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Qual a importância do jejum?


     O jejum, ou seja, a privação de alimentos por um longo período de tempo é uma prática realizada há milênios por diversas religiões e grupos em todo o mundo. Vários significados são atribuídos a isso e no meio “cristão” não é diferente. Será que jejuar é um mandamento?  É importante? Ou não passa de uma tradição ou de casos isolados na bíblia?
     É impossível falarmos do jejum sem citar os fariseus. Essa classe se considerava protetora da Lei de Deus na Terra, portanto, fazia de tudo para que os judeus seguissem à risca os mandamentos divinos. Com receio de que as pessoas deixassem de cumprir a vontade de Deus, colocavam fardos cada vez mais pesados sobre os judeus e procuravam mostrar a todos que eles cumpriam integralmente a vontade do Pai. Uma demonstração disso é o jejum, que em Levítico 23:27-32 é dito como necessário uma vez ao ano, porém, com o tempo, os fariseus foram diminuindo esse intervalo e nos dias de Cristo já realizavam duas vezes na semana (Lucas 18:12). Ou seja, eles queriam não apenas cumprir as determinações do Velho Testamento, mas também, realizar ainda mais do que isso, aprimorando-a, achando que fazendo assim seria suficiente para agradar a Deus.
     Também não podemos falar em jejum, sem fazer um comentário do ponto de vista médico. Sabemos que nossa alimentação, além de balanceada em termos de nutrientes, deve ser bem distribuída ao longo do dia. Assim, não é aconselhado que alguém fique mais do que 3 ou 4 horas sem alimentação, exceto em casos excepcionais, com indicações médicas (como para realização de exames complementares), ou durante o sono. Durante o jejum, no nosso organismo ocorre uma série de adaptações fisiológicas. O cérebro e as células vermelhas do sangue, por exemplo, dependem quase exclusivamente de glicose para funcionar. Quando não nos alimentamos, o corpo usa o estoque que tem de um açúcar chamado glicogênio para fornecer esse alimento a eles. Porém, em poucas horas o estoque acaba e inicia no fígado a produção de glicose a partir das gorduras (principalmente) e das proteínas do corpo. Quando o jejum é prolongado (semanas), as mudanças são mais drásticas e há produção de compostos ácidos, que também são usados pelo cérebro e os rins devem trabalhar ainda mais para compensar essa “acidose” do sangue. E isso sem falar nas deficiências de nutrientes, como algumas vitaminas e minerais, que são essenciais para o nosso metabolismo. Resumindo: O jejum prolongado é muito prejudicial à saúde, podendo causar uma série de complicações em indivíduos com doenças crônicas ou facilitar o aparecimento de diversas doenças em pessoas saudáveis. Do ponto de vista médico, o jejum prolongado é contraindicado sempre e o jejum de poucas horas somente é contraindicado para algumas pessoas (principalmente gestantes, diabéticos e idosos) e quando feito pelos demais, deve-se ter cautela e ficar atento a possíveis efeitos colaterais (transtornos estomacais, hipoglicemia, perda de consciência, fraqueza muscular, lentidão de raciocínio, dores na cabeça, queda na pressão arterial...). O problema é que alguns defendem de forma irresponsável que o jejum pode e deve ser praticado por todos, sem considerar as particularidades de cada um. Já vi casos, aqui em Niterói-RJ, de pessoas que passaram muito mal devido a esse tipo de jejum. Portanto, prudência sempre! Principalmente da parte dos líderes religiosos que, ao tentarem supostamente fazer um bem, acabarão prejudicando a saúde e até a vida de algumas pessoas que os ouvem. E depois terão que orar para que Deus cure esses indivíduos. Um paradoxo, né?
     Mas voltando à bíblia, de forma simples e objetiva, o que podemos dizer?
    O jejum que tem valor para Deus não é a simples abstenção de alimentos, como forma de sacrifício, e sim, uma comunhão profunda com Deus, com abstinência de tudo o que desagrada a Ele. Esse jejum pode ser feito até se alimentando de seu prato preferido. Ou seja, nossa vida deve ser um constante jejum. Mas e o jejum de comida?
     O jejum, quando feito como ritual ou para se enquadrar no pedido ou ordem do líder de um grupo não tem nenhum valor. Por exemplo: um pastor marca uma data para que todos os membros daquela denominação jejuem. Esse jejum será apenas uma privação coletiva de alimentos ou uma dieta em grupo. Nada mais.
    Como vimos, havia na lei de Moisés um dia determinado para o jejum. Encontramos nas escrituras vários relatos de jejum (Zacarias 7:1-5; 8:18-19; Jeremias 36:6-9; Jonas 3:5; I Reis 21:9-12; entre outros), que eram usados pelo povo tanto na tentativa de descobrir o motivo de alguma desgraça que estivesse ocorrendo, quanto na comemoração de aniversários de luto ou ainda para implorar o perdão e misericórdia de Deus. No novo testamento continuamos observando o jejum. Jesus, como um típico judeu, jejuou! Porém perceba que Ele não fez uma “dieta”, continuando com Suas as atividades diárias. Ele se isolou e ficou em um estado de profunda comunhão com o Pai, desligando-se de tudo deste mundo (companhia, barulho, atividades e alimentos), entrando em um estado máximo de concentração, de meditação nas coisas do Alto e alimentando exclusivamente a alma. Jesus fazia isso sempre, indo para locais afastados e ficando apenas na presença do Pai.

MAS E EU? SOU OBRIGADO A JEJUAR?
     Ninguém é obrigado a nada. E o jejum não é um mandamento e não é algo que garante salvação a ninguém. O jejum de alimentos pode ser interpretado como uma "disciplina espiritual", e como toda disciplina, sua eficácia varia de acordo com o disciplinado. E como toda disciplina tem que gerar um aperfeiçoamento, após o jejum a pessoa deve se perguntar: "O que mudou em mim?" Se nada mudou ou se serviu para piora, a pessoa não deveria mais jejuar dessa forma. Alguns, por exemplo, saem do jejum se sentindo mais espirituais, com mais poder e unção... Isso é idolatria ao próprio Ego e é achar que Deus se manifesta em nós de acordo com nossos méritos. Mas se a pessoa jejua e percebe que sua consciência em relação à dependência exclusiva de Deus aumenta, essa forma de jejum é proveitosa.
     Não acredito em uma regra e tampouco nessas propostas de jejum coletivo (exemplo: pastor convocando os membros de sua denominação para jejuarem num dado dia). Algumas pessoas precisam desse jejum alimentício como estímulo para deixarem seu Ego de lado e assumirem que nada são sem Deus; outras, precisam justamente do oposto: assumir que é dependente através de ação, lidando com gente, fazendo o bem, realizar o que Deus quer que ela faça. Para essas, o jejum citado em Isaías 58:6-10 será muito mais proveitoso. Mas todo jejum, quando realizado, deve ter como motivação a consciência, o desejo sincero,  a gratidão, o quebrantamento e o anseio por comunhão com o Pai. Agora, se a pessoa tem um problema sério de saúde ou se tem alguma condição que a predisponha a problemas caso não se alimente adequadamente (como já foi citado anteriormente), não faça um jejum muito longo (caso se abstenha de alimento) ou alimente-se antes e faça seu jejum como é o “espírito” do jejum, que falarei abaixo. Se achar que o jejum é um sacrifício com poderes místicos ou que o torna mais santo, cairá em um profundo paganismo supersticioso.

E O QUE DIZER DE MATEUS 17:19-21 ?
     Antes de comentar o texto, tenho que fazer uma observação: o versículo 21 é objeto de discussão de estudiosos, pois muitos dos manuscritos mais antigos não possuem este trecho e uma explicação possível é que não tenha sido escrito por Mateus e sim, por copistas quando transcreviam essas escrituras. Um texto semelhante a esse versículo está em Marcos 9:29, porém também se  discute se no texto original haveria a palavra "jejum" ou "oração", apenas. De qualquer forma, como não temos certeza, iremos supor que o Jesus tenha realmente feito essa afirmação (que aquela espécie de demônios não sairia senão pela oração e pelo jejum).
     Jesus afirmou que os discípulos não conseguiram expulsar os espíritos do jovem porque não tinham o poder místico do jejum? Não! O Evangelho nos ensina que rito nenhum tem poder em si. Era por causa da fé dos discípulos! Aquela casta de demônios não sairia sem jejum e oração, não porque o jejum traria mais poderes e sim, porque é um ato que faz com que a pessoa se desligue de tudo que possa abalar a fé ou colocar dúvidas ou questionamentos na mente; é uma atitude que traz "disciplina espiritual"  e que quando feita com sinceridade e espontaneidade, representa um grau muito grande de comunhão com Deus, comunhão esta que aumenta a cada vez mais com essa relação de intimidade com o Eterno. Não pretendo aqui construir uma doutrina sobre o jejum e sim, tentar interpretar da forma mais simples o que foi dito por Jesus. Mas seja qual for a interpretação, o fato é que algumas castas, legiões não saem sem jejum e oração e os discípulos não questionaram a “base teológica” disso, como costumamos fazer. Apenas aprenderam a lição do Mestre.
     O jejum deve ser espontâneo e secreto. Jesus criticou os fariseus por jejuarem e mostrarem a todos que estavam fazendo isso (Mateus 6:16-18). Infelizmente essa é uma atitude muito comum atualmente, pois a maioria que jejua diz isso abertamente ou então fica a todo o momento dizendo para todos jejuarem (afirmando indiretamente que estão fazendo isso). Foi justamente esse exibicionismo que Cristo condenou. Portanto, cuidado!
     Além disso, o jejum de privação deve ser em um isolamento de tudo, trancado num quarto ou em um local afastado. Não diga a ninguém, a não ser quando necessário, como à (ao) esposa (o), por exemplo. Ficar sem comer e continuar com as atividades rotineiras, é apenas um “passar fome”, que não lhe trará nada mais do que mal-estar. Quando for se alimentar novamente, apenas irá pensar: “Que delícia de comida, ainda bem que o jejum acabou”. Isso é idolatria, é paganismo e Deus não se agrada disso. Portanto, se for fazer um jejum de comida, que seja acompanhado de tudo o que foi dito anteriormente. E que seja feito de forma sincera, secreta e espontânea. Se o jejum não for acompanhado de ligação total com Deus, não é jejum.
     Outra coisa que jamais pode existir é a tentativa de barganha com Deus. Muitos jejuam como forma de conseguir uma bênção. Jejuam para conquistar um emprego, uma promoção, uma casa, um cargo eclesiástico ou qualquer outra recompensa. Isso não existe! Jejum deve ser a busca por comunhão com Deus e uma forma de quebrantamento e de gratidão. É alimentar a alma sem se importar com todas as demais coisas. Se for fazer um jejum de comida, lembre-se que deve ser uma abstenção de tudo e esse é o único jejum que tem valor para Deus.

     Para encerrar, termino deixando dois trechos bíblicos:
   “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.”  (Romanos 14:5-8)

   “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?  Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda. Então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.”
(Isaías 58:6-10)

Autor: Wésley de Sousa Câmara

Referências:

Bíblia Almeida Corrigida e Revisada Fiel
Bíblia de Jesusalém
CHAMPE, Pamela C.; Bioquímica Ilustrada; 4ª edição; 2009; Ed. Artmed.
COLEMAN, William L.. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Editora Betânia. 1ª edição. 1991.

24 Comentários - Comente aqui:

  1. Quando eu jejuar, posso continuar nas minhas atividades diárias?

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    1. Não é que não pode, Anônimo e sim, que não faz sentido. O Jejum que tem valor a Deus não é o simples deixar de comer. Isso é dieta, é passar fome... Se não come e vai fazer suas atividades diárias, no máximo vai render pouco, ficar estressado, com dor de cabeça e poderá sentir-se muito mal. O verdadeiro jejum é deixar tudo em segundo plano e focar na ligação íntima com Deus. É abster-se do mal para alimentar o interior, a fé, o que é bom... Às vezes chega a um grau tão alto de foco, que até mesmo o alimento físico perde a importância naquele momento de comunhão com Deus. Portanto, se o jejum não for feito com fé, concentração, em ambiente tranquilo, isolado de tudo e de todos, não tem sentido e não passará de uma superstição ou uma autoflagelação tentando uma barganha (receber algo em troca) com Deus. E Deus não atua na base da troca. Tudo é por Graça. O jejum, quando é feito com fé e responsabilidade, é muito bom. Do contrário, no máximo vai trazer transtornos físicos, mentais, de relacionamento e criará uma arrogância "farisaica". Abraço e fique na paz.

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  2. Desculpe mas sou obrigada a discordar da sua afirmacao de que o jejum, quando convocado por um lider religioso nao tem valor nenhum. Tenho 33 anos, sou de uma familia tradicional assembleiana (pra voce ter uma ideia, meus avos foram batizados pelos missionarios suecos). Pois bem, minha mae me conta que na decada de 70 o entao Pr. presidente da Assembleia de Deus aqui de Recife (Pr. Jose Amaro) comprou um terreno para a construcao do novo templo central com capacidade para 3000 pessoas sentadas; houve um problema politico e o terreno foi desapropriado para construcao de uma escola. O entao pastor solicitou um jejum para todas as congregacoes (em revezamento) durante 3 dias; o que aconteceu apos isto? Ora, obviamente o terreno voltou a ser da igreja e o politico que assinou os papeis da desapropriacao foi o mesmo que reapropriou. O templo foi construido ainda na decada de 70, em 2005 foi reformado ampliando sua capacidade para 5 pessoas e agora o nosso Pastor Ailton Jose Alves constuir'a um templo para 30.000 pessoas sentadas! Deus 'e fiel. Portanto, discordo de suas afirmacoes sobre a inutilidade do jejum (privacao de alimentos) porem concordo com o "jejum do pecado" tambem comentado por voce.

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    1. Primeiramente obrigado por comentar e registrar sua opinião. Vamos ao que creio:
      - Se uma experiência pessoal aparenta ser contraditória a todo o contexto do Evangelho, deixaremos o Evangelho de lado ou repensaremos o que pode ter ocorrido em nossa experiência? Com certeza é a segunda opção, certo? Pois bem. Poderia citar casos também de pessoas (até da família) que fizeram jejum e de outros que fizeram votos a fim de conquistar algo ou sair de uma "luta" e no final tudo deu certo. Resultado: o "milagre" foi atribuído ao jejum, ao voto... Tudo o que recebemos é por Graça (favor IMERECIDO). Dizer que recebemos por causa do jejum é uma barganha com Deus. É como dizer que oferecemos um sacrifício (de qualquer natureza) em troca de um favor. Qual a semelhança disso com o Deus revelado em Cristo? Nenhuma! Na nova Aliança não há barganhas a fazer. É claro que um povo que clama a Deus com fé, com sinceridade pode alcançar o que pede (CASO SEJA da vontade de Deus), mas isso não tem nenhuma relação com essa superstição de "poder maior dado pelo jejum". O jejum quando é sincero é apenas uma prova, uma consequência de um quebrantamento, de fé. Mas quando é feito em busca de algo em troca, não é compatível com o Evangelho, mesmo sendo convocado por um "homem de Deus" (afinal, mesmo sendo de Deus,continua sendo homem, portanto, falho e cheio de erros como eu e você).
      E não se esqueça que nós somos o templo, a casa de Deus, onde o Espírito Santo habita. Onde nos reunirmos, ali estará a Igreja e não é uma catedral para milhares de pessoas que será uma evidência da aprovação de Deus, afinal, muitas são sepulcros caiados (não estou dizendo que seja esta que citou, não me interprete mal), belas por fora, mas cheia de podridão espiritual por dentro. Catedrais e Palácios são formas humanas de ostentação, de mostrar poder... (Afinal não vejo esses "templos" serem construídos com o máximo de simplicidade, diminuindo gastos e usando o dinheiro como o Novo Testamento ensina - que não é construir templos e sim, cuidar das necessidades das pessoas, que são os templos). A Igreja primitiva se reunia em casas (em pequenos grupos), em praças, até em catacumbas e ao invés de construírem luxuosos e confortáveis prédios, usavam o dinheiro em prol dos que nada tinham. Será que viver o Evangelho é construir um imenso templo ou é ser, como significa o termo "Igreja": CHAMADOS PARA FORA, a fim de sermos sal e luz do mundo? Congregar com os irmãos é importante e faremos isso, mas de forma alguma é o foco e se não tiver local, nos reunimos até na rua, pois o Evangelho é um modo de vida, conforme os ensinamentos de Jesus. Fique na paz, irmã. Abraço

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    2. Leia o livro de ESTER, e depois diga o que pensa sobre "jejum coletivo". Abraços

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  3. Gostei muito da profundidade da explicação dada. Muito obrigada pelos esclarecimentos.

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  4. "Se for fazer um jejum de comida, lembre-se que deve ser uma abstenção de tudo e esse é o único jejum que tem valor para Deus." Por que, você é Deus?
    ( Jejum de Daniel) - Ficar privado de algum tipo de alimento também é jejum sim. E diferente do que está escrito, Deus vê a intenção do coração. Não adianta ficar sem comer nada sem um coração sincero. Mas posso ficar sem comer chocolates, como sinal de quebrantando minha carne e agradar o coração do Senhor.

    Abraços

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  5. Deixar de comer um alimento específico, como chocolate, ao meu ver, além de "dieta", é mais sinal de superstição do que de quebrantamento da carne. Afinal, "carne" não é sinônimo de corpo. Quebranto a carne ocorre quando deixamos de agir para satisfazer o nosso eu (ego) e passamos a agir de acordo com o Espírito que em nós habita. Quebrantamento, portanto, não é deixar de comer e sim, entregar-se para que eu não viva mais, mas Cristo viva em mim. Fazer o que o Evangelho nos ensina, isso é quebrantamento, amado. Abraço e fique na paz.

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  6. Fale mais sobre o jejum de Daniel como esta escrito na Bíblia Wesley.
    Quero uma explicação com base na palavra não no que você acha.
    Obrigado. Paz.

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    1. Ariel, é impossível eu dizer qualquer coisa que não seja "o que eu acho". O que chamo de "base na palavra" nada mais é do que a minha interpretação do que seja essa base, ou seja, é "o que eu acho". Como não sou fundamentalista, parto do pressuposto que toda interpretação humana sobre a Palavra, por mais sincera e honesta que seja, é relativa. Somente Deus é absoluto. Leia a resposta dada ao amigo abaixo (Danilo), pois seria a mesma resposta dada a você. Abraço e fique na paz.

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  7. Glória a Deus! Graça e paz sê multiplicada Wesley.
    Bom, quero deixar para os irmãos a paz de Deus!
    Quero agradecer a Deus por sua vida e pelas sábias colocações acerca do JEJUM.
    Eu aprendi muito o sentido do mesmo. Não somente por suas palavras, mas, especialmente pelos versos citados do livro sagrado. (BÍBLIA)
    Mas me diga uma coisa irmao; eu faço jejum de zero às doze, nesse período normalmente não como nada, só bebo água. Você acha que devo tirar inclusive a água?
    E em relação a algo que sentimos prazer, tipo: refrigerante... faço jejum deste e tiro ele durante o período total. Por exemplo 21 dias!
    O que você acha disso também?

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    1. Danilo, primeiramente obrigado e Graças a Deus que foi útil o texto. Em relação a tirar a água do jejum é completamente indiferente, na minha opinião. Isso é com você, que sabe o que será ou não positivo. Não é o que deixa de comer e beber que faz um jejum e sim, a motivação, a sinceridade, a entrega e o fruto disso. Considero o jejum apenas como uma disciplina espiritual e o que muda em você com esse jejum? Se for "nada", é perda de tempo e prejuízo à saúde, apenas.

      Em relação ao jejum de Daniel (que é esse de 21 dias), digo que foi um "jejum" que durou 3 semanas, sendo que foi parcial, ou seja, Daniel se absteve DE ALGUNS TIPOS DE ALIMENTOS, para "não se contaminar"... Enfim. A história toda encontra-se em Daniel 1.

      Em primeiro lugar, diria que Daniel é um exemplo de homem de Deus, porém não é nosso modelo de fé e de vida. Nosso fundamento e modelo perfeito é Cristo, ou seja, o fato de Daniel agir de dada forma não significa que devamos obrigatoriamente fazer o mesmo.
      Em segundo lugar devo dizer que normalmente vejo pessoas fazendo o jejum de Daniel por conveniência (afinal a pessoa escolhe algumas coisas para deixar de comer por 21 dias, ao invés do jejum tradicional que deixaria de comer de tudo por menos tempo) ou por superstição (como se 21 dias fosse um número mágico ou como se fazendo isso Deus passasse a conceder os pedidos da pessoa - vulgo "barganha com Deus"). Isso não cabe no Evangelho.
      Em terceiro lugar o jejum, sendo uma "disciplina espiritual" é algo que fazemos PARA NÓS e não, PARA DEUS. O jejum foi inclusive incentivado por Jesus até por isso, para que nós crescêssemos. É como alguém que abre mão de assistir TV no mês de uma prova, a fim de que se concentre no que é realmente importante e aprenda. Não ficamos mais santos, nem mais poderosos e tampouco "amolecemos o coração de Deus" para nos abençoar quando jejuamos. Apenas é uma disciplina que nos faz crescer. Quando Jesus diz em Mateus 6 que Deus RECOMPENSA quem jejua em secreto é justamente isso. Recompensa é por méritos nosso, portanto, se fosse "abençoar", Deus estaria barganhando conosco, o que é incoerente com o Evangelho. Mas quando Jesus diz que Deus recompensa, é justamente isso: um jejum sincero, feito com consciência gera no indivíduo aperfeiçoamento, crescimento. Agora quando é feito por interesse em alguma bênção ou de forma supersticiosa, é mera "dieta com espírito de macumba". Com sinceridade, é isso que penso.

      Abraço e fique na paz.

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  8. Jejuar é um assunto pessoal.
    Jejuar é importante e útil na vida e no serviço cristão, mas não é algo que possa ser induzido por outra pessoa e não é algo pelo qual devemos julgar a condição espiritual de outros. O voto nazireu é uma ilustração disto. Deus não exigiu que o povo fizesse voto nazireu (exceto em poucos casos incomuns, como o de Sansão, Samuel e João Batista). Era um voto de livre arbítrio que um indivíduo fazia a Deus, além dos deveres requeridos pela Lei. O jejum tem essa natureza.
    SOMENTE DEUS pode confirmar se recebeu meu jejum seja ele parcial ou total... Se Daniel não fosse exemplo, se Ester não fosse exemplo não teria sido registrado na bíblia! O grande erro do ser humano e se basear em textos isolados (ou só no novo testamento, esquecendo que o antigo tbm é bíblia).
    Trabalho fora e dependo de cumprir horários para isso, quer dizer que se eu não posso faltar ao trabalho eu não posso jejuar porque não pude me isolar??? Se eu jejuar trabalhando Deus não vai receber meu jejum? Alguém aqui trocou a posição de Deus!
    Texto sem contexto é pretexto para heresia!!!

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    1. Amado (a)?, bíblia é a compilação moderna de textos que fazem parte das chamadas "escrituras". Discordo de todo fundamentalismo, inclusive esse que "idolatra" e "santifica" os personagens bíblicos. Eles eram homens e mulheres como nós, que acertava e que erravam. Veja que o homem segundo o coração de Deus (Davi) teve atitudes que se alguém realizar hoje em dia, muitos de nós condenará o cidadão no mínimo ao inferno. rsrs. Satanás também aparece na bíblia, então quer dizer que ele é exemplo para nós? Como você mesmo disse, texto sem contexto é pretexto para heresia. Somos discípulos de Jesus e não de Daniel ou de Ester. O que eles fizeram ou disseram que é coerente com Jesus, devemos seguir. O que não é, fica como mero registro de algo que fizeram. Não deve ser nossa base. Dizemos que há um só Deus, dizemos que Jesus é o único mediador entre Deus e homens, mas na prática, temos vários "ídolos".
      Jejum não é PARA DEUS. No máximo é PARA O HOMEM, pois atua como uma disciplina espiritual útil para muita gente. Jejum para Deus foi descrito em Isaías 58.

      Abraço e fique na paz.

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  9. Olha Wésley! Com todo respeito você se apressa demais em julgar as pessoas! (e o jejum que elas praticam) Não sou eu quem está sendo fundamentalista aqui!
    Quem mencionou sobre idolatrar e santificar personagens bíblicos foi você e não eu! Conheço o suficiente a bíblia para saber que toda e qualquer idolatria é abominável perante os olhos do Senhor! Disse EXEMPLOS, concordo com você que Jesus é o modelo a ser seguido, mas esses exemplos citados como Ester e Daniel foram exemplos que ACERTARAM ao usar o jejum para tocar o coração de Deus e assim aproximarem - se Dele também.
    Reafirmo NÃO HÁ regras fixas na Bíblia sobre quando jejuar ou qual tipo de jejum praticar, isto é algo pessoal.
    "Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.(Mt 6.16-18)".
    Quando Jesus menciona "com o fim de não parecer aos homens que jejuais" deixa bem claro que não existe a necessidade de me isolar para jejuar, se isolar-se fosse o caso, o porquê então da instrução de parecer perante as pessoas de rosto lavado? Esse texto diz sobre o fato de eu poder jejuar e me socializar também desde que não cause alarde por estar jejuando.
    O profeta Daniel diz exatamente o quê ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar desejável. Provavelmente se restringiu à um jejum de frutas e legumes, não sabemos ao certo. O fato é que se absteve de alimentos, porém não totalmente. E embora tenha escolhido o que aparentemente seja a forma menos rigorosa de jejuar, dedicou-se à ela por três semanas.
    Em outras situações Daniel parece ter feito um jejum normal (Dn 9.3), o que mostra que praticava mais de uma forma de jejum. Ao fim deste período, um anjo do Senhor veio a ele e lhe trouxe uma revelação tremenda. Declarou a ele que desde o primeiro dia de oração o profeta tinha sido ouvido (v.12), mas que uma batalha estava sendo travada no reino espiritual (v.13) o que ocorreria ainda no regresso daquele anjo (v.20).
    A bíblia diz que Deus o ouviu e recebeu sua oração e seu jejum, mesmo sendo um homem ocupadíssimo (não tinha muito tempo para se isolar)
    Gostaria que você mostrasse biblicamente que Deus não recebe um jejum parcial, e me diz onde leu isso?
    Deixo aqui dois relatos verdadeiros de jejum sincero e recebidos por Deus para você:

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    1. Prezado (a) anônimo (a), responderei seus 3 comentários aqui:

      1 - Meu irmão (ou irmã, não sei), não me leve a mal, mas não sei porque você tomou para si a crítica genérica que fiz, pois quando não nos enquadramos, não nos incomodamos, certo? Veja bem: você afirma que Daniel e Ester são exemplos por estarem na bíblia, sendo que não considera que a bíblia foi compilada em concílios. Se dependesse de Lutero, por exemplo, nada de Tiago seria bíblico. Apocalipse, menos ainda. Ester? Também não. A questão não é estar na Bíblia. A questão é ser ou não coerente com o Evangelho. Por isso citei Satanás. Não é porque está na bíblia que vou tomar como exemplo. O mesmo vale para qualquer outro personagem bíblico. Se não for coerente com Jesus, com o Evangelho, pode ser um anjo do céu, não tomarei como exemplo pra mim. Essa é a radicalidade de não idolatrar Davi, Ester, Abraão, Davi e tampouco a bíblia, que é um instrumento inspirado que nos traz a revelação plena da Palavra de Deus, a saber: Jesus Cristo.

      2 - Realmente não há regras sobre o jejum, mas quando compreendemos o Evangelho, algumas coisas são inegáveis: jejum não é moeda de troca para conseguirmos o que queremos; não há barganhas com Deus; Jejum não nos deixa mais santos ou melhores diante de Deus. No máximo o jejum serve como disciplina espiritual para muitos de nós, pois ele não muda Deus, mas pode mudar a nós mesmos (ah, mas Daniel... Nosso exemplo é Jesus e não, Ester ou Daniel. Deus tinha propósitos na relação com eles dessa forma). Jejum não é para Deus e sim, para o homem. E tendo esse foco, não vejo nenhuma utilidade em ficar sem comer e ir fazer outras coisas, pois a pessoa sequer está consciente sobre o jejum que está fazendo. Vai é trazer riscos à saúde. Quanto a Jesus falar para os fariseus se arrumarem é óbvio: eles jejuavam e ficavam com "cara de sofridos"diante do povo, para chamarem atenção. Jesus então disse: já que gostam de se exibir, arrumem-se antes de aparecerem em público. Ou seja,com essa ironia estava "quebrando o exibicionismo farisaico".

      3 - Tudo o que recebemos é por graça. "Ah, mas eu jejuei e recebi" - dirá alguém. Sim, mas recebeu por graça e não porque essa pessoa "comoveu o coração de Deus" com esse sacrifício. Quando uma pessoa se propõe a passar momentos de intimidade com Deus é como eu disse: é uma disciplina espiritual que muda essa pessoa. Não é que o jejum tem um poder místico, mas a pessoa muda, reconhece sua dependência de Deus e por aí vai...

      O que é coerente com Jesus e com o espírito do Evangelho, devemos aceitar. O que não é, devemos rejeitar, mesmo que venha rodeado de milagres. Essa é a radicalidade de sermos discípulos de Jesus e apenas de Jesus. E aí não tem nada de "letra" e sim de crer que Jesus é o verbo/palavra de Deus que se fez carne ou seja, é a revelação plena de Deus aos homens. Crer que já está tudo feito e que não podemos fazer nada para dar uma ajudinha à Graça é o ensino do Evangelho.

      Abraço e fique na paz, meu irmão ou irmã.

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    2. Paz do Senhor irmao Wesley, sabias colocações. Jesus é nosso único modelo de vida.
      Devemos basear nossa vida Nele.
      Abraços fique na paz missionária Gisele.

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  10. 1º ''Lembro-me que o primeiro jejum que fiz na minha adolescência: cortei só o almoço mas tomei um refrigerante para não “sofrer” muito; fiz isto para orar por um amigo que queria ver batizado no Espírito Santo. Aquele rapaz já havia recebido tanta oração, mas nada havia acontecido ainda. Portanto, jejuei e orei em seu favor. Hoje sei que não foi grande coisa mas, na época, foi o meu melhor. Pois bem, alguém ficou sabendo e me ridicularizou, disse que jejum de verdade era ficar o dia todo sem comer nada e bebendo no máximo um pouco de água; esta pessoa disse que eu estava perdendo meu tempo e que só fizera um “regimezinho”, pois o verdadeiro jejum não admitia nem bala açucarada na boca, quanto mais um refrigerante!… mas naquele dia meu amigo foi cheio do Espírito Santo e preferi acreditar que o jejum funcionava''.
    2º "Quando meu filho Israel estava para nascer, o Senhor trouxe um profundo peso de oração e intercessão ao meu coração. Sabia que devia jejuar; era uma “urgência” dentro de mim. Não ouvi uma voz sobrenatural, não tive nenhuma visão ou sonho a respeito, simplesmente sabia que tinha de jejuar até romper algo, e o fiz por seis dias. Ao final soube que havia alcançado uma vitória. Na ocasião do parto, minha esposa teve uma complicação e quase perdemos nosso primeiro filho; contudo, a batalha já havia sido ganha e o poder de Deus prevaleceu. Devemos ser sensíveis e seguir os impulsos do Espírito de Deus nesta área".
    Eu, particularmente, comecei a jejuar estimulado pelo relato das experiências de outros irmãos. Depois é que comecei a entender o ensino bíblico sobre o jejum. E louvo a Deus pelas pessoas que me estimularam! Pois precisamos tomar cuidado com determinadas pessoas que não tem o que acrescentar à nossa edificação e somente atacam e criticam.
    Quero que saiba Wésley que vou jejuar por você, para que o Senhor retire as escamas que há em seus olhos a cerca do jejum que outras pessoas fazem, que não condizem com o que VOCÊ pensa, e com isso compreenda que não pode responder por Ele, se recebe ou não recebe, se está certo ou errado ou que só da forma que VOCÊ enxerga é que deve ser praticado! A letra racionaliza demais as coisas, e vida com Deus meu querido é algo sobrenatural! Vai além do que o ser humano pode compreender! Atente-se para isso! Juíz só existe um! Jeová-Mequedesh... Abraços! Fica na paz você também!

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  11. Ahhh mais uma coisa... Quanto ao fato de Davi ser um homem segundo o coração de Deus e mesmo assim errou! Correta afirmação, agora que nos dias de hoje alguém ser condenado ao inferno pelas mesmas atitudes? Diga isso por você e não por mim! Porque eu não sou ninguém para condenar alguém ao inferno por nada! Esse papel cabe somente a Deus, aliás foi pra isso que Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados! E nos levar ao arrependimento assim como Davi fez! E não sei pra você mas pra mim Satanás não é exemplo não! rsrsrs

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  12. Paz de Cristo irmao Wesley , gostei muito do seu documentário sobre o jejum e suas colocações.
    Cristo Jesus é nosso unico modelo e exemplo de vida.
    Deus abencoe

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  13. Amados , n adianta nos comentarmos sobre algo em q nossas opinioes sao diferentes , eh perda de tempo....eu acredito em Deus ...

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  14. Wésley ,gostei da sua explicação ,tbm penso assim se jesus veio e levou ,nossos fardos , e vivemos pela graça , não tem pq fazer coisas para q Deus nos d algo em troca ,temos q jejuar sim para nos limparmos e ter comunhão com Deus , pq se ficarmos fazendo acordo com Deus , estamos invalidando a morte de cristo ,então porque ele teria se sacrificado tanto por nós , por isso vivemos pela graça , e não pelo nosso esforço,nosso dever é adorar a Deus , e fazer a vontade dele, nos purificando todos os dias ,revendo o q fizemos de bom , e de mal, não adianta jejuar e andar carregado de pecados , temos q jejuar sim mas para andar em espirito , e crendo q Deus nos concede aquilo q ja é plano dele nas nossas vidas , amém fique na paz

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  15. Alguns precisam, ao invés de ler, examinar a Bíblia, fazendo assim, não aceitariam qualquer erros de interpretações e invenções de muitos líderes. Continue buscando conhecimentos a luz do ESPÍRITO SANTO Wésley

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