21 de mar de 2014

Casamento "obrigado"


UM CURTO RELATO E, NA SEQUÊNCIA, A MINHA OPINIÃO:

"Estamos passando por um grande dilema na minha família: semana passada descobrimos que a filha da minha prima, uma menina de 14 anos, está grávida de um garoto de 16 anos. Agora eles terão que se casar e eu não me conformo. Acho um absurdo casar duas crianças, mas a minha prima diz que eles não podem viver em pecado."
____________________

     Nota-se uma hipocrisia familiar e religiosa imensa ("espírito" de muitos fariseus dos dias de Jesus), tentando consertar um erro com outro erro infinitamente maior... A falta de consciência desses adolescentes gerou uma gravidez; a falta de sabedoria, a falta de bom senso e a enorme hipocrisia dos pais e da liderança dessa denominação gerará um "casamento" entre dois adolescentes que já mostraram que não tem maturidade alguma (se tivessem, não haveria gestação); essa falta de maturidade tem altíssima probabilidade de gerar a infelicidade de ambos e talvez (há muita chance) não consigam ficar juntos e se divorciem. Os pais e a liderança da igreja" tentarão impedir o divórcio de todo jeito e caso se separem, demonizarão esse divórcio para o resto da vida e os jovens serão impedidos de se casarem novamente... Ou seja: os adolescentes cavaram um buraco e a família, assim como aquela que se intitula "igreja", estão tratando de enterrá-los nesse buraco, ao invés de se unirem e procurarem a melhor saída para o erro cometido. Se essa atitude é Evangelho, não sei o que seria anti-Evangelho. Meu Deus, onde vamos parar?
     Alguns dirão: "ah, mas não foram crianças, nem imaturos para gerarem um filho". Mas quem disse que para gerar filho é preciso ser adulto ou ter maturidade? Se a menina já entrou no período reprodutivo e o garoto também, podem ser duas crianças, que, tendo hormônios, óvulos e espermatozoides, "engravidarão". Deficientes mentais também engravidam, o que não significa que há uma maturidade ou preparo psicológico. Esse é o ponto. O casamento não é para ser "até que a morte separe"? Então é correto obrigar duas pessoas que tem mentes totalmente desestruturadas para montarem e sustentarem uma família? Se eles não tiveram maturidade nem para evitar esse tipo de problema, terão responsabilidade para criar um bebê? E se os dois, por algum motivo, caíram numa "paixão irresponsável de adolescente", serão condenados a viverem juntos sem se amarem, apenas para que fique "bem" para os parentes e para a "igreja"? O leite já foi derramado, agora tem que ser encontrado a melhor forma de "limpar o que se sujou".
     Obrigar um "casamento" não é o caminho... O que tira alguém do pecado é a Cruz, é o sangue de Cristo. Por ação do Espírito Santo nos arrependemos, recebemos com consciência e gratidão esse perdão concedido por Graça. Agora pergunto: Desde quando "casamento" perdoa pecado ou tira alguém dele? Desde quando ele corrige erros já cometidos? Sem contar que casamento, acima de tudo, é amor, compromisso, fidelidade e responsabilidade. Se apenas papel no cartório ou oração do padre/pastor garantisse isso tudo, existiria divórcio?
     Já que critiquei, tenho que apresentar uma proposta, certo? Ok. Então é a seguinte: a família e os irmãos de fé ajudarem essa menina a cuidar do filho; o pai adolescente lutar para estudar e trabalhar (sim, terá que "ralar") a fim de que possa cuidar financeiramente desse filho e dar a ele amor, carinho e atenção (alem de sustentá-lo). Daqui a alguns anos, se esses dois se amarem realmente, se casarão e constituirão uma família. Se não se amarem, por que vão se casar? Sem amor, não há casamento nem com papel assinado. Estarão em pecado se oficialmente estiverem casados, mas se por dentro, não houver amor e fidelidade. Estarão em pecado se forem casados no papel, mas desejando estar com outro (a). Casar por qualquer motivação que não seja amor ou apenas para satisfazer interesse de qualquer pessoa, grupo ou instituição (para não ser "desmoralizada") é vender o corpo e a vida; é prostituição! É uma violência contra os envolvidos. Caso não venham a se casar (daqui alguns anos, quando forem eles decidir se é isso que querem), o pai continuará sendo pai, ajudando e cuidando como pode (pensão e atenção) e a mãe encontrará outra pessoa, que será seu esposo e consequentemente, também será um pai para criança. Fazer o que? Dos males o menor.
     Ninguém tem o direito de manipular sentimentos, de arranjar casamentos e de brincar de "montar famílias". Isso é coisa séria! E a quem lê essa opinião, tenha "juízo" para que não cometa o mesmo erro, pois o problema pode até sarar, mas deixará cicatrizes.

Essa é a opinião que tenho, levando em conta o que entendo ser o Evangelho. E você, concorda? Se discorda, fique à vontade para se manifestar, afinal, opinião é individual a sua expressão é livre.

Autor: Wesley Câmara 

O que achou?