2 de nov de 2015

Evangelizando o "ateu"


     Vejo que o nível educacional brasileiro está precário quando nem mesmo as coisas mais do que óbvias são entendidas. Como pode um cristão querer evangelizar um "ateu" usando como argumento a bíblia, se o "ateu" parte da premissa de que a bíblia é tão verdadeira quanto um gibi do Homem Aranha?
     Se um muçulmano chegar até você, argumentando que sua fé é falsa e a dele é verdadeira, tendo como fundamento argumentativo o Alcorão, você dará bola? Certamente, não...
Se um satanista tentar convencê-lo você com uma "bíblia satânica", você acreditará? Certamente, não...
     Então porque acha que alguém que não crê na bíblia, como você crê, será convencido por algum texto dela? O "ateu", no máximo, irá dizer assim ao cristão:

"Ok, esse tal Paulo e esse tal Jesus podem até ter dito isso que está aí escrito, mas quem me garante que o que eles disseram é válido e correspondente à realidade? Quem me garante que a bíblia é verdadeira? A própria bíblia?"

     Percebe que tomar a bíblia como ponto de partida só serve para cristãos (e mesmo dentro do meio cristão há várias orientações teológicas que encaram a bíblia de diferentes maneiras)? Percebe que tomar o Alcorão como premissa só serve para os islâmicos? E assim vai...

     Então como agir diante de um "ateu"? Darei duas respostas, começando pela mais conservadora:

1 - Você não defende que quem convence o homem do pecado e do juízo é o Espírito Santo? (João 16). Então não tem que se preocupar em usar argumentos racionais, até porque, você se lembra de como o evangelho de Mateus (capítulo 16) descreve quando Jesus perguntou a Pedro quem achava que Ele era? O apóstolo respondeu: "Tu és o Cristo, filho de Deus". Jesus concluiu: "Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus."

2 - Que tal não ser chato, não ficar incomodando o "ateu" com sua fé? Que tal deixá-lo, quem sabe, curioso com usas atitudes louváveis? Que tal, quando entrar no assunto, em vez de tentar convencê-lo, apenas relatar sua satisfação em professar sua fé e em apresentar motivos que levaram você a crer como crê (motivos que o levam a ser cristão), focando em como isso mudou sua vida? Que tal pesquisar fontes extra-bíblicas, estudar história, arqueologia, ler bastante materiais de qualidade e reconhecidos internacionalmente pelos historiadores, a fim de ter mais razões para defender que a bíblia não é como um mero "gibi"? Não quer dizer que o "ateu" concordará com você, mas pelo menos ele lhe respeitará, saberá que você tem argumentos mais sólidos e não fugirá quando você se aproximar com sua mania de querer enfiar "goela abaixo" sua fé. Não queira impor sua religião, crença ou fé a ninguém e assim as pessoas estarão muito mais abertas a ouvir o que você tem a dizer e quem sabe, avaliar a coerência e consistência de suas palavras. Mas não se meta em debates, disputas e guerras infantis, pois da mesma forma que o "ateu" não tem como provar a inexistência de Deus, você não tem como provar que Deus existe ou que Deus é (como queira). Então pare de achar que "é óbvio que você está com a razão". 

     Não importa qual das duas respostas defenderá. De qualquer forma, não terá motivos para ser chato, implicante e querer impor sua fé ao outro. Respeite para ser respeitado. Siga o conselho de Jesus: Procure amar o seu próximo como a si mesmo e só faça a ele o que deseja que fosse feito a você. Então, se não deseja que um satanista, por exemplo, vivesse lhe incomodando, tentando lhe provar que a "bíblia satânica" dele é válida, não queira forçar os outros, que não tem a sua fé, a crer na bíblia. Tenhamos amor, respeito e bom senso, sempre! 

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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