10 de jan de 2015

Como posso perdoar quem não merece?


     Como posso perdoar quem não merece? Como conseguirei liberar o meu perdão a alguém que vive cometendo os mesmos erros?
     Mas a essência do perdão é justamente essa: perdoar aquele e aquilo que não pode ser perdoado. Quando há uma justificativa para um erro, não é nem um perdão; é uma desculpa e se fosse assim, não seria nada difícil perdoar. Não precisaria Jesus ensinar tanto o perdão. Entenda: Perdoar é um ato de graça (favor imerecido) e foi o que Deus derramou sobre o homem. Não merecíamos perdão, mas recebemos. 
     Jesus ainda nos ensinou a orar: 

"Pai, perdoe nossas ofensas ASSIM COMO perdoamos aqueles que nos ofendem..." É a mesma natureza de perdão. 

     Mas isso é simples? Claro que não. É doloroso, difícil, mas deve ser o nosso alvo. Devemos sempre pedir ajuda a Deus para que nos ensine a amar, pois quem ama, perdoa... E assim como o amor genuíno é uma entrega sem esperar nada em troca do amado, o perdão é uma graça que dedicamos a alguém (assim como recebemos de Deus) independentemente dessa pessoa mudar (arrepender-se) ou de merecer o perdão. 
     Em Romanos 5 vemos que o perdão divino se deu ANTES de qualquer arrependimento nosso; a parábola do Filho pródigo mostra o Pai perdoando ANTES do filho provar mudança; no relato da mulher adúltera, o perdão foi dado a ela antes mesmo da instrução: "vá e não peques mais"... Mudança (arrependimento) é consequência do perdão e não, a causa dele. Perdoe! Se o perdoado irá mudar ou não é algo que não cabe a você julgar. 
     A falta de perdão gera ira, ódio, mágoa. E isso destrói a todos. Corrói, danifica, corrompe o caráter e mata! Porém esse dano é muito mais intenso naquele que não perdoa do que naquele que não é perdoado. Esses "sentimentos" quando não são extirpados, começam a criar raízes e frequentemente passam a ser parte do caráter e da personalidade do indivíduo. "Não perdoar" passa a ser, equivocadamente, natural e sinônimo de justiça e de hombridade para essa pessoa; e aquele que libera perdão é tido como "tolo", como injusto... Não perdoar gera cegueira para a vida. Não lhe permite enxergar os próprios erros, pois os olhos ficam focados apenas nos defeitos do outro. É alienante!
     Perdoar é amar, logo, é desejar o bem do outro sempre. Não é esquecer uma ofensa, mas é lembrar dela sem sofrer; não é confiar totalmente na pessoa que lhe ofendeu, mas é não guardar mágoa, rancor ou ódio independentemente do que ela fez ou do que ainda faça...
     Perdoar é uma manifestação de amor. E como diz o teólogo: "Amar não é gostar. Amar é querer bem; gostar é querer perto. Não preciso gostar de ninguém, só preciso amar". 
     Não é amando e perdoando que me fará receber o favor divino, mas é por ter recebido o favor divino sem merecer que devo viver na busca pelo amor e pelo perdão, pois esse é o ideal de Deus a mim.

     "Ah, isso é quase impossível!"

      Mas alguém disse que é fácil? Se fosse, Jesus não precisaria demonstrar tanto a importância do perdão. Fácil não é. É doloroso, mas é o alvo que devemos almejar. Quantas vezes? 70 x 7, ou seja: sempre!

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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