso meio:

Tatuagem como arte corporal: Muitas pessoas gostam de fazer do corpo um painel para que nele seja feito uma bela obra de arte. Gosto (e coragem pra enfrentar tanta dor) não se discute, né?








Tatuagem pra chocar e chamar a atenção pro "bizarro": Algumas pessoas são adeptas disso e pra elas, quanto mais "chocante", melhor. É cada uma... Mas são bem feitas.













Tatuagem sexy: Muitos gostam de tatuagens sensuais, a fim de estimularem visualmente seus parceiros. São feitas na nuca, pescoço, abdome, costas, glúteos, coxas, virilha, pés...











Tatuagem de cunho sexual: Por incrível que pareça algumas tatuagens tem se tornado símbolos de determinados comportamentos sexuais. Abaixo, dois exemplos: A tatuagem chamada de "Dama de Espadas" (Símbolo de baralho com a letra Q) e a "Sexy Wife" (Uma mistura das letras S e W), que possuem a conotação de "esposa que assumidamente mantém relações sexuais extraconjugais". São feitas nos seios, virilha, pernas, pés, costas... Às vezes são tatuagens definitivas e às vezes temporárias (como aquelas tatuagens de Henna que fazem em muitas praias).














Tatuagem religiosa: Alguns que não gostam de tatuagem as aceitam apenas nessa condição; outros, ao contrário, consideram essa associação uma blasfêmia. Mas enfim, muita gente tatua imagens de Jesus, versículos bíblicos inteiros, uma Cruz... E há até quem tente colocar símbolos "anti-religiosos"...






















Tatuagem com nome da pessoa amada: Essa é uma das mais comuns e muitos são os que tatuam nome dos pais, filhos ou do cônjuge no corpo. Aqui o cuidado deve ser redobrado, pois muitos tatuam o nome da (o) esposa (o) e em um eventual divórcio o nome fica, já que a remoção não é perfeita, é cara e não é todo tipo de tatuagem que gera um resultado satisfatório.




Tatuagem para melhora da auto-estima em casos de deficiências ou doenças: Esse uso da tatuagem, na minha opinião é o mais belo e louvável de todos, pois visa dar alegria a uma pessoa que sofre com um trauma ou com uma baixa-estima. Seja para cobrir cicatrizes, para simular um mamilo retirado em cirurgias de tumores, para encarar com bom humor uma deficiência de um membro... Não importa. Merecem aplausos os que dedicam esforço a isso.
































     Como já foi dito, os piercings são utilizados há milênios e o significado do uso em cada parte do corpo varia muito de acordo com a cultura. Em nosso contexto são usados geralmente como meros adornos, embora usos com fins ritualísticos e de distinção social ainda existam. Portanto, quando falamos em significado de um piercing colocado em alguma parte do corpo, estamos falando de uma abordagem religiosa, ritualística, embora a maioria das pessoas que o colocam sequer tem essa noção ou intenção. O que ocorre é que muitos criam uma série de alegações espirituais a fim de propagar superstições. Dessa forma, dizem que o piercing colocado em cada lugar específico representa um tipo de domínio espiritual (aprisionamento da mente, canalização de demônios, prostituição, luxúria...). Porém o significado existe apenas para quem atribui ao piercing esse papel. Para quem não defende esses significados, não faz sentido. É como um gato preto, que pra mim é só um lindo animalzinho, mas que para alguns é sinal de má sorte; é como uma travessa de farofa, que para mim é um delicioso alimento, mas que para alguns é objeto de rituais em encruzilhadas. Repare que algo só ganha significado quando quem o possui crê que há esse significado.
     Em nossa cultura geralmente o piercing é usado como adorno, como modismo ou como sinal característico de uma "tribo urbana", por exemplo. Poucas vezes quem o usa atribui a ele um papel "mágico". E os usos mais comuns são na orelha, na sobrancelha, no nariz, nos lábios, na língua e no umbigo. Há ainda quem os use nos mamilos e na genitália (masculina ou feminina). Outros, ainda mais incomuns, são colocados na úvula ("garganta"), na gengiva e nos dentes. Vale ainda citar os casos mais atípicos, em que a pessoa por algum motivo (necessidade de auto-afirmação, de atrair atenção ou de rejeição à sua aparência original ou qualquer outro motivo que não cabe a mim julgar) enche o corpo, inclusive o rosto, de piercings (bem como de tatuagens).

Diferentes usos dos piercings:























 




























Discussão Médica:
     Há uma crença muito difundida de que a região ao redor de uma perfuração no corpo torna-se mais sensível. Sendo assim, a colocação de piercings em zonas erógenas (como na língua, nos mamilos e nos órgãos genitais) faria com que a pessoa sentisse mais prazer numa relação sexual. Porém, cientificamente falando, não faz o mínimo sentido. A sensibilidade (ou, mais corretamente, a percepção de sensações) depende dos receptores nervosos presentes em cada local do corpo e da integração desses receptores com o Sistema Nervoso Central. A região pode tornar-se mais “sensível” durante uma inflamação, mas em condições normais, o piercing não altera a capacidade sensorial. O que pode ocorrer é que quando o piercing é movimentado (deslocado pra lá e pra cá) isso gera um estímulo mais forte no local, mas não muda a sensibilidade da pessoa. O fator psicológico também pode influenciar nessa “sensibilidade”, mas isso é mais uma questão de fetiche.
     O piercing não traz conseqüências clínicas sérias, desde que feito por pessoas qualificadas e tomando todos os cuidados necessários (esterilização do material utilizado, higienização do local, e uso de acessórios feitos em aço cirúrgico). Porém, mesmo com essas medidas tomadas, podem ocorrer pequenas lesões, que são comuns em qualquer perfuração, tais como: formação de queloide em pessoas predispostas, risco de traumas na pele (como rasgamento, caso enrosque em algo) e uma inflamação mais acentuada.

     Em relação às tatuagens, também devem ser tomados alguns cuidados:
- O tatuador deve ser profissional, pois qualquer erro pode causar um dano irreparável (seja estético ou clínico).
- Os materiais utilizados devem ser cuidadosamente esterilizados, pois há o risco de transmissão de inúmeras doenças (assim como na colocação de piercings), entre elas, a hepatite C e a AIDS.
- As tintas usadas devem ser especiais. Muitos tatuadores amadores utilizam (às vezes, sem saber) tintas derivadas de materiais orgânicos queimados e até tinta de caneta, o que é muito perigoso à saúde.

     A tintura da tatuagem fica armazenada, após a aplicação, principalmente em algumas células da derme, os fibroblastos. Essas células, além de não sofrerem com a descamação da epiderme, possuem uma vida longa, podendo resistir até à morte do indivíduo (o que explica o fato de ser definitiva).
     Os casos de dermatites alérgicas não são comuns e raríssimos são os casos de reações sistêmicas, devido à tinta. Porém, quando ocorrem, as cores envolvidas geralmente são o vermelho (à base de mercúrio) e o amarelo (à base de cádmio). São essas cores também que costumam “desaparecer” espontaneamente de uma tatuagem.
     Uma coisa importantíssima é que geralmente as tatuagens são critérios de contra-indicação de ressonância magnética, principalmente alguns tipos de pigmentos, e quanto maior o tamanho da tatuagem, maior é o perigo. Portanto, pense bem: após colocar alguns tipos de tatuagem, é provável que nunca mais poderá realizar este exame, especialmente se estiver próximo à área que deve ser examinada.
     Segundo as premissas da acupuntura (medicina chinesa e não, um tratamento espiritual  como alegam alguns leigos), não há, realmente, problemas na colocação de um ou dois piercings no corpo. Porém, como a visão acupunturista trabalha com pontos de comunicação energética no organismo, a realização de várias perfurações pode provocar, a longo prazo, uma disfunção de energia, que poderá ocasionar alguns problemas físicos e até doenças, como dores e depressão. É complexo...


Discussão Bíblica:
     Vejamos algumas passagens bíblicas usadas por alguns no intuito de condenar ou de defender o uso de piercings e de tatuagens:

Levítico 19:28 = “Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o SENHOR.”
     Os ritos de luto (considerados marcas do "paganismo") eram comuns nessa época, embora fossem condenados, como vemos nesse versículo. Porém, como todos sabem, o Pentateuco (os 5 primeiros livros da bíblia) não é nosso parâmetro, nem nossa base de fé. Nosso fundamento é Cristo, seguimos a tradição apostólica e o critério absoluto para avaliar tudo e todos é Jesus Cristo (ou o que sabemos sobre Ele com base nos evangelhos).
     Se alguém desejar seguir as leis hebraicas, não pode esquecer-se dessas:
- Não danificar a ponta da barba e não cortar o cabelo arredondado (v. 28); pena de morte para quem cometer adultério ou se relacionar sexualmente com animais (Lev 20:10,16); usar um manto com franjas nas pontas (Deut 22:12); se tiver duas mulheres (isso mesmo!), seguir as regras de herança (Deut 21 15-17)...
     Viu como só tiramos do contexto os textos que nos convém? Além disso o texto está se referindo à fazer marcas na carne em referência a mortos apenas. Sejamos sinceros...

Gênesis 24:47 = “Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho de Naor, que lhe deu Milca. Então eu pus o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos”
     Observa-se aqui que o servo de Abraão colocou um pendente no rosto (nariz) de Rebeca, como sinal que ela tinha sido escolhida para ser a mulher de Isaque. Esse fato é um exemplo do uso desses acessórios (piercings) por essa cultura, os quais tinham um determinado significado. Porém, não somos hebreus, portanto não há lógica em usar esta passagem bíblica para defendê-los. Apenas estamos diante de um retrato do costume desse povo, nessa época. 

Êxodo 21:6 = “Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.”
Deuteronômio 15:17 = “Então tomarás uma sovela, e lhe furarás a orelha à porta, e teu servo será para sempre; e também assim farás à tua serva.”
     Segundo William Coleman, além dessa perfuração feita com sovela de carpinteiro, havia outras maneiras de marcação de escravos. “Faziam-se tatuagens nas mãos e outros tipos de marcas na testa (Ez 9:4). Quinhentos anos antes de Cristo, os escravos do povo de Israel eram marcados com o nome de seu senhor gravado no punho.”
     São exemplos do uso de pircings e de tatuagens por essas pessoas. Porém, como vimos, não somos israelitas. Nossa cultura é diferente (por exemplo, não temos mais escravos, felizmente ). Sendo assim, usar esse tipo de texto como argumento para defender biblicamente o uso desses itens chega a ser absurdo.

I Coríntios 3:17 = “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.”
     No versículo 16, lemos: “Não sabeis que sois o templo de Deus...” Paulo considera a comunidade cristã como "Corpo de Cristo" e o como "Templo de Deus". Portanto, aqui, sequer está sendo dito que cada indivíduo é um templo, então como alguém associa essa "destruição do templo" com algo feito para modificar a aparência? A destruição do corpo não se refere, portanto, a ferir ou prejudicar uma parte do corpo humano, mas a não cuidar corretamente da comunidade de cristãos.

I Coríntios 6:19, 20 = 
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”
     Aqui (ensino sobre a fornicação) o contexto é diferente do capítulo 3. No versículo 15 constatamos que somos membros do Corpo de Cristo (que é a cabeça). No versículo 19 há a afirmação que “o vosso corpo” (agora sim, o corpo humano de cada um de nós) “é o templo do Espírito Santo”, pois, se juntos somos o templo, individualmente somos parte (membros) desse mesmo templo. De qualquer forma, o ensino é contra um tipo de pecado sexual e não há menção sobre aparência. Porém, mesmo que houvesse relação com a aparência, o que representaria a colocação de um piercing ou de uma tatuagem? Pichação e colocação de badulaques no templo de Deus ou um enfeite na parede desse templo (semelhante ao caso de fazer um furo e pendurar um quadro)? A resposta depende da opinião de cada um, mas perceba que coisas opostas podem ser defendidas usando o mesmo texto. 

Gálatas 6:17 = “Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.”
     O apóstolo ensinava que não era a circuncisão ou a incircuncisão que importava. Paulo foi torturado (II Coríntios 11:23-28), assim como Jesus, e essa perseguição causou-lhe feridas e cicatrizes. Para ele, essas marcas que trazia no corpo (que representavam a luta para a disseminação do Evangelho) eram muito mais importantes do que o fato de ser ou não circuncidado. Paulo não se refere às tatuagens, nem aos piercings, muito menos afirma que as marcas que ele carrega são necessárias a todos os cristãos (embora sejam vistas como sinal de trabalho para Deus) ou que são os únicos sinais que podemos ter no corpo. Então, o que podemos extrair daí? Não importa as marcas referentes aos costumes de um povo (como o uso ou não de piercings e tatuagens), o importante são as marcas de uma vida de entrega a Deus.

Romanos 14:21 = “Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.”
I Coríntios 8:13 = “Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize.”
     Paulo defende que devemos agir sempre de acordo com a nossa consciência, desde que esteja segura (Romanos 14:22). Porém, tão importante quanto isso é não escandalizar os fracos na fé (novos cristãos que ainda não tem muita convicção para agir com a consciência limpa), tendo caridade para com eles, abrindo mão de algumas coisas para que não venham a tropeçar.  Portanto, se usar piercing ou tatuagem fizer com que meus irmãos novinhos na fé se escandalizem, é bom evitar, pelo menos até que entendam que a Palavra de Deus é tão grande que essas coisas são insignificantes. Mas não sejamos hipócritas, pois será que abriríamos mão de usar a internet se um irmãozinho desses se escandalizasse?

I Coríntios 6:12 = “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”
     Esse trecho é um resumo de todo o ensino de Paulo. Não se trata de ser ou não ser pecado, mas de analisar se favorece ou prejudica nossa espiritualidade. Essa é a análise a ser feita: o piercing e a tatuagem acrescentarão algo de bom, não terão nenhuma influência ou prejudicarão a sua vida cristã? Caso haja prejuízo, devem ser rejeitados, assim como qualquer outra coisa (televisão, computador, internet, skate, chiclete, camisa azul...). Mas repare que Paulo usa o pronome "ME" (1ª pessoa do singular), evidenciando que essa análise de consciência é individual. Portanto, cada um analise a si mesmo e não queira impor os limites de sua consciência a outros. Algo ruim pra mim pode ser normal para meu irmão ou algo inofensivo para mim pode ser um mal a ele. 

I João 3:20 = “Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.”
     Novamente é preciso entender o contexto. Deve-se ler desde o versículo 18. O amor e a busca pela vivência da vontade de Deus são importantes, mas, se mesmo assim o nosso coração (consciência) vier a nos condenar, Deus é muito maior e mais perdoador que o nosso coração. Algumas pessoas interpretam o versículo de forma totalmente oposta. Entendem que se nossa consciência nos condena (por exemplo se ela fica culpada ou com medo pela colocação de uma tatuagem ou um piercing), Deus nos condenará ainda mais. Um absurdo!

     Além dos trechos bíblicos citados, muitos outros argumentos são usados para condenar o uso dos piercings e das tatuagens. Reafirmo que não tenho a intenção de defendê-los nem de condená-los e sim, de analisar o assunto da forma menos tendenciosa possível.
    Alguns alegam que não devem ser usados por haver riscos à saúde. Porém, se tudo o que for arriscado também for "pecado", teremos de incluir várias outras coisas que muitos de nós fazemos, tais como: jejum, frequentar uma igreja que faz muito barulho, dietas, uso de qualquer medicamento (pois praticamente todos tem efeitos colaterais), malhar excessivamente, praticar esportes radicais, viajar (risco de acidentes), comer doces, almoçar no Mac Donald's, tomar Coca-Cola... Concordo que não são todas essas coisas que um médico incentivaria, porém, dizer que tudo isso é "pecado" por fazer mal à saúde é totalmente ilógico.

Conclusão
     Embora eu não use piercings ou tatuagens e não tenha a intenção de usá-los, não posso condená-los com argumentos sociais, médicos ou bíblicos. Colocar um piercing é como colocar um brinco em um lugar diferente. Pode-se usar um enfeite no cabelo ou uma correntinha no pescoço, mas é errado usar um piercing? É permitido usar uma estampa na camisa, mas, se tiver no próprio corpo é uma ofensa?
     Não é pelo fato de algumas tribos usarem piercing ou tatuagens em alguns rituais, que todos que colocarem estarão fazendo o mesmo. Uma galinha, por exemplo, pode ser usada num almoço ou na magia negra; uma faca pra mim é um instrumento para preparar alimentos, mas para um assassino é uma arma. Esses objetos são amorais (nem bons, nem ruins). O que determina se serão úteis ou prejudiciais são as intenções de quem faz uso dos mesmos.
     Precisamos muito mais de bom senso e de boa conduta do que de regras. Paulo disse aos Colossenses (capítulo 2) que submeter-se a regras proibitivas, como "Não pegues, não toques e não manuseies" tem só aparência de sabedoria, mas não tem poder nenhum contra a carne. As tatuagens e os piercings em si não tem poder de interferir numa relação com Deus que é ditada pela Cruz de Cristo. Não tem nada a ver com a salvação de alguém (querer anular a Obra de Cristo, a Graça de Deus, por uma mera marca na pele é o cúmulo do absurdo). Tem a ver, no máximo, com o que você aparenta ser neste mundo. Se o motivo de alguém fazer uso delas é estético ou para homenagear alguém amado, por exemplo, não vejo problema algum. Contudo, vale o bom senso. A diferença entre remédio e veneno é a dose. Encher o corpo dessas coisas, convenhamos, não é legal. Mas um discreto “enfeite” desses, desde que não seja uma manifestação de rebeldia, não deveria ser motivo de escândalo. Discordo quando são adotados exageradamente ou quando são usados com intenções não coerentes com o espírito de Jesus (que não visa a paz, o amor, a comunhão...). Mas perdermos tempo com esse tipo de questionamento, com medo de ser ou não algo que afasta alguém de Deus, chega a ser risível, pois a Palavra de Deus é tão grande, tão profunda, que esses assuntos sequer deveriam ser assuntos. Porém infelizmente, como a maioria vive uma espiritualidade de aparências, de dogmas e de tradições acaba sendo necessário abordar esses temas para quem sabe esclarecer a alguns e ajudar aqueles que vivem angustiados por medo e por culpa. 

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Referências:
Bíblia de Jerusalém
COLEMAN, William L.. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Editora Betânia. 1ª edição. 1991.
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI132738-17770,00-CONHECA+A+HISTORIA+DA+TATUAGEM.html
http://www.anjossonhadores.hpg.com.br/
http://www.blueanimal.com.br/historiapiercing.asp
http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/13072
http://www.jvanguarda.com.br/2006/06/23/historia-do-piercing/
Imagens encontradas livremente na internet

Quem é mais pecador: O adúltero, o ladrão, o assassino ou você?


     Imagine que alguém seja todo "certinho", exceto pelo fato de ser MENTIROSO, CALOTEIRO, FOFOQUEIRO, ADÚLTERO, ASSASSINO E LADRÃO.
     Essa pessoa é uma pecadora, certo? Ok.
     Imagine que essa mesma pessoa deixe de ser MENTIROSA, CALOTEIRA, FOFOQUEIRA, ADÚLTERA, ASSASSINA E LADRA, ou seja, agora é simplesmente "certinha em tudo".
     Essa pessoa agora é pecadora? Claro que é! Continua sendo. Mas ela é menos pecadora do que antes? Claro que não! Vou explicar:

     Deus em Cristo nos mostra que não contabiliza débitos (pecados), bem como não soma créditos (obras). Temos que entender que por mais santos ou bonzinhos que sejamos, continuaremos sendo pecadores. Não há gradação ou acúmulo de pecados. E nossa salvação é pela Graça e não, pela nossa ausência ou pela menor quantidade de pecados. Mas por que é assim?
     Pois o Pecado é algo profundo, é uma doença enraizada no homem. Pecado não é um mero ato imoral (matar, roubar, adulterar, caluniar, fofocar, mentir...). Esses atos (que chamamos de "pecados") são apenas consequências, são sintomas dessa doença que reside em nós, chamada PECADO. Cristo nos livrou da condenação do Pecado (que leva à morte), por isso em Cristo temos vida. Temos a doença, mas agora ela não é mortal, pois em Cristo estamos; em Cristo morremos e em Cristo ressuscitamos.
     Continuamos sendo pecadores (após nossa conversão), mas isso não é pelo fato de pecarmos, pois "pecado não é o que praticamos; pecado é o que somos". Pecar é "errar o alvo", é transgredir a Lei de Deus (I João 3:4), ou seja, é transgredir a vontade e o ideal divino para a vida humana. Pecado é a distância a que estamos do ideal. E qual é o ideal? É o que Cristo encarnou e revelou. Ou seja, pecado é a diferença entre o que somos e o que Jesus é. Será que os que acham que, só porque ouviram e creram no evangelho, são agora convertidos e "não pecadores" (que ilusão!) tem a audácia de dizer que são iguais a Cristo? São homens perfeitos? Pois pecado é o que nos afasta dessa perfeição divina revelada em Jesus. Ou seja, não importa o momento de nossa caminhada cristã, sempre seremos igualmente pecadores, "pecando mais ou pecando menos". E todos da mesma forma mereceríamos a condenação, a extinção, a morte. Porém por Graça (favor imerecido) Deus nos salva, nos acolhe e nos abraça na Cruz.
     Como a famosa frase diz: "Sou pecador não porque eu peco; eu peco por ser um pecador". Se temos a capacidade de pecar é porque somos pecadores, afinal uma figueira produz fruto conforme a sua espécie, ou seja figos. Ela não produz maçãs. Então se pecamos é porque nossa natureza é pecaminosa. Porém Cristo nos justifica, nos livra da condenação desse nosso pecado, afinal, Ele nos representa diante de Deus e o Seu sangue nos purifica. Mas entenda: essa pureza nossa é em relação a Deus e não, em relação à nossa vida e ao nosso próximo. Deus olha para nós e nos vê como criaturas reconciliadas com Ele, cobertas pelo sangue de Jesus. Porém, continuamos nessa humanidade imperfeita e o que Deus faz é gerar em nós frutos dEle quando descansamos nessa videira que é Cristo (pois quando tentamos produzir frutos com nosso esforço, com nossas obras, geramos frutos conforme nossa natureza, que como disse, é pecaminosa. Só sai fruto podre, mesmo que a casca/aparência esteja bela. Será como um "sepulcro caiado"). Em outras palavras, somos pecadores e produzimos frutos de pecado; porém Deus nos justifica perante Ele e gera em nós frutos do Espírito, frutos de amor, frutos de arrependimento (Gálatas 5).
     Então, durante nossa vida estaremos sempre nesse conflito (o que Paulo fala no início da carta aos romanos), entre "carne e espírito", pois o Reino de Deus está instaurado mas não está consumado. A promessa é que um dia seremos plenamente transformados, em um corpo incorruptível e gozaremos em plenitude dessa natureza de Cristo (seremos perfeita imagem e semelhança dEle). Aí sim deixaremos de ser pecadores e apenas os frutos do Espírito existirão em nós.

    Mas eu nem precisaria dizer tudo isso se entendêssemos que Jesus é o parâmetro absoluto para definir e avaliar tudo e todos. Sendo assim, é só olharmos para o que Jesus interpretou como sendo "pecado". 
- Lembra da parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18)? Quem foi bem aventurado: o fariseu (que se considerava o "certinho") ou o publicano (que assumia que era um pecador carente da misericórdia divina)? Foi o publicano... 
- Lembra da parábola do filho pródigo (Lucas 15)? O filho mais velho se julgava "o certinho", enquanto o mais novo saiu pra gandaia, gastou tudo o que podia, pecou até não aguentar mais e voltou. Antes mesmo de clamar por misericórdia o pai o acolheu, ou seja, o pai (Deus) mostrou que não contabiliza pecados, que sempre o amou e que nunca deixou de perdoá-lo (mesmo o filho não tendo consciência disso). O que mudou foi a consciência do filho, que só pode usufruir dos benefícios desse perdão quando se arrependeu (mudou de mentalidade). E assim, voltou a se apropriar de tudo tanto quanto o filho mais velho também possuía... 
- Lembra da parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20)? Jesus deixou claro que não soma créditos (obras), pois o que começou a trabalhar logo de manhã recebeu tanto quanto o que começou minutos antes do término do expediente. Jesus fere nosso senso de justiça, né? Ele quebra nossos paradigmas modernos e religiosos, baseados na barganha e no mérito. Não temos como usar nossa vida como parâmetro para classificar o outro.

     Jesus mostrou claramente que "pecado" não é o mero ato e sim, aquilo que está lá em nossas "entranhas". Ele disse (parafraseando): "Não adianta não ir pra cama com aquela mulher que você acha maravilhosa, pois só o seu desejo já denuncia que você é um adúltero"; "Não adianta não tirar a vida de alguém, pois se você se irar contra uma pessoa você já mostra que é um assassino"; "O que contamina o homem não é o que entra pela boca e sim, o que sai dela, pois o que sai é o que procede de sua essência, de seu interior e essa é a fonte de contaminação". Ou seja: Jesus mostrou claramente que nosso pecado é algo que está dentro de nós. Ele "jogou em nossa cara" que ninguém de nós escapa. Mesmo não praticando o ato, continuamos condenados pela nossa capacidade de praticar o que é mau. Se temos que lutar contra o que é mau, é porque algo dento de nós nos empurra para longe de Deus. Por isso Ele nos ensina que devemos crer (ter fé) e passar por arrependimento (que não é remorso e sim, renovação do entendimento, expansão da consciência). Só assim alinharemos nossa vida a essa realidade que a Cruz de Cristo trouxe. 
     Você crendo ou não, passando por arrependimento ou não, acolhendo ou esperneando de raiva, a realidade é essa. Então o chamado é pra que você se renda a esse amor e passe a não praticar o mal porque esse não é o ideal de Deus a você. Se você lutar, resistir, vai perder, colega. Quem você pensa que é? Viver nessa alienação é lutar contra o fluxo da vida, é condenação, está enfiando a cabeça em um inferno. Então a questão não é "deixar de pecar para ser salvo" e sim, crer que você foi reconciliado na Cruz e agora deve se entregar a essa realidade, a fim de que você usufrua dos frutos do Espírito que nascerão em você. Quando isso tudo acontece, dizemos que você é um genuíno salvo e essa salvação será consumada um dia, quando Deus nos transformar plenamente no que Paulo chamou de "corpo incorrutível".
     Enquanto isso vamos caminhando, lutando contra nossa carne a fim de não sermos dominados por esse Pecado. O Espírito Santo nos ilumina, nos guia, nos ajuda, nos santifica, porém não temos a ilusão de que isso nos torne "melhores" diante de Deus e sim, melhores em relação a nós mesmos, melhores para nosso próximo e melhores para o planeta em que vivemos. É a restauração da Criação em processo, que um dia será plena, quando gozaremos nos braços do Pai a consumação da Obra da Salvação.

     "Então aquela pessoa que escolhe deliberadamente viver de forma pecaminosa, se entregando aos desejos da carne, não é mais pecadora do que eu?" Isso mesmo! Ela não é mais pecadora que você. Ela, você e eu somos todos igualmente pecadores, não importando o quanto pequemos. A diferença é que ela é uma pecadora que se entregou a essa alienação do pecado (está cega). Isso pode trazer uma alegria momentânea a ela, mas no fim é destruição e morte (Romanos 6:23); você é tão pecador quanto ela, porém, é consciente de quem você é (pois você, ao receber a Palavra de Deus, foi quebrado pela Lei divina, que tirou suas máscaras e a trave dos seus olhos) e reconheceu que carece da Graça de Deus (acolheu o anúncio do Evangelho). Assim, você, ao contrário dela, não se entrega. Se acha que essa Graça de Deus é desculpa pra "viver na gandaia" é sinal que não entendeu a Palavra de Deus e você precisa de muita Lei pra se enxergar e pra quebrar essa mentalidade. Mas se você entendeu a Grandeza da Obra de Jesus, você luta para ser o melhor que pode (e esta sempre pacificado, mesmo quando tropeça e erra, pois sabe que já tem seu perdão garantido na Cruz). Você agora coloca Cristo como modelo de vida e como alvo, procurando amar, perdoar, servir, acolher, ajudar como Ele fez. Afinal, é dEle que somos discípulos e o desejo de um discípulo é andar o mais próximo que pode das pisadas do Mestre.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Breve reflexão sobre a Páscoa


     Não pretendo aqui fazer uma análise ou uma revisão histórica sobre a Páscoa e sim, uma pequena reflexão sobre o seu atual significado. O que é a Páscoa? O que representa para nós? Devemos celebrá-la? E como?
     Há pelo menos 3 grandes grupos de pessoas, que encaram de forma diferente essa ocasião. Os judeus celebram a “Páscoa judaica”; alguns cristãos celebram a “Páscoa cristã” e outros cristãos (assim como outras religiões e demais indivíduos) não associam a ela nenhum significado espiritual. Sendo assim, vejamos brevemente essas diferenças:

PÁSCOA JUDAICA:
   A Páscoa é uma festa originalmente judaica, cujo nome significa “passar por cima”. É assim chamada devido a um acontecimento que teria ocorrido logo antes da última das 10 pragas do Egito. Moisés ordenara que seu povo sacrificasse um cordeiro (“Cordeiro Pascal”) e passasse o sangue dele em locais próximos às portas de suas casas. Assim, um anjo viria para matar os primogênitos de cada lar, mas onde houvesse sangue, ele não entraria (“passaria por cima”). Uma vez realizado, todas as casas com esse sinal foram poupadas e os moradores comeram tranquilamente o cordeiro. Em seguida, o povo hebreu foi liberto da escravidão no Egito. A partir daí, foi instituída a Festa da Páscoa, celebrada anualmente pelos judeus, em que um cordeiro era sacrificado e comido por eles.

PÁSCOA CRISTÃ:
    Jesus, que era judeu, morreu justamente nos dias de celebração da Páscoa judaica. Embora haja algumas discordâncias quanto a datas, predomina a visão de que Jesus tenha morrido na sexta feira (que é conhecida atualmente como “sexta feira da Paixão/ Santa”) e ressuscitado no domingo.  Sendo assim, o cristianismo também adotou essa celebração, porém com um significado diferente: a ressurreição de Jesus Cristo, que é o cordeiro que foi sacrificado, para tirar o pecado do mundo.
   Já a abstinência sexual, de carne vermelha, o jejum e a quarentena foram criados pela Igreja Católica Apostólica Romana. Os protestantes não seguem essas tradições e alguns de seus segmentos realizam neste período a Santa Ceia, que representaria o sacrifício de Cristo.

SEM SIGNIFICADO ESPIRITUAL:
   Parte dos cristãos, indivíduos de outras religiões e ateus, por exemplo, não comemoram esta data ou, quando a celebram, encaram-na apenas como uma festa popular, que se tornou uma tradição já incorporada em várias culturas. Neste caso, ao invés de cordeiro, tem-se um coelhinho; ao invés de sangue, tem-se chocolate. O coelho e os ovos seriam (no sentido original) a representação da fertilidade (que teria relação com ressurreição/renascimento).

   Sabemos que a Escritura tem o papel de testificar de Jesus, ou seja, é Ele que ela tem como foco e objetivo. No Velho Testamento temos muitas simbolizações (arquétipos) do Evangelho. Podemos dizer que o cordeiro sacrificado para que os primogênitos tivessem vida representava Jesus, que foi sacrificado para que eu e você tivéssemos a vida eterna. O Cordeiro de Deus foi imolado antes da criação do mundo, ou seja, é sempre o sacrifício de Cristo que é simbolizado na bíblia, nessa tradição judaica. Sendo assim, após a consumação histórica desse sacrifício (que é a crucificação, ocorrida há pouco mais de 2000 anos), toda essa simbolização se tornou “infantil”, pequena e até sem significado. Em Cristo, todas as representações foram realizadas, logo, voltar às simbolizações quando se tem a plenitude de todas as coisas, dependendo da mentalidade, é cometer um erro que Paulo sempre alertou (voltar aos rudimentos fracos antigos).
   A Páscoa deve estar viva em nós, mas não como uma data apenas e sim, todos os dias. Quando a temos em nosso coração, aceitamos que a nossa vida de pecado, que nos condenava, morreu na Cruz com Cristo. Porém, essa morte foi para que tivéssemos vida, pois Ele derramou seu sangue para que nós fôssemos perdoados e reconciliados. Assim, quando Deus olha para você, ao invés de um mero pecador, Ele vê apenas sangue do Cordeiro na porta do seu coração.

     Portanto, vemos que a comemoração da Páscoa é para os judeus. Os cristãos não precisam comemorar tal festa, porém penso que se quisermos celebrar a ressurreição de Cristo nesta data, nada impede, desde que não seja apenas uma ocasião e sim, uma consciência contínua de que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, para que nosso Pecado não fosse imputado sobre nós e com isso, fôssemos reconciliados com o Pai. Dessa forma, celebraremos a ressurreição procurando viver as implicações da Palavra de Deus, ou seja, tentando viver na simplicidade de Cristo e buscando seguir os Seus ensinamentos. A oficialização desta comemoração no meio cristão está relacionada mais ao sincretismo religioso, iniciado por Constantino e outros líderes, no início do cristianismo (catolicismo), e consolidado no século XVI.

     Quanto aos ovos de chocolate, depende da escolha de cada um. Alguns alegarão que, por ter origem pagã, esses símbolos devem ser prontamente rejeitados. Porém, se formos abominar tudo o que tem origem pagã, precisaremos abandonar quase tudo que adotamos. Exemplos: os templos religiosos (provável origem suméria), as alianças de casamento (origem hindu ou egípcia), as maquiagens (origem no Egito Antigo)... Temos que ser honestos e imparciais, correto? A questão não é a origem e sim, o significado que atribuímos a cada coisa. Se o coelho e os ovos tiverem um significado para nós, estaremos com um espírito pagão, mas se não tiverem, serão apenas mais alguns “objetos”. O apóstolo Paulo nos ensinou que se os ídolos nada são, porque nos preocuparíamos com eles? (I Coríntios 8). A única preocupação deveria ser “não escandalizar os irmãozinhos novos na fé”, que ainda não adquiriram a mente de Cristo, ou seja, que não entenderam ainda que o contaminante do homem é o que procede do coração (de dentro) e não, algo que venha de fora. 
     Sinceramente, acho um desperdício de dinheiro com esses produtos. Se observar bem, verá que 0,5 Kg de chocolate em formato de “ovo de páscoa” terá um preço muito superior à mesma quantidade em forma de barra. É nítido que empresas apenas agregaram valor e aproveitaram a data para ganhar dinheiro. Em toda data festiva é assim. Tudo virou comércio. Como se tornou uma tradição presentear alguém com esses ovos, o preço é altíssimo. Se ninguém comprasse, esse abuso não ocorreria, mas cada um escolhe com o que vai gastar o seu dinheiro. Há pessoas que precisam e que vivem disso. Não há nada de errado em comer um ovo, desde que saiba que isso não tem nenhum significado, além de uma tradição. Mas quer um conselho? Celebre a ressurreição de Cristo realizando o que Ele ensinou, que não é ficar doido atrás de um chocolate, muito menos deixar de comer carne vermelha ou se abster de relações sexuais e sim, ajudar os necessitados. Essa é a melhor forma de celebrar a Páscoa, pois fazendo o bem ao seu próximo, estará fazendo a Deus, como ensina Mateus 25. E se vai comprar um ovo de Páscoa para você ou para seu filhinho, se puder, que tal comprar dois e dar um para aquele amiguinho pobre dele que não tem dinheiro nem pra uma refeição decente? Assim estará demonstrando amor, mesmo que seja passageiro, num pequeno pedaço de chocolate. E quem sabe essa entrega lhe contagie e lhe estimule a ajudá-lo também nos outros dias do ano.

Autor: Wésley de Sousa Câmara
(Atualizado em 31/03/2015)

O formato da Terra, segundo os israelitas


     Será que o profeta Isaías (que viveu mais ou menos na época de 700 a.C.) sabia que a Terra era "redonda" (formato esférico)?

"Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar..." (Isaías 40:22)

     Muitas vezes ouvimos que sim, ou seja, que Isaías teria avisado (nesse versículo) que o planeta era esférico e que se os cientistas tivessem dado atenção, teriam descoberto esse fato muito antes, afinal, temos registros das primeiras noções de "Terra esférica" (e ainda eram hipóteses, pois não tinham comprovação) datadas apenas de cerca de 100 a 200 anos depois da morte do profeta (na Grécia antiga).
     Porém quando analisamos a crença judaica da época, concluímos que Isaías não estava se referindo a um planeta esférico e esse relato feito pelo profeta acabou sendo uma coincidência e não, uma "revelação" ou "profecia". Podemos praticamente afirmar certamente que ele não tinha noção do globo terrestre e o "círculo" a que ele se referiu foi provavelmente pela aparência que temos quando estamos em um campo aberto ou em um local alto e olhamos para o horizonte. Qual a percepção que temos? É que o ponto máximo que enxergamos em cada direção está a uma mesma distância, de forma que parece que estamos no centro de uma SUPERFÍCIE ARREDONDADA, CIRCULAR... É como se a Terra, nessa percepção (que devia ser a de Isaías, como era dos homens até então), fosse como uma forma circular de bolo (e não, como uma bola de futebol). E quando olhamos para cima, temos a impressão que o "céu" é um círculo que nos rodeia, ou seja, na percepção judaica da época, o planeta seria como uma bandeja de restaurante, em que o solo (terra e mar) seria a bandeja e o céu seria aquela tampa em forma de abóbada. Essa "Terra plana arredondada" estaria sobre colunas que a manteriam, bem como estaria sobre o Sheol (mundo dos mortos). Essa Uma ilustração dessa noção que tinham é a imagem que ilustra esta postagem.

     Outras observações:
- FIRMAMENTO: Cúpula que dividia o mar em dois (superior e inferior).
- SANTUÁRIO CELESTE: é o chamado 3º céu, onde estaria Deus e os anjos.

     Portanto, Isaías está se referindo a essa aparência da Terra como um círculo (redondo, mas achatado, plano) e não, como uma esfera (tal qual sabemos atualmente que é).

IMPORTANTE: A bíblia é um conjunto variado, eclético, de livros de diferentes autores, de diferentes tradições e de diversas épocas, retratando, assim, o pensamento judaico no decorrer da história. Não adianta forçar uma harmonia ou uma unidade de pensamento em todos os livros da bíblia, pois isso é ingenuidade perante o que ela é e o que ela se propõe (embora neste assunto especificamente seja possível generalizar o conhecimento judaico sobre "o céu e a Terra", pois não ocorreram grandes mudanças com o tempo). Então não faz sentido uma abordagem baseadas nessas categorias conservadoras "modernas". Alguns perguntam: Mas a bíblia não é inspirada por Deus? Como poderia ter erros? Oras, creio sim na inspiração das escrituras, mas a inspiração não significa cada texto ser "ditado por Deus" e sim, ter uma motivação para que registrasse pontos importantes que apontassem para Cristo, pois Ele é a revelação total, plena e perfeita da Palavra de Deus ao homem. A humanidade dos autores continua presente, sendo possível, ao analisarmos os textos, aprendermos muita coisa em relação à crença que cada tradição antiga possuía.
     E mais: não queira usar a bíblia como se fosse um tratado científico, pois ela nunca se propôs a desempenhar essa função. A bíblia contém escrituras, cujo papel (segundo o próprio Cristo) é ser testemunha dEle, ou seja, apontar para Cristo, dentro da realidade da história (cultura, sociedade, contexto, crença...) israelita.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Referências:
- Rascunho de Osvaldo Luiz Ribeiro
- Frei Diones Rafael Paganotto (Apresentação na 2ª Semana Teológica - Paróquia Papa João XXIII)
- http://www.mapas-historicos.com/terra-redonda.htm (acesso em 27/03/2015)

Pior do que um "bom incrédulo" é um "mau cristão"


     Há 3 tipos de pessoas quando se fala em fé cristã: "incrédulo genuíno", "cristão consciente" e "mau cristão".
     O incrédulo, justamente por não crer, não se preocupa com nada. Vive sua vida como acha que deve viver, aproveita ao máximo e geralmente tenta ser uma boa pessoa pela razão da vida ser curta e por essa vida ser a única chance que tem de amar e fazer o bem a alguém. Porém, muitos incrédulos vivem angustiados, justamente pelo fato da vida ser curta e da morte ser o fim de tudo. Logo, o homem não passa de mera criatura que vem e vai, sem nenhum propósito maior.
     O cristão consciente, por sua vez, sabe que é um pecador e que merece a condenação, pois não é digno de ser aceito e acolhido na perfeição e na pureza de Deus. A Lei divina é pra essa pessoa, um espelho que a desmascara, que revela o quão imperfeita é e mostra que ela merece a morte. Porém, ela é consciente e mergulha no Evangelho da Graça, na boa notícia de que "mesmo merecendo a morte, Deus nos abraça em Cristo, nos ama, nos acolhe, nos perdoa e promete que um dia seremos plenamente restaurados à imagem perfeita de Jesus". Sendo assim, não é arrogante, nem prepotente (pois sabe que é pecador) e não tem nenhuma ingênua tentativa de agradar a Deus por seus méritos, pois sabe que Deus se relaciona conosco sem nenhum merecimento nosso (por Graça) e com base na perfeição de Jesus. Esse cristão consciente não pretende fazer nada por merecer. Vive o melhor que pode, olhando pra Lei não mais como algo que o condena e sim, como um alvo que não pode alcançar nesse mundo, mas que continua sendo o alvo e dele não desiste, pois esse alvo é tudo que gera amor e vida. E essa lei, assim como o Evangelho foi revelada plenamente em Jesus. Ou seja: somente olha pra Jesus, pois nEle está o modelo de perfeição, bem como a garantia do perdão por estarmos aquém disso. Em Cristo reconhece quem todo homem é (pecador) e em Cristo reconhece quem Deus é (um Deus que é amor e que o acolhe incondicionalmente, por Graça).
     Já o mau cristão não é aquele que peca a todo momento (pois isso todos fazemos, embora todo cristão genuíno lute contra isso, pois os "pecados" denunciam alienação e um fluxo anti-vida e anti-Jesus). O mau cristão é aquele que não descansa nos méritos de Cristo. É aquele que nutre uma ingênua prepotência de conquistar o favor divino (salvação, bênçãos...) através de seu próprio esforço ou de suas obras. Porém, como esse "pseudocristão" acha que tem créditos/débitos com Deus, vive uma espiritualidade antropocêntrica (em contraste com a cristocêntrica do genuíno cristão), cheia de barganhas, culpa e medo. Acha que é ele, em vez de Cristo, o foco e a causa de tudo. Sendo assim, vive olhando para si mesmo para saber se está sendo bom o suficiente, se está produzindo frutos o suficiente, se está tendo fé o suficiente e se está negando o pecado o suficiente para ser salvo. Coloca como objetivo não o andar o mais próximo de Jesus, por amor, gratidão e adoração e sim, o interesse pelo "céu". Porém, como tenta alienadamente ter méritos com Deus, vive fracassando e no dia a dia vai percebendo que é imperfeito e que não consegue ser bom o suficiente. Assim, como não descansa na Cruz e como acha que não é apenas vítima do amor de Deus e sim, um ser que participa ativamente da "conquista de sua salvação", é uma pessoa ansiosa, atormentada pelo medo do "inferno" e da condenação. Não tem a paz do genuíno cristão e vive mais atribulado que o incrédulo, pois este, no máximo é desiludido pelo fato da morte ser o fim, mas não vive com medo de uma condenação pós-morte, eterna. Já o mau cristão é alguém que vive traumatizado, com medo, culpado e nutrindo um narcisismo, um egocentrismo, olhando a todo momento para dentro de si, tentando encontrar uma segurança que naquele momento não está com pecado que o afaste de Deus. Ou seja, o falso cristão vive com medo do inferno, mas esse medo já é uma experiência em vida do inferno. Por isso há tantos cristãos vivendo mentalmente atribulados. Uma espiritualidade doentia dessa é pior do que a ignorância acerca de Deus.
     Que sejamos bons cristãos e que tenhamos uma espiritualidade sadia, baseada 100% em Cristo, sem culpa por nossos pecados ou medo de condenação, pois cremos no Cristo que nos promete vida. Estamos crucificados com Ele, de forma que não tememos a morte, pois quando Cristo ressuscitou, ela foi vencida. Ela não é o fim, porém mais do que isso: para o genuíno cristão ela não é algo que alimenta insegurança por um "juízo divino"; ela é apenas a passagem da vida terrena para a vida futura; é a mudança de um corpo mortal para um corpo incorruptível; é a consumação da transformação de um ser relativo e pecador em um ser à perfeita imagem e semelhança de Jesus. Essa é a esperança cristã. Espero que você esteja nesse grupo.

"Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte." (Romanos 8:1-2)

"Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 8:38-39)

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Sua teologia depende de uma série de fatores


     Recentemente ficou famoso na internet esse vestido que originalmente é azul e preto, mas muita gente olha para ele e "jura" que é branco e marrom. Como assim? Ora, na imagem original dele ocorre uma combinação rara e exata de luz que cria uma ilusão de ótica, ou seja, devido ao ângulo de incidência da luz, somado às cores e à luminosidade de todo o ambiente (fundo), nossos olhos fazem uma adaptação para enxergar o objeto da forma mais realista possível e isso pode gerar uma "ilusão" em nosso cérebro, a ponto de muitos de nós termos certeza que o vestido azul e preto na verdade é branco e marrom.
     O que quero dizer com isso? Que o que enxergamos depende de nossa "lente". Todos somos humanos parciais, relativos, sendo que aquilo que vemos e que temos tanta certeza que é a realidade, muita vezes não é. E isso vale para toda nossa vida. 
     Esse caso do vestido achei perfeito para ilustrar as constantes disputas entre visões teológicas (catolicismo, luteranismo, calvinismo, arminianismo...). Cada um está enxergando com sua lente e defende essa visão que tem como se fosse absoluta. Por isso essas discussões nunca tem fim. Ambos os lados estão convencidos que estão com a razão, apresentando evidências aos montes, embora desconsiderem que só estão enxergando aquilo que a lente deles lhe permite enxergar.
     Mas nisso tudo o ponto que queria chamar mais a tenção é justamente o fato de o determinante para cada pessoa ter essa percepção da cor do vestido ser a luminosidade e a cor do ambiente que está ao redor. 
   Portanto, entenda que independentemente de qual tradição teológica cristã você siga, provavelmente seu irmãozinho que discorda de você está falando do mesmo vestido, ou melhor, do mesmo Deus que você, porém a percepção de vocês é divergente por todo o contexto seus. Seja pela teologia que cresceu aprendendo, pela cultura, pela preferência, pela forma de criação, pelas experiências pessoais ou religiosas... Cada um está "olhando para o mesmo Deus" dentro do seu ambiente, do seu contexto, com sua lente e a conclusão que cada um chegará terá influência de tudo isso. 
     Então, acredite, meu irmão (ã). O que você crê não é algo sem motivo, não é "puro" e nem simples e tampouco poderá afirmar que é a verdade absoluta. Essa compreensão que tem é apenas a sua percepção da verdade, que é Deus revelado em Cristo. Sigamos com humildade na busca pela "imagem mais coerente possível" com a realidade, tendo sempre em mente que a nossa percepção não muda o que de fato é fato!

Autor: Wesley de Sousa Câmara 

Deus: não entendemos, mas discernimos


     Muitos dizem que pode ser Deus agindo até mesmo alguns absurdos, com a alegação que não O entendemos e que Ele tem Suas formas de agir. A alegação está correta, mas não podemos dizer o mesmo que Deus pode estar se manifestando nesses acontecimentos absurdos. Se Ele é Deus e nós não, certamente (como dizia Paulo) não o entenderemos além do que Ele decide revelar a nós. Porém Ele nos deu um parâmetro perfeito, absoluto, que é Cristo. Quando olhamos para Jesus vemos tanto o que Deus deseja que sejamos quanto vemos como Deus é ("Quem vê a mim vê o Pai", disse Jesus). Então Ele deve ser nossa referência para avaliar tudo e todos.
     Precisamos primeiramente ler os quatro evangelhos, pois eles nos revelam historicamente o Cristo. Conhecendo como Ele era, como Ele agia em cada situação, em cada contexto, saberemos julgar tudo "segundo a reta justiça".
     Não precisa entender tudo o que Deus faz, mas quando olhar qualquer coisa à sua volta poderá avaliar se é coerente ou não com o "espírito de Jesus". Se é coerente, pode dizer: "Isso é de Deus" ou, pelo menos, "é coerente com a vontade de Deus". Se algo é avesso ao espírito de Jesus (lembrando que Ele nos ensina: amor até pelo inimigo, perdão quantas vezes for preciso, fazer o bem a todos, não se promover, acolher, ajudar, ensinar, não desejar vingança...) tenha certeza que aquilo não provém de Deus, não importando quem afirme que seja divino, afinal, Deus é absoluto, perfeito, imutável, eterno... Ele não é Deus de confusão para revelar algo em Jesus e agir de forma oposta; Ele não é mentiroso ou "bipolar", o que o tornaria um ser nada confiável; Ele não é hipócrita para nos ensinar a viver de uma forma e Ele mesmo ser de outra, até porque o propósito da salvação é nos transformar à perfeita imagem e semelhança de Cristo. Deus é o que Jesus revelou que Deus é: Amor!
     Então não tenha medo de julgar as coisas tendo Jesus como parâmetro. Deus nos deu a razão para usarmos. E se não tivéssemos Jesus como referência absoluta para discernimento, sequer poderíamos diferenciar Deus do diabo, afinal, um "deus" que não tem um critério absoluto para agir pode fazer o que bem entende, mas o Deus que realmente pode fazer o que bem entende resolveu não fazer tudo o que Seu poder é capaz e sim, tudo o que Seu amor pode realizar. E esse amor decidiu que salvaria uma criaturinha maldosa como você (e eu) por pura Graça, em um ato que ficou conhecido como "Cruz". Somos apenas vítima desse Deus. Ele é soberano e decidiu que seria amor. Quem ousará questioná-lo? Apenas agradeçamos e vivamos o mais próximo que podemos (não por obrigação e sim, por gratidão e em adoração) de Sua vontade revelada plenamente em Jesus.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Dicionário cristão "fundamentalista"


SEITA: Toda religião ou segmento religioso que não seja o meu.

HERESIA: Toda crença ou visão teológica que diverge da minha.

BASE BÍBLICA: versículos da bíblia que, na minha interpretação, apoiam a minha afirmação.

PALAVRA DE DEUS: A minha interpretação das escrituras.

EVANGELHO PURO E SIMPLES: A minha compreensão bíblica.

LIBERAL: Todo aquele "menos conservador" do que eu, ou seja, que faz o que considero pecado.

CONSERVADOR: Todo aquele "menos liberal" que eu, ou seja, que deixa de fazer o que considero que "não tem nada a ver".

HOMEM DE DEUS: Todo aquele que pertence ao meu segmento religioso ou que defende a minha linha teológica (ou a minha compreensão da Palavra, já que não gosto de admitir que sigo uma linha teológica).

PECADO: Tudo aquilo que é errado e que não pratico.

PECADOR: todo aquele que comete atos imorais diferentes do que eu cometo.

SALVAÇÃO: ir para o céu como eu irei..

SALVO: todo aquele que é, em termos de fé, muito semelhante a mim.

JUSTO/JUSTIFICADO: Todo aquele que segue minhas crenças.

SANTO: todo aquele que abre mão de fazer aquilo que eu também abro.

INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE CORRETA: a minha.

TEOLOGIA DA SALVAÇÃO QUE DEUS SEGUE: a minha.

HEREGE/FALSO PROFETA: Todo aquele que prega uma compreensão cristã diferente da minha.

PERFEITA IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS: Eu, é claro.

E não é que a maioria pensa assim? E mesmo sendo uma sátira, uma caricatura ainda assim acaba representando com exatidão o pensamento de muitos cristãos. Esse é o nível de espiritualidade de boa parte das pessoas, infelizmente...

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Confrontando o pecado... do outro, claro!


     Entendo que Evangelho é a "boa nova", a boa notícia de que "Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não imputando ao homem seus pecados", mas entregando-se por ele, para que tivesse salvação.
     O "chamado do Evangelho" (se é que podemos dizer assim, afinal "Evangelho" é notícia e não, demanda) é para vivermos nessa consciência (de crer, de mudar de mentalidade/arrependimento, de descansar...), respondendo em amor à vontade de Deus, vontade essa que entendo ser a Lei de Deus.
     Portanto, Evangelho não tem a ver com o pecado que eu cometa ou que eu seja (afinal Pecado é um estado, é o que eu sou, muito mais do que coisas que pratico) e sim, com o perdão do meu pecado. "Confrontar o pecado" é Lei e não, Evangelho (dentro desse paradigma que adoto, que pode ser lido clicando aqui). O que quero dizer com isso? Para que o Evangelho (que é o anúncio de que estou salvo e reconciliado com Deus) faça sentido, tenho que mostrar a Lei (que é a perfeição de Deus, da qual todo homem está distante e que é o ideal de Deus para a vida humana), mas só o Evangelho é capaz de fazer com que pecadores como nós pudessem se tornar justos.
      "Evangelizar" é anunciar essa obra de Cristo, que para fazer sentido, obviamente tenho que mostrar porque isso se fez necessário (mostrar a Lei de Deus). Agora, "apontar os pecados da pessoa" é algo totalmente errado, a meu ver. Uma porque todos pecamos e é hipocrisia achar que o pecado do outro é mais grave que o meu. Jesus se entregou não meramente pelos pecados que praticamos, mas pelo pecado que somos, pelo pecado original (lá no início, quando o homem, em Adão, escolheu o afastamento de Deus), pois o que praticamos é apenas consequência, sintomas dessa doença que está enraizada no homem. É essa reconciliação que Deus faz.
     Se apontamos o pecado de alguém, estamos mostrando o cisco no olho do próximo quando temos uma trave no nosso. Quem convence o homem do pecado não somos nós, é o Espírito Santo (João 16:8). Cabe a nós mostrar que todo homem (desde o que achamos mais santo até o que julgamos pior pecador) é pecador, estava afastado de Deus e Cristo nos levou de volta a Ele, de forma que uma vez sido reconciliados, devemos entender a grandiosidade deste ato em Graça e assim, sermos constrangidos em amor e em gratidão a vivermos o mais próximo que podemos da vontade divina, pois isso tudo (inclusive essa nossa entrega já, aqui e agora) é salvação.
     Quem entende o Evangelho e tem o Espírito na vida não tem prazer em viver pecaminosamente. Ainda pecará? Claro! Mas os pecados serão "acidentes" na caminhada (ou melhor, consequências inevitáveis de nossa natureza pecaminosa) e não, um estilo de vida, uma escolha deliberada. Nosso modelo de vida é Jesus Cristo, de forma que tudo o que não se assemelha a Ele, não é a vontade de Deus para nós (se quiser chamar isso de "pecado", sem problemas). Portanto, quando apontamos o "pecado" de alguém, estamos agindo diferente de Jesus ou seja, poderia dizer que nós "estamos pecando ao apontar o pecado". Jesus, diante da mulher adúltera, não a acusou, não apontou. Fez com que ela se enxergasse, com que ela percebesse que estava em uma vida má. Perdoou-a e a instruiu: "vá, viva, seja livre e feliz, mas não peques mais (não continue nessa escolha deliberada de algo que não lhe traz vida)". Esse é nosso papel: mostrarmos Cristo, que é o nosso alvo e a partir disso, todos saberão o que é ou não correto. Não é questão de fazer listinha de pecados, de proibições e sim, de consciência moldada na Palavra. Isso é "ter a mente de Cristo".

Autor: Wesley de Sousa Câmara

Desabafo "teológico"

     O povo briga por cada coisa... Se você é católico, calvinista, luterano, arminiano, universalista ou qualquer outro "...ano" ou "...ista", entenda:
     Só foi, é e/ou será salvo aquele que Deus deseja. O que eu e você pensamos muda a nossa crença, mas não muda Deus. Então se no "céu", seja o céu um lugar lá no alto ou aqui na Terra, tiver só uma pessoa, amém, Deus quis assim; se tiver todo mundo lá, amém, Deus quis assim.
     Se o inferno é um lugar físico ou "apenas" uma experiência de total ausência de Deus, sem que isso implique em um espaço físico diferente, terá sido porque Deus quis desse jeito. Se no inferno, seja como for, estiver "vazando gente pelo ladrão" ou se estiver mais vazio do que mercado no final do mês, amém, Deus quis dessa forma.
     É claro que há uma variação enorme de interpretações teológicas, umas mais coerentes e outras nem tanto, mas é tão difícil aceitar que TODAS as teologias são parciais, relativas, imperfeitas e que se Deus for levar em conta nossos equívocos doutrinários realmente ninguém se salva? É difícil colocar na cabeça que não existe "uma posição bíblica sobre algo" e sim, uma "interpretação bíblica com base em critérios e premissas pré-estabelecidas que, usando a bíblia como base, chega a uma certa conclusão"? Poxa, gente. Todos erramos e acertamos, mas cada um defende aquilo que lhe soa mais coerente e provável. Um dia, "na Glória", quem sabe saberemos quem de nós chegou mais perto do que realmente corresponde à realidade.
     Vamos amar mais, respeitar mais, tolerar mais e brigar menos. Chega de fanatismo e radicalismo. Se acha que sua compreensão é perfeita e a exata revelação detalhada do Espírito Santo, só lhe digo uma coisa: desse "deusinho" que cabe dentro de sua cabecinha humana limitada eu sou o mais fervoroso ateu. Creio no Deus eterno, soberano e absoluto, que revela o que Ele quer e como Ele quer e que aquilo que o homem pode compreender não é nem a sombra de Sua plena essência. Mais humildade e menos arrogância.
     Pronto, falei!

Autor: Wesley de Sousa Câmara