7 de abr de 2010

As pesquisas eleitorais são confiáveis?

     Em todos os anos eleitorais ocorrem as mesmas coisas: horários políticos, panfletos, discursos, promessas e pesquisas de intenção de voto. E são estas o assunto deste breve comentário.
     Muitas vezes ouvimos de muitas pessoas, inclusive de candidatos (apenas os que estão mal colocados nas pesquisas, é claro) que esses dados estatísticos não condizem com a realidade. Afirmam que o resultado da votação pode ser completamente diferente desses dados. Seria possível? Eu diria que não! Se a pesquisa for encomendada e conduzida por grupos sérios, os resultados podem ser considerados confiáveis.
     Uma pesquisa eleitoral mais próxima da realidade deveria ser realizada a partir de uma amostra aleatória. Na prática, ocorreria o seguinte:
- Realização de um sorteio (em que todos os eleitores participassem), selecionando um grande número de pessoas (acima de 1000).
- Um grupo (de indivíduos aptos a votar) seria, portanto, escolhido ao acaso.
- Essas pessoas selecionadas seriam entrevistadas e o resultado representaria a população.
     Porém, devido ao tempo e ao gasto muito elevado para realizar esse tipo de pesquisa, faz-se, geralmente, uma amostragem por cotas. Neste tipo, a população é classificada em setores relevantes para a pesquisa e uma certa quantidade de pessoas de cada setor é escolhido para a entrevista. Exemplo: são escolhidas pessoas das diferentes classes sociais, das diferentes regiões e das diferentes idades. Essa seleção é proporcional à quantidade de indivíduos desses “setores” na população. Assim, embora não seja o melhor modelo, é o mais viável.
     Supondo que os dados obtidos da amostragem por cotas sejam bem parecidos com os dados que seriam obtidos da amostragem aleatória, interpretaremos da seguinte forma as pesquisas eleitorais:
Exemplo:
Um candidato X apresenta 40% das intenções de votos, enquanto o candidato Y apresenta 35%. Os realizadores da pesquisa informam que a margem de erro é de 3%.
Obs: Para uma margem de erro de aproximadamente 3%, deve-se entrevistar 1067 pessoas. Entrevistando um número maior do que este, a pesquisa seria ligeiramente mais precisa, porém acarretaria em um maior tempo e maior trabalho para sua realização, o que não compensaria.
     As informações acima indicam que:
- O candidato X deverá receber uma votação de 37% a 43% dos eleitores (a diferença de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, deve-se à margem de erro).
- O candidato Y deverá receber uma votação de 32% a 38% dos eleitores.
- Considerando a margem de erro, o candidato Y poderá ter 38% dos votos e vencer as eleições, já que o candidato X poderá receber apenas 37%. É uma possibilidade!
     Porém, as coisas não são tão simples. Além da margem de erro, deve-se considerar que, como foi selecionada uma amostra (um grupo de pessoas) para representar toda a população (os eleitores), há uma chance desses dados estarem equivocados. Não tentarei reproduzir aqui os cálculos matemáticos (pois não é minha área), porém a interpretação correta dos dados seria a seguinte:
- Há 95% (esse número geralmente é usado por todos os pesquisadores) de probabilidade do candidato X ter uma votação de 37% a 43% dos eleitores. Seria possível, então, receber apenas 25% dos votos, por exemplo? Sim, mas a chance de acontecer tal evento é muito pequena (apenas 5%). O mesmo raciocínio aplica-se ao candidato Y e aos demais, caso existam. A partir daí vemos a importância da realização de várias pesquisas eleitorais. Caso uma "dê errado" (o que seria difícil), outras mostrariam dados mais próximos da realidade. Porém, quando várias pesquisas chegam a resultados semelhantes, os dados obtidos podem ser considerados bem próximos da realidade.
     Portanto, as pesquisas eleitorais são confiáveis, desde que saibamos interpretá-las. O fato de não serem perfeitas não significa que são falsas ou que não mereçam crédito.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Referência:
http://www.propesquisa.com.br/welcome.phtml?sec_cod=90

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