21 de set de 2015

O que é pecado pra você? Cometer alguns atos imorais?


     O que é pecado pra você? Cometer alguns atos imorais? Será que "a fé cristã defende isso"?
     Pecado é não cumprir a Lei de Deus (errar o alvo da perfeição) e por isso TODOS somos um "pecado ambulante". Pecado não é o que você faz e sim, o que você é.
     "Pregar contra o pecado" é pregar contra essa transgressão da Lei que todos nós igualmente praticamos e só tem sentido pra poder dizer em seguida: "o Evangelho é o anúncio da sua salvação apesar de você ser pecador".
     Pregar contra atos imorais (pecados) no sentido de achar que será mais santo, que "agradará a Deus"... é um antropocentrismo sem tamanho, digno de repúdio!
     Mas e nossos "pecados" (imoralidades)? Baseado na mensagem da Cruz, eles são apenas um problema existencial, que devem ser evitados pois são ilusões que só trazem danos pra sua vida. Por exemplo, mentir não é o ideal de Deus pro homem, pois em Cristo não vemos base pra isso, logo, dizer mentiras é errar o alvo, é "cometer um pecado". Quer dizer então que se eu mentir eu não tenho ou perco minha salvação? A menos que você creia num "cristo tosco", em uma cruz mais fraca que uma falha humana, claro que não! Sua salvação não está em jogo. Ela é por Graça (favor imerecido) e não, por mérito seu!
     O problema entre Deus e o Pecado que nós somos (e que são evidenciados por nossos atos - os nossos "pecados") foi resolvido em Cristo. Está pago! Está consumado! Tetelestai. Então vamos cair na gandaia? Claro que não, pois nossa vida passou a ser "guiada pelo Espírito". Quem entende a grandeza desse Amor é constrangido, entra num estado de gratidão e adoração, não conseguindo viver propositalmente de forma oposta à vontade divina (mesmo errando a todo o momento, por causa da limitação humana). Mas achar que nosso sucesso em sermos "bonzinhos" vai atrair o perdão e o amor divino é mais do que prepotência, é tolice, pois nada que não seja a perfeição seria capaz de agradar a Deus (por isso agradamos a Deus apenas quando descansamos na fé em Cristo, que foi perfeito).
     O que passa disso é falácia moralista, hipocrisia religiosa, pois Jesus e os apóstolos deixaram claro que todos somos adúlteros (mesmo que morramos virgens, pois adultério é evidenciado já pelo desejo e não, pela consumação do ato) e assassinos (pois até quando nos iramos contra alguém, já cometemos homicídio). Isso mesmo: todos nós somos tão assassinos, perante Deus, quanto aquele homem bomba que matou centenas de crianças. A única diferença é a consequência terrena dos atos. Se você mata, será punido, preso ou morto (dependendo do contexto em que esteja). Mas não ache que por ter apenas ofendido seu irmão, ao invés de ter cravado uma faca em suas costas faz de você menos assassino.
     Por essa razão, se não fosse o Evangelho, ninguém entraria no Reino de Deus. Paulo deu uma lista de pessoas que ficariam fora do Reino e quando entendemos o que é realmente o pecado, concluímos: "ninguém, inclusive eu, pode herdar o Reino de Deus". Por isso Jesus chega e nos mostra que podemos sim, não pelo que somos e sim, pelo que Ele é. Mas infelizmente vemos pessoas pegarem esses textos bíblicos para condenarem aqueles que julgam "mais pecadores do que eles". Não tiram a trave dos olhos mesmo...
     Fuja dos cristianismos rasos e das narrativas religiosas pseudomoralistas. Mas quer saber de uma coisa? Se você precisa de uma teologia repressora pra controlar seus impulsos maldosos, continue assim. Do contrário, você será um veneno pra sociedade. Se não procura ser uma boa pessoa por amor ao próximo e por consciência, procure ser por medo ou por culpa mesmo. É um desperdício, mas o mundo agradece.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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