9 de mar de 2016

Transformando água em vinho... COM álcool!


     No Evangelho de João lemos que Jesus transformou água em vinho. Isso mesmo: “vinho”e não, “suco de uva”. Essa questão, embora seja óbvia, acaba sendo transformada em polêmica devido ao preconceito existente na cristandade brasileira (conservadora, muitas vezes fundamentalista e/ou legalista). E logo surgem as questões, como: “Posso, sendo cristão,  consumir bebidas alcoólicas?” Então vamos refletir brevemente sobre o assunto:

O VINHO NA CULTURA ISRAELITA/JUDAICA
     Algumas curiosidades (evidenciadas em textos bíblicos), conforme referência bibliográfica ao fim deste texto:

- O vinho era muito consumido entre os hebreus/judeus/israelitas. Todo judeu gostaria de ter sua própria vinha, fazendo uma boa sombra (I Reis 4:25) e era viável economicamente para uma aldeia investir nessa plantação (I Reis 21:6; Mateus 20:1; Lucas 20:9,10).

- Quando Moisés enviou espiões a Canaã, o cultivo de uvas era um empreendimento já importante (Números 13).

- A videira era muito importante em Israel. Era símbolo da vida religiosa do povo e o exterior da sinagoga era frequente adorno da sinagoga. Era baseado em passagens como Salmo 80 e Isaías 51:1-5, em que Israel é a videira de Deus. A importância da vinha foi o motivo da fúria dos fariseus quando Jesus falou dos lavradores maus na vinha (Mateus 21:33-41,45,46). Jesus, no evangelho de João (15:5-7) era a “videira verdadeira” como cumprimento do que Israel deveria ser para Deus.

- Os hebreus construíam torres que serviam de casa de verão, um lugar para família passar o verão enquanto as uvas eram colhidas, sendo o último andar dela para vigia. Jesus contou uma parábola de um homem cujo dinheiro acabou quando construía uma torre (Lucas 14:28-30).

- A poda das vinhas era feita no inverno, para remover galhos fracos, quebrados ou doentes, a fim de que a vinha produzisse as melhores uvas possíveis ( a chamada "limpeza da videira"). É nesse contexto que lemos Jesus falando que estamos sendo limpos e podados (João 15:3). Os ramos vivos, mas que não estão indo muito bem são removidos (João 15:2) e colocados em outra posição para produzir bons frutos.

- A “vindima” (colheita)  vai de julho a setembro. A aldeia toda poderia ir para vinha (Juízes 9:27), pois as uvas deveriam ser colhidas rapidamente, sendo um trabalho difícil naquela época. Porém, em meio a tanto trabalho, havia festa, músicas e danças. Eles levavam grandes cestos (Jeremias 6:9), sendo que algumas eram comidas frescas ou espremidas para fazer suco de uva. O copeiro chefe da interpretação do sonho de José espremeu um cacho de uvas no copo do Faraó (Gênesis 40:11). Suco fresco de uva era usado como laxante e parte do suco era transformado em vinho ("vinho doce" - Oseias 4:11). Outras eram desidratadas para fazer uva-passa.

- Lagar era uma cisterna cortada na rocha com um furo de saída ao fundo, por onde corria o suco e caía numa tina ou vasilhas coletoras. Várias pessoas entravam ao mesmo tempo na cisterna para pisar as uvas e era um momento de alegria e risadas.

- Uma parte do suco era fervido para fazer um xarope espesso e pode ser o que era chamado de "mel" em várias partes da bíblia (“Terra que mana leite e mel” Êxodo 33), já que as abelhas só foram mantidas em colmeias nos dias dos romanos. O mel comum era obtido de abelhas selvagens. O mel que jorrava da terra, portanto, mais provavelmente era esse associado à uva. Era usado pra passar no pão ou pra fazer bebida (diluído).

- A maior parte do suco era feita vinho, não apenas por causa do prazer, mas pela necessidade. A água era de má qualidade para ser tomada, a não ser que viesse de uma fonte sadia e o suprimento de leite era limitado. Quando lemos na primeira carta a Timóteo (5:23) para “tomar vinho por causa do estômago”, não necessariamente era no intuito vinho fazer bem para a doença, mas porque a péssima água poderia prejudicá-lo ainda mais . A água que era guardada na cisterna é a que escorria pelos telhados de barro com capim, onde tinham todo tipo de sujeira e era muito contaminada, por isso o vinho era uma bebida básica.

- O suco de uva ficava cerca de 6 semanas nas vasilhas coletoras para fermentação. Um sedimento (borra) se formava no fundo. Então era derramado o vinho delicadamente em jarros pra não espalhar o sedimento (Jeremias 48:11). Os jarros eram selados com argila, ficando um pequeno orifício junto ao cabo pra escaparem os gases da fermentação. Quando o processo terminava, fechavam o orifício com argila, e ali era colocado o nome do proprietário. O vinho podia ser colocado em odres (recipientes de pelo de cabra), mas se o odre velho não se expandisse para receber os gases, ele então explodiria e o vinho seria perdido. Por isso Jesus fala sobre os odres em Mateus 9:17.

- Nos dias do Novo Testamento os vinhos eram importados de todo mundo mediterrâneo para a judeia. Os ricos tinham adega em casa e estocavam em jarros estreitos com extremidades pontudas chamados ânforas. As pontas eram enterradas no solo pra manter os jarros frescos. Vinho também era produzido de tâmaras, romãs, maçãs e cereais. O de cereais é provavelmente o de Levítico 10:9; Isaías 56:12; como "bebida fermentada".

- Havia vários usos do vinho. Como desinfectante para feridas, antes de colocar o azeite curativo era um deles. O vinho barato (vinho dos soldados), produzido antes da fermentação ter se completado nas vasilhas de barro era usado para aliviar a dor (como vemos esse vinho ruim, ou “vinagre”, dado a Jesus - Mateus 27:34).

-  FESTA DAS BODAS: O noivo e a noiva sentavam debaixo de um dossel ao chegarem à casa. Eles presidiam deste local a festa do casamento, na qual grande parte do tempo era gasta comendo e bebendo (Cantares 2:4 pode ser uma alusão ao dossel ou toldo). Por exemplo: no casamento em Caná, Jesus forneceu 120 galões de vinho para os convidados, mas eles já haviam bebido tanto que a pessoa encarregada (o "mestre-sala") pensou que era uma pena que o excelente vinho novo tivesse sido deixado para o fim, quando as pessoas já não podiam apreciá-lo (João 2:6-10). As festas, em geral, duravam sete dias (Juízes 14:12) ou talvez até mais.

MAIS EVIDÊNCIAS BÍBLICAS
     A videira era um símbolo muito útil, na cultura judaica, para destacar ensinos sobre coisas louváveis e reprováveis. O vinho era visto com bons olhos pelos israelitas, de forma que se quisermos usar a bíblia para condená-lo, teremos que fazer um tremendo malabarismo exegético e usar uma desonestidade intelectual extrema para tal. Na bíblia vemos que os hebreus entendiam o vinho como uma das coisas boas dadas por Deus ao homem (Gênesis 27:28 e Juízes 9:13) e, por isso, deveria ser oferecido a Deus nas ações de graças (Êxodo 29:40). Havia até instruções para que, quando o lavrador morasse muito distante do local de entrega do dízimo do vinho, deveria vendê-lo e usar para comprar algo para agradecer a Deus (Deuteronômio 14:22-26). A abstenção do vinho ocorria apenas por questões disciplinares ou rituais. O nazireu, por exemplo, não comia ou bebia nada proveniente da uva (Números 6:3). João Batista não tomava vinho (Lucas 1:15) e ele era proibido para sacerdotes (Levítico 10:5-9; Ezequiel 44:21) nas ocasiões em que “iam à presença de Deus” (e se o texto é claro que o sacerdote não deveria tomar bebida forte QUANDO ENTRAR NA CONGREGAÇÃO, é óbvio que nos outros momentos não havia tal proibição. É como se uma mãe dissesse ao filho: “Quando entrar em casa, tire o sapato.” Não estará dizendo que o filho deve tirar o sapato quando for à rua ou à qualquer outro lugar). Mas veja, o vinho poderia ser usado com bons propósitos (Gênesis 14:18; Isaías 5:11; 28:7).

VINHO SEM ÁLCOOL?
     Muitos que defendem uma vida de total abstenção de bebidas alcoólicas argumentam de forma infundada que o vinho citado na bíblia, inclusive o do relato da festa de Caná, envolvendo Jesus, era sem álcool. Alegam que o termo usado para falar em vinho (do grego, “oinos”) é o mesmo que pode ser usado para suco de uva, logo, o vinho não necessariamente seria alcoólico. Ora, isso é problemático por vários motivos. Primeiramente, por sabermos muita coisa sobre a cultura hebraica/judaica. Como vimos, era um povo que fazia muito uso da uva, sendo o vinho seu principal produto. Sabemos ainda que a uva sofre um processo natural de fermentação alcoólica, ou seja, o suco da uva se converte em vinho, que, se não armazenado adequadamente, sobre oxidação, transformando-se em vinagre (grande concentração de ácido acético). Então não é de se estranhar que que há dois mil anos (ou mais) se usasse vinho. Estranho seria um povo sem nossa tecnologia bloquear um processo natural de fermentação, ficando sempre com apenas o suco da uva, sem álcool.
     Vemos a todo momento o vinho sendo associado a alegria (“alegra Deus e os homens”). Você já viu alguém consumindo bebida alcoólica? Após algumas doses a pessoa fica “alegre”, ri a toa, fala bobagens, abraça e se diz amigo de todos. É efeito do álcool em nosso cérebro essa euforia. Não faria sentido associar alegria a um suco comum. E o principal: o vinho é muitas vezes associado à embriaguez (tanto em relatos, como no de Noé e no de Ló, quanto em instruções para não se embriagar com vinho). Oras, haveria sentido nessas histórias ou nessa recomendação se fosse uma bebida não alcoólica? Ficar bêbado tomando apenas suco de uva, convenhamos, não é muito “comum”.
     No relato do milagre de Jesus, vemos que havia um “mestre sala” na festa, que era o responsável inclusive por avaliar a qualidade da bebida. Faria sentido haver alguém gabaritado pra provar um simples suco? Não. Mas talvez houvesse se sua função fosse como a de um enólogo atual, ou seja, de alguém especialista em vinhos, que avalia o paladar, o aroma, o teor alcoólico.
     Suco de uva, sem fermentação, não rompe “odres velhos”. E, se Jesus usou essa metáfora, é porque o vinho, no contexto dEle, era alcoólico. O rompimento do odre se dá pelo processo de formação do etanol (álcool), a partir da glicose da uva, liberando gás carbônico, que faz aumentar a pressão no recipiente fechado.
     Em Mateus 11:19 observamos que os críticos de Jesus o acusavam de “comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores”. Será que ele era acusado de beberrão por tomar muita água? Ou quem sabe um suco natural? Oras, é claro que era assim tratado por provavelmente sentar-se sem cerimônia com os desprezados pelos religiosos, comendo com eles suas comidas, tomando um vinho...
     Paulo, em I Coríntios 11, faz críticas em relação à “Ceia do Senhor”. Critica os cristãos locais por comerem demais, enquanto outros passavam fome. Ora, se uns se fartavam, é porque tinham abundância de alimento, certo? E a outra crítica dele é que alguns se embriagavam, enquanto outros não tinham o que beber. Novamente, se alguém se embriaga, é porque naquela “Ceia do Senhor” tinha o que? Bebida alcoólica. É óbvio. Mas preferimos fechar os olhos para as evidências, usando-as apenas de forma extremamente seletivas, quando nos convém.
     O que vemos é que os críticos apelam para a ingenuidade da maioria dos ouvintes, a fim de manipulá-los. O que fazem é ser seletivos nos textos, pegando todos os textos bíblicos que citam o vinho com uma conotação positiva e dizendo que são suco de uva; os que tem conotação negativa, dizem que é vinho (alcoólico). É desonestidade ao extremo.

O PROBLEMA É O ÁLCOOL OU A EMBRIAGUEZ?
     O problema maior não é o álcool em si e sim, a embriaguez. Sair da consciência (e o álcool promove isso, pois afeta nossa percepção, nossa capacidade de juízo, nossa memória, nossa auto-censura e nosso comportamento) não é recomendado. Tanto é que Paulo e outros autores neotestamentários fazem um alerta quanto aos excessos (Romanos 13:13; I Timóteo 3:8; Tito 2:3).
     A crítica é sempre ao abandonar a consciência e o auto-controle. E muitas vezes vemos em nosso meio pessoas que condenam qualquer consumo de bebida alcoólica, mas que vivem “fora de si” dopados por medicamentos (qualquer medicamento prescrito pelo médico deve ser tomado corretamente) ou que adoram um culto estilo “Reteté” no domingo, pra “sair de si”, pular, gritar, rodopiar, “cair o poder”, ficar “apagado” no chão, ser “arrebatado”... Percebe a contradição? Coa o mosquito e engole o camelo.

O ÁLCOOL NOS NOSSOS DIAS
     Atualmente sabemos que consumo regular leve/moderado de álcool e principalmente de vinho, em casos específicos, pode oferecer alguns benefícios à saúde, como melhora do “colesterol bom” (HDL) e certa diminuição no risco de alguns problemas cardiovasculares. Eu disse “PODE”, afinal os dados muitas vezes são questionáveis, visto que os estudos são muito limitados e restritos a grupos específicos de pessoas, além do fato de, na maior parte das vezes, haver influência de empresas produtoras de bebidas (afinal, é algo muito lucrativo, certo?), sem contar vários outros tipos de vieses. E outros estudos, aparentemente melhor elaborados, parecem apontar justamente o oposto, que o álcool em dose alguma diminui riscos e, ao contrário, mesmo o consumo baixo/moderado, parece aumentar esses riscos. Então esses dados devem ser analisados com muita cautela e é um dos motivos que dificilmente verá um médico fazendo essa indicação para um paciente (e nem deveria, na minha opinião como médico, indicar mesmo). O médico deve pesar riscos e benefícios e essa balança quase sempre pende para o aumento nos riscos, ao invés de apontar claros benefícios.
      Sabemos que há muitas pessoas com certa predisposição ao uso nocivo e abusivo do álcool, que é uma droga (lícita, mas é, assim como são o cigarro e os medicamentos), bem como à dependência química. Para essas pessoas, pequenas doses, que para pessoas “normais” não trariam, à princípio, grandes prejuízos, já colocarão o indivíduo em um grau de uso prejudicial e aí poderá ocorrer dano à saúde (alguns tipos de câncer, problemas hepáticos e pancreáticos, transtornos psicológicos, doenças transmitidas aos bebês, se consumido na gestação... Sem falar em danos ao organismo por interação com medicamentos), problemas sociais (violência física, acidentes, perda de emprego) e desestruturação familiar.

E SE ESCANDALIZAR MEU IRMÃO?
     Essa questão do escandalizar é bem subjetiva e relativa, convenhamos. Pois acredite: até hoje há quem se escandalize em um cristão ter uma televisão e mais ainda de ter acesso à internet. Mas não vejo ninguém preocupado com isso. Todos fazem que isso não existe. Só é escândalo quando e aquilo que convém. Mas quando é algo que um crítico rejeita ele logo apela para esse argumento do “escândalo”. Mas o que seria isso?
     Paulo diz aos coríntios que deixaria de comer carne se o irmão dele se escandalizasse com isso. Mas a quem ele se referia? Àquelas pessoas crianças na fé (e não aos “irmãos antigos” que insistem numa posição mais legalista, fundamentalista, ascética), que não tinham ainda  maturidade para avaliar tudo e julgar se é conveniente ou não, se edifica ou não, se traz benefícios ou prejuízos. Alguns deles poderiam se escandalizar por achar que uma conduta do apóstolo poderia ser um sinal de idolatria dele, de adoração a algum ídolo, e assim elas ficariam confusas. Mas não acho que alguém irá achar que uma pessoa que bebe uma dose de vinho está adorando o “deus do vinho” ou algo do tipo, como alguém nos dias de Paulo poderia pensar que ao estar consumindo um alimento “consagrado a um ídolo” estaria adorando a esse ídolo. Só por aí essa ideia de “escândalo” se torna inválida, pois o contexto é totalmente diferente. E mais: sabia que Martinho Lutero, o “pai” da Reforma Protestante, era um grande consumidor de uma cervejinha? E João Calvino, outro importante reformador, um grande consumidor de um bom vinho? Ah, mas isso dá pra fazer de conta que não existiu e bola pra frente. Mas experimenta um teólogo ou líder religioso hoje assumir que toma uma cerveja: será xingado e dirão que dele não pode sair nada “de Deus”, já que é um mundano. Olha a parcialidade...
     Outro ponto: se você achar que tem que abrir mão de tudo quanto alguma pessoa discorda, terá que deixar de viver em sociedade, pois nunca alguém concordará com tudo o que você faz e pensa. Além disso, terá que explicar porque Jesus não se importava em “escandalizar” muitos fariseus de seus dias. Já pensou nisso?

CONCLUSÃO:
     Enfim, após dizer tudo isso, o que quero concluir é que embora o vinho tenha sido obviamente alcoólico, isso não é argumento para alguém “encher a cara”, dizendo que Jesus também bebia. Isso é falta de vergonha na cara! O alcoolismo traz danos ao indivíduo, aos amigos, à família e à sociedade. Então se alguém sabe que tem predisposição à dependência, se já foi um alcoolista e conseguiu ficar livre dessa doença, não beba nada! Pois para quem tem predisposição, uma dose é suficiente para desencadear uma desgraça. Por isso também não sou favorável ao uso de vinho em locais que tem essa tradição na Eucaristia/Santa Ceia, pois ninguém sabe quem irá tomar e o que se passa na mente dessa pessoa.
     Caso o indivíduo sabidamente não tenha esse problema, não vejo mal algum em consumir uma bebida alcoólica de forma não contínua e não excessiva. Tomar uma cerveja com os amigos no final de semana ou em um aniversário (o famoso “beber socialmente”), tomar uma dose de vinho após o jantar ou brindar com um espumante em celebrações especiais, é algo natural, da vida e faz parte das relações sociais. Porém se o indivíduo não tem autocontrole, nem comece! O mal não está no álcool em si; o mal está na embriaguez e isso deve ser evitado (da mesma forma que não é errado comer, mas a glutonaria deve ser evitada). Sem contar que sua saúde e seu fígado sofrerão os danos, que dependendo da intensidade, poderá significar a sua morte.
     A questão na espiritualidade cristã não é se algo “é pecado”. O pecado é um conceito profundo e que envolve o nosso ser, a nossa natureza e não são meros atos que praticamos. A questão do cristão é o que Paulo ensinou (I Coríntios 6:12; Gálatas 5): “Isso me convém ou não?” (repare que o pronome “me” deixa claro que a análise é individual, então algo pode ser conveniente a você, mas não ser a outro e vice versa); “Isso me edifica ou não?” (novamente é uma análise pessoal e não deve impor a sua consciência a outros); “Isso gera frutos de amor ou gerará frutos da carne?” (aqui a quantidade ou a qualidade da bebida é também determinante). Então moderação, equilíbrio, bom senso e evite escandalizar seus irmãozinhos novos na fé (Romanos 14). Sabemos que na maioria das vezes ensinos humanos são repassados a eles como se fossem mandamentos divinos para serem seguidos e como ainda não tem essa consciência, não os chame para sua rodinha de amigos quando tiver uma cerveja ou um vinho no centro; não pare no bar de frente a casa dele. Se quer ajudá-lo a viver com a mente de Cristo (e não, com uma mente manipulada por outras pessoas), converse com ele, ensine, ajude-o a entender a vida. E não precisamos forçar interpretações de textos bíblicos para rejeitarmos qualquer bebida, como fazem os que dizem que era suco de uva que Jesus transformou e bebeu. O único vinho sem álcool que conheço é “OVINHO DE CODORNA” (risos). Mas basta termos maturidade para dizer: “não quero”, “não gosto” (como eu digo aos meus amigos quando me chamam para uma cerveja), “não acho que seja prudente pra mim”... É tudo tão simples...

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." (I Coríntios 10:31)

"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados." (Tito 1:15)

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo." (Colossenses 2:16,17)

Autor: Wésley de Sousa Câmara
09/03/2016

Referências:
1 - http://www.bmj.com/content/350/bmj.h407
2 – Willian L. Colleman. Manual dos tempos e costumes bíblicos.1991. Ed Betânia.
3 – Ralph Gower. Usos e Costumes dos tempos bíblicos. 2002.

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