10 de dez de 2014

O Natal e os seus símbolos



     Ao contrário do que o título sugere, não farei uma descrição detalhada das origens dessa comemoração, nem de seus símbolos (embora cite algumas neste texto). E tenho três motivos para isto: primeiro, devido à existência de explicações contradizentes para um mesmo fato (muitas delas, frutos de pura especulação); segundo, pois já existem centenas de páginas na internet dedicadas ao assunto; terceiro, porque pretendo apenas colocar o meu ponto de vista e não, fazer um apanhado de informações históricas. Mas, afinal, devemos ou não comemorar essa data? O que o Natal realmente representa? Podemos trocar presentes e colocar uma árvore ou um presépio em nossa casa? E o que dizer sobre o Papai Noel?
     Antes de tudo, devemos entender o que é o Natal. Se perguntarmos a qualquer pessoa, a reposta quase sempre será: “é a comemoração do nascimento de Jesus Cristo”. Mas, na verdade, é (em teoria) muito mais do que isso. O Natal representa o nascimento não apenas de Jesus Cristo encarnado, mas também de uma nova vida, que surge em cada um de nós, a partir do momento em que O reconhecemos como nosso Senhor. Porém, sabemos que na prática o que quase todas as pessoas celebram é um Natal apenas de exterioridades, ou seja, mais uma data de festa, mais um feriado.
   Para ser mais didático, analisarei alguns argumentos contrários a celebração do Natal, que ao meu ver são muito superficiais e inconsistentes. Em seguida, concluirei com minha opinião e farei algumas considerações importantes sobre o assunto.

1 - Jesus não nasceu em 25 de dezembro = Que diferença isso faz? Segundo estudiosos, uma data mais provável seria o mês de setembro, outros ainda apontam abril. Há quem defenda que é outubro e até mesmo há defensores do tradicional dezembro. Acho bobagem especular, pois nem o ano do nascimento de Jesus podemos saber com certeza (quanto mais o mês), embora quase certamente tenha ocorrido entre 6-4 a.C. Acho improvável que se consiga desenvolver uma boa explicação para essa data com base nos evangelhos (que são, até onde sabemos) as fontes mais detalhadas da vida de Jesus. Afinal, forma escritas quase certamente por testemunhas não oculares, sendo o mais antigo evangelho canônico escrito no mínimo 35 anos após a morte de Jesus (e o mais novo, uns 60 anos depois de sua morte). Portanto, é claro que as informações específicas quanto a isso não serão muito confiáveis, logo, é um assunto que não terá uma resposta boa, sendo então, quase irrelevante.

     De qualquer forma, um dia Ele nasceu e a gratidão pelo Seu “nascimento” precisa estar dentro de nós todos os dias do ano. A data escolhida para uma comemoração não importa. É como adiar a comemoração de nosso aniversário para fazer uma festa conjunta com um amigo que nasceu depois. A escolha de uma data, independente de qual seja, é útil para representar historicamente o fato, e (teoricamente) serve para as pessoas se reunirem para celebrar o maior dos nascimentos.

2 - A bíblia não manda celebrar Seu nascimento = É uma afirmação verdadeira. Realmente as Escrituras não possuem esse mandamento, assim como não ordenam as demais milhares de coisas que fazemos ou que comemoramos. Não há mandamento para o dia da bíblia, nem para festividades de grupos de jovens ou de senhoras nas igrejas, nem para celebrarmos dia das mães e sequer há mandamento para criarmos religiões e denominações religiosas. Quantas coisas você faz em seu dia que tem "ordem" bíblica? Quase nenhuma, com certeza. Enfim, celebramos o nascimento de tantos amigos e parentes, por que não podemos celebrar o nascimento de nosso Senhor? Muitos alegam que só devemos comemorar Sua morte, mas para alguém morrer, tem que nascer, certo? Jesus NASCEU, MORREU e RESSUSCITOU. São 3 momentos históricos na vida de Jesus Cristo homem e qual o problema em comemorar qualquer um desses acontecimentos? Alguns poderão ir ao outro extremo ao afirmarem que temos o dever de celebrar, pois os anjos celebraram o nascimento de Jesus (Lucas 2:13,14) e pelos magos/sábios do oriente terem ido até o menino Jesus com presentes, o que seria outro radicalismo. Devemos ter cuidado com esse “farisaísmo”, para não permitir o que Deus proibiu e para não proibir ou colocar como mandamento o que Deus considerou indiferente. O Evangelho não é uma lista de regras, de "pode e não pode". O Evangelho gera consciência e ação sempre em coerência com Jesus. Aí pergunto: comemorar ou deixar de comemorar essa data fere a forma de viver ensinada por Cristo?
     Como diria o irmão Hermes Fernandes: "Por que comemoro o Natal? Simples! Jesus nos ensinou a orar que a vontade de Deus fosse feita "assim na terra, como no céu". Logo, se o céu celebrou o natal com direito a coral de anjos e tudo, por que a terra não o comemoraria?"

3 - A festa centraliza a comida e a bebida, esquecendo o lado espiritual = Esse é um grande problema. O Natal tornou-se apenas um feriado, uma data em que se ganha presentes e uma ocasião para comer e beber à vontade. Poucos param para pensar no que deveria representar este momento. Porém, essa é uma questão pessoal e, se isso é um erro, está em cada um que pensa dessa forma e não, na celebração propriamente dita.

4 – Tornou-se uma oportunidade de comércio = Também é verdade e os comerciantes sabem muito bem disso. É um período de aumento estratosférico nas vendas, seja de utilidades para presentes, de roupas ou de alimentos. Devemos ter cuidado para não ficarmos reféns desse capitalismo cruel, que faz com que pessoas que mal tem o que comer deixem de pagar suas contas para comprar produtos típicos dessa ocasião. Se você tem boas condições financeiras e quer gastar com presentes e comidas, cada um faz o que bem entender com seus recursos. Se não tem, não se sinta pressionado a fazer o que os outros fazem. Mas sejamos sinceros: praticamente todos os trabalhadores se beneficiam financeiramente dessas épocas (seja em comércios, empresas no geral, fábricas, autônomos e até trabalhadores rurais). Será que você abre mão do aumento do lucro que tem nesse fim de ano? Dificilmente, né?

5 – O Natal está baseado em cultos a deuses pagãos = Não há um consenso sobre a origem do Natal, mas as evidências parecem apontar o início dessa comemoração no século IV, por instituição da Igreja Católica Romana. A data escolhida (25 de dezembro) talvez seja devido ao solstício de inverno, que marcava o início dessa estação no hemisfério norte. Os romanos usavam essa data para celebrar a Saturnália (homenagem ao deus Saturno) e adorar Mitra (deus da luz). Assim, embora as inúmeras evidências apontem para uma data distante de dezembro para o nascimento de Jesus, a Igreja  adotou esse período numa tentativa de “cristianizar” os pagãos.
     Aí alguns dirão: "Está vendo? É uma festa de origem pagã!" A esses eu respondo: muitas coisas que usamos ou fazemos atualmente tem origem pagã. Devemos lutar sempre pela imparcialidade. Se condenarmos tudo que tem essa origem, devemos abolir os templos religiosos (provável origem suméria), as alianças de casamento (origem hindu ou egípcia), as maquiagens (origem no Egito Antigo)... Sem falar nas celebrações de dia dos namorados, nas cerimônias de casamento, nos vestidos de noiva e no próprio cristianismo, que foi institucionalizado como religião romana no quarto século, de forma que o sincretismo com outras religiões da época é evidente. Ou quem sabe deveríamos abandonar o nosso calendário (que é solar e que foi usado inicialmente pelos egípcios, depois alterado muitas vezes, inclusive pelos romanos. Você sabe que o mês de maio refere-se à deusa Maia? E que o mês de fevereiro refere-se ao deus Februarius, a quem os romanos ofereciam sacrifício pela expiação de seus pecados?). Rejeitar o Natal e aceitar o calendário gregoriano não me parece coerente. Poderia ainda citar a celebração de ano novo (Reveillon), que foi adotada por muitos povos antigos, sendo estabelecida em 1º de janeiro pelos romanos. Mas o fato de terem essa origem nos impede de adotarmos tais "costumes"? Não é porque um gato preto é sinal de má sorte para os supersticiosos que eu não possa ter um de estimação.
     A Páscoa, por exemplo, tem um significado para os cristãos, outro para os judeus e diversos outros para os demais povos. Algumas civilizações celebravam o fim do inverno e início da primavera no mesmo período (março). Mas o significado de cada evento depende da cultura em questão e, mais do que isso, da consciência de cada indivíduo. O dia 12 de outubro é dia de "Nossa Senhora Aparecida" para os católicos, mas para os evangélicos é apenas "Dia das Crianças". Percebe que a data tem a ver não com a essência e sim, com o significado que atribuem a ela? Será que alguém comemora o Natal pensando no diabo? Pelo menos eu não conheço ninguém assim...
     E o mais triste é saber que nos dizemos cristãos, mas ao invés de seguirmos os ensinos de Cristo, vivemos como os fariseus de Seus dias, com uma ideia meramente religiosa. Aplico a esse contexto uma citação de Ed René Kivitz: "Na cultura religiosa o impuro contamina o puro. No ensino de Jesus o puro limpa o impuro."

6 - Os enfeites de Natal são verdadeiros altares de deuses da mitologia antiga = A origem desses adereços é extremamente controversa e podemos encontrar várias explicações para um mesmo objeto, ou seja, há muitas especulações que são tidas como verdades.
     A árvore de Natal pode ter se originado no século XVII, na França. Com relatos de que árvores floresceram no dia do nascimento de Jesus, muitos passaram a enfeitar pinheiros em referência a esse acontecimento. Outros povos adornavam árvores (em dias festivos), que tinham um significado de vida e de esperança. Uma fábula babilônica diz que o pinheiro simboliza Ninrode, um perverso homem que teria casado com sua mãe. Outras evidências apontam para uma origem na Alemanha, quando Martinho Lutero enfeitou árvores para ilustrar a crianças e a pessoas próximas a ele como seria o céu no dia do nascimento de Jesus Cristo ou ainda como teria sido uma paisagem que acabara de presenciar na floresta. Uma terceira explicação diz que ele pretendia mostrar com os enfeites da árvore, os frutos do Espírito que brotam naqueles que se entregam Cristo, sendo alimentados pela "seiva divina".
     Esses enfeites seriam de papéis coloridos e doces, sendo, com o tempo, substituídos por: bolas (representando os frutos e a fertilidade), estrelas (chegada de Jesus), anjos (anúncio do nascimento do Cristo), sinos (que anunciam grandes acontecimentos), velas (a “luz do mundo”), guirlanda (esperança de uma vida melhor), entre outros. 
     Adeptos de algumas seitas vêem nesses adereços um significado próprio, sendo que cada cor traria uma energia. A posição de cada objeto interferiria nas “forças” ocultas e até a sequência de montagem desses enfeites deveria ser de uma forma específica. Para mim, a árvore é apenas um belo adorno, da mesma forma que uma faca pra mim não é arma e sim, instrumento para cortar alimentos; do mesmo modo que um gato preto para mim é apenas um lindo animal; da mesma forma que uma vela pra mim é apenas um item útil em caso de falta de luz. 
     Outro ponto muito questionado é o Papai Noel. Provavelmente, tenha se originado em 280 d.C, data do nascimento do bispo Nicolau (posteriormente considerado "santo" pela Igreja Católica), na Turquia. Esse homem teria boas condições de vida e ajudaria pessoas carentes, dando-lhes presentes e dinheiro. Com o tempo, sua imagem foi associada ao Natal, sendo que a característica roupa vermelha (que até então era verde) surgiu apenas em 1886 e foi difundida por todo o mundo, principalmente a partir de 1931, quando a Coca-Cola utilizou a imagem do “bom velhinho” como propaganda. Hoje, em nossa cultura, é um dos principais símbolos do Natal, fazendo parte da imaginação das crianças e simbolizando a generosidade.

     Podemos adotar esses símbolos? O que podemos concluir a partir da bíblia?
     No livro de Daniel encontramos quatro judeus que foram levados pelos caldeus para servirem no Império Babilônico, sendo eles: Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Os eunucos do império trocaram esses nomes por termos babilônicos (Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abednego), que faziam referências às divindades daquele povo, e não observamos rejeição por parte desses judeus (e Deus não os abandonou por isso). Mas quando deveriam se prostrar diante de outros deuses, não o fizeram, por temor ao Senhor. É nítido que se o costume “pagão” não tem intuito de adoração e se não é "imoral", não faz diferença alguma. Deus nunca foi refém de culturas, de idiomas, de religiões ou de tradições.
     Na primeira epístola aos Coríntios, Paulo ensina sobre os alimentos sacrificados aos ídolos e o mesmo ensino pode ser aplicado ao Natal e à adoção de seus símbolos. O apóstolo ensina que se há um único Deus, não há sentido falar em coisas sacrificadas aos deuses, afinal são apenas ilusões e enganações. E, se cremos que existe apenas um Deus, por que nos preocupamos com entidades pagãs? Paulo dizia ainda que poderíamos comer de tudo, desde que não escandalizássemos os “fracos na fé”. Portanto, se tenho consciência disso, onde está o erro em ter uma árvore de natal em casa, por exemplo? Como não devemos causar escândalo para quem ainda está com uma “venda” nos olhos (não digo aqueles que já ouviram o Evangelho há anos e insistem em dar mais importância aos seus preconceitos e às suas visões religiosas do que à Palavra de Deus e sim, aqueles que estão começando agora a caminhada com Cristo), o que podemos fazer é ensinar o Evangelho a esses indivíduos e não colocá-los na sala de nossa casa enquanto esse enfeite estiver lá ou enquanto não entenderem a real mensagem de Jesus. Obviamente, então, na minha opinião, jamais deveríamos colocar uma árvore ou um presépio num local em que vários irmãos "imaturos na fé" e que ainda se alimentam de "leite espiritual" terão acesso (a menos que possamos explicar um a um o motivo da existência daquele enfeite ali). Embora não haja nenhum erro na adoção ou rejeição do enfeite, não podemos ser motivo de tropeço (já que, infelizmente, podem achar que estamos fazendo essas coisas como idolatria).

I Coríntios 8:6-9 = “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele. Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada. Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta. Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos.”

     Talvez você me pergunte: "mas o que está por trás do Natal, além de ser pagão, tinha a intenção original de adorar ídolos. Como vamos adotar algo que tinha claramente esse objetivo antes de ser modificado pelo cristianismo?"
     Então lhe respondo tentando seguir a  mesma lógica de Paulo: o que determina o sentido de um ato é a motivação de quem o pratica. Quando Paulo fala que "poderia comer qualquer alimento, mesmo os sacrificados aos ídolos, desde que a consciência não o acusasse e desde que não ferisse a consciência dos novos na fé", ele ensina pelo menos duas coisas:

1 - Paulo estava falando exatamente sobre alimentos que foram feitos COM O OBJETIVO DE ADORAR OUTROS DEUSES/ÍDOLOS. E parafraseando Paulo: "se você sabe que essas pessoas estão no engano e que os ídolos nada são, por que não comer? Se está convencido disso, se tiver vontade, coma. Mas se tem medo ou dúvidas, não coma, não porque os ídolos farão mal a você e sim, porque a sua consciência ainda fraca lhe acusará e será danoso."

2 - Mesmo se você crê que tudo é de Deus... que "todas as coisas são puras para os puros e que tudo é impuro apenas para os impuros"... que "o que contamina o homem é o que procede do coração e não algo exterior"... que em Cristo o puro é que purifica o impuro e o impuro jamais tem poder para contaminar o puro... Mesmo diante de tudo isso, cuidado para não escandalizar seu irmão, pois deve amá-lo como a ti mesmo. Então, por amor a ele, embora tudo lhe seja permitido, nem tudo lhe convém. Às vezes será prudente abrir mão de alguma coisa, até que seu irmão possa entender essa realidade que Cristo nos trouxe, que deixa toda essa questão religiosa praticamente sem valor algum. Então não imponha nada a seu irmãozinho, pois a consciência dele pode ainda não ser a sua. Não o escandalize. "A fé que tu tens, tenha para ti mesmo". É assim que eu resumiria todo o ensino de Cristo e de Paulo em relação a isso.

     E saiba: da mesma forma que algo que foi originalmente criado para ser positivo pode ser usado para o mal, algo criado com um objetivo não recomendável pode ser usado para o bem. Quem dá significado a cada coisa é o usuário. Por exemplo: o "Viagra" foi criado originalmente para tratamento de problemas cardíacos e depois passou a ser usado para impotência sexual; a faca foi criada para facilitar nossas atividades diárias, mas alguns a usam como arma branca para tirar a vida; medicamentos foram usados para aliviar/curar doenças, mas alguns usam para o suicídio... O objetivo da criação de cada evento ou objeto perde o significado quando quem a usa atribui a ele um outro objetivo. Da mesma forma que o cristianismo como religião surgiu como uma esperta manobra política de Constantino, alguns segmentos, mesmo estando sobre essa origem "pagã", mantém a sincera pregação da Palavra de Deus. Da mesma forma que galinha preta é, para alguns, item para um ritual de magia negra, para mim é uma ave como todas as demais galinhas. Da mesma forma que alguns batem palmas para chamar uma entidade espiritual, eu bato para reconhecer a bela apresentação de um artista. O significado de cada coisa quem dá somos nós. Se alguém faz a mesma coisa que eu com outros fins, essa pessoa é responsável por ela. Eu respondo pela minha motivação e significação.  

     Infelizmente o "Natal moderno" não representa com fidelidade o contexto histórico do nascimento de Jesus. Nessa celebração, o que fazemos são grandes festas, com grandes banquetes, vestimos as melhores roupas e criamos belíssimas decorações. A lembrança do real motivo do evento acontece apenas quando há um presépio e o nosso coração está quase sempre apenas envolvido com a troca de presentes. Ou seja, a simplicidade da manjedoura foi trocada pelo glamour de uma festa que valoriza apenas a exterioridade e, de forma inevitável, exclui os menos favorecidos economicamente, que nesse período do ano, precisam se contentar com as "esmolas", sobras ou presentinhos dados por aqueles que possuem mais dinheiro. Enquanto a criança rica não vê a hora de chegar o dia 25 de dezembro para ganhar um belo presente, a criança pobre chora porque o amiguinho a desprezou, já que seus pais não tem dinheiro para comprar o brinquedinho que ela sempre quis e a bela roupinha para usar nessa data. Percebe como nosso Natal não tem nada a ver com Jesus? Enquanto Cristo veio ao mundo pelos ricos e pelos pobres, a festa apenas valoriza os que possuem algum recurso financeiro; enquanto Jesus nasceu em uma manjedoura, em uma situação precária, o Natal nos traz uma aparência luxuosa...
     Uma vez que reconhecemos que essa festa está totalmente fora de contexto, podemos agora ter um posicionamento crítico. Seria fantasia imaginar que poderíamos mudar uma das celebrações mais tradicionais do mundo, pois já faz parte da cultura dos povos, porém podemos resgatar a essência do Natal, não por fora (na festa propriamente dita), mas no coração de cada um de nós.
     Como vimos anteriormente, os argumentos contrários à nossa participação nessa festa não parecem muito consistentes, portanto se nos reunimos com nossa família e amigos no Natal não significa que temos uma visão egoísta sobre essa data; o fato de trocarmos presentes não significa que não temos consciência do verdadeiro "presente" que recebemos (na história) há cerca de 2000 anos; ter um enfeite do Papai Noel em casa não significa que alguém o idolatra como um santo ou que o coloca como mais importante do que Jesus...
      Pactuando ou não com essa simbolização, o que determina se temos o verdadeiro Natal em nós é o nosso coração. Cada um tem a liberdade de comemorar esse Natal interior, que é o único que tem valor. O Natal do coração não requer nenhum dinheiro e não acontece apenas um dia no ano, e sim, todos os dias, através do Evangelho manifestado em nós. Dessa forma, não apenas comemoraremos, mas também viveremos esse Natal. Fazemos isso quando alimentamos o faminto e quando ajudamos o necessitado; quando damos um brinquedo àquela criancinha "de rua" que vemos todos os dias; quando ao invés de comprarmos um panetone, compramos dois e damos um para aquela família pobre ou para aquele mendigo que está jogado a 100 metros de nós... O Natal como festa, se for desacompanhado do "espírito natalino de amor e solidariedade" será hipócrita e gerará apenas maus frutos.
     Portanto, vamos aproveitar esse período de festas para fazer uma profunda reflexão sobre o amor incomparável de Deus, que encarnou (nasceu), viveu, morreu e ressuscitou por mim e por você. Vamos reconhecer isso com uma mudança nas nossas atitudes, na nossa forma de ser e de encarar o nosso próximo, procurando sempre viver como Ele nos ensinou. Pode montar sua árvore, construir um presépio, iluminar sua varanda, desejar "Feliz Natal", fazer uma ceia com a família, trocar presentes... Isso tudo é bom, pois estaremos reunidos em amor, em comunhão, com aquilo que é o foco do ensino de Cristo: o nosso próximo (sejam amigos, família ou desconhecidos). O que é contrário ao que Jesus ensinou é todo tipo de radicalismo legalista, fanatismo e "farisaísmo hipócrita", a ponto de satanizar tudo o que temos em nossa volta. Essa rejeição não tem poder contra a carne e não gera bons frutos, nem consciência. Porém, lembre-se que a única coisa que tem valor para Deus é o Natal que faz nascer em você uma nova criatura e que, todos os dias, o constrange em amor a viver como Jesus, ajudando sempre de alguma forma aqueles que mais necessitam de você. E se mesmo assim você desejar não comemorar esta data, fique à vontade. Da mesma forma que Deus nunca proibiu essa celebração, nunca a ensinou como indispensável a nenhum de nós. A festa não tem uma função espiritual, mas se bem aproveitada, pode ser uma ótima oportunidade de ensinar a todos o verdadeiro significado do nascimento de Cristo, além de estreitar amizades e de fazer nascer (ou recuperar) relacionamentos humanos. Não seria isso um ótimo Natal? Aja de acordo com sua consciência desenvolvida no Evangelho e não julgue seu irmão por aceitar ou por rejeitar o Natal, afinal, você e ele tem liberdade para assumirem responsabilidades e fazerem escolhas, sendo que no que diz respeito a esta data, não há nenhuma recomendação específica da parte de Deus. 

Romanos 14:14 = “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.”

Colossenses 2:16-17 = "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."

Autor: Wésley de Sousa CâmaraAtualizado em 23/03/2016

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