10 de jun de 2015

A relação entre Pecado e Cruz de Cristo


     Nós, para Deus, somos todos iguais: pecadores. Não importa se "convertidos" ou não. E somos pecadores não porque pecamos; nós pecamos pelo fato de sermos pecadores. Afinal, "pecado" não é meramente o que pratico ("atos imorais"); pecado é, no fundo, o que sou. Pecado é a nossa essência; é a natureza humana, caída; é a tendência que temos de afastamento de Deus.
     O que praticamos de ruim (e que chamamos de "pecados") são apenas consequências de sermos pecadores (uma árvore só produz frutos conforme a sua espécie, logo, se sou uma árvore que produz frutos ruins, os pecados, é porque sou pecador, certo? Uma laranjeira não produz limões, logo, se eu não fosse pecador seria IMPOSSÍVEL eu pecar em qualquer contexto). Porém também brotam em mim frutos bons, os frutos do Espírito, o que mostra que estou enxertado na árvore da vida, na videira verdadeira, que é Cristo. Quando descansamos nessa "seiva divina", o Espírito Santo geram frutos de justiça e de amor em nós. Em outras palavras, "simul justus et peccator", que é uma famosa expressão teológica para dizer o que somos: "ao mesmo tempo, justo e pecador". Minha natureza é pecaminosa, mas em Cristo, sou contado como justo por Deus. Não há contradição alguma. Abraçamos esses dois polos, esse "paradoxo" sem problemas.
     Os "pecados" que praticamos são apenas sintomas de uma doença que nos atinge, chamada PECADO. Essa doença continua em nós, independentemente de conversão à Cristo. A Lei de Deus é justamente o espelho que nos mostra que somos pecadores (pois ela é santa e perfeita e, à medida em que não somos capazes de cumpri-la, fica evidenciada a distância que estamos de Deus, ou a distância entre o que somos e o que deveríamos ser). Essa Lei nos mostra que somos incapazes de nos salvarmos e que somos carentes da Graça (favor imerecido) de Deus. Elas nos coloca em desespero, em estado de renúncia de nossos méritos, pois não os temos. Tudo que fazemos, mesmo as coisas que julgamos boas, não passam de "trapos de imundície".
     Mas é aí que entra o Evangelho, ou seja, a boa notícia de que apesar de sermos pecadores, em Cristo fomos justificados. É o anúncio de nossa salvação e de nossa transformação contínua, que um dia será plena e gozaremos a vida eterna em plenitude nos braços do Pai.
     Por causa da Cruz de Cristo, Deus olha pra mim e pra você e não vê dois pecadores e sim, dois humanos limitados, porém cobertos pelo sangue de Cristo; dois humanos justificados, cuja perfeição e justiça de Jesus é contada em favor deles. Por causa disso, Deus não lida conosco com base em nosso pecado e sim, com base na pureza de Cristo, que não apenas morreu em nosso lugar (sacrifício vicário), mas também viveu em nosso lugar. Isso mesmo, Jesus nos representou não só em Sua morte, mas também em Sua vida. Ele foi o ser humano que não conseguimos ser. Assim sendo, podemos dizer que a encarnação do Verbo (a Palavra de Deus se fazendo carne/homem) teve 3 papeis principais:

1 - Nos deixou um modelo de humanidade perfeita, um ideal (inalcançável nesta vida, mas com a promessa de que um dia seremos plenamente transformados à imagem dEle).

2 - Jesus foi o ser humano que fomos criados pra ser e que não somos, ou seja, nos representou diante do Pai como essa humanidade perfeita.

3 - Revelou-nos na história, no tempo e no espaço, em nossa linguagem humana e material, uma obra divina eterna (Jesus é o Cordeiro de Deus imolado antes da fundação do mundo), que jamais seria bem compreendida por nós se há 2 mil anos a vida, a crucificação e a ressurreição de Jesus não tivesse ocorrido.

     Diante disso, o que nos resta? Crer no que foi feito, mudar nossa percepção (conhecido como "arrependimento") da Obra divina, abrir mão de nossos méritos ("negar-nos a nós mesmos") e descansar nos méritos de Cristo ("tomar a nossa cruz"), a fim de que o Espírito Santo atue em nós, transformando-nos e moldando-nos à imagem de Jesus.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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