18 de jul de 2015

Jesus: o "pai" dos dicionários


     "Dicionário" (quem atribui significado a tudo) dos discípulos de Jesus é o próprio Mestre. Como Cristo encarnou (viveu, interpretou, demonstrou, ensinou...) a Palavra deve ser o nosso único parâmetro absoluto (sabendo que mesmo assim nossa percepção dessa significação é limitada e imperfeita). Afinal, Ele é a Palavra/Verbo que se fez carne (João 1); nEle estão todos os tesouros do conhecimento (Colossenses 2); Ele é a revelação plena de Deus ao homem (João 12); Ele é nosso fundamento, nossa pedra angular (Efésios 2); Ele é a imagem do Deus invisível (Colossenses 1), a ponto dEle mesmo dizer que quem vê a Ele, vê ao Pai (João 14).
     Não faz sentido querer que um dicionário nosso traga um significado adequado de termos e expressões profundas que encontramos na bíblia (Ex: "salvação, perdão, fé, arrependimento, temor, graça, obra, fruto, amor, evangelho, lei, reconciliação, inferno, Reino, justiça, Cruz"...) ...
     Nossos dicionários são modernos, ocidentais, em língua e cultura totalmente diferentes das que geraram as escrituras, o que "de cara" já deixa claro que seria ingenuidade buscarmos uma compreensão bíblica consistente e coerente buscando esses termos em dicionários e enciclopédias atuais.
     Ou seja: podem existir 10 significados no dicionário para cada um desses termos; podem existir 10 significados em diferentes livros bíblicos (isso mesmo, dentro da própria bíblia) para cada uma dessas palavras... Mas a questão é: o que essas expressões significavam para Jesus? Como ele encarnou cada uma delas? E assim, olhando exclusivamente para Ele, aprenderemos o que é e como se dá o verdadeiro perdão, a justiça, o amor, a fé, a salvação... É olhando para Ele que entendemos o que é Graça, o que é Lei (isso mesmo, não é olhando para Moisés, pois o parâmetro absoluto e perfeito para avaliar tudo, inclusive os livros e personagens bíblicos é Cristo) e o que é evangelho...
     Muitas vezes tomaremos outros textos, personagens e relatos bíblicos como base (por exemplo, várias citações de Paulo), mas essas explicações só terão valor se forem 100% coerentes com Jesus, pois Ele é a Palavra de Deus revelada em plenitude. E se houver alguma divergência entre o que alguém (seja seu líder, um profeta, um salmista ou até mesmo um apóstolo genuíno) diz sobre uma expressão e o que Jesus encarnou desse termo? Obviamente ficamos com Jesus, a revelação perfeita de Deus ao homem. Tudo e todos são relativizados e avaliados diante dEle, que é o único perfeito e absoluto.
     Já tentou comparar o que era "justiça", por exemplo, para Moisés, para um salmista, para um profeta e para Jesus? Já notou a diferença? Enquanto para alguns é "pagar com a mesma moeda" ou "vingar-se" ou "dar um belo castigo", para Jesus é "perdoar, constranger diante de tanto amor e transformar mediante continuo arrependimento".
     Já notou o que significava "Lei de Deus" para os judeus e o que Jesus demonstrou como sendo Lei? Para os primeiros, era um conjunto de 10 mandamentos e de centenas de preceitos, mas veio Jesus e derrubou essa ideia superficial, voltada para o exterior, para o campo moral e objetivo ("Ouvistes o que foi dito... eu porém vos digo"). É como se Ele dissesse: o parâmetro absoluto para entender tudo sou Eu. Cristo deixou claro que a Lei de Deus é a Vontade de Deus, o ideal divino para o homem e sendo o homem pecador, é incapaz de cumpri-la. E justamente por causa dessa incapacidade (pecado), o homem precisa do favor divino (Graça) para não ser condenado (esse é o anúncio, a boa notícia chamada Evangelho). Isso mesmo, Jesus mostra que a Lei é muito mais profunda, entrando no campo subjetivo (lembra quando Ele disse que adúltero não é apenas o que toma para si a mulher do outro, mas também o que deseja a mulher do outro?). Jesus mostra que, diante da Lei, todos somos desmascarados e ela nos revela que somos todos pecadores, carentes da graça divina.
     Jesus "ressignifica" tudo, pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11). E ainda disse que as escrituras testificam dEle (João 5:39), ou seja, Ele é o alvo, enquanto a escritura é a "sinalização" (como uma placa de trânsito) que aponta para esse alvo.
     Resumindo: quer entender um termo ou um assunto? Olhe para Jesus e veja como ele encarnou essa expressão ou como encarou essa situação. Nunca se esqueça disso. É o primeiro passo para toda reflexão séria.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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