17 de fev de 2016

Um deus de vídeo-game


     Muitos cristãos acham que nossa vida é como uma fase de um jogo virtual, em que tudo nela é determinado pelos dedos de quem está com o controle do aparelho nas mãos. Vivem dizendo que "Deus está no controle". Esse "deus", na visão delas, escolhe uns para levar pra um lugar bem legal chamado "céu" e decide sacanear outros, fazendo-os ficar pururucas num forno (ou tacho) gigante chamado "inferno". Essas pessoas andam jogando muito videogame e não tem noção de uma coisa chamada "realidade". 
     O que percebo: nossas teologias refletem muito nosso coração. Não é por acaso que temos simpatia por umas e aversão a outras. Nos adeptos dessas teologias deterministas vejo um medo inconsciente de assumir responsabilidades e/ou um desejo incontrolável de ter uma segurança perante uma crise de consciência de algo que julga realidade. Esses tais imaginam que sabem essa "verdade" (de acordo com a teologia que seguem) e claro, fazem parte desses beneficiados que foram escolhidos a dedo por Deus para salvação, para escaparem do Game-Over da condenação, passando de fase para a eternidade. É uma forma da pessoa se sentir tranquila, pacificada, pois sua morada celestial está garantida, já que o próprio Deus a predestinou. É por isso que nunca verá alguém que pensa assim (por exemplo, um cristão calvinista) dizendo que Deus elege quem Ele quer para salvação, mas infelizmente ele sabe que é um desses condenados a virar pururuca no rolete das chamas eternas, ou seja, que é um "não eleito". Não, o que ele defende o determinismo sempre acha que ele é um dos pupilos divinos, um amado acima de tudo por Deus. Bem conveniente, né? 
     Por isso a teologia não pode ser isolada, dentre tantas áreas, da psicologia. Nossa visão teológica fala de nossa compreensão do divino, que por sua vez tem muita influência das nossas preferências, pré-conceitos, cultura, visão de mundo... Não adianta, ninguém escapa. Nem você, nem eu. 

Autor: Wésley de Sousa Câmara

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