6 de fev de 2015

Jesus morreu para vencer o Pecado e não, para aniquilar os "pecados"


     De forma sucinta, Jesus não morreu meramente pra perdoar "pecados". Jesus morreu para resolver o problema do Pecado (repare a diferença entre o minúsculo no plural e o Maiúsculo no singular). Afinal, Pecado não é o que fazemos; Pecado é o que somos. Não são atitudes apenas; é um estado, é uma inclinação do ser, é nossa incapacidade de viver a Lei de Deus (que exige perfeição), é a distância que estamos do que deveríamos ser (perfeita imagem e semelhança de Deus).
     Os atos imorais que praticamos (chamados de "pecados") nada mais são do que sintomas (consequências) dessa doença (o Pecado) que teve a cura decretada na Cruz (embora vivamos ainda com sintomas dela). E foi plenamente curada? Ainda não, mas temos a promessa de que um dia essa doença (Pecado) será retirada totalmente de nós, sem deixar sequelas. Não deixamos de ser pecadores (se assim fosse, seria impossível pecarmos, ou seja, não teríamos a capacidade de errar, já que em uma árvore boa não nascem frutos ruins e uma laranjeira não produz limões, por exemplo). Se pecamos é porque obviamente somos pecadores.
     Mas o pecado foi vencido na Cruz como? Ora, com Jesus fazendo com que Deus não lidasse conosco de acordo com o nosso Pecado (ou mesmo, com os nossos pecados) e sim, com base em Seu amor e em Sua Graça.
     A partir dessa consciência aprendemos a fugir dos pecados, pois eles nos destroem, corroem nossa alma e nos afastam do ideal divino para que vivamos (conforme revelado em Jesus).
     "Viver deliberadamente no pecado" é viver de forma oposta a Cristo e isso é o oposto da salvação, pois o propósito dela é nos transformar de glória em glória à imagem de Cristo, sendo que essa transformação um dia será plena. Enquanto isso, neste mundo, viveremos nesse conflito entre carne x espírito. Deus nos faz santos (separados) em Cristo, mas "perfeitos" só seremos na ressurreição, em um corpo incorruptível. Enquanto isso, não fazemos tudo o que devemos, mas fazemos o que podemos. Não por barganha (pois, como disse antes, Deus lida conosco com base em Sua Graça e não, em nossos méritos). Então fugimos dos pecados por quê? Pois não é o ideal divino para o homem. Não é PARA SER salvo. É PORQUE FUI salvo na Cruz e porque essa salvação continua atuando em mim (estou sendo salvo), até que um dia essa salvação será plena (serei totalmente salvo). E essa minha "fuga dos pecados" (ou "luta contra o pecado"), então, é fruto de amor, de consciência e de gratidão. Achar que é de acordo com isso que minha salvação é decidida, é cair da Graça e pisar na Cruz. Minha obra não é causa; é consequência. 'Está consumado", lembra? A Cruz de Cristo tira o foco de mim e coloca 100% em Jesus.
     Teologicamente, essa questão toda engloba o famoso "simul justus et peccator" ("ao mesmo tempo, justo e pecador") e ainda o conflito entre "o já e o ainda não". São dois aspectos que tem muito material na internet sobre isso. Lutero explica muito bem essa questão e os textos baseados na compreensão dele geralmente são muito bons. Recomendo.

Autor: Wesley de Sousa Câmara 

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