28 de dez de 2015

E se falarem do seu Deus o que você fala do Deus do outro?


     Todo cristão adora a máxima: "Faça aos outros o que quer que seja feito a você" (ou sua versão negativa - "não faça o que não quer a você"), até porque também é um ensino de Jesus, certo? Ok, então vejamos como esses cristãos (massacrante maioria) evangelizam ou falam publicamente do "deus do outro" (seja da divindade muçulmana, budista, hinduísta, do deus de outras vertentes cristãs ou até mesmo daqueles que não possuem uma fé):

"Aceite a Jesus (o meu Deus) para que você seja salvo e irá pro céu; se não aceitar, será condenado ao inferno, pois seu deus é um engano. O único Deus verdadeiro é o meu e se você crê em outro ou se não crê em nenhum estará danado. Venha, seja cristão enquanto é tempo e saia dessa ilusão, seu incrédulo ignorante".

     O cristão sincero, mas superficial, achará esse discurso ótimo, válido e correto. Mas se quer saber se ele realmente segue o "faça aos outros o que deseja que seja feito a você", submeta-o à mesma pregação, porém por parte de um adepto de outra religião e veja sua reação. Isso mesmo, como cada cristão reagirá ao discurso abaixo (dado como exemplo), determinará se esse cristão é honesto ou um hipócrita, que vive o oposto do que prega:

"Aceite a Alá (o meu Deus) para que você seja salvo; se não aceitar, será condenado ao inferno, pois seu deus é um engano. O único Deus verdadeiro é o meu (Alá) e se você crê em outro ou se não crê em nenhum estará danado. Venha enquanto é tempo e saia dessa ilusão, seu cristão ignorante".

     Viu como a gente só enxerga pela nossa ótica? Viu como a gente gosta de fazer com os outros o que não gostamos que façam com a gente? Se dizem a nós o que dizemos dos deuses dos outros nós nos incomodamos, pois temos certeza que o Deus verdadeiro é o nosso. Porque achar que essas outras pessoas não pensam o mesmo em relação aos seus deuses e a nós?

     O que proponho? Não importa a religião que professe, tente ter um mínimo, pelo menos, de ética. Não diga que o deus do outro não existe, mesmo que você no fundo ache isso. Segure-se e cumpra a máxima dita também por Jesus (citada lá no início). Lembre-se que toda religião é baseada em fé e não, em certezas, evidências concretas e irrefutáveis ou em verdades incontestáveis. O mesmo vale para o ateu, que quando sincero e honesto, não dirá que o deus do religioso não existe e sim, que ele não vê razões ou evidências suficientes para crer que ele é real, não passando de uma criação humana. Ninguém prova lado algum. Cabe a cada um analisar o que é conveniente a ele crer ou descrer.
     Da mesma forma que você contesta a fé alheia, outros contestam a sua. Assim como você usa a bíblia como a fonte da verdade, inclusive para rejeitar outros livros sagrados, há inúmeras pessoas que usam outros livros sagrados (como o Corão) como fontes de verdades e os usam para rejeitar os demais, inclusive a bíblia. Não ache que citando textos bíblicos você irá convencer alguém que não crê na bíblia, da mesma forma que um muçulmano não lhe convencerá citando o Corão. Cada um tem seu universo de sentido, sua crença, seus argumentos... Então humildade a todos. Pode pregar o que crê, mas sem negar ou desmerecer o deus do outro. Da mesma forma que não podemos comprovar a realidade ou negar a existência do Deus X, não podemos comprovar ou negar o Deus Y. No fundo, todos se baseiam em fé, crenças e cada um possui argumentos para crer ou descrer em cada divindade. Tenha bons argumentos para defender sua crença (ou ausência dela) e respeite os demais.      Quando tiver oportunidade de manifestar sua fé publicamente, com respeito, faça, mas sem a intenção de converter o outro. Se essa pessoa ver que sua fé tem fundamento, quem sabe ela resolva dar ouvidos. Mas se chegar com ameaças ou acusações, além de ser uma estratégia ineficiente, mostra que você não tem ética e nem respeito ao outro.

Autor: Wésley de Sousa Câmara
28/12/2015

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