2 de mar de 2015

Pior do que um "bom incrédulo" é um "mau cristão"


     Há 3 tipos de pessoas quando se fala em fé cristã: "incrédulo genuíno", "cristão consciente" e "mau cristão".
     O incrédulo, justamente por não crer, não se preocupa com nada. Vive sua vida como acha que deve viver, aproveita ao máximo e geralmente tenta ser uma boa pessoa pela razão da vida ser curta e por essa vida ser a única chance que tem de amar e fazer o bem a alguém. Porém, muitos incrédulos vivem angustiados, justamente pelo fato da vida ser curta e da morte ser o fim de tudo. Logo, o homem não passa de mera criatura que vem e vai, sem nenhum propósito maior.
     O cristão consciente, por sua vez, sabe que é um pecador e que merece a condenação, pois não é digno de ser aceito e acolhido na perfeição e na pureza de Deus. A Lei divina é pra essa pessoa, um espelho que a desmascara, que revela o quão imperfeita é e mostra que ela merece a morte. Porém, ela é consciente e mergulha no Evangelho da Graça, na boa notícia de que "mesmo merecendo a morte, Deus nos abraça em Cristo, nos ama, nos acolhe, nos perdoa e promete que um dia seremos plenamente restaurados à imagem perfeita de Jesus". Sendo assim, não é arrogante, nem prepotente (pois sabe que é pecador) e não tem nenhuma ingênua tentativa de agradar a Deus por seus méritos, pois sabe que Deus se relaciona conosco sem nenhum merecimento nosso (por Graça) e com base na perfeição de Jesus. Esse cristão consciente não pretende fazer nada por merecer. Vive o melhor que pode, olhando pra Lei não mais como algo que o condena e sim, como um alvo que não pode alcançar nesse mundo, mas que continua sendo o alvo e dele não desiste, pois esse alvo é tudo que gera amor e vida. E essa lei, assim como o Evangelho foi revelada plenamente em Jesus. Ou seja: somente olha pra Jesus, pois nEle está o modelo de perfeição, bem como a garantia do perdão por estarmos aquém disso. Em Cristo reconhece quem todo homem é (pecador) e em Cristo reconhece quem Deus é (um Deus que é amor e que o acolhe incondicionalmente, por Graça).
     Já o mau cristão não é aquele que peca a todo momento (pois isso todos fazemos, embora todo cristão genuíno lute contra isso, pois os "pecados" denunciam alienação e um fluxo anti-vida e anti-Jesus). O mau cristão é aquele que não descansa nos méritos de Cristo. É aquele que nutre uma ingênua prepotência de conquistar o favor divino (salvação, bênçãos...) através de seu próprio esforço ou de suas obras. Porém, como esse "pseudocristão" acha que tem créditos/débitos com Deus, vive uma espiritualidade antropocêntrica (em contraste com a cristocêntrica do genuíno cristão), cheia de barganhas, culpa e medo. Acha que é ele, em vez de Cristo, o foco e a causa de tudo. Sendo assim, vive olhando para si mesmo para saber se está sendo bom o suficiente, se está produzindo frutos o suficiente, se está tendo fé o suficiente e se está negando o pecado o suficiente para ser salvo. Coloca como objetivo não o andar o mais próximo de Jesus, por amor, gratidão e adoração e sim, o interesse pelo "céu". Porém, como tenta alienadamente ter méritos com Deus, vive fracassando e no dia a dia vai percebendo que é imperfeito e que não consegue ser bom o suficiente. Assim, como não descansa na Cruz e como acha que não é apenas vítima do amor de Deus e sim, um ser que participa ativamente da "conquista de sua salvação", é uma pessoa ansiosa, atormentada pelo medo do "inferno" e da condenação. Não tem a paz do genuíno cristão e vive mais atribulado que o incrédulo, pois este, no máximo é desiludido pelo fato da morte ser o fim, mas não vive com medo de uma condenação pós-morte, eterna. Já o mau cristão é alguém que vive traumatizado, com medo, culpado e nutrindo um narcisismo, um egocentrismo, olhando a todo momento para dentro de si, tentando encontrar uma segurança que naquele momento não está com pecado que o afaste de Deus. Ou seja, o falso cristão vive com medo do inferno, mas esse medo já é uma experiência em vida do inferno. Por isso há tantos cristãos vivendo mentalmente atribulados. Uma espiritualidade doentia dessa é pior do que a ignorância acerca de Deus.
     Que sejamos bons cristãos e que tenhamos uma espiritualidade sadia, baseada 100% em Cristo, sem culpa por nossos pecados ou medo de condenação, pois cremos no Cristo que nos promete vida. Estamos crucificados com Ele, de forma que não tememos a morte, pois quando Cristo ressuscitou, ela foi vencida. Ela não é o fim, porém mais do que isso: para o genuíno cristão ela não é algo que alimenta insegurança por um "juízo divino"; ela é apenas a passagem da vida terrena para a vida futura; é a mudança de um corpo mortal para um corpo incorruptível; é a consumação da transformação de um ser relativo e pecador em um ser à perfeita imagem e semelhança de Jesus. Essa é a esperança cristã. Espero que você esteja nesse grupo.

"Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte." (Romanos 8:1-2)

"Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 8:38-39)

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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