11 de jun de 2015

"Você só prega sobre o amor de Deus, mas e o resto?"


     Ainda bem que só prego amor, pois tudo além disso seria anunciar "um outro evangelho", como chamou Paulo, afinal, AMOR é o que Deus é. Qualquer coisa fora disso é defender um ídolo, um Deus criado por homens.
     Como João disse: "DEUS É AMOR". Amor é a essência divina, de forma que todas as características (atributos) a Ele dados são derivadas (consequências) dessa essência, desse amor. Quando falamos em justiça, ira... estamos falando em atributos que se manifestam em amor, como a Cruz foi a suprema manifestação de justiça divina feita em amor. Tudo em Deus é amor. Não foi a toa que Jesus, sendo o Verbo encarnado, a imagem do Deus invisível, resumiu a Lei divina em amor (a Deus e ao próximo). Deus é amor e amor conforme revelado em Jesus (que é a imagem do Deus invisível - "quem vê a mim vê ao Pai"), que acolheu inclusive aqueles que a sociedade e a religião da época apedrejavam e isolavam de seus encontros. Até um sabidamente traidor comia com Ele na mesa.
     Copie isto, cole na geladeira, na porta do quarto e leia todo dia até entrar em sua cabeça:

"O AMOR não é um atributo divino; o amor é a essência de Deus. É o que Deus é."

     É como se eu dissesse: Você, amigo (a), é humano e é alto, magro, branco, rico e bonito (só exemplos, suposições). Ou seja, o "humano" que citei não é um atributo seu (não está em igualdade ou em competição com as características citadas). O "humano" é a sua essência. É o que você é. As características é que são atributos seus. A mesma coisa é em relação a Deus. Amor é o que Ele é. E dentro desse amor notamos algumas características (atributos), que jamais são opostos ao amor.
     Imagine que você diga: "'Bonito' pra mim é ser dourado, liso e brilhante, então pra alguém ser bonito tem que ser assim". Mas não faz sentido, pois esse alguém é, por definição, "humano". Logo, um ser humano não pode ser dourado, liso e brilhante. Ele é bonito dentro do contexto da humanidade dele. A mesma coisa vale para Deus. Repare que, como João disse, Deus é amor.
     Então não queira dizer: "'Justiça' pra mim é dar o que alguém merece, logo, se Deus é justo, Ele vai abençoar quem é bonzinho e massacrar os maldosos". Isso não faz sentido, pois Jesus derrubou essa mentalidade e esse nosso conceito de justiça. Deus é justo? Claro! Mas o que é justiça pra Ele? É como a nossa, que na verdade não passa de vingança? Não! Para Deus, o inimigo não deve receber castigo e sim, perdão e amor; para Deus, justo não é pagar com a mesma moeda (o mal com mal) e sim, perdoar, dar a outra face e responder ao mal com o bem. Pra mim, confesso, isso não é justo, mas o meu conceito de justiça não é nada perante o conceito absoluto de justiça trazido por Jesus.
     Em outras palavras: "Justiça" pra Deus é amor. E a "ira"? Também, pois ao invés dEle esmagar todos nós, pecadores, com Sua ira, Ele derramou a Sua ira sobre o pecado e a morte, vencendo-os na Cruz. "Ah, mas a ira de Deus permanece sobre os injustos". Entenda: não é Deus irado com o homem no sentido de "você é mau, então vou castigar e judiar de você". É no sentido de: "revelei a você, em Cristo, qual é minha vontade e meu ideal para sua vida, mas se escolher um caminho oposto a esse, você estará se afastando de mim, se afastando do fluxo de vida que eu lhe dou, então vai experimentar, por culpa sua, a minha ira, ou seja, a consequência de não seguir o que estou lhe ensinando". É como o Filho pródigo, que quando se afastou de casa, experimentou a "ira" do Pai (mas repare que o Pai nunca deixou de amá-lo ou de lhe conceder perdão), mas quando ele se entregou à alienação do pecado, experimentou tudo o que podia de experiências ruins, como se fosse um castigo, embora não tenha sido provocado diretamente pelo Pai. Foi o filho buscando a sua própria "condenação", o que foi equivalente a uma situação em que o Pai tivesse se irado contra ele e dado um imenso castigo.
     Sei que estou sendo até prolixo, mas tenho que repetir por questão de didática (já ouviu o "água mole em pedra dura tanto bate até que fura"?):
     "Justiça", sim, é um atributo divino (assim como vários outros), mas todos os atributos estão condicionados à essência de Deus, que é amor. Justiça de Deus só se faz em amor. Não é que Deus é amor MAAASSSS também é justiça. Deus é 100% amor, sempre amor e apenas amor. Nada em Deus não é amor. E sendo amor, continua sendo justo, embora olhemos pra Ele equivocadamente com o nosso senso de justiça e não, com o conceito dEle de justiça. Se for pra dizer que Ele é justo com o nosso conceito, então vamos dizer que Ele é injusto, pois a Graça é totalmente injusta (segundo o nosso conceito). Ela salva justamente quem não merece. Pode isso? Veja a vida de Jesus, como Ele lidava com cada um... Parece justo Ele acolher um mentiroso, um traidor, um publicano, uma prostituta e censurar um sacerdote, um religioso que tentava (alguns de forma sincera e outros não) agradar a Deus com uma vida exemplar? Jesus adora quebrar os paradigmas humanos...
     Fico pensando: onde está a Justiça do Pai acolhendo o Filho pródigo? Amando-o inclusive antes dele voltar... Já tendo o perdoado mesmo antes dele apontar no horizonte... "Ah, mas o filho se arrependeu". Não foi bem assim. O Pai em momento algum deixou de amar e de perdoar e quando avistou o filho, antes mesmo do filho manifestar qualquer arrependimento o Pai o abraçou e o acolheu como filho novamente. O arrependimento do filho não determinou o perdão e amor do Pai; o arrependimento foi consequência do perdão e acolhimento (salvação) do filho e apenas mudou a sua percepção em relação ao amor e perdão que sempre teve, mas que, por estar alienado pelo Pecado, não percebeu.
     Jesus novamente quebrando nossos paradigmas... Mas infelizmente continuamos presos a uma lógica de "cumprir obrigações em troca de benefícios". Então quando alguém com um "espírito religioso" (mesmo não professando oficialmente nenhuma religião) me pergunta: "Você só prega amor?", respondo: "Sim, graças a Deus, que por sinal, é Amor".

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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