29 de mai de 2015

"Base bíblica"? Não! "Base em Jesus"!


     A pergunta do cristão não deveria ser a ingênua, rasa e sem sentido questão: "O que a bíblia ensina sobre isso?" A pergunta, muito mais lógica e profunda, deveria sempre ser: "Como isso pode ser enquadrado dentro do que Jesus ensinou?"
     E como saberemos essa resposta? De forma concreta e objetiva, olhando para o INSTRUMENTO chamado "bíblia". É questão de foco, de diferenciação entre "meio e objetivo". Imagine uma estrada. Nosso alvo é chegar a um destino (que é salvação plena, transformação total à imagem de Cristo) percorrendo um Caminho (que é Jesus); nessa jornada temos placas de trânsito (que são as escrituras), que nos dão segurança e que confirmam em nossa subjetividade (compreensão) que estamos nesse Caminho.
     As placas estão inseridas dentro do contexto do ambiente que as trazem. Às vezes estão parcialmente encobertas por capim, descascadas, faltando um pedaço, opacas, com furos de tiros... Podem ter sido produzidas com metal ou tinta diferente, por pessoas diferentes, com objetivos não necessariamente idênticos. Mas o conjunto delas facilita que continuemos caminhando com segurança, pacificados, sem medo. Só isso que importa.
     Então repare: as placas não são o objetivo, nem o fim em si mesmas. Elas são fundamentais sim, mas para nos trazerem consciência histórica de uma realidade que transcende isso tudo, pois é divina. Uma realidade eterna que um dia tornou-se homem e que morreu em uma Cruz, ressuscitando ao terceiro dia. E a informação dessa Obra divina nos chegou concretamente por meio dessas placas (escrituras, à grosso modo compiladas em um único volume chamado "Bíblia").
     Lembre-se: a vida eterna encontra-se em Jesus e as escrituras, como Ele mesmo disse, são testemunhas históricas dEle, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Não confunda o Caminho com a sinalização do Caminho. Não atribua a algo um papel que "esse algo" nunca pretendeu possuir. É como o provérbio que afirma que quando alguém aponta o dedo para a lua, o sábio olha para a lua (objetivo, destino); já o tolo foca no dedo.
     Expanda sua percepção para a realidade, que é o objetivo. E agradeça a Deus por nos dar meios que facilitam esse nosso encontro histórico (de compreensão) com essa realidade.
     Então, ao invés de pedir "base bíblica" pra tudo, peça "base em Jesus" pra tudo e para refletir sobre isso obviamente a bíblia será a referência base. Do contrário, você será um mero idólatra, escravo do livro, dos textos e estará demonstrando que sequer consegue entender o que é a bíblia, de que é feita, estará ignorando os autores, contextos, compilação e intenções, bem como estará tirando o foco de Jesus, a Palavra de Deus que se fez carne e que habitou entre nós, como a própria bíblia é testemunha. Cuidado! Pode ter aparência de piedade, mas é ingênua ou enganosa idolatria.

Por: Wesley de Sousa Câmara

O que achou?