3 de ago de 2015

Amigos "do mundo"?


     Sobre amizades com "descrentes" (não digo "do mundo", pois do mundo todos somos, afinal estamos nele. Jesus até disse: "Pai, não peço que tire meus discípulos DO MUNDO, mas que os livre do mal" - João 17), o que podemos dizer? Olhemos para Jesus:
     O que Ele fez? Como Ele entendeu o "não se assente na roda dos escarnecedores"? (Salmo 1, muito citado por religiosos que censuram amizades entre pessoas de diferentes crenças). Ora, para Jesus, sentar-se nessa roda não significou ter amigos "pecadores", pois para Ele, "escarnecedor" não era a adúltera, o publicano, os coletores de impostos, o centurião romano, a samaritana... "Escarnecedores", para Jesus, eram aqueles que se diziam irmãos (fariseus, religiosos hipócritas), mas que só pensavam em si, que adoravam julgar os outros como "mais pecadores" e que adoravam mostrar que eram o que não eram (por isso foram chamados de "sepulcros caiados", belos apenas por fora). Repare que Jesus não tinha o mínimo prazer em ficar ao lado desses religiosos hipócritas.
     Jesus foi chamado de "comilão, beberrão e amigo de publicanos e pecadores" (Mateus 11), lembra? E por quê? Pois Ele se assentava à mesa com eles (Jesus não deixou de partir o pão - e isso significava íntima comunhão para um judeu - nem com Pedro, que o negaria várias vezes, nem com Judas, sabidamente ladrão e traidor). Jesus foi a festas de casamento e frequentou casas de todo tipo de gente. Estava cercado de pessoas da pior espécie, tanto que até na morte ficou entre dois ladrões. Jesus nunca se isolou de pecadores, apenas quis distância daqueles que se diziam "de Deus", mas que viviam de forma oposta à fé que professavam e ao que exigiam dos demais.
     Quando olho para Jesus, concluo que não há nenhum ditado mais errado do que este: "Diga-me com quem tu andas que direi quem tu és". Alguns dirão: "Ah, mas Paulo deixou claro que 'as más companhias corrompem os bons costumes'". Aí há duas questões: a primeira é que, digamos que houvesse uma divergência entre a interpretação de Paulo e a interpretação de Jesus, quem seguiríamos? (Sugiro seguir o Verbo/Palavra que se fez carne; Aquele que, segundo o próprio Paulo, é a imagem do Deus invisível, em quem estão todos os tesouros do conhecimento e da sabedoria; Aquele que é a revelação plena de Deus aos homens...) Afinal vemos que Jesus andava justamente com os marginalizados pela sociedade e pelos religiosos. E diante desse amor incondicional que Ele demonstrava, essas pessoas se arrependiam, mudavam de vida (mas isso tudo DEPOIS dele amar, abraçar, acolher e aceitar como amigos).
     Mas eu disse que existem duas questões, certo? Qual a segunda? Que essa frase citada por Paulo não é de autoria dEle. O apóstolo aproveitou o contexto em que estava inserido para citar Menandro (um filósofo grego). Isso mesmo, Paulo estava em Corinto e aproveitou para citar um ditado popular entre eles. Como Menandro não é absoluto, não precisamos absolutizar essa frase dele, certo? E como curiosidade: Paulo fez outras citações de filósofos e poetas gregos, para colocar suas pregações no contexto dos ouvintes. Citou Arato, Epimênides... Na dúvida (ou melhor, sempre), siga Jesus, que não tem como errar!
     Mas voltando: Jesus não era cristão (embora a fé cristã seja fundamentada 100% nEle), não era "crente", não era católico e muito menos protestante ou evangélico. Então não faz sentido algum dividirmos as pessoas de acordo com a religião que possuem. Deus conhece o coração de cada um; nós, não. Cabe a nós apenas amar, amar e amar... Deixemos o papel de Deus, de justo juiz, para Deus.
     Se somos sal e luz, que diferença faremos sendo sal no saleiro e luz em meio a apenas outras luzes? Que sejamos diferença justamente entre aqueles que mais precisam de nós. Não tenho dúvidas de que, caso Jesus estivesse em pessoa neste mundo hoje, Ele escolheria andar entre os que nós elegemos como "piores pecadores". E pasmem alguns: Não tenho dúvidas de que entre um jantar com pregadores famosos da TV e uma roda informal na praia com prostitutas, roqueiros ou homossexuais, Ele estaria entre esses últimos.
     Se tem uma coisa que desejo é ter cada vez mais amigos considerados "incrédulos", pois assim poderei pedir a Deus: "Que em mim brilhe a Tua luz diante desses homens".
     Agora, que venham as pedradas, e peço que atirem as primeiras aqueles que são puros, santos e livres de pecado.

Autor: Wesley de Sousa Câmara

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