21 de fev de 2015

Confrontando o pecado... do outro, claro!


     Entendo que Evangelho é a "boa nova", a boa notícia de que "Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não imputando ao homem seus pecados", mas entregando-se por ele, para que tivesse salvação.
     O "chamado do Evangelho" (se é que podemos dizer assim, afinal "Evangelho" é notícia e não, demanda) é para vivermos nessa consciência (de crer, de mudar de mentalidade/arrependimento, de descansar...), respondendo em amor à vontade de Deus, vontade essa que entendo ser a Lei de Deus.
     Portanto, Evangelho não tem a ver com o pecado que eu cometa ou que eu seja (afinal Pecado é um estado, é o que eu sou, muito mais do que coisas que pratico) e sim, com o perdão do meu pecado. "Confrontar o pecado" é Lei e não, Evangelho (dentro desse paradigma que adoto, que pode ser lido clicando aqui). O que quero dizer com isso? Para que o Evangelho (que é o anúncio de que estou salvo e reconciliado com Deus) faça sentido, tenho que mostrar a Lei (que é a perfeição de Deus, da qual todo homem está distante e que é o ideal de Deus para a vida humana), mas só o Evangelho é capaz de fazer com que pecadores como nós pudessem se tornar justos.
      "Evangelizar" é anunciar essa obra de Cristo, que para fazer sentido, obviamente tenho que mostrar porque isso se fez necessário (mostrar a Lei de Deus). Agora, "apontar os pecados da pessoa" é algo totalmente errado, a meu ver. Uma porque todos pecamos e é hipocrisia achar que o pecado do outro é mais grave que o meu. Jesus se entregou não meramente pelos pecados que praticamos, mas pelo pecado que somos, pelo pecado original (lá no início, quando o homem, em Adão, escolheu o afastamento de Deus), pois o que praticamos é apenas consequência, sintomas dessa doença que está enraizada no homem. É essa reconciliação que Deus faz.
     Se apontamos o pecado de alguém, estamos mostrando o cisco no olho do próximo quando temos uma trave no nosso. Quem convence o homem do pecado não somos nós, é o Espírito Santo (João 16:8). Cabe a nós mostrar que todo homem (desde o que achamos mais santo até o que julgamos pior pecador) é pecador, estava afastado de Deus e Cristo nos levou de volta a Ele, de forma que uma vez sido reconciliados, devemos entender a grandiosidade deste ato em Graça e assim, sermos constrangidos em amor e em gratidão a vivermos o mais próximo que podemos da vontade divina, pois isso tudo (inclusive essa nossa entrega já, aqui e agora) é salvação.
     Quem entende o Evangelho e tem o Espírito na vida não tem prazer em viver pecaminosamente. Ainda pecará? Claro! Mas os pecados serão "acidentes" na caminhada (ou melhor, consequências inevitáveis de nossa natureza pecaminosa) e não, um estilo de vida, uma escolha deliberada. Nosso modelo de vida é Jesus Cristo, de forma que tudo o que não se assemelha a Ele, não é a vontade de Deus para nós (se quiser chamar isso de "pecado", sem problemas). Portanto, quando apontamos o "pecado" de alguém, estamos agindo diferente de Jesus ou seja, poderia dizer que nós "estamos pecando ao apontar o pecado". Jesus, diante da mulher adúltera, não a acusou, não apontou. Fez com que ela se enxergasse, com que ela percebesse que estava em uma vida má. Perdoou-a e a instruiu: "vá, viva, seja livre e feliz, mas não peques mais (não continue nessa escolha deliberada de algo que não lhe traz vida)". Esse é nosso papel: mostrarmos Cristo, que é o nosso alvo e a partir disso, todos saberão o que é ou não correto. Não é questão de fazer listinha de pecados, de proibições e sim, de consciência moldada na Palavra. Isso é "ter a mente de Cristo".

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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