4 de out de 2015

Liberdade cristã: "Ame a Deus e faça o que quiser"


     Vejo cristãos pregando um Deus que liberta. Mas de que? Liberta do cigarro, da bebida e da prostituição e depois prende a pessoa em uma "religiosidade de uma moral distorcida e hipócrita"? Liberta do vício das drogas, mas a escraviza em atividades diárias da denominação? Liberta de uma vida de depravação, mas depois a coloca no outro extremo, numa vida de escravidão a dogmas, costumes e tradições? Liberta de uma alienação pelo pecado, mas a priva de tudo o que é prazeroso e saudável?
     Liberdade cristã, a meu ver, é: 

"Tudo lhe é permitido, mas nem tudo lhe convém, então busque o que é bom, pois aquilo que plantar, você colherá. Liberdade sempre vem acompanhada de responsabilidade. Está livre para viver como deseja, praticando o que quiser, mas pense bem no que vai fazer, pois a vontade de Deus para a vida humana foi revelada em Cristo. Não é questão de salvação eterna, pois isso nunca esteve em jogo. É questão de vida em conformidade com a vontade de Deus, de usar seus anos neste mundo para fazer o que é bom para você e para o seu próximo. O ideal divino é que sejamos discípulos e imitadores de Jesus. Se quiser ser como o filho pródigo e jogar sua vida no lixo, está livre para isso, mas enfrentará consequências terrenas de sua escolha. Então, deixe o Espírito Santo guiar a sua vida. Não resista a Ele e em você serão gerados frutos de amor, de paz e de alegria".

     Quando alguém me pergunta: "Wésley, você acha que eu, como cristã (ão), posso fazer/usar tal coisa"... A resposta é imediata: "PODE, SIM, MANO (A)!" Então vem a surpresa da pessoa: "Mas eu ainda nem falei o que quero fazer ou usar..." E a nova resposta é óbvia: "Não importa! Você pode! Se você deve ou não fazer é outra história".
     Entenda uma coisa: TUDO lhe é permitido, embora nem tudo lhe seja conveniente. A questão não é se pode ou se é pecado... A questão é: convém fazer ou usar tal coisa? Trará edificação para a sua vida e para a vida de quem o cerca? Gerará frutos bons? Fará de você alguém realmente mais feliz? Isso só você pode responder (o famoso "cada um analise a si mesmo") e se a resposta for "sim" para tudo isso, vá em frente, pois liberdade vem acompanhada de responsabilidade e viver de forma coerente com o amor revelado em Cristo é o ideal divino para nós. 
     Dificilmente verá as coisas sendo ensinadas dessa forma, pois isso é um perigo para a religião e ela julga que pode ser um perigo para a sociedade (se bem que essa não passa nunca foi a real preocupação). A religião precisa de uma forma mais ameaçadora de manter as pessoas "no cabresto", sob controle. Se ela assumir algumas coisas, "vai que a pessoa cai na gandaia"... "Vai que o indivíduo não a ache mais indispensável e a abandone"... Há uma série de motivos bem mais profundos envolvidos. Se não houver ameaça de condenação eterna, de queima do fogo do inferno, muitos não obedecerão... E assim prossegue essa espiritualidade pseudomoralista, superficial, hipócrita.
    A questão, portanto, não é o que você faz e sim, o que você deseja. Se deseja só coisas ruins, é com essa motivação que deve se preocupar. Nossas atitudes apenas denunciam o nosso coração. Nós somos pecadores não porque pecamos; nós pecamos pelo fato de sermos pecadores. Antes de fazermos algo ruim, nós somos algo ruim e assim, pecado não é o que faço; pecado é aquilo que sou. Em vez de olhar apenas para as suas atitudes, olhe antes de mais nada para o seu coração, pois é ele que realmente importa e é nele que toda mudança começa.
     É nesse contexto que entra a frase de Santo Agostinho: "Ame a Deus e faça o que quiser".
     Essa é, em linhas gerais, a liberdade cristã. Resta saber como você usará a sua.

Autor: Wésley de Sousa Câmara
04/10/2015

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