13 de dez de 2011

Falta de respeito VS Intolerância (Jô Soares)


   No dia 17/11/2011, durante o programa do Jô Soares, da rede globo, foi exibida uma cena curiosa  do DVD “Filhos de João: o admirável mundo novo baiano”. No trecho mostrado, um homem relata, em tom jocoso, um caso de uso de folhas da bíblia para fumar maconha. Logo em seguida, o apresentador Jô Soares pergunta a um convidado na platéia: "Você já conhecia essa outra utilidade das folhas da bíblia?" E completa: "Você vê que a bíblia tem 1001 utilidades, né?"
   Esses fatos geraram uma grande repercussão e polêmica entre os cristãos, chegando ao ponto do Apóstolo Renê Terra Nova e do pastor/deputado Marco Feliciano repudiarem publicamente este acontecimento. Pedidos de retratação foram feitos e até a Polícia Federal parece ter sido envolvida.

   O que quero aqui fazer é um breve comentário sobre essa "palhaçada" e tentar ajudar algumas pessoas a serem mais imparciais em suas opiniões.  Vamos lá:
   Digamos que eu seja entrevistado no mesmo programa e eu afirme que comprei algumas imagens de escultura (aquelas de "santos", usadas pelos católicos) para que meu cachorro possa urinar nelas; em seguida digo que meu filho é um afeminado e isso eu não aceito, pois não sou depravado e tenho "vergonha na cara"; para finalizar, conto algumas piadas racistas e digo que obesidade não é doença e que os “gordos” são assim devido à gula e à falta de educação! Obviamente foram apenas suposições e eu jamais afirmaria tais coisas, principalmente por não representarem o que eu penso. Mas voltando ao assunto: provavelmente eu sairia do programa algemado, direto para uma delegacia.
   A qual conclusão eu chego? Que vivemos sob uma censura, camuflada em meio a uma pseudo-liberdade. Ao mesmo tempo em que a Constituição de 1988 diz que sou livre, há regras e/ou leis que limitam o meu direito de expressão, com o argumento de "proteção a uma minoria". O termo “preto” é racismo e preconceito; “branquelo, desbotado, albino, anão, aleijado, nanico, magricela e loira burra, não! Machismo é vergonhoso; feminismo é moda! Político que fica com dinheiro do povo, é corrupto; povo que fica com o troco a mais do supermercado é esperto! Fazer brincadeiras com gays é homofobia; com  as pessoas “feias” é normal. Percebe quanta hipocrisia e parcialidade há entre nós? Temos que usar um mesmo peso e uma mesma medida para tudo. Ou dá liberdade para todo tipo de crítica ou institui abertamente a censura. É claro que sou a favor da primeira opção.
   Talvez alguém esteja pensando: “Então você é a favor de tudo o que aconteceu no programa do Jô?” Claro que não! Condeno parcialmente o ocorrido. Isso mesmo, parcialmente.
   Uma pessoa que crê na bíblia jamais usaria suas páginas para fins supérfluos e um indivíduo que, mesmo não crendo, mas que sabe respeitar as crenças do seu próximo também não faria o mesmo. Podemos notar uma ignorância e uma falta de respeito imensa por parte das pessoas que fizeram tais coisas e também das que participaram dessa brincadeira de mau gosto na televisão. Eu não acredito na padroeira do Brasil (como os católicos a vêem), nem por isso eu a chuto; não tenho medo de "macumba", mas também não saio quebrando as garrafas que encontro toda semana na esquina da minha rua. Infelizmente em um país que não dá importância para a educação, a falta de respeito é muito comum, até mesmo entre aqueles que acreditamos que são cultos. Para começar, os infelizes citados no vídeo não deveriam ter usado a bíblia na fabricação de seus “baseados” (1º erro); já que fizeram, não deveriam contar esse fato como se fosse uma coisa magnífica ou engraçada (2º erro); como foi contado dessa forma, não deveriam surgir piadinhas desrespeitosas, como as criadas pelo Jô, somente para ficar bem com os convidados e com a platéia, que sorria sem parar (3º erro). Ou seja, um erro leva a outro, tanto é que o 4º erro, ao meu ver, partiu do outro lado: de alguns cristãos.
   É um exagero querer exigir uma retratação pública da Rede Globo, do apresentador do programa e dos envolvidos no caso. Pior ainda é envolver a Polícia Federal no assunto. Parecem aquelas brigas de crianças, em que um apanha e vai correndo chamar a mãe para resolver. Sejamos adultos e livres (afinal Jesus nos trouxe liberdade), o que implica em aceitar críticas e até brincadeiras (desde que feitas com respeito). É claro que houve um excesso por parte dessas pessoas, mas um cristão não pode levar a sério tudo o que ouve, o que vê e o que lê. Se isso o incomodou, critique-os! Os ateus vivem zombando da bíblia e de Deus e nem por isso vamos chamar a polícia ou entrar na justiça por causa disso. Se faltou respeito de um lado, de outro faltou tolerância. Essa é minha opinião!

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