26 de out de 2015

"Evangelho duro" não é o que condena; é o que inclui


     Alguns adoram defender que se pregue um "evangelho duro" (como se essa expressão existisse, como se "evangelho", por definição, fosse uma demanda, algo a se fazer, e não, uma notícia de algo já feito em seu lugar, mas enfim)... E algumas percepções desse evangelho (como a que defendo) são consideradas por essas pessoas como uma "graça barata", como um "tanto faz" e como uma "desculpa pra pecar" (e pensar que quem assim afirma já atesta que nunca leu o apóstolo Paulo, que refutou várias vezes esse tolo argumento usado por judeus contra ele).
     Nessas horas uma coisa fica muito clara para mim: muito mais "duro" do que pregar um evangelho do medo e da culpa (ensinando moralismos e listinha de regras a serem seguidas, com a ameaça de inferno e condenação eterna para quem não andar na linha - ou seja, algo que pelo menos 90% dos cristãos ouvem ou defendem) é pregar um evangelho de inclusão, de amor e de perdão incondicional em Cristo. Um evangelho que diz: "Você está salvo, perdoado e reconciliado; só lhe resta crer nisso e mudar sua mentalidade (passar por arrependimento) para que experimente os frutos dessa salvação que já tem, independentemente do que você seja ou faça".
     É muito mais duro crer em algo já consumado do que na ideia de que podemos dar uma ajudinha à nossa salvação, com nossas obras. É mais duro aceitar que Deus pode incluir aqueles pecadores que nós excluímos do que crer que as pessoas que tem pecados diferentes dos nossos queimarão no inferno. É mais duro aceitar um Deus que perdoa sempre, até os Seus inimigos, do que um Deus melindroso e sádico, que apenas ensina (em Cristo) o homem a perdoar, mas que Ele mesmo é doidinho para se vingar sadicamente de quem não faz exatamente o que Ele quer (ou seja, um deus hipócrita, que ensina um "faça o que eu mando mas não faça o que eu faço").
     Realmente, um evangelho de puro amor é duro... Duro do ser humano prepotente, egoísta e vingativo engolir.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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