9 de abr de 2015

Quem é mais pecador: O adúltero, o ladrão, o assassino ou você?


     Imagine que alguém seja todo "certinho", exceto pelo fato de ser MENTIROSO, CALOTEIRO, FOFOQUEIRO, ADÚLTERO, ASSASSINO E LADRÃO.
     Essa pessoa é uma pecadora, certo? Ok.
     Imagine que essa mesma pessoa deixe de ser MENTIROSA, CALOTEIRA, FOFOQUEIRA, ADÚLTERA, ASSASSINA E LADRA, ou seja, agora é simplesmente "certinha em tudo".
     Essa pessoa agora é pecadora? Claro que é! Continua sendo. Mas ela é menos pecadora do que antes? Claro que não! Vou explicar:

     Deus em Cristo nos mostra que não contabiliza débitos (pecados), bem como não soma créditos (obras). Temos que entender que por mais santos ou bonzinhos que sejamos, continuaremos sendo pecadores. Não há gradação ou acúmulo de pecados. E nossa salvação é pela Graça e não, pela nossa ausência ou pela menor quantidade de pecados. Mas por que é assim?
     Pois o Pecado é algo profundo, é uma doença enraizada no homem. Pecado não é um mero ato imoral (matar, roubar, adulterar, caluniar, fofocar, mentir...). Esses atos (que chamamos de "pecados") são apenas consequências, são sintomas dessa doença que reside em nós, chamada PECADO. Cristo nos livrou da condenação do Pecado (que leva à morte), por isso em Cristo temos vida. Temos a doença, mas agora ela não é mortal, pois em Cristo estamos; em Cristo morremos e em Cristo ressuscitamos.
     Continuamos sendo pecadores (após nossa conversão), mas isso não é pelo fato de pecarmos, pois "pecado não é o que praticamos; pecado é o que somos". Pecar é "errar o alvo", é transgredir a Lei de Deus (I João 3:4), ou seja, é transgredir a vontade e o ideal divino para a vida humana. Pecado é a distância a que estamos do ideal. E qual é o ideal? É o que Cristo encarnou e revelou. Ou seja, pecado é a diferença entre o que somos e o que Jesus é. Será que os que acham que, só porque ouviram e creram no evangelho, são agora convertidos e "não pecadores" (que ilusão!) tem a audácia de dizer que são iguais a Cristo? São homens perfeitos? Pois pecado é o que nos afasta dessa perfeição divina revelada em Jesus. Ou seja, não importa o momento de nossa caminhada cristã, sempre seremos igualmente pecadores, "pecando mais ou pecando menos". E todos da mesma forma mereceríamos a condenação, a extinção, a morte. Porém por Graça (favor imerecido) Deus nos salva, nos acolhe e nos abraça na Cruz.
     Como a famosa frase diz: "Sou pecador não porque eu peco; eu peco por ser um pecador". Se temos a capacidade de pecar é porque somos pecadores, afinal uma figueira produz fruto conforme a sua espécie, ou seja figos. Ela não produz maçãs. Então se pecamos é porque nossa natureza é pecaminosa. Porém Cristo nos justifica, nos livra da condenação desse nosso pecado, afinal, Ele nos representa diante de Deus e o Seu sangue nos purifica. Mas entenda: essa pureza nossa é em relação a Deus e não, em relação à nossa vida e ao nosso próximo. Deus olha para nós e nos vê como criaturas reconciliadas com Ele, cobertas pelo sangue de Jesus. Porém, continuamos nessa humanidade imperfeita e o que Deus faz é gerar em nós frutos dEle quando descansamos nessa videira que é Cristo (pois quando tentamos produzir frutos com nosso esforço, com nossas obras, geramos frutos conforme nossa natureza, que como disse, é pecaminosa. Só sai fruto podre, mesmo que a casca/aparência esteja bela. Será como um "sepulcro caiado"). Em outras palavras, somos pecadores e produzimos frutos de pecado; porém Deus nos justifica perante Ele e gera em nós frutos do Espírito, frutos de amor, frutos de arrependimento (Gálatas 5).
     Então, durante nossa vida estaremos sempre nesse conflito (o que Paulo fala no início da carta aos romanos), entre "carne e espírito", pois o Reino de Deus está instaurado mas não está consumado. A promessa é que um dia seremos plenamente transformados, em um corpo incorruptível e gozaremos em plenitude dessa natureza de Cristo (seremos perfeita imagem e semelhança dEle). Aí sim deixaremos de ser pecadores e apenas os frutos do Espírito existirão em nós.

    Mas eu nem precisaria dizer tudo isso se entendêssemos que Jesus é o parâmetro absoluto para definir e avaliar tudo e todos. Sendo assim, é só olharmos para o que Jesus interpretou como sendo "pecado". 
- Lembra da parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18)? Quem foi bem aventurado: o fariseu (que se considerava o "certinho") ou o publicano (que assumia que era um pecador carente da misericórdia divina)? Foi o publicano... 
- Lembra da parábola do filho pródigo (Lucas 15)? O filho mais velho se julgava "o certinho", enquanto o mais novo saiu pra gandaia, gastou tudo o que podia, pecou até não aguentar mais e voltou. Antes mesmo de clamar por misericórdia o pai o acolheu, ou seja, o pai (Deus) mostrou que não contabiliza pecados, que sempre o amou e que nunca deixou de perdoá-lo (mesmo o filho não tendo consciência disso). O que mudou foi a consciência do filho, que só pode usufruir dos benefícios desse perdão quando se arrependeu (mudou de mentalidade). E assim, voltou a se apropriar de tudo tanto quanto o filho mais velho também possuía... 
- Lembra da parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20)? Jesus deixou claro que não soma créditos (obras), pois o que começou a trabalhar logo de manhã recebeu tanto quanto o que começou minutos antes do término do expediente. Jesus fere nosso senso de justiça, né? Ele quebra nossos paradigmas modernos e religiosos, baseados na barganha e no mérito. Não temos como usar nossa vida como parâmetro para classificar o outro.

     Jesus mostrou claramente que "pecado" não é o mero ato e sim, aquilo que está lá em nossas "entranhas". Ele disse (parafraseando): "Não adianta não ir pra cama com aquela mulher que você acha maravilhosa, pois só o seu desejo já denuncia que você é um adúltero"; "Não adianta não tirar a vida de alguém, pois se você se irar contra uma pessoa você já mostra que é um assassino"; "O que contamina o homem não é o que entra pela boca e sim, o que sai dela, pois o que sai é o que procede de sua essência, de seu interior e essa é a fonte de contaminação". Ou seja: Jesus mostrou claramente que nosso pecado é algo que está dentro de nós. Ele "jogou em nossa cara" que ninguém de nós escapa. Mesmo não praticando o ato, continuamos condenados pela nossa capacidade de praticar o que é mau. Se temos que lutar contra o que é mau, é porque algo dento de nós nos empurra para longe de Deus. Por isso Ele nos ensina que devemos crer (ter fé) e passar por arrependimento (que não é remorso e sim, renovação do entendimento, expansão da consciência). Só assim alinharemos nossa vida a essa realidade que a Cruz de Cristo trouxe. 
     Você crendo ou não, passando por arrependimento ou não, acolhendo ou esperneando de raiva, a realidade é essa. Então o chamado é pra que você se renda a esse amor e passe a não praticar o mal porque esse não é o ideal de Deus a você. Se você lutar, resistir, vai perder, colega. Quem você pensa que é? Viver nessa alienação é lutar contra o fluxo da vida, é condenação, está enfiando a cabeça em um inferno. Então a questão não é "deixar de pecar para ser salvo" e sim, crer que você foi reconciliado na Cruz e agora deve se entregar a essa realidade, a fim de que você usufrua dos frutos do Espírito que nascerão em você. Quando isso tudo acontece, dizemos que você é um genuíno salvo e essa salvação será consumada um dia, quando Deus nos transformar plenamente no que Paulo chamou de "corpo incorrutível".
     Enquanto isso vamos caminhando, lutando contra nossa carne a fim de não sermos dominados por esse Pecado. O Espírito Santo nos ilumina, nos guia, nos ajuda, nos santifica, porém não temos a ilusão de que isso nos torne "melhores" diante de Deus e sim, melhores em relação a nós mesmos, melhores para nosso próximo e melhores para o planeta em que vivemos. É a restauração da Criação em processo, que um dia será plena, quando gozaremos nos braços do Pai a consumação da Obra da Salvação.

     "Então aquela pessoa que escolhe deliberadamente viver de forma pecaminosa, se entregando aos desejos da carne, não é mais pecadora do que eu?" Isso mesmo! Ela não é mais pecadora que você. Ela, você e eu somos todos igualmente pecadores, não importando o quanto pequemos. A diferença é que ela é uma pecadora que se entregou a essa alienação do pecado (está cega). Isso pode trazer uma alegria momentânea a ela, mas no fim é destruição e morte (Romanos 6:23); você é tão pecador quanto ela, porém, é consciente de quem você é (pois você, ao receber a Palavra de Deus, foi quebrado pela Lei divina, que tirou suas máscaras e a trave dos seus olhos) e reconheceu que carece da Graça de Deus (acolheu o anúncio do Evangelho). Assim, você, ao contrário dela, não se entrega. Se acha que essa Graça de Deus é desculpa pra "viver na gandaia" é sinal que não entendeu a Palavra de Deus e você precisa de muita Lei pra se enxergar e pra quebrar essa mentalidade. Mas se você entendeu a Grandeza da Obra de Jesus, você luta para ser o melhor que pode (e esta sempre pacificado, mesmo quando tropeça e erra, pois sabe que já tem seu perdão garantido na Cruz). Você agora coloca Cristo como modelo de vida e como alvo, procurando amar, perdoar, servir, acolher, ajudar como Ele fez. Afinal, é dEle que somos discípulos e o desejo de um discípulo é andar o mais próximo que pode das pisadas do Mestre.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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