16 de jan de 2015

Posso usar e fazer isso e aquilo?


     Com frequência recebo perguntas do tipo: "É pecado fazer tal coisa? Posso, sendo cristão, usar tal roupa ou consumir isso ou aquilo?"
     Oras, quem deseja se divertir com os amigos e com a família ou cuidar da saúde de diversas formas, ótimo. Divirta-se e cuide da saúde mesmo, fazendo tudo com responsabilidade, com amor e procurando não viver de forma incoerente com o que Jesus ensinou. Vejo pessoas pregando um Deus que liberta, mas na prática ocorre o oposto. Esse "deus" que muitos pregam liberta o homem de que? Liberta, por exemplo, das drogas e da prostituição mas depois prende a pessoa em alguma "religiosidade moral distorcida"? Liberta do vício das drogas, mas a escraviza em atividades diárias da denominação? Liberta de uma vida de depravação, mas depois a coloca no outro extremo, numa vida de escravidão a dogmas, costumes e tradições? Liberta de uma alienação da vida, mas a priva de tudo o que é prazeroso e saudável?
     Os problemas dessa compreensão são sois, principalmente:

1 - Essa ideia de divisão das coisas em dois grupos: "sagrado e profano". 
     Assim, na mente de muitos, há coisas que são de Deus e coisas que são do diabo. O que está ligado com a religião, é de Deus, o que não está, é do diabo. Por exemplo, ler a bíblia com o filho "é de Deus"; jogar bola com o mesmo filho, "é do diabo" ou não faz parte do "Reino de Deus e de Sua justiça", logo, não é prioridade brincar com a criança. Então começa o dilema: Isso pode ou não pode? Isso é pecado ou não? Poxa, irmãos, o Evangelho é pra nos libertar também desse espírito "farisaico" baseado em aparências e em condutas, coisa que Paulo tanto criticou. É para nos libertar do medo, da culpa e dessa ideia tola de que temos débitos com Deus a pagar ou que dependendo do que façamos vamos acumulando créditos. Nada disso!
     A questão do cristão não é se "é pecado ou não" ou se "pode ou não". A questão é: Isso convém? Isso edifica? Isso gera frutos de amor? Isso escandaliza meu irmãozinho que está começando agora? (não digo "escandalizar" os implicantes, pois se assim for, nem na internet era para estarmos, pois tem gente que diz que TV e computador é do diabo). Então cada um analise a si mesmo, e a sua consciência moldada pelo Espírito ("mente de Cristo") e assim faça oque acha que deve. Não tem que seguir uma cartilha de regras e sim, ter uma mentalidade baseada na Palavra de Deus. Isso é fruto de arrependimento.

2 - Essa ideia de auto-justificação e de auto-santificação... 
     É uma crença num evangelho antropocêntrico, em que o homem é a causa de tudo. É a ingênua prepotência de achar que minhas obras me fazem aceito ou rejeitado por Deus. É a negação da Cruz. É a espiritualidade baseada no "faça isso em troca de algo divino". É uma espiritualidade baseada no ego, nas próprias obras, em si mesmo. Não é uma fé baseada na Cruz e sim, no "próprio eu", em que "santidade" é visto como "minha rejeição de tudo aquilo que é prazeroso para o homem", ao invés de ser uma transformação divina em mim.
     Mas é todo um paradigma, uma espiritualidade, uma fé, uma crença que precisa mudar. Não é simples como parece. Toda essa ideia e questões tem uma motivação bem profunda e mudar essa mentalidade é doloroso e nada fácil. Mas para Deus nada é impossível.

     E entenda de uma vez por todas, que liberdade é: 

"Tudo lhe é permitido, mas nem tudo lhe convém, então busque o que é bom, pois aquilo que plantar, você colherá. Liberdade sempre vem acompanhada de responsabilidade. Está livre para viver como deseja, mas pense bem no que vai fazer, pois a vontade de Deus para a vida humana foi revelada com Cristo. O ideal divino é que sejamos discípulos e imitadores de Jesus. Se quiser ser como o filho pródigo e jogar sua vida no lixo, está livre para isso, mas enfrentará consequências de sua escolha. Então, deixe o Espírito Santo guiar sua vida. Não resista a Ele e em você serão gerados frutos de amor, de paz e de alegria".

     Quando alguém me pergunta: "Wesley, você acha que eu, como cristã (ão), posso fazer/usar"... A resposta é imediata: "PODE, SIM, IRMÃ (ÃO)!" Então vem a surpresa da pessoa: "Mas eu ainda nem falei o que quero fazer e usar..." E a nova resposta é óbvia: "Não importa!"

     Entenda uma coisa: TUDO lhe é permitido, embora nem tudo seja conveniente. A questão não é se pode ou se é pecado... A questão é: convém fazer e usar isso? Trará edificação para a sua vida e para a vida de quem o cerca? Gerará frutos bons? Fará de você alguém realmente mais feliz? Isso só você pode responder (cada um analise a si mesmo) e se a resposta for "sim" para tudo isso, vá em frente, pois liberdade vem acompanhada de responsabilidade e viver de forma coerente com o amor revelado em Cristo é o ideal divino para nós.
     A questão, portanto, não é o que você faz e sim, o que você deseja. Se deseja só coisas ruins, é com essa motivação que deve se preocupar. Nossas atitudes apenas denunciam o nosso coração. Nós somos pecadores não porque pecamos; nós pecamos pelo fato de sermos pecadores. Antes de fazermos algo ruim, nós somos algo ruim e assim, pecado não é o que faço; pecado é aquilo que sou. Em vez de olhar apenas para as suas atitudes, olhe antes de mais nada para o seu coração, pois é ele que realmente importa e é nele que toda mudança começa.
     Essa é, em linhas gerais, a liberdade cristã. E aí, como usará a sua liberdade?

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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