31 de out de 2014

Tenho que dar dízimo na "igreja"?


     Dízimo nada mais é do que a forma judaica de aplicar um princípio divino que sempre foi (e sempre será) válido: a generosidade. Os que tem mais ajudam os que tem menos a fim de que ninguém da comunidade tenha falta de nada. Esse é o espírito do Reino de Deus. Por isso que quando estamos em Cristo temos uma vida em abundância, pois nos ajudamos em tudo, logo, ninguém tem falta de nada.
     Os judeus resolveram estipular que 10% da produção agrícola seria destinada ao sustento dos sacerdotes/levitas e das pessoas necessitadas (órfãos, viúvas e estrangeiros). De forma geral, extremamente resumida, isso é dízimo. Claro que a ideia do dízimo surgiu muito antes dessa época, mas aplicação firme mesmo, ocorreu nesse contexto.
     Hoje temos que dar "dízimo"? Claro que não. Basta um mínimo do mínimo de noção histórica do contexto judaico pra entender que isso tinha um objetivo definido. Era alimento pro sustento dos que não tinham renda. Não era pra luxo, pra construções, pra manter status... O dízimo era uma estratégia deles. Nós podemos ter as nossas. Não é questão de regra; é questão de manter o princípio divino: amar ao próximo e ser generoso. Não aceite descontextualização de textos, principalmente o de Malaquias 3. E lembre-se sempre: quando alguém citar um texto bíblico, pergunte "quem escreveu, por que escreveu, para quem escreveu, em contexto escreveu, com que objetivo escreveu". Isso dificultará que textos com um direcionamento específico a uma pessoa ou a um grupo seja usado fora de contexto, como por exemplo, para insinuar que Deus nos ameaça ou que faz barganha conosco. Mas e se o irmão quer dizimar de todo jeito? Deixe-o! Cada um dá o quanto quer, como quer, onde quer e chama sua contribuição do nome que acha melhor. Não cabe a você ficar implicando. Historicamente o termo "dízimo" não faz muito sentido (até porque sempre foi comida, mesmo já existindo moeda na época), mas se a pessoa quer usar esse nome, não é isso que a fará menos cristã que você. Cada um siga sua consciência...
     No novo testamento o que vemos? Uma instrução dos apóstolos (principalmente de Paulo) para sermos generosos. Oferecermos parte de nossos recursos (sem porcentagem definida, dando de acordo com a posse e principalmente: com o desejo do coração) para ajudar as pessoas necessitadas. É o mesmo ensino de Jesus. Sempre essas "ofertas voluntárias" visaram o benefício dos carentes. Não há outra indicação. Agora se hoje inventam mordomias e monstruosos palácios/catedrais pra manter, aí é por conta desses. Tipo: "Quem inventa aguenta", afinal, nunca o objetivo foi esse... 
     Então tenho que contribuir financeiramente com o grupo a que pertenço? Aí é questão de bom senso. Em Cristo, nada é por obrigação. Tudo é por amor, consciência, gratidão e adoração. Se você se reúne com algumas pessoas, obviamente algum gasto terão (mesmo que seja na casa de um amigo), então, desde que não seja pra manter mordomias, claro que você deverá contribuir (se tiver condições, é claro. Se não tiver eles é que devem contribuir para lhe ajudar). Juntando um pouquinho de cada um, vocês podem se reunir sem que fique custoso pra ninguém. 
     Outro aspecto, e ainda mais importante é: Jesus nos ensina a fazer o bem ao necessitado. Então o que você pode fazer? Por exemplo dar comida a alguns moradores de rua. Ok. Mas digamos que você tenha um projeto de ajudar ainda mais, como construir um abrigo para eles. Você poderá fazer isso sozinho? Dificilmente. Mas se o seu pouquinho se unir com o pouquinho de várias pessoas, vocês, juntos, podem somar forças e ajudá-los de forma mais eficiente. Então claro que isso é válido!
     É questão de foco. Desde que seus recursos visem gerar o bem de quem precisa, sempre serão válidos. Não fique preocupado com a forma (é dízimo? é oferta?...) e preocupe-se com o significado e como objetivo. Mas faça sempre por amor, do contrário, terá pouco ou nenhum valor.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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