10 de mai de 2013

Caso Marcos Pereira - Mais uma chuva de hipocrisia


     Não posso dizer muito sobre o caso da prisão do Pastor Marcos Pereira, pois não sei detalhes da investigação. Porém, quero fazer algo diferente do que a maioria dos "cristãos" está fazendo:
     É difícil que num país como o Brasil, onde quem tem dinheiro (em uma reportagem ouvi que havia um imóvel de vários milhões de reais no nome da igreja do pastor, mas não vem ao caso...) dificilmente vai pra cadeia, alguém seja preso "sem dever nada" (mas existe essa possibilidade). Porém vou considerar essa possibilidade como real e concluir que há duas opções:

1 - O pastor é inocente e as supostas vítimas apenas estão armando uma cilada para ele.
2 - Ele cometeu crimes, entre os quais, alguns estupros.

     Vejo que há um movimento crescente de um grupo de cristãos, dizendo que não há provas contra o pastor, logo, ele seria inocente. Mas isso não faz sentido. Se realmente for assim, é a palavra dele contra a palavra das supostas vítimas. Portanto, enquanto não soubermos detalhes da investigação, não podemos cravar que ele é culpado ou inocente, afinal, existem as duas possibilidades. Agora, sair em defesa dele sem ter certeza (afinal, quem de nós vive com ele 24 horas por dia?) é ingenuidade e hipocrisia, pois, enquanto houver as duas possibilidades, ou ficamos neutros ou defendemos ambos os lados! Cadê os cristãos defendendo as possíveis vítimas de estupro? Caso ele seja culpado, o que dirá quem o defende com tanta convicção? Não seriam essas possíveis vítimas merecedoras de apoio também?
     O que há, na verdade, é medo! Sim... Muitos "cristãos" tem medo de que esse fato manche a imagem da igreja evangélica no Brasil. Mas isso não deveria existir. Primeiro porque sabemos que há pessoas boas e ruins em todo meio, seja entre médicos, advogados, pastores, padres, ateus, políticos... Jamais um grupo deve ser condenado pelas atitudes isoladas de um de seus membros. Todos somos adultos e cada um é responsável pelos seus atos. Se alguém estupra, deve pagar pelo crime, independentemente de quem seja ou do cargo que ocupe... Porém essa atitude de sair cegamente em defesa do acusado pode ser um tiro no próprio pé de alguns. Deixe que a justiça o investigue. Se for inocente, daremos o nosso apoio a ele; se for culpado, apoiaremos o cumprimento da devida pena, como qualquer pessoa deve pagar.
     Sinceramente desejo que isso tudo não passe de uma armação, não por ele ser religioso (isso é indiferente) e sim, para que essas mulheres nunca tenham tido esse trauma de serem vítimas de um crime bárbaro, como é o estupro.
     Enfim, só resta aguardar. No mais, termino com uma mensagem a todos que o defendem com o argumento: "em 24 horas de prisão ele já pregou para diversos presos e converteu alguns deles".

Minha resposta é:
   Converter presos no Brasil a uma crença é fácil, pois neste país quase sempre só vai pra cadeia quem é pobre e sem estudo. Como sabemos, a educação melhora a capacidade crítica das pessoas, logo, é muito mais fácil uma lavagem cerebral naquelas que não tem acesso a um ensino de qualidade. Um exemplo: Comparem a quantidade de igrejas da denominação desse pastor existente em áreas nobres da cidade e nas periferias, que são áreas abandonadas pelo poder público... Não digo isso com menosprezo ou querendo demonstrar superioridade e sim, com indignação de no Brasil entrar ano e sair ano e a educação continuar sendo tratada com descaso pelos governantes. Apenas essa ação política, que nada tem a ver com religião, já inibiria muita enganação neste Brasil.
   Observação: Conversão religiosa nunca foi sinônimo de conversão ao Evangelho. Se o que esse pastor prega (não tenho nada pessoal contra ele, pois não o conheço) e faz em suas aparições não é coerente com o Evangelho (preciso citar as heresias?), como alguém que o ouve pode ser convertido a Cristo? Conversão genuína é Deus quem faz (jamais um ser humano conseguirá esse feito). E se quisermos tornar-nos participantes dessa obra divina, o primeiro passo é pregarmos a Palavra de Deus como ela realmente é e não, espalhar ensinos humanos, superficiais, sem fundamento bíblico,  apenas com o intuito de buscar autopromoção na mídia e nas comunidades.
     Como disse, calemo-nos! A nós, só resta aguardar...

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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