14 de dez de 2014

Em que acreditar se cada um prega uma coisa diferente?


     Primeiramente precisa entender que todos somos humanos e limitados. O que resta a nós, mortais, relativos, parciais, falhos, é comparar esses "pontos de vista" e com toda honestidade e coragem, confrontarmos nossos paradigmas e mudarmos, sem orgulho ou vergonha, sempre que necessário. Acredite, ninguém foge de interpretação e quem acha que defende o "evangelho puro e simples", sem nenhuma influência humana, é apenas mais um fundamentalista (e essa visão também é uma interpretação da vida, das coisas e de si mesmo), sendo que com esses não tem como haver diálogo (pois toda discordância nossa será tida como "heresia", "mentira" e "filosofia humana"). Então, deixe pra lá, pois não há como discutir (dedique tempo a quem está aberto para refletir).
     Devemos (para não enganarmos a nós mesmos) seguir o que sinceramente julgamos que seja mais coerente (sendo que o critério final sempre deve ser A REVELAÇÃO ABSOLUTA DE DEUS EM CRISTO). Para isso, não viveremos na ilusão de esperar que tudo caia do céu, que o Espírito Santo resolva cair em nossa "preguiça" de ler, de estudar, de meditar e resolver do nada revelar a nós cada detalhe da compreensão da fé cristã. Não! O Espírito nos revela Cristo, nos direciona para olharmos para Ele. Agora a compreensão e a espiritualidade que vai desenvolver em torno disso é por sua conta (mesmo que veja o termo "teologia" quase como um palavrão. Só não entende que toda compreensão acerca de Deus, da vida e da relação entre ambos é uma teologia, "oficial" ou não. No fundo, até o ateísmo é uma teologia).
     Reconheça sua limitação, sua incapacidade, sua parcialidade e assim (além de não ficar condenando quem não pensa como você) não terá opções a não ser render-se ao Espírito e por gratidão (e não, achando que agradará a Deus ou que irá conquistar algo da parte dEle) desejará aprender mais, entender mais, procurar sentido nas coisas, amar mais e viver mais em conformidade com Sua vontade.
     O que essa página apresenta é apenas uma dessas interpretações relativas acerca da revelação absoluta que ocorreu em Cristo. O absoluto, por definição, não pode ser contido em seres relativos (como nós, humanos). Nossa compreensão sempre será parcial, imperfeita, porém obviamente, se a defendo, é porque, após comparar com algumas outras (pelo menos as principais), foi a que considerei mais provável e mais coerente. Não defenderia algo que eu acreditasse que estivesse errado, porém não me coloco como referência absoluta para definir essa questão. Ou seja, acredito que eu esteja certo sim, porém sou consciente que, por ser imperfeito, eu erro (e muito), logo, sempre poderei estar errado (inclusive no que digo neste exato momento, Rrs).
     Então busque com sinceridade e inteligência avaliar tudo, comparar, criticar, pensar e ver se faz sentido. Não aceite tudo que lhe ensinam. Outras páginas podem lhe ensinar inverdades. Essa página também. Por isso leia, medite, estude, corra atrás, analise e julgue. Não seja um cego guiado por outros cegos. E sempre confronte o que você defende. Veja se é coerente mesmo e se essa sua compreensão subsiste após comparar com outras abordagens.
     Não tenha medo. Não fique preso a algo apenas por ser conveniente, por vergonha, por medo de ser rejeitado ou mal interpretado pelos amigos ou quem sabe por receio de perder os benefícios e o status que tem perante o seu "grupo". Seja honesto com sua consciência!
     É o que posso sugerir. Do contrário, estará enganando a você mesmo, defendendo algo que no fundo não vê sentido ou algo que tem medo de confrontar e de descobrir que está equivocado. Seja corajoso e não tenha medo de mudar.
     Adianto que no início é doloroso, a gente se sente culpado, indignado, frustrado, injustiçado. Queremos negar, rejeitar, mas toda mudança é assim. Vem uma momentânea insegurança, ficamos meio perdidos como alguém que está em um quarto diferente e escuro. Aos poucos vamos compreendendo as coisas, as coisas vão clareando, fazendo sentido. Não é fácil trocar um "chip" implantado na mente. Mas depois que se livra dele, surge paz, alegria, gratidão e desejo por aprender mais e mais algo que lhe traz consciência e liberdade.

Autor: Wesley de Sousa Câmara 

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