25 de fev de 2016

Dois pesos e duas medidas: Vida VS Bíblia


    Vamos refletir com maturidade e sinceridade? Acompanhe o raciocínio (só quero que pense na incoerência e não pretendo fazer apologia à ideia X ou Y):

- Um pai tenta matar seu próprio filho, porém é impedido na última hora. Quando interrogado na delegacia, ele diz que iria fazer isso por que "Deus deu essa ordem". Se você fosse o juiz, o que diria? Certamente pediria ajuda a um psiquiatra para diagnosticar a possível esquizofrenia do homem. No caso de ele não ser doente, você pediria a prisão imediatamente (no fundo você talvez desejasse pena de morte a ele ou, pelo menos, prisão perpétua, por tamanha crueldade que praticaria a um inocente).

- Um grupo de muçulmanos radicais invade sua cidade natal para exterminar todo ser vivo que nela existe. Mulheres, crianças, animais... Tudo! Vários amigos seus e familiares seus estão lá. Esses extremistas dizem que Alá exigiu que todos sejam extintos. O que você dirá? Vamos guerrear contra esses radicais, contra esses terroristas ou vamos dar um jeito de impedir essas pessoas de cometerem tamanha atrocidade.

     Diante desses dois exemplo, pergunto: Por que você se incomodou? Provavelmente por vários motivos. Primeiro, pela empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro), segundo pois você diz que segue a Jesus e Ele é amor, quer sempre que sirvamos e façamos o bem ao próximo. Então faço outra pergunta:

- Por que quando esses exemplos que dei, que você julga absurdos e até como "crimes hediondos", são lidos por você na bíblia hebraica (Velho Testamento da nossa bíblia) você não tem problemas em aceitá-los e até em defendê-los? Por que o pai atual (do exemplo) que tenta matar o filho em nome de Deus é esquizofrênico e assassino, mas o antigo hebreu que quase fez o mesmo (Abraão) é tido tomado como exemplo de "pai da fé" e você entra em êxtase quando ouve uma mensagem sobre esse evento? Por que os muçulmanos que matam em nome de Alá você chama de terroristas que merecem ser combatidos, mas os antigos hebreus que cometiam atrocidades alegando que Deus os mandou exterminarem tribos inteiras, inclusive mulheres e crianças, você aplaude? Não vou ainda falar de mandamentos hebreus para apedrejar e outras violências que hoje condenamos, mas que quando estão na bíblia, aprovamos. Também não citarei que você prega nos cultos de domingo que devemos pagar o mal com bem, mas fica eufórico quando lê que animais selvagens destroçaram garotos que caçoaram da careca do profeta Eliseu. (claro que você faz um malabarismo hermenêutico pra forçar a interpretação do texto, mas enfim...).
     E a ética, a honestidade, a justiça ao julgar a todos com o mesmo parâmetro e a criticidade, onde ficam? Porque prega (usando textos bíblicos que não preciso aqui citar, pois são bem conhecidos) que Jesus é a revelação plena de Deus ao homem, o Verbo (Palavra) que se fez carne, a imagem do Deus invisível (a ponto de "quem vê a Ele vê ao Pai"), mas não tem nenhum escrúpulo de atribuir ao Deus revelado em Cristo características e ações que Jesus mostrou que não devemos aceitar? Qual é seu parâmetro? Entende como ser cristão demanda uma radicalidade de ter um parâmetro mais específico do que simplesmente "a bíblia toda", já que nela vemos percepções do divino (e de vários temas) que não são uniformes ou harmônicos?
     Não desejo polemizar; apenas quero que pense, que analise seus critérios e sua coerência. Mas isso vale apenas para quem não tem medo de refletir e de usar a razão, claro.

Autor: Wésley de Sousa Câmara
25/02/2016

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