5 de jan de 2016

A infeliz "Paulolatria"


     Tem gente que critica quando alguém fala que o apóstolo Paulo (a despeito de sua enorme contribuição para a fé e a teologia cristã nascente) é um ser humano relativo, imperfeito, falho e um produto de seu meio (assim como todos somos). Reclamam quando dizem que um cristão deve, por coerência, julgar toda a bíblia e personagens a partir de Jesus. Mas isso tudo é só uma óbvia constatação. Porém se você considera Paulo (ou qualquer outro apóstolo) como um "vice-deus" e trata cada afirmação atribuída a ele como sendo fruto do oráculo divino, ok, fique com sua idolatria. Mas então acate tudo, literalmente, sem exceção, sem querer relativizar apenas algumas de suas palavras, pois isso é conveniente (e desonesto) demais.
     Quando ele diz que é "o pior dos pecadores", você relativiza; quando ele diz pro senhor tratar bem seus escravos, você relativiza a frase e tenta incluir aí a cultura (pra dizer que ele não defendia e nem era cúmplice da escravidão); quando ele diz que a mulher tem que usar o véu (como demonstração de submissão) você faz um malabarismo pra justificar contextualmente e pra escapar de ter que usá-lo; quando ele estimula ficar solteiro, aí é só mera opinião na sua visão.
     Ah, mas quando ele diz que a mulher deve ser submissa, que elas devem ficar caladas... quando supostamente ele condena os homossexuais... aí você assume que é literal, uma revelação divina e sem influência cultural!
     Por favor, me explique seus critérios, pois acho você descaradamente tendencioso e intelectualmente desonesto. Com que critérios relativiza algumas falas dele e torna outras literais e divinas? Quero entender...

Obs: Em outros textos "conversaremos" sobre cada ponto citado.

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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