18 de out de 2015

A [i]lógica de algumas teologias


A [i]lógica de certas teologias (listarei as premissas que adotam):

1 - Deus é amor
2 - Deus deseja a salvação de todos
3 - Deus é soberano, onipotente e determinista
4 - Em Adão todos caem (tornam-se pecadores) e Cristo elege apenas alguns para salvação (os demais continuam na condenação, cujo destino é queimar eternamente no "mármore do inferno")

     Ora, se Deus ama a todos, deseja e pode salvar todos, por que não salva? Se um mero homem faz a humanidade toda pecar, como pode o sacrifício de Cristo (o Filho de Deus) ter um poder/abrangência menor que o de Adão? Se há realmente esse determinismo, então Deus usou sadicamente a humanidade como marionete, para salvar alguns e condenar (direta ou indiretamente) os demais "para Sua glória"? E o amor (Deus é amor, certo?) é entrega incondicional, serviço e não, desejo de recompensa, de ser glorificado. Ou Deus cria por amor ou "para a Sua glória", pois são motivações mutuamente excludentes.
     Alguns dirão: "Deus é amor, mas também é justiça" (como se o Amor não fosse a essência de Deus e sim, apenas mais um atributo, sendo que Deus seria amor às vezes, mas outras vezes seria justiça, vingança... um deus com "transtorno bipolar" - perdoem-me pela brincadeira). Mas que justiça tem na escolha de só alguns, sendo que todos igualmente não merecem a salvação? O Evangelho, que POR DEFINIÇÃO é BOA NOTÍCIA, é tido por muitos como boa notícia apenas para alguns e para os demais é sentença de morte. Quanta incoerência...
     Obviamente algumas premissas geram tantos problemas que há a necessidade de fazer várias adaptações, como o argumento de que Deus até é amor, mas Deus não ama a todos (pasmem). Ele ama só os eleitos (ou seja, Deus é um amor parcial, incompleto, imperfeito, incapaz de amar até mesmo a Sua criação). Ora, além do problema dessa relativização do amor divino (depois me acusam de relativizar as coisas), se todos estavam igualmente mortos pelo pecado (um ponto que essas interpretações sempre frisam), porque ressuscitar apenas alguns desses "defuntos" (espiritualmente) quando se poderia ressuscitar a todos? Que Glória há na condenação, ao invés da salvação? Seria como se eu fosse "o ser supremo de amor perfeito", soberano e tivesse todo o dinheiro do mundo. Então eu chegaria diante de centenas de moradores de rua que estão morrendo de fome e, mesmo podendo tirar todos eles do sofrimento (pois eu seria todo poderoso, onipotente e dono de todo o ouro e prata) eu escolhesse só alguns deles e deixaria o resto morrer "para minha glória". Eu seria um amoroso ou um maldoso?
     Esse Deus parece ou não parece sádico e omisso? Afinal, Ele tem todo poder e só depende dEle para salvar quem Ele quiser, mas misteriosamente Ele não quer... Que ética doentia e perversa dessas teologias... Pior é ver muitos olhando para isso e achando que é louvável, que é compatível com Jesus e com o Deus amoroso. O que algumas espiritualidades fazem com a pessoa. Transformam alguém que certamente era menos sádico quando "não convertido" em um cristão que defende perversidades divinas sem escrúpulos. E ainda acusa quem critica tamanha maldade. Não é incomum após tecer essa crítica, ter que ouvir dos adeptos: "A bíblia é quem diz isso... Pessoas como você não suportam a verdade bíblica... Querem moldar a bíblia de acordo com a vontade do mundo".... A bíblia coisa nenhuma, irmão. É a sua leitura da bíblia que conclui isso. Quem quiser lançar as pedras, fique à vontade, mas um deus com um fetiche doentio desse tem não a cara Jesus e sim, do diabo.

Obs: esses pontos acima são apenas alguns problemas mais óbvios que me impedem de seguir determinadas linhas teológicas. E o objetivo deste texto foi apenas provocar reflexão mais profunda em algumas pessoas e não, provocar uma briga. Afinal, embora discorde plenamente dessa visão, respeito todos que a defendem, bem como o direito que possuem de aceitá-la. Mas procure defender o que acredita com consistência, sempre! E mesmo assim, se alguém que não sabe assimilar críticas quiser me condenar por essas observações e pelo meu exercício do direito de livre expressão do que penso, lembre-se que estará sendo incoerente com sua teologia, pois é sinal que eu fui "predestinado" a não ter essa "suprema revelação do evangelho puro e simples" (como você julga de forma "fundamentalista") que você tem, ou seja, fui "predestinado" a pensar de outra forma. Então pra que tentar de todo jeito me convencer do contrário?

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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