27 de jan de 2013

Reflexão "cristã" sobre incêndio em boate


     Como todos devem saber, nesta madrugada houve um grande incêndio em uma boate em Santa Maria (RS). Era uma festa com participação de universitários, que acabou em tragédia, com centenas de mortos. E qual o papel do genuíno cristão perante isso?
     Em primeiro lugar, todos que tem condições (principalmente os que moram nas proximidades) deveriam oferecer algum tipo de ajuda. Seja ajuda médica, psicológica, financeira (para eventuais famílias necessitadas)... Esse amor ao próximo é um reflexo direto do Evangelho em nós. Além disso, o que podemos fazer é orar para que Deus conforte os familiares e pessoas próximas às vítimas. Também devemos desejar condolências a essas pessoas.

     Agora, o que um cristão (de Cristo, não o cristão meramente religioso) NÃO fará:
- Julgar a alma das vítimas, afirmando que por estarem em uma boate, estavam distantes de Deus, logo, não devem ter sido salvos.
- Afirmar que procuraram esse fim...

     Porque dizemos isso com tanta certeza?
     Porque a afirmação bíblica: "o salário do pecado é a morte" refere-se tanto à herança pecaminosa do homem, que determina a morte física para toda a humanidade, quanto fala da vida de pecado, que é um reflexo de um indívíduo que não vive o Evangelho de Cristo. Porém a afirmação não quer dizer que quem pecar vai receber um castigo de morte neste mundo. O ensino de Cristo é incompatível com isto.
     O segundo motivo é que a morte ocorrerá para todos nós e não significa que estamos recebendo um castigo por estarmos pecando naquele momento. Prédios residenciais pegam fogo, circos são incendiados, tetos de templos religiosos caem, acidentes de trânsito acontecem, restaurantes explodem. E seria isso castigo de Deus pelo fato das pessoas que lá estão estarem pecando? Seriam essas tragédias provocadas por Satanás? E as velhinhas e criancinhas que morrem? Como disse o corpo de bombeiros, talvez o alvará de funcionamento da boate estivesse vencido; as saídas de emergência, quando existem, são pequenas; não há sinalização adequada; extintores são escassos; há materias altamente inflamáveis; não se preocupam com superlotação... Muitos estabelecimentos são clandestinos (inclusive vários templos religiosos que eu conheço). Ou seja, são imprudências humanas, que podem culminar com essas tragédias.
     Podemos estar pregando num púlpito de uma igreja e estarmos distantes de Deus. Não precisa estar em uma boate para isso. E lembre-se: Jesus tratou a mulher adúltera com carinho, perdoando seus pecados e dizendo para ela não pecar mais. Porém, o juízo foi muito mais forte para os religiosos, como os fariseus e os hereges dos dias de Paulo. Portanto, se mesmo assim resolver julgar essas vítimas, julgue com mais intensidade os líderes religiosos atuais. Sejamos imparciais, pelo menos!
     Assumamos nossos erros! Atribuir nossas falhas ao diabo ou à "castigo de Deus", além de ignorar o Evangelho, é hipocrisia!

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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