24 de abr de 2014

Fuja das pregações extremistas


     A meu ver, há dois polos de mensagens pregadas atualmente (e obviamente existe uma graduação das que estão entre esses extremos). No primeiro grupo estão aquelas que não tem nenhum compromisso com o anúncio do Evangelho (que é boa nova, que é salvação), nem com a formação de consciência nos ouvintes, de forma que possa surgir arrependimento por constrangimento em amor. Se isso acontecesse, as pessoas seriam levadas a viverem não mais para elas, mas para Deus, como indivíduos habitados pelo Espírito Santo, que é quem nos guia. O que é pregado por mensageiros desse grupo é apenas o que satisfaz o nosso Ego, ensinando-nos a declarar e decretar bênçãos, dizendo para profetizarmos que a vitória chegará nesta semana e dizendo que a fé é um instrumento poderoso para CONQUISTARMOS o que desejamos, ao invés de pregarem que a fé é principalmente para SERMOS como Cristo. Quando tentamos imaginar esse "deus", pensamos em um ser capitalista ao extremo, um "deus" empresário ou quem sabe um "banqueiro" que em troco de sacrifícios financeiros, realiza qualquer desejo.

     No outro extremo há aquelas mensagens que tem um aparente zelo pelo Evangelho, pois são recheadas de palavras duras e de citações de alguns textos de Paulo. Há um foco na negação da "carne", no confronto contra condutas consideradas pela tradição religiosa (independentemente de qual seja) como pecaminosas e muito se fala, de forma ameaçadora e aterrorizante, de condenação aos que não dão ouvidos, além de convocarem a um suposto "arrependimento" para que a pessoa seja salva. Se tentarmos imaginar Deus aqui, logo virá à mente um "deus" melindroso, revoltado, narcisista, irado com todos que não o glorificam, com um chicote na mão e desejoso para derramar sua ira condenatória ao maior número de pessoas. Porém, esse outro extremo também não parece mostrar de forma satisfatória o Deus revelado em Cristo, que ao mesmo tempo em que é justiça, é amor. Esse sim é Deus: Aquele que não tolera o pecado, mas que ao invés de destilar seu poder condenatório, oferece a si mesmo como forma de satisfazer sua justiça, demonstrando o maior ato de amor que poderia ocorrer. Voltando ao tipo de mensagem do início do parágrafo, não vejo muita semelhança com os ensinos dos evangelhos e das cartas apostólicas, que sempre nos chamam ao equilíbrio e à moderação, sem extremismos. Não se parecem com o conceito de Evangelho, que é BOA NOTÍCIA (salvação) e não, ameaça de condenação.
     Não estou dizendo que todos são/serão salvos (não sou universalista), mas estou dizendo que CONDENAÇÃO NÃO FAZ PARTE DO EVANGELHO. "Condenação" nada mais é do que a rejeição (cuja avaliação do que seja essa rejeição foge a critérios humanos, pois Jesus mesmo ensinou a não tentarmos dizer quem é joio e quem é trigo) do bem do Evangelho no mais profundo da alma. O que esses pregadores chamam de "mensagens que confrontam o pecado e que geram arrependimento" na verdade, ou melhor, no meu entendimento (por eu ser humano, sou relativo e jamais eu classificaria meu entendimento como verdade absoluta, pois isso seria fundamentalismo) são mensagens que geram nas pessoas uma culpa por pecar, um medo de ser condenado e uma tentativa de mortificar a carne "à força" (e força humana), gerando aparente sensação no indivíduo que ele é um eleito por viver nessa luta diária e nesse "temor a Deus" (que se parece mais com um "medo de Deus"). Além disso, muitas vezes gera nessas pessoas uma prepotência e uma arrogância de, por serem os eleitos/predestinados, afirmarem que sua visão teológica é perfeita e assim, rotular de forma pejorativa todos que discordam de suas tradições. Em outras palavras: gera fundamentalistas, ficando a meio passo do fanatismo religioso.

     Mas o que quero mesmo fazer é convidar a todos para que reflitam não apenas na coerência do que acreditam, mas também para que analisem quais frutos essas crenças que possuem estão gerando. Se não geram amor pelas pessoas, humildade, quebrantamento sincero, desejo de levar o Evangelho a quem o cerca para que esses indivíduos conheçam o bem que você experimenta, sua crença não pode ser a mensagem da Cruz. Então, que tal abandonarmos os extremos, as mensagens que agradam apenas o ego, o fanatismo, o fundamentalismo teológico e vivermos única e exclusivamente no chamado do Evangelho, que é pregar e viver a Boa nova (boa notícia), a saber:

1 - Deus entregou a Si mesmo para que o homem fosse reconciliado, perdoado, salvo e santificado nEle, por Ele e para Ele.

2 - Deus cumpriu Sua Justiça com amor na Cruz, levando sobre Si os nossos pecados, de forma que não fôssemos condenados por esse afastamento de Deus, mas salvos, sem que isso pudesse ser considerado impunidade. Isso é, na verdade, perdão. Assumir o dano para que o outro não seja punido, mesmo merecendo, é o perdão no contexto da Graça.

3 - Deus se fez carne em Cristo para revelar ao homem essa obra divina de pura graça e amor, sem transgredir Sua justiça, ocorrida na eternidade.

4 - Já estamos salvos em Cristo e cabe a nós crermos nessa obra consumada na Cruz, o que gerará em nós um arrependimento, para que possamos gozar a salvação plena e, ao mesmo tempo, continuarmos sendo transformados a cada dia, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo. Essa é a consequência do perdão de Deus, da salvação nos dada por Graça, cujo efeito continua ocorrendo dia após dia em nós. Está consumado, lembra? Então creia, seja pacificado, viva com essa consciência e assim poderá dizer: "Tenho a vida eterna e gozo a desde já a vida em abundância,que alcançará a sua plenitude na Glória, com Deus”.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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