11 de abr de 2014

A fé não é inimiga da razão


"A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos." (Hebreus 11:1)

     As razões da fé geralmente não são passíveis de comprovação científica e muitas vezes sequer são plenamente compreensíveis e explicáveis, porém isso não as colocam num polo oposto à "razão". Fé e razão podem (e devem) caminhar juntas. Não é verdade que usando a razão perde-se a fé. Pelo contrário, o uso da razão nos permite separar o que é fé do que é tentativa de manipulação. Não é a toa que líderes religiosos inescrupulosos, como muitos que vemos em programas de televisão, apelam para o misticismo, para o charlatanismo e quando qualquer questionamento é feito os argumentos são aqueles que apenas satisfazem os que abdicam de pensar: "não questione a unção de Deus em minha vida", "de milagre não se duvida", "Deus está no controle", "não toque no ungido".
     Repare que o estudo, principalmente teológico (entenda não necessariamente como "realizar um curso de teologia" e sim, "estudar as escrituras") é até desestimulado por esses indivíduos. Quem nunca ouviu a distorção de II Coríntios 3:6: 
"A letra mata, mas o espírito vivifica"
     Dizem que "letra" é o estudo da bíblia (porém Paulo está se referindo à lei) e assim, desestimulam essa busca pelo conhecimento. John Stott dizia: "Crer é também pensar" e isso é uma grande verdade. Ter uma fé cega, sem critérios é como atravessar um abismo se equilibrando em uma corda. O risco é enorme e é isso que tantos grupos que se dizem cristãos estimulam, pois dessa forma, a manipulação será mais fácil. Afinal, quem questionará, como faziam os irmãos de Bereia (Atos 17), se o que ensinam é verdade? Basta atentarmos para o fato de que a maioria das pessoas que se dizem evangélicas, principalmente as neopentecostais (desculpem-me pela quase generalização), abrem suas bíblias apenas onde o pastor pede, durante o culto. Em casa, no máximo fica aberta no Salmo 23 ou 91. O que elas ouvem à respeito das escrituras são apenas os ensinos que vem do seu líder, no púlpito. Ou seja: tornam-se pessoas sem criticidade, seguidoras de superstições, sem conhecimento profundo, sem poder de questionar tudo o que não se assemelha ao Evangelho.
     O fato de conhecer as escrituras não garante que você conhecerá a Deus, pois o conhecimento do Pai é ação do Espírito Santo, porém evitará que você caia em todo tipo de engano e no mínimo você questionará cada ensino que lhe é apresentado. Questionar não é pecado; pecado é ser omisso, é abrir mão de usar um livro (bíblia) que muitas pessoas no mundo morrem ao serem pegas lendo-na. Evangelho é consciência. Não é a toa que os únicos seres da Terra com fé somos nós, humanos, que somos dotados da "razão". Até que provem o contrário, ninguém observa um cão orando ou demonstrando fé em Deus. Portanto, deixe de aceitar tudo o que ouve. Se não sabe, pergunte a pessoas diferentes, compare as respostas, questione, duvide, critique. Cheque tudo com o que a escritura diz, sem tirar texto do contexto. Se você usar a razão, dificilmente perderá a fé, mas se abrir mão de estudar, aprender e questionar será um grande candidato a ser um mero fantoche de algum manipulador. E quando acordar para a vida, se acordar, terá tanto ódio de ter sido enganado por tanto tempo que terá dificuldades em aceitar que quem lhe enganou foi um homem e não, Deus, e terá alta probabilidade de ser o mais novo "ateu", não um "genuíno", mas um traumatizado por alguém que se dizia representante de Deus, porém que o Evangelho classifica como "filho de satanás".
     Acorde enquanto é tempo e saia dessa vida de engano.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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