6 de jun de 2015

Pode até espernear, mas você está perdoado!


     Você querendo ou não, crendo ou não, se arrependendo ou não, já está perdoado; foi perdoado na Cruz! A única coisa que pode fazer é tomar posse (na consciência) ou não desse perdão, o que não mudará o fato propriamente dito (de que é acolhido por Deus), mas que mudará totalmente a sua experiência. Em vez de medo, ira e culpa, viverá em paz, amor e gratidão.
     Entenda: a sua fé EM Cristo (que por sinal é pequenininha, insignificante, falha, parcial) tem o papel de determinar a sua PERCEPÇÃO em relação ao que Deus lhe dá por Graça. Só isso. Ponto. Ela lhe dá consciência de sua salvação, ou seja, ela é a responsável por sua salvação na sua subjetividade, mas sua salvação propriamente dita, objetiva, concreta, real é garantida pela fé DE Cristo. Graças a fé do Verbo encarnado, você e eu fomos representados por Ele diante do Pai. Não somos causa de nada! Somos vítimas do Deus amoroso revelado em Jesus, que certa vez disse:

"Quem ama será amado de meu Pai e eu me manifestarei a ele..." (João 14)

     Outro texto bíblico:  
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor..." (Atos 3)

     Um leitor menos atento, sem uma compreensão global e consistente da Palavra, irá supor que nós somos a causa do amor e do perdão divino. Achará que nosso arrependimento (mudança de mentalidade) é o que muda a disposição de Deus em nos amar, salvar e perdoar (o que seria totalmente incompatível com a Graça, com o Evangelho e com os ensinos de Jesus, principalmente com suas parábolas, como a do "Filho pródigo").
     Quando amamos, não é que Deus não nos amava antes e agora passa a amar; quando amamos, estamos demonstrando, extravasando uma experiência que temos com Deus. Quem ama se doa, se entrega. E Deus é amor. Se amamos, experimentamos na vida e na consciência o amor de Deus por nós. Quem ama não duvida e percebe o amor divino sendo derramado sobre ele (Jesus se manifestando a essa pessoa). Quem não ama, também é amado por Deus (pois amor é a essência divina), mas não entende isso, não crê, não expande a consciência pra aceitar essa realidade (não passa por arrependimento), logo, vive na alienação de achar que não é aceito.
     Quando cremos, nos arrependemos (expandimos nosso entendimento com mudança de mentalidade), nos convertemos... nossos pecados são apagados, mas não na dimensão divina sim, na humana. Na Cruz nossos pecados foram objetivamente apagados. Acabou! Está consumado! Eu sou um ser histórico, vivendo agora, mas o que faço ou deixo de fazer não anula o que foi consumado por Deus na Cruz de Cristo. Seria muita prepotência minha pensar assim... Mas quando me arrependo, entendo o que foi feito POR GRAÇA (sem merecimento) por mim. Assim, tomo posse na minha vida, na minha consciência, na minha subjetividade de uma realidade que já foi implantada por Deus. Se creio e me arrependo, alinho meu ser a esse fluxo de vida trazido por Jesus. Viverei sem culpa, sem medo, em paz e em amor. Por isso o final do trecho diz: "...VENHAM ASSIM OS TEMPO DE REFRIGÉRIO PELA PRESENÇA DO SENHOR". Quando assimilamos isso, percebemos Deus conosco e nossa alma fica refrigerada, gozando essa paz. Do contrário, mesmo sendo nós perdoados na Cruz, continuaremos vivendo na ilusão e alienação do pecado, presos à mentira. Seremos como escravos livres, mas que não entenderam que são livres e por isso continuam na escravidão. O problema não está entre eles e quem os libertou e sim, entre eles e a mente deles que não mudou.
     Porém, isso que é bem óbvio, soa como uma grande heresia para a maioria dos cristãos atuais no Brasil, infelizmente. As pessoas sempre querem fazer algo para garantir o favor divino; sempre querem fazer uma barganha com Deus. Ter fé para descansar nos méritos de Cristo é muito mais difícil do que ter fé para fazer algo na ingênua intenção de conquistar algo da parte de Deus ou de fazê-lo mudar de opinião e, assim, mover Suas mãos para nos resgatar e nos abençoar.
     Mas voltando e resumindo: se eu não crer e não me arrepender, não serei menos amado por Deus, mas experimentarei um "inferno existencial", uma vida de engano e esse não e o ideal de Deus para nós.

     "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância". (João 10)

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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